Mas nós dizemos: "Ela começou"
Nossos inimigos dizem: "A verdade está liquidada"
Mas nós dizemos: "Nós a sabemos ainda"
Nossos inimigos dizem: "Mesmo que ainda se conheça a verdade,
Ela não pode mais ser divulgada"
Mas nós a divulgamos
Bertolt Brecht
CONTEÚDO:
O CHORO DA AMÉRICA
O 11 DE SETEMBRO E A "GUERRA AO TERROR":
OS POLÍTICOS SÃO INTELIGENTES - AS PESSOAS SÃO O PROBLEMA
POR TRÁS DAS CORTINAS DA MÍDIA INTERNACIONAL
Entrevista do Afeganistão Distorcida - Apresentamos a Original Aqui
"Guerra ao Terror" e Sua Ilimitada e Infinita Corrupção por Todo o Mundo
POR TRÁS DAS CORTINAS DA SUPERPOTÊNCIA
Genocídio em Gaza
E o que o Mundo não Sabe sobre EUA, Al-Qaeda e a "Guerra ao Terror"
SAPATAÇO CONTRA BUSH
Não Poderia Haver Marca Metafórica Mais Adequada
Para Encerrar Seus 8 Longos Anos na Casa Branca
CRIME POLÍTICO
Diplomata da ONU Morto no Iraque
A Quem Interessou a Morte de Sérgio Vieira de Mello?
PRÊMIO ANNA POLITKOVSKAYA' 2008 PARA MALALAÏ JOYA
A Mulher Mais Corajosa do Afeganistão
GASOLINA SOBRE O FOGO
A Globalização Unilateral e a Ditadura Democrática de Bush
EUA x IRAQUE: UMA QUESTÃO DE BEM-ESTAR... DOS OLEODUTOS
CACOS DO IMPÉRIO
(com exibição de um dos documentos que incriminam o Pentágono, e diretamente Bush)
O MUNDO LÊ
NESTA PÁGINA VOCÊ VAI ENCONTRAR (e sua visão de mundo, certamente, não será mais a mesma):
O sítio do jornal brasileiro O Tempo na Internet publicou entrevista totalmente distorcida com Malalaï Joya do Afeganistão, que luta contra os Talibans, contra os senhores da guerra e contra a ocupação norte-americana em seu país. Na entrevista original, Joya, que já sofreu cinco tentativas de assassinato no Afeganistão e é premiada em toda a Europa por suas lutas, fez revelações bombásticas sobre tal ocupação. Azar da máfia: a entrevistada enviou-nos, com exclusividade, a versão original da entrevista e publicamo-la, junto dos registros dos contatos por correio eletrônico do jornaleco com a afegã combatente! Além da própria entrevista-fantasia publicada pelo jornal, que também expomos aqui. A mídia internacional está de joelhos diante do Império e sua piada de "Guerra ao Terror", em busca de interesses regionais e econômicos no Oriente Médio. É o que fica mais um vez provado aqui, POR TRÁS DAS CORTINAS DA MÍDIA INTERNACIONAL
CACOS DO IMPÉRIO é uma densa crônica que traça os fracassos políticos mesclados com extrema corrupção dos Estados Unidos no Oriente Médio - e as origens disso são anteriores à I Guerra do Golfo de 1991. Muita coisa tem sido ocultada nos noticiários internacionais, mas não aqui nesta matéria e é bastante provável que você se surpreenda com fatos como este:
"(...)Censores militares enlouqueceram quando um comandante deixou alguns repórteres virem um vídeo feito de um helicóptero Apache que atacou um batalhão no Iraque. No tape, adolescentes aterrorizados correm caoticamente por todas as direções, enquanto metralhadoras disparando do helicóptero, que eles não conseguem ver, cortam seus corpos pela metade. O vídeo foi rapidamente tirado de circulação. Quando perguntei a razão disso a um funcionário do Pentágono, ele respondeu: “Se permitirmos que as pessoas vejam esse tipo de coisa, nunca haverá outra guerra"
Neste trabalho esmiuçamos a genocida investida norte-americana no Oriente Médio, e questionamos: não é fundamentalismo religioso e racismo ao extremo, sentindo-se ameaçado pelos valores de outros povos, tentar impor os seus próprios? Saiba em que se apóia a Doutrina Bush, que impõe ideias, costumes e muito comércio a outros povos - à base de bombas e em nome de Deus
Trazemos à memória fatos importantes, como o escândalo envolvendo o presidente Reagan e seu vice, George Bush (pai), que ficou conhecido como Irã-Contras, evidenciando que não há limites, políticos e morais, para se cumprir almejos imperialistas
Ao final desta crônica, veja um dos documentos que provam que a Casa Branca, através do Plano P2OG estimulou atos terroristas dos iraquianos com o intuito de justificar, posteriormente, mais investidas no Iraque
Conheça, deste modo, todas as contradições da retórica norte-americana que, aliás, explicam muitos dos problemas atuais
Conheça a trajetória de Malalaï Joya, valente afegã expulsa do Parlamento de seu país por denunciar de frente, e em alto e bom tom, os corruptos e traficantes de droga do Afeganistão e a ocupação norte-americana em sua terra-natal. Joya já sobreviveu a quatro tentativas de assassinato; sua voz ressoa como desafio ao poder estabelecido, e como esperança a um povo historicamente subjugado. Dentro do contexto do Afeganistão, analisando a recente história do pais, apresentamos com detalhes a comovente e combatente história de vida de MALALAÏ JOYA - PRÊMIO ANNA POLITKOVSKAYA' 2008
Desde a chegada de Cristóvão Colombo em 1492 até os dias de hoje, situações extremas têm enfrentado a América Latina: um encanto louvado com muita paixão e riqueza de detalhes em O CHORO DA AMÉRICA que, além de traçar histórico, exalta apaixonadamente as belezas da geografia, da cultura e do povo latino-americano em mais de 5 séculos de riquezas únicas
As árvores são de tanta beleza e suavidade, que nos sentimos estar no Paraíso terrestre...
(Americo Vespucci)
Fértil e exuberante América Latina, suave brisa matutina, pelo deus mercantilista desde o Renascimento predestinada a ser subtraída. Em desfavor de teu celeiro, és grande atriz na história dos ganhos do mercado alheio, por choroso e escuso meio. Pátria Grande portentosa, sim, do globo és a paisagista mais maravilhosa: às águas do Amazonas o gemido da corça, ao rico Pau-Brasil uma formosa hortaliça roça. América vaidosa, prodigiosa, há mais de meio milênio nossa riqueza não é mais nossa, desde tuas primeiras lágrimas em 1492: o índio em sua palhoça, à penetração ignominiosa por Hispaniola, teu São Domingos cruelmente violentado. Um pranto, pranto desdenhado. Em teu seio gotas de sangue e tanto!
América mística, distante e misteriosa, através do Behring as portas de um encanto em 15 mil quilômetros de êxtase. América paradisíaca, do Alasca à Terra do Fogo dentre todos a mais extensa, de teus extraordinários índios matemáticos noiva tão pretensa, inspiradora; dos panteístas aborígenes, precursores dos mapas do céu, és alentadora. Ao interior de um Novo Mundo que goza em incontáveis privilégios pela Trindade que tudo fez, transformada em terra de avidez.
Hospitaleira e primorosa natureza, airosa, Ilhas Galápagos, vicejante lar da criação mais preciosa. Pelos ventos que sopram do Atlântico tropical decantando tua ditosa fauna e imarcescível flora, díspar realeza: estendem-se pelos verdejantes Pampas rumo aos pulsantes Andes, conduzindo às moradas do Céu. Lírios, mangues, ervas, outeiros, fronteiras em incessante movimento por teu povo que tudo produz, por teu ouro branco, por teu ouro negro, por teu ouro que reluz, reluz em contraste a 222 milhões de excluídos, 43% de tua inigualável capacidade de trabalho, 100 milhões de famintos em extrema pobreza servindo à estranha destreza, afastados da dignidade pelos que exportam tua riqueza.
Latinos do merengue, da vanera, da cumbia do meneio da morena, do sombreiro, da machadinha, do terere, da imponente asteca Tenochtitlan: se benevolente foi o Altíssimo convosco, o destino é-vos impiedoso. Vida tirada deliberada e massacrantemente, tesouro aviltado, outrora pelas navegantes, religiosas e mercantis missões do Velho Mundo civilizado: em substituição às Índias, a surpresa de doces ameríndias. Certos de receber seus mestres em caravelas e galeões, alçapões: os pais de Tupac Amaru no auge aos 90 milhões, em um século e meio à redução de três milhões e meio foram efetuados. Por habitar o solo mais rico, a sentença dos seus pecados.
América Latina do xote, da polca, da tão dançante cachaca!! Do Mar das Antilhas e seus corais, água clara e calma, até o altivo Aconcágua rica América, latina de alma, a metalurgia do maia, lugar onde tudo é possível! Desde o maia e a criação dos calendários até Machu Picchu, o inca e grandes palácios. Do gaúcho trovador é inevitável o furor se acende a chama em seu interior, se chama o berro do gado ao pendor de lutar contra o torpor por seu ingente pundonor, o Prata e o Rio Grande abençoados pelo Criador, que vos salve! Resplendor de San Martín e de Bento Gonçalves!
América Latina dos sonhos de Evita, a Cinderela dos Pampas e suas fervorosas multidões, de Pancho Villa, a igualdade e a fraternidade ainda soturnas ilusões. O bandoneón a ecoar do orgulhoso Teatro de Colón, colorida noite portenha em ritmo de tango, ondas quentes do mar piscoso de Cancún ao ritmo do mambo, hoje sob insidioso disfarce de banco faz-se teu escarlate e brioso como nenhum outro sangue derramar na mesma proporção ao solo tão formoso! Suseranos da modernidade, bárbaros motorizados e seus jatos, a vaidade: trazem a extremação da degradação, latente opressão tão sutil quanto a falaz integração, o abismo de tuas fronteiras em expansão. De teus meios a diminuição, das necessidades, multiplicação. Pseudo-liberdade, orgíaca dominação, amontoação de capital que à pobreza de ti cresce inversamente proporcional. Gastas anualmente a imensidade de uma Cotopaxí, 500 milhões de dólares para comprar no estrangeiro o que, facilmente, produzirias aqui. Uma vez, estupenda Potosí, o som do tamborim nenhures combina tanto como em ti. O caboclo, a flauta, o gaúcho, a gaita, harmonizam-se com o Titicaca; o Paraíso de Angel e suas cataratas; a Quebrada de Humahuaca, onde a América fala com o céu. Latinos, sois o sustentáculo do excesso e do opóbrio, servidor do manjar e da quirela - vós ficais com a miséria, em seu estágio mais avançado. O forasteiro fiteiro, disfarçado, desde tempo ganancioso de El Dorado, tudo silencioso.
Plangente pele-vermelha reduzido à nada, substituído como objeto com a batea, da extração do ouro já não é mais serviçal; pele-negra caçado, fustigado, à Revolução Industrial foi vital. Ambos confrangidos, impulsores do capitalismo, convertidos em mero valor de troca. América Latina, até quando a delonga de uma nova aurora?
A candura de Bolívar, as paixões de Che Guevara, doçura e demasiada bravura, tão valente! A primaveril Patagônia tão pura, o suspiro viril de Salvador Allende, terra de desperdício cuja metade cultivável pertence a 15%, tal atraso é um vício. Teu verde amazônico presta-se, atônito, ao poder atômico do Norte que norteia tua morte. Ditaduras, o fraco frente ao forte, conflitos mais sangrentos, imerecida sorte. O Gran Chaco, as Malvinas, a convivência das contradições, o cavaleiro Sepe Tiaraju e seus Sete Povos das Missões. Anita e Giuseppe Garibaldi pela liberdade, igualdade, humanidade, tudo tão romântico! Marés do Canal da Mancha ao Atlântico trouxeram, em castelos de proa e popa, um Império, já eclipsado, pelo qual foste levada à vergonhosa e genocida Tríplice Aliança. A Guerra do Pacífico, outrossim, nau egocêntrica, tua força contra ti mesma, poltrão desconcerto em teu sarau, criminosa sojeição forjada pelo maioral. Do Golfo Mexicano em sua porção setentrional, protecionistas por excelência asfixiam-te com o princípio paradoxal: às classes polarização e seu lavradaz encanto - dos mais humildes a condenação. Assaz incoerência, há suspeição contra tua paz? Indisfarçável evidência: desde 1955 tua renda é uma estagnação - e a individual só baixa. Simples conseqüência, silêncio sobremodo voraz, pusilânime indolência.
Mãe, onde está teu bramido? Teu chamamento quer ser ouvido! Sem fazer ruído, dentre os restos das três bombas de Hiroshima que todo ano caem sobre ti, morre uma criança faminta ou enferma a cada minuto. Esta não pode ser tua realidade, isto não pode ser teu tudo! Quando souberes a força que tens, livrar-te-ás deste coercitivo manto. Mas quando será este quando?
Contudo, em meio aos 100 milhões de analfabetos, impostos e felicitados pelos furtivos tecnocratas de fora, governos títeres, insípidos de dentro, existe em ti força e vigor, ainda que rodeada de algozes, para te alentares em altíssono de 510 milhões de vozes, ó latina América da Primavera dos Povos, da Pátria dos Seis Continentes, do Sol de Maio que raia sobre horizontes, minas e fontes exclusivas no Universo! Has de ascender teu mais belo verão, findando definitivamente o crepúsculo macabro de tua pilhagem, sina procelosa, inaceitável prostração, e preludiar a força de tua coragem, o direito inalienável à autonomia, à liberdade, à vida mais exitosa! Latinos, vereis forte e erguida, como efetivamente foi formada, vossa América Latina, extraordinariamente amada!
Janeiro de 2006
OS POLÍTIOS SÃO INTELIGENTES – AS PESSOAS SÃO O PROBLEMA
Levando-se em conta a fracassada Comissão do 11 de Setembro e as consequências desastrosas da “Guerra ao Terror”, fica claro que há um lado totalmente equivocado e afastado do verdadeiro debate sobre o terrorismo mundial. Longe de nós pretender ter a única resposta e encerrar o debate, analisamos a realidade dentro do Afeganistão e encontramos duas alternativas para entender o que o mundo tem assistido sobre "combate ao terror". Fique à vontade para escolher uma delas
Versão original em inglês publicada no Nolan Chart
Setembro de 2009
Enquanto o mundo chora recordando os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, os políticos dos EUA “debatem”, isso mesmo, eles “debatem” e agem a fim de cumprir sua tão dita “luta contra o terror”. Oito anos após o atentado em solo norte-americano, encontramos dois inevitáveis denominadores comuns dessa “Guerra ao Terror” – veja onde você se encaixa melhor e tenha certeza: qualquer um é tão terrorista quanto o próprio 11 de Setembro. Vamos ver, então?
A principal discussão desde que Barack Obama tomou o poder em janeiro passado, é o envio de mais tropas ao Afeganistão (segundo ele, uma ocupação efetiva naquele país é essencial para se combater o terrorismo mundial). Por outro lado, temos mostrado nesta página não só as atrocidades contra civis por parte das fracassadas forças da coalizão EUA / OTAN no Oriente Médio, especialmente no Afeganistão onde elas têm 66 mil tropas, mas também exposto o choro da população local e da ex-Parlamentar Malalaï Joya contra a ocupação lá, apresentando oportunas e urgentes alternativas para se combater o Taliban e os senhores da guerra.
De fracasso e genocídio a fracasso e genocídio desde 2001, quando os EUA invadiram o Afeganistão passando pela invasão ao Iraque em 2002, a essência da estratégia no Oriente Médio não muda, e o “debate” anda em círculo. Semana passada, aumentou o “debate” em relação a enviar ou não tropas adicionais ao Afeganistão: Obama demora para colocar em prática o que prometeu na campanha presidencial (para construir coalizões em favor da reforma no sistema de saúde de seu país), que é exatamente aumentar o número de tropas no Afeganistão. O Secretário de Defesa Robert Gates está disposto a considerar o pedido de mais tropas, enquanto o general norte-americano Stanley A. McChrystal, comandante-maior no Afeganistão, está solicitando há muito mais tropas de combate no Afeganistão.
No lado “oposto”, está o líder do Partido Democrático no Senado em assuntos militares, Carl Levin, do Estado de Michigan, presidente do Comitê das Forças Armadas, afirmando que “Eu só acho que deveríamos cancelar por algum tempo o compromisso de enviar mais tropas de combate, até que esses passos adicionais de fortalecer as forças de segurança afegãs sejam colocadas em prática”, em entrevista por telefone quinta-feira passada ao jornal The New York Times.
Vejamos agora a realidade afegã (sofrida e ocultada realidade que a mídia mundial estranhamente não publica) e alguns “números” (para essa gente, nossos políticos, esses são tão-somente “números”, claro, e nunca colocados em discussão; e das evidências abaixo, tiraremos uma definitiva conclusão, ou uma ou outra que será apontada, você escolhe):
● A maioria das pessoas vive em casas ilegais, não-planejadas, desregulamentadas propensas a desastres naturais, e falta água e instalações de saneamento básico, segundo funcionários públicos. “Dos [estimados] cinco milhões de habitante hoje em Cabul, pelo menos três milhões estão residindo em ”casas não-planejadas e ilegais”, disse Abdul Wahab Sadaat, deputado diretor da assistência pública da cidade no departamento Municipalidade de Cabul. “Essas casas – que compõem cerca de 75 por cento das casas de Cabul – são também vulneráveis a terremotos, enchentes e outras catástrofes naturais”, disse Sadaat (Afghanistan: Unsafe Housing Puts Kabul Residents at Risk);
● Ao longo dos últimos sete anos, alguns comandantes de milícias e grupos poderosos têm-se apoderado e vendido propriedade pública e terrenos, criando uma crise nas regras de urbanização, disseram funcionários da municipalidade e no Ministério de Desenvolvimento Urbano. A população de Cabul tem crescido substancialmente, de cerca de um milhão em 2001 para cerca de 2009, esgotando os recursos naturais da cidade, já limitados, especialmente as redes subterrâneas de água, dizem especialistas governamentais e independentes. O rápido crescimento e urbanização da população, somado a recursos limitados, tem estabelecido pesada carga ao meio ambiente e à qualidade do are em Cabul, os quais, segundo funcionários da área da saúde, levam à morte mais de três mil pessoas anualmente (da mesma fonte citada no ponto acima);
● Quando as tropas estrangeiras chegaram ao Afeganistão, havia pouca preocupação com a opinião pública afegã. Desde então, eles têm tido sete anos para vencer uma guerra contra o já colocado em descrédito Taliban (como Malalaï Joya observa, um bando de pessoas analfabetas e com mentalidade medieval que a superpotência não vence porque não é séria em sua luta contra o terror, e precisa de um pretexto para permanecer no Oriente Médio em busca de seus interesses econômicos e regionais – o Taliban é esse pretexto). Sete anos para consertar a barragem hidroelétrica de Kajaki, e ganhar as mentes e os corações dos insurgentes, os procurados produtores de ópio. Sete anos para desarmar as milícias e levar os criminosos de guerra à justiça, conforme foi prometido em 2001 (The Afghan Industry);
● Quando o Taliban chegou à pequena cidade de Farah em maio, os moradores mais velhos lá aproximaram-se deles e pediram-nos que saíssem. Eles disseram ao Taliban que se os combatentes permanecessem, os estrangeiros bombardeariam a cidade deles. O Taliban disse; “Nós estamos lutando e morrendo pelo Islã, e vocês deveriam fazer o mesmo. Por que vocês deveriam ser poupados da morte? O sangue de vocês é melhor que o nosso?” Assim, os aviões estrangeiros chegaram, despejando suas bombas e, segundo os moradores de Farah, mataram mais de 100 vivis. “O que poderíamos fazer?” disse um morador à rede BBC afegã. “Os Talibs são com armas e granadas. Nós não tínhamos armas para nos proteger, e nenhum jovem nos ajudou” (da mesma fonte citada no ponto acima / mais sobre o massacre de Farah, aqui);
● As tropas solicitaram que a equipe do hospital em Wardak, sul de Cabul, alertasse o Exército se insurgentes aparecessem para tratamento. Anders Fänge, o diretor do Comitê Sueco para o Afeganistão, disse: “Isso é uma clara violação das regras e princípios internacionalmente reconhecidos. Se as forces do Exército internacional não respeitam a inviolabilidade das dependências do hospital, então não há razão para oTaliban agir também dessa maneira”, acrescentou Fänge. “Desta forma, essas clínicas e hospitais se tornariam alvos militares. (US Troops Accused of Carrying out Armed Raid on Afghan Hospital);
● Um relato do Exército dos EUA constatou que os ataques pelos bombardeios do US B1 em Farah violaram as ordens já estabelecidas na ocasião. O relato ordenava que todas as forças dos EUA operantes no Afeganistão fossem submetidas a novo treinamento. As últimas ligações dos comandantes do Exército eram no sentido de “inspecionar” e “limitar” o uso de apoio militar rigoroso contra residências e outras áreas que pudessem causar baixas civis. Cerca de 800 civis foram mortos no Afeganistão entre janeiro e maio deste ano, um aumento de 24 por cento em relação ao mesmo período de 2008, segundo funcionários da ONU afirmaram no mês passado. Mais da metade dessas mortes foram causadas por insurgentes, e simplesmente mais de um terço pela forces internacionais e agefãs, a ONU informou. O resto não pôde ser atribuído a nenhum lado (The Airstrike Killed Six Civilians and Wounded 14 Others);
● Funcionários públicos, citando relatos de testemunhas da afastada área deserta, disseram que a força da explosão cortou em pedaços muitas vítimas, e que o número de mortos foi calculado após os pedaços das carnes ser coletados do local (Afghan Bombs Kill 11, Including Children);
● As baixas civis no Afeganistão subiram 40 por cento no ano passado, a mais alta taxa desde a invasão liderada pelos norte-americanos, no final de 2001;
● O relatório da ONU, compilado por um departamento dos Direitos Humanos, afirmou que a taxa de morte entre civis subiu para 2.118, dos 1.523 em 2007, a maioria no sul do país, onde a luta é intensa;
● Na prisão de Bagram, 600 pessoas estão ilegalmente detidas Segundo a Guarda dos Direitos Humanos (Human Rights Watch);
● Os trabalhadores das eleições afegãs leais ao presidente Hamid Karzai, montaram fictícios locais de votação, onde ninguém votava mas registrou centenas de milhares de cédulas em favor da reeleição do presidente, segundo funcionários ocidentais e afegãos de alto-cargo. (...) “Achamos que cerca de 15 por cento dos locais de votação nunca foram abertos no dia da eleição”, disse um antigo diplomata ocidental. “Mas eles ainda conseguiram fazer manobras e relatar milhares de cédulas para Karzai (AfghanistanPoll 'Fraud en Masse');.
Bem, diante disso tudo, um ínfimo resumo da dolorosa realidade afegã, nem Obama nem seus “fortes” oponentes discutem nada além de estratégias militares. Não, de fracasso e genocídio a fracasso e genocídio, nem nossos gênios da política nem a mídia mundial aceitam, por exemplo, escutar o povo afegão – eles têm muito a dizer, têm diferentes ideias de como derrotar os inimigos locais, eles são as vítimas e, teoricamente, o objeto de tal invasão... não são? O povo afegão resistiu heroicamente contra o Reino Unido (maior potência mundial na época) e contra a união Soviética (maior potência na época, ao lado dos EUA), e poderiam vencer o Taliban e os senhores da Guerra sem ocupação – com ajuda estrangeira, sim, eles precisam dessa ajuda, mas não de ocupação. Os afegãos querem democracia e liberdade (é exatamente esse o problema para os políticos, democracia e liberdade?), eles merecem ser ouvidos, têm que ser ouvidos.
É fácil saber porque os políticos nos impõem esse tipo de “debate”, e tal recurso de “impor” democracia e liberdade aos outros através de intermináveis guerras: se não houver meios militares, não há ocupação, e não há imperialismo nem poder, especialmente sobre o petróleo. Jake Towne tem insistido neste ponto em sua coluna no Nolan Chart, especialmente em Carta Aberta ao Congressista Dent e em Império Militar dos Estados Unidos: com riqueza de números e argumentos, Towne contesta as reais intenções da Casa Branca em seus gastos militares.
Como citamos em Gasolina sobre o Fogo nesta página, mais abaixo, "durante todo o primeiro semestre de 2001, funcionários da Agência de Inteligência norte-americana (CIA) imploraram para que sérias atitudes de segurança fossem tomadas e com urgência já que, de acordo com suas constatações, eram iminentes ataques terroristas dentro do país a ser praticados por sequestradores suicidas em aviões comerciais. Como estes funcionários eram ignorados pelos altos escalões a agência, pediram demissão indignados e temerosos - segundo eles, para lavar as mãos em relação àquilo que certamente ocorreria de terrível e sangrento contra a nação, e em breve. (...) Finalmente, em 14 de fevereiro de 2002 estes inspetores (da ONU) asseguraram que não havia armas de destruição em massa naquele país, não dando razão à invasão. O próprio Congresso norte-americano, nesta mesma época, afirmou que o "arsenal militar iraquiano era pobre", e em 1999 que "o estado de ânimo e a eficiência dos campos de batalha no Iraque eram mais frágeis do que em 1991".
Por uma razão ou por outra, talvez porque temos sido distraídos de muitas maneiras nessa Disneilândia das notícias, nós também nos esquecemos que essa falta de seriedade em combater o terror é outro ataque contra as vítimas do 11 de Setembro e suas famílias, que nunca foram levadas a sério – lembremo-nos que o escárnio de Comissão 11 de Setembro fracassou, e requerido pelas famílias das vítimas para que fosse reaberto em um tribunal independente, nunca criado, entre outros espetáculos de nossos políticos e da mídia.
Estamos dispostos a passar toda a nossa vida, ano a ano, apenas promovendo cerimônias às vítimas de Osama bin Laden e das falhas de nossos governantes, cheio de demagogia de muitos? Inacreditavelmente, o editorial do jornal The New York Times de sexta-feira passada, 11 de setembro, escreveu sobre Oito Anos Depois discutindo o que tem sido levantado no Marco Zero (expressão usada para designar locais atingidos por bombas) das antigas Torres Gêmeas do World Trade Center, para as famílias das vítimas, políticos e visitantes. “Em vez dos dois memoriais projetados pelo arquiteto Michael Arad, os visitantes verão seus mais simples esboços”. Oh! Oito anos após 11 de setembro de 2001, NINGUÉM respondeu seriamente nem pagou na justiça pelos ataques! Bem, Osama bin Laden não foi preso, mas pelo menos vive Escondido, diferentemente de George Bush, de Donald Rumsfeld, de Dick Cheney, dos mcbamas que livremente viajam mundo afora. Eles promovem a “Guerra às Drogas” na Colômbia ao mesmo tempo que colocam no poder afegão e apóiam por oito anos os traficantes de droga da Aliança do Norte. Oh, Saddam Hussein, sim, este foi morto – e nossos bandidos de luxo não encontraram bombas de destruição em massa no Iraque, como a ONU havia afirmado antes da invasão que não havia (detalhes em Cacos do Império mais abaixo, nesta Terceira Página), nem nada que o ligasse a Osama bin Laden. Basta de zombaria contra nós, o povo!
Nas últimas semanas, a rede de notícias de TV norte-americana CNN vem exibindo comercial de um programa em que a repórter Christiane Amanpour indaga o entrevistado afegão (provavelmente, professor islamita das madrassas): “Como você ensina-os a não ter ódio?”. Cara Amanpour, o que os políticos norte-americanos fazem para não ser odiados? ABSOLUTAMENTE NADA, pelo contrário, fazem tudo para incitar mais ainda a raiva naquela região a fim de, posteriormente, justificar mais agressões conforme evidenciou o Plano P2OG, arquitetado diretamente por Bush e o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld a fim de obter atos agressivos por parte dos iraquianos e, assim, ter motivos para novos ataques norte-americanos no Iraque, escândalo lembrado com mais detalhes em Cacos do Império, com exposição de documento que comprova o P2OG, ao final desta página.
Enfim, nossas duas conclusivas e óbvias alternativas: levando-se tudo isso em conta, ou os Lords da democracia e seus cães-de-guarda da mídia estão nos chamando de tontos com toda essa palhaçada de “Guerra ao Terror”, usando o dinheiro dos contribuintes para tal empreitada, ou nós somos, de fato, um bando de tontos que não sabe nada. De que lado você está?
Que Deus conforte as famílias das vítimas do 11 de Setembro, com o incomparável toque do Espírito Santo e de Jesus nosso Amigo e Salvador, cheio de poder e misericórdia para consolar e fazer tudo novo; e o mesmo com as vítimas do Iraque e do Afeganistão, como Joya diz: “Nós, os afegãos, enfrentamos um 11 de setembro todos os dias".
Entrevista do Afeganistão Distorcida
Apresentamos a Original Aqui
"Guerra ao Terror" e Sua Ilimitada e Infinita Corrupção por Todo o Mundo
Malalaï Joya concedeu, do Afeganistão, destemida entrevista ao sítio O Tempo do Brasil dias atrás fazendo revelações bombásticas sobre a ocupação norte-americana em seu país, totalmente cortadas e vergonhosamente modificadas. Azar da máfia mundial: Joya enviou-nos, com exclusividade, a versão original da entrevista. Expomos "ambas as entrevistas" aqui, a publicada e a original, e analisamos como trabalha a mídia tendenciosa. Quanto mais o tempo passa, mais claramente vemos as marionetes do Império nessa piada de Guerra ao Terror. Prepare-se para chorar. Prepare-se para vomitar comigo
Versão original em inglês publicada no Nolan Chart
Esta matéria foi também publicada no Afeganistão, no sítio da RAWA
(Associação da Mulheres Revolucionárias do Afeganistão [contra o fundamentalismo religioso])
Junho de 2009
Malalaï Joya, 31, ex-membro do Parlamento afegão expulsa do cargo por denunciar os senhores da guerra (líderes tribais locais), "uma máfia no poder", como ela diz, concedeu de Cabul franca entrevista por telefone e correio eletrônico ao sítio na Internet do jornal brasileiro O Tempo de Minas Gerais, pessoalmente à jornalista Renata Medeiros. Ela respondeu a todas as questões muito oportuna e corajosamente, contando sobre sua vida e lutas, revelando também a catastrófica realidade do Afeganistão. Apresentou inclusive denúncias sobre as reais intenções e genocidas ações dos Estados Unidos dentro do país e suas "marionetes", que, segundo ela, são os senhores da guerra e os próprios Talibans, mostrando por que é mundialmente conhecida como "A Mulher mais Corajosa do Afeganistão".
Contudo, a publicação de Renata em 14 de junho fez mesmo aqueles que conhecem apenas um pouco de Malalaï Joya arregalar os olhos curiosos: a "jornalista" abre a "matéria-fantasia" com um breve artigo ligando astutamente "cacos" das afirmações de Joya a um ponto de vista que a afegã não possui, em absoluto.
Depois disso, vem uma "minientrevista" jamais concedida por Joya. Em tal piada de entrevista, Renata não apenas cortou as respostas, escolhendo cuidadosamente apenas algumas partes e omitindo outras, juntando diferentes perguntas transformando, assim, o ponto de vista de Joya muito vago, como a "jornalista" também criou, isso mesmo, criou perguntas nunca feitas por ela mesma.
Malalaï Joya, que só trafega pelo Afeganistão escoltada por 12 seguranças fortemente armados (veja impressionante foto), escondida em uma burca dentro de um táxi, e nunca dorme duas noites na mesma casa, enviou-nos, através de seu Comitê de Defesa (CD) em Cabul, a entrevista original que concedeu para O Tempo no Brasil, os quais expomos aqui.
De acordo com Joya e seu CD, tal fato é muito estranho já que eles receberam do Brasil algumas ligações, e Renata parecia muito interessada no material: "Ela ligou para Joya várias vezes, e mandou-nos muitos correios eletrônicos, solicitando as respostas. Ela estipulou um tempo muito curto para que Joya respondesse às questões, e Joya fez isso com máxima urgência, de maneira que não sabemos por que ela cortou tudo" (CD de Malalaï Joya).
Mas eles sabem tão bem quanto nós o que há de "estranho" neste último e escandaloso capítulo da piada de Guerra ao Terror que apresentamos aqui, uma clara evidência de que, para o jogo atrás de interesses regionais e econômicos, a imprensa mundial está realmente de joelhos, mendigando as migalhas do Império.
Bom, vamos dar a palavra a quem realmente merece. Leiamos primeiro a entrevista original na íntegra, concedida por Malalaï Joya, com apresentação também de registros dos seus contatos com O Tempo, para depois expor a matéria publicada no Brasil. Então, finalmente "estudamos" ambos os materiais e será muito fácil desmascarar, uma vez mais, o que está por trás das cortina da superpotência, o que está por trás das cortinas da mídia e de seus espetáculos, tão servis à máfia que controla o mundo.
---------- Forwarded message ----------
From: Renata Medeiros (...) @ (e-mail)
Date: Mon, May 25, 2009 at 11:23 AM
Subject: Re: Interview (brazilian newspaper)
To: Defense Committee for Malalai Joya mj@malalaijoya.com
Querida Malalaï Joy, [sic]
Foi muito bom falar com você sexta-feira passada. Como eu disse por telefone, estou enviando as perguntas para a entrevista (espero que não sejam demais). Desculpe-me por não ter mandando antes, mas tenho trabalhado aos fins de semana e os dias foram muito ocupados. Bom, eu gostaria de saber se seria possível a você me mandar as respostas na quarta-feira às 8 da manhã (serão 5 da tarde para você). Assim, eu posso telefonar a você no caso de alguma dúvida. O que você acha? Eu gostaria de apresentá-la ao sítio do jornal onde trabalho. Ele é www.otempo.com.br
Muito obrigado
Com minhas considerações,
Renata Medeiros
---------- Forwarded message ----------
From: Defense Committee for Malalai Joya mj@malalaijoya.com
Date: Fri, May 29, 2009 at 12:33 AM
Subject: Re: Interview (brazilian newspaper)
To: Renata Medeiros (...) @ (e-mail)
Querida Renata,
Aqui vão as respostas para todas as perguntas (anexadas)
Espero não ser tarde demais. Por favor, confirme seu recebimento.
Considerações,
CDMJ
(Anexo)
Desculpe-me por ter tomado tanto tempo para responder suas perguntas, e espero que as respostas sejam satisfatórias e não sejam muito longas.
Como respondi às questões com pressa, perdoe-me por erros gramaticais e repetições de observações em minhas respostas.
Por favor, me diga se você tem mais perguntas,se você tem mais pontos a ser explicados.
Seria melhor você me escrever correio eletrônico, já que por telefone não é sempre fácil de se entender.
Muito respeito,
Malalaï Joya
1) Quando, como e por que você se juntou à carreira política?
No Afeganistão, nos últimos 30 anos, nós tivemos muitas gerações de guerra. Eu sou uma delas. A tragédia que ocorre no Afeganistão engajou até crianças afegãs em certos pontos da política. Eu estava interessada no ativismo social e em trabalhar pelos direitos das mulheres, quando era muito nova na escola. Costumava ler muitos livros. Mas foi durante o tempo do Taliban que retornei da vida de refúgio ao Afeganistão, e trabalhei como servente social em Organização Não-Governamental (ONG) ensinando mulheres e meninas em aulas secretas. Vendo uma situação horrível das mulheres e homens afegãos sob a brutal lei do Taliban e outros bandos de fundamentalistas, que me encorajei e me engajei na política, e trabalhei pela democracia, pelos direitos das mulheres e justiça social no Afeganistão. E, finalmente em 2003, após ser eleita à Grande Assembléia Afegã [Loya Jirga, no idioma pashtun], onde a nova Constituição do Afeganistão foi aprovada, eu encontrei a oportunidade de pronunciar o choro do meu povo em um breve discurso, o qual mudou minha vida e a direção política e do ativismo social. Mais tarde, quando fui eleita ao Parlamento afegão, isso me deu mais oportunidades para trabalhar por meu povo e desafiar os inimigos de nosso país.
2) Dois anos depois de eleita, você foi expulsa do Parlamento. Como você se sentiu quando isso aconteceu? Como foi aquele momento para você?
Não foi uma surpresa para mim, quando entrei no Parlamento eu sabia que teria tempos difíceis pela frente, já que queria desafiar alguns homens brutais e infames no Parlamento. Eu sabia que aquele não era um Parlamento democrático, e muitos desses homens ocuparam o Parlamento usando armas, dinheiro e relações exteriores. Muitos deles são antidemocráticos e antifeministas até os ossos, e costumavam a falar apenas a linguagem das armas e tudo que eles sabem fazer é matar e destruir.
Havia poucos esclarecidos no Parlamento, mas a maioria era de senhores das drogas, senhores da guerra [líderes tribais locais] e conhecidos criminosos que possuíam um passado sujo.
Desde o primeiro dia no Parlamento, encarei ameaças, insultos, e pressão. Mas eu não estava disposta a trair meus princípios, e queria usar minha posição no Parlamento para expor a verdadeira natureza do Parlamento afegão, o regime fantoche de Hamid Karzai, e os crimes e politicas entrincheiradas dos EUA / OTAN em meu desastroso país.
Assim, eu sabia que não seria fácil para mim suportar a situação por muito tempo, primeiro eles tentaram censurar-me dentro do Parlamento e não me davam muita chance de tomar parte nas discussões, quando eles não puderam me deter o próximo passo deles foi me expulsar do Parlamento.
Considero isso minha vitória. É meu êxito o fato de, no Parlamento onde os mais poderosos e brutais homens estavam, eles não terem conseguido me deter em tornar minha a voz do meu povo. Mas foi a queda deles o fato de não ter podido encarar a verdade e apelaram a expulsar-me de um jeito antidemocrático e fascista, e não puderam nem mesmo me encarar no tribunal e, apesar da condenação internacional, eles ficam quietos e nunca nunca se prestaram a dar audiência sobre meu caso no tribunal.
3) Que tipo de ameaças você recebeu quando foi expulsa do Parlamento, e que tipo de ameaças você recebe atualmente?
Têm havido diversas tentativas de assassinato contra minha vida, mesmo dentro do Parlamento eu tinha que aguentar as ameaças verbais e abusos dos senhores da guerra, uma vez quando uma multidão deles me atacou, no Parlamento, um deles gritou, "Peguem e estuprem-na!". Era muito comum me chamarem de "vagabunda", "prostituta" etc... dentro do Parlamento!
Ainda recebo ameaças por telefone, correio eletrônico e tenho que viver escondida. Fico pouco tempo na mesma casa, sempre trocando-a, e não posso viver com minha família e com meu esposo por muito tempo. Quando concedo entrevista a jornalistas ou quando recebo visitas, sou protegida por meus seguranças pessoais, e quando me locomovo a qualquer lugar, tenho que usar a incômoda burqa para me esconder.
Os senhores da guerra fundamentalistas estão escrevendo muitos artigos levianos contra mim em seus sítios na Internet e outras publicações. Eles estão tentando me colocar em descrédito perante a população, e muita propaganda falsa e negativa contra mim.
Como meus inimigos têm seus exércitos particulares, bilhões de dólares, conexão com a máfia da droga e apoio do governo dos EUA e do Ocidente, eu tenho que tomar cuidado e usar diferentes técnicas para continuar minha luta contra eles, e também para estar viva. Para eles matarem um ser humano, é tão fácil quanto matar um pássaro. Alguns deles estão na lista de criminosos de guerra dos Direitos Humanos. Um deles é Abdul Rab Rasul Sayyaf, um temido senhor da guerra responsável por matar milhares de nossas pessoas, e até mesmo um relato da ONU documentou um dos massacres ordenado por ele, dizendo ele "matem todos, não deixem nenhum vivo"!
4) Eu gostaria de saber sobre sua rotina. Como são seus dias? O que você faz? Que tipo de dificuldades você sofre hoje em dia?
Infelizmente, de alguns anos para cá, problemas de segurança têm me restringido de encontrar meu povo e viajar a diferentes partes do Afeganistão, mas eu ainda tento me conectar com meu povo e especialmente com as mulheres vítimas, de modo que eu tenho tentado receber visitas em diferentes locais secretos e presto atenção a seus casos, e tento ajudá-los através de meus apoiadores e amigos. Eu também tento publicar seus problemas e através da mídia internacional, assim todo mundo fica sabendo o que acontece aqui, sob o tão dito regime "democrático" que tem sido doado pelos EUA ao Afeganistão.
Recebo muitos telefonemas de todo o Afeganistão, e as pessoas vêm me encontrar e compartilhar seus problemas comigo. Apesar dos riscos de segurança, eu gasto muito do meu tempo no Afeganistão encontrando essas pessoas e ouvindo suas histórias. A triste dor de muitos frequentemente até mesmo me encoraja a seguir adiante com minha luta por justiça, e contra os fundamentalistas e e fantoches do regime.
Eu também dirijo uma clínica em minha cidade natal, a fim de fornecer cuidado médico a mulheres e crianças. Contudo, não posso visitar o centro toda hora, mas tento usar muitos meios de levantar fundos a ele, já que não tem sido apoiado por nenhuma organização nem governo, e tenho que contar com doações individuais para mantê-la funcionando.
Desde que fui expulsa do Parlamento, a vida é muito difícil para mim dentro do Afeganistão, tenho sido restringida de me locomover livremente e de encontrar meu povo em diferentes partes do Afeganistão, de modo que tento também avançar em meus esforços através de tribunas internacionais e qualquer oportunidade de expor a estratégia dos EUA no Afeganistão, e a verdade por trás da tão dita "Guerra ao Terror", e desmascarar a natureza do tão dito regime "democrático" que os EUA e aliados criaram no Afeganistão.
Felizmente, tenho muitos colaboradores em todo o mundo, e recebo muitos convites de diferentes países. Tenho mantido bons contatos com movimentos antiguerra, com grupos progressistas e com pessoas. Assim, gasto muito de meu tempo viajando por diferentes países fazendo discursos, entrevistas e palestras sobre o Afeganistão.
Enquanto mais de 40 países estão envolvidos com a guerra dos EUA no Afeganistão, acho que é de todo essencial informar as pessoas nesses países que seus governos estão os enganando com a propaganda através da mídia, e seus envolvimentos só servem aos interesses regionais, estratégicos e econômicos do governo dos EUA,e aumenta o sofrimento do povo afegão.
5) O fato de ser mulher traz "problemas" a você? Ainda é difícil para uma mulher no Afeganistão estudar, seguir uma carreira e ser respeitada?
Sim, em uma sociedade chauvinista-masculina, ser mulher em si mesmo é um pecado, e o ativismo social pelas mulheres traz problemas extra, e fronteiras para atravessar. Para nossos fundamentalistas, uma mulher é considerada meio homem e uma fraca criatura. Eles acham que política é trabalho de homem e não de mulher, assim, quando eles são desafiados por uma mulher, não é tolerável a eles e quando são expostos por uma mulher, ficam enfurecidos e tentam silenciá-la. Eles acham que mulher é fraca e quando ameaçada, logo ela fica quieta, mas com minha posição oposta contra tais inimigos eu tentei ensiná-los que as mulheres não têm nada menos que um homem tem, e elas têm a determinação para desafiar os homens brutais e lutar por seus direitos.
Infelizmente, as mulheres afegãs ainda enfrentam muitos dos problemas que elas costumavam enfrentar sob o brutal regime do Taliban. Só uma pequena porcentagem de mulheres nas grandes cidades encontram trabalho, e as mulheres nas áreas rurais não têm nenhuma oportunidade de trabalho.Ainda 70% das meninas afegãs não têm oportunidade de frequentar a escola. Só uma pequena porcentagem de garotas frequentam universidades. 80% das mulheres afegãs sofrem violência doméstica. 60% dos casamentos são coercitivos, e metade das mulheres casam-se antes dos 16 anos. Devido à severa pressão e problemas, a auto-imolação entre mulheres afegãs tem crescido tanto nos últimos anos que a cada ano centenas de casos são relatados por todo o Afeganistão.
Estupro de mulheres pelos senhores da guerra é um outro crime muito comum na sociedade de hoje. Contudo, "estupro impune" descreve melhor este fenômeno porque os estupradores não são processados.
Desde a ocupação do Afeganistão pelos EUA, sob o nome de "liberdade das mulheres" e "democracia", só umas mudanças cosméticas foram feitas. Enquanto o Afeganistão está ainda enfrentando catastrófico direito das mulheres, mas a mídia ocidental, através de suas mentiras tenta encobrir isso e fabricar notícias mostrando a situação delas como sendo muito melhor que a realidade.
Quando alguns jurados inimigos dos direitos das mulheres estão no poder, e exercem influência no Legislativo, Executivo e Judiciário, e são livres para aprovar facilmente qualquer lei antifeminista, como podemos esperar alguma mudança positiva na mudança das condições da mulher afegã?
6) O que podemos dizer da situação política no Afeganistão hoje? No país, quem são as pessoas no poder?
Oito anos após a invasão dos EUA no Afeganistão, nosso país devastado ainda está acorrentado nos grilhões dos senhores da guerra e Taliban fundamentalistas, as forças de ocupação e seu regime fantoche, e é como um corpo inconsciente respirando em seu fim. Vivemos sob a lei da selva hoje, a regra das armas e da máfia da droga é praticada em todo o Afeganistão.
Os EUA e aliados derrubaram o bárbaro regime do Taliban em 2001 e impuseram os fundamentalistas da Aliança do Norte sobre o povo afegão, e apoiaram e trouxeram ao poder aqueles criminosos que têm uma história de crimes, e são tão ignorantes e antifeministas quanto o Taliban. De fato, os EUA substituíram um regime fundamentalista não-democrático por um outro, e desde os primeiros dias nosso povo sabia que estava sendo traído sob o nome da democracia e liberdade, e que a nova administração não traria nada de positivo a eles.
Mas hoje, até mesmo algumas incríveis fontes internacionais confirmam que o Afeganistão é um Estado fracassado, e dirigido pela máfia da droga.
Corrupção e fraude no governo levam bilhões de dólares ao bolso dos funcionários, e a suas ditas ONGs. Apesar de receber bilhões de dólares em ajuda, o governo ainda poderia fornecer eletricidade, comida, água ao povo e a grande maioria está vivendo abaixo da linha da pobreza.
Os Direitos Humanos, em afirmação de setembro de 2006, escrevem: "Os senhores da guerra com registros de crimes e sérios abusos durante a guerra civil do Afeganistão nos anos de 1990, tais como o parlamentar Abdul Rabb al Rasul Sayyaf e Burhanuddin Rabbani, o general Abdul Rashid Dostum, e o atual vice-presidente Karim Khalili, têm sido permitodos assumir e manejar erradamente cargos no poder, para consternação dos afegãos comuns".
7) Como é a vida das pessoas no Afeganistão? Quais são os maiores problemas do país
Cada área da vida do Afeganistão hoje é uma tragédia total, desde os direitos das mulheres à segurança, lei e ordem, economia, e dominação da máfia das drogas. As mulheres, em especial, são as que mais sofrem devido à inexistência da justiça.
Descreverei algumas estatísticas:
● Mais de 95% das mulheres afegãs sofrem de depressão;
● A cada 28 minutos, morre uma mulher durante o parto;
● A expectativa de vida das mulheres afegãs é de apenas 44 anos;
● 70% dos afegãos - cerca de 18 milhões de pessoas - sofrem de insegurança alimentar aguda;
● Apenas 2% do povo afegão têm acesso à eletrecidade;
● O Afeganistão ainda é o 175º entre 177 países no Índice de Desenvolvimento Econômico;
● A taxa oficial de desemprego está acima de 40%;
● O Afeganistão posiciona-se como um dos países mais corruptos do mundo na Transparência Internacional;
● 60% dos afegãos disseram ao Observatório da Integridade do Afeganistão em 2007, que o governo do presidente Karzai é mais corrupto que o do Taliban, dos mujahedeen ou dos regimes comunistas;
● No Afeganistão, 1600 mulheres morrem de complicações em cada 100 mil partos, um um dos piores índices do mundo;
● De cada mil recém-nascidos, 128 não viverão mais que 1 ano;
● 60% das famílias pesquisadas afirmaram que quase metade de seus filhos menores de idade estavam envolvidos em algum tipo de trabalho;
● O Afeganistão tem cerca de 800 mil pessoas deficientes;
● Mais de 70% das mulheres não recebem atendimento médico durante a gravidez. 40% não têm acesso ao atendimento de emergência obstetrícia;
● Cerca de 92% dos estimados 26,6 milhões de pessoas do Afeganistão, não têm acesso aos serviços sanitários;
● Entre os 169 países no Índice da Libardade de Imprensa no Mundo, informado pelos Repórteres sem Fronteira, o Afeganistão situa-se em 142º lugar;
● De acordo com a UNIFEM, 65% das 50 mil viúvas em Cabul veem o suicídio como a única opção para se livrar de sua miséria e sofrimento;
● Mais de 8.500 civis afegãos - a maioria mulheres e crianças - têm sido mortos pelas forças dos EUA / OTAN.
A ocupação, as leis dos senhores da guerra, uma máfia da droga, a insurgência do Taliban, a terrível corrupção, severa pobreza, inexistência da lei etc, são alguns dos maiores problemas que os afegãos enfrentam hoje.
8) Atualmente, quem são seus "inimigos"? Por quê?
O povo afegão está enfrentando três inimigos principais: Taliban está aterrorizando nosso povo por um lado, os bandos da Aliança do Norte seguem praticando crimes e brutalidades por outro, e as forças de ocupação lideradas pelos EUA continuam praticando seus crimes de guerra e matando nossos civis inocentes, nessa tão dita guerra o terror.
O governo dos EUA tem dado as mãos aos mais brutais inimigos do povo afegão, e instalado algumas pessoas infames e corruptas em cargos-chave de seu regime-fantoche para avançar em seus interesses regionais no Afeganistão. Além dos criminosos senhores da guerra, mesmo alguns antigos fantoches dos russos estão agora a serviço dos EUA, e eles são mais uma vez impostos ao nosso povo. Agora, eles estão também tentando negociar com os Taliban e com os bandos terroristas de Gulbuddin Hekmatyar, e dividido o poder com esses grupos fascistas.
Infelizmente, os países vizinhos como Paquistão, Irã, Tajiquistão, Uzbequistão, Rússia e outros, também estão mandando apoio e armas ou ao Taliban, ou aos senhores da guerra.
9) Em seu país, quais as consequências da guerra que começou em 2001? Como ela afetou a economia, a política e a vida social do Afeganistão?
Os EUA e seus aliados usaram muitas mulheres afegãs como desculpa para legitimar a ocupação do Afeganistão, e "trazer liberdade às mulheres afegãs". Logo depois da derrubada do Taliban, o sr. Bush anunciou que "as mulheres afegãs são livres agora".
Mas isso é simplesmente uma mentira, e tapar os olhos das pessoas em todo o mundo. Na realidade, as condições das mulheres afegãs não mudaram para melhor, mas elas sofrem mais que nunca.
A máfia da droga detém o poder e é apoiada pelo Ocidente. Poucos dias atrás, o ministro de Moradia do Afeganistão, sr. Yousif Pashtun, anunciou que 4 milhões de hectares têm sido ocupados pelos homens poderosos, e eles não podem fazer nada já que a máfia está envolvida nisso, e ele nomeou Qasim Fahim (um senhor da guerra selvagem, que recentemente foi nomeado por Karzai como seu vice-presidente para a próxima eleição) como líder da terra da máfia.
As poderosas instituições imperialistas, tais como IMF, Banco Mundial, OMS [Organização Mundial de Comércio] e outras, têm sinal verde no Afeganistão, e elas estão levando a economia do país ao rumo que bem entendem. Privatização dos recursos governamentais e pilhagem dos recursos naturais produzem consequências devastadoras ao pobre povo afegão. Enquanto mais de 80% das pessoas não têm o suficiente para comer, uma pequena minoria boceja em cima do país inteiro, e enchem seus bolsos com bilhões de dólares, e pilham as riquezas do país, e também roubam o que vem da ajuda estrangeira.
Em nome da "democracia", muitas piadas são feitas com nosso povo. Aparentemente, temos um presidente "eleito democraticamente", parlamento "democrático" e constituição "democrática", mas na verdade até mesmo as crianças afegãs sabem que essas eleições foram exibições nojentas e cheias de fraude, intimidação e os resultados não foram decididos pelo voto das pessoas, mas de acordo com os senhores da guerra e com as decisões de seus superiores ocidentais da Casa Branca.
Enquanto o Ocidente apoia os inimigos dos afegãos, organizações pró-democracia e progressistas, bem como pessoas, estão sob constante pressão e não são apoiados por ninguém. Os EUA e seus fantoches afegãos estão tentando parar a ascensão da massa pró-democracia e movimentos progressistas, enquanto única alternativa para mobilizar o povo afegão e para trabalhar por um Afeganistão independente, democrático e secular. Só esse grupo pode resgatar o Afeganistão do desastre atual.
O povo afegão está profundamente pesaroso com essa situação, e à beira de se levantar contra tudo isso.
10) O Taliban ainda tem poder no país? Como eles agem? Como eles mostram o poder deles ao povo? Você acredita que a guerra ajudou o grupo a se fortalecer? A relação entre eles a a Al-Qaeda precupa você?
Agora, até mesmo alguns políticos ocidentais confessam que desde 2001, o Taliban se tornou mais poderoso e eles se fazem presentes em grande parte do país. Eles ainda são apoiados pelo Paquistão, Irã e alguns outros países. Eles ainda impõem suas leis da Idade Média sobre o povo nas áreas osob domínio deles; levam a público execuções e homens-bomba suicidas.
A pobreza, o desemprego e a opisição à lei dos senhores da guerra, e a corrupção no governo afegão levam muitos jovens às fileiras do Taliban, que pagam seus homens melhor que o governo afegão paga à sua polícia. Números oficiais mostram que o Taliban ganha, pelo menos, 500 mihões de dólares da renda do ópio, através da qual eles podem recrutar pessoas.
As forças dos EUA / OTAN não são sérias em sua luta contra o Taliban e joga o jogo de Tom e Jerry com eles. Todos sabem que derrotar um pequeno grupo como o Taliban não é difícil para uma superpotência, apoiada por 14 outras nações, mas os EUA precisam do Taliban agora como uma desculpa para ficar no Afeganistão muito tempo, e transformar o país em sua base militar na região de modo a combater potências asiáticas tais como China, Rússia, Iran etc, e também prosseguir com suas estratégias econômicas e miltares na região.
O governo dos EUA, sozinho, gasta mais de U$ 100 milhões todo mês em suas ações militares no Afeganistão, mas para onde vai todo esse dinheiro, enquanto o Taliban fica mais poderoso? Se uma pequena parte do dinheiro fosse realmente gasta na mudança de vida do povo afegão, a situação poderia mudar.
Há até algumas notícias suspeitando que as tropas estrangeiras estão fornecendo armas e munições ao Taliban
11) Qual sua opinião sobre os planos do presidente Barack Obama para o Afeganistão? Qual sua opinião sobre a invasão estrangeira a seu país?
Enquanto Obama assumiu o cargo com muito clamor por justiça, mas suas primeiras notícias para o povo afegão foram mais guerra e conflito, e a continuação da política errada da administração Bush, e ainda pior. O plano de Obama de aumentar de repente as forças no Afeganistão só irão trazer mais problemas e miséria ao povo afegão, e até mesmo mais sofrimento e pessoas inocentes serão mortas durante os ataques dele. Algumas semanas atrás mais de 150 civis inocentes foram massacradas no ataque dos EUA em uma cidade, na minha província de Farha, muitos incidentes trágicos como este aconteceram nos poucos meses passados.
Segundo, a administração de Obama está planejando condecorar alguns dos bárbaros brutais do Taliban, e o partido terrorista de Glubuddin Hekmatyar como sendo "moderado",e divide o poder com eles enquanto não existe Taliban moderado. Essa é a temida política ao povo afegão. Em 2001, os EUA e seus aliados impuseram os criminosos senhores da guerra ao nosso povo, o primeiro sério erro e a principal causa do atual disastre e beco sem saída no Afeganistão, mas quando uma outra turma de terroristas e bandos brutais estão também incluídos nessa coleção, o futuro do Afeganistão será ainda pior e mais sangrento que hoje.
Meu sofrido povo tem sido completamente traído nos últimos sete anos, os EUA não estão preocupados com as condições de sofrimento e desastre de nosso povo, os promotores da política dos EUA colocam em perigo nosso povo por tanto tempo quanto houver interesses regionais e econômicos da parte deles. Infelizmente, outros aliados dos EUA e os países europeus não estão tentando fazer nada ao contrário em relação às políticas erradas dos EUA, e seguem exatamente os passos do govreno dos EUA.
Não há dúvida de que o Afeganistão precisa de ajuda internacional para voltar aos trilhos e se reconstruir, mas nós não queremos ocupação, os afegãos têm uma longa história de oposição à ocupação estrangeira. E mais importante, nós testemunhamos nos anos anteriores que invasão estrangeira até mesmo complicaram a crise, e nos levaram da frigideira direto ao forno quente.
A história mostrou que nenhuma nação pode ou quer levar liberdade a outra, isso é obrigação e responsabilidade de seu próprio povo lutar por sua liberdade, e levar democracia, as pessoas de outros países só podem nos dar uma mão de ajuda. Assim, agora a maioria do nosso povo é contra as forças de ocupação, e solicita a retirada deles. Se eles não saírem voluntariamente, então enfrentarão a resistência do povo do Afeganistão.
12) Durante sua administração, Bush concentrou-se predominantemente no Iraque e "esqueceu-se" do Afeganistão. Você acredita que a mudança de foco veio tarde demais?
O "foco" de Obama no Afeganistão é de todo negativo, e eles estão focando incluir o Taliban no poder para aumentar suas forças, a fim de converter o Afeganistão em uma base militar. Nós não precisamos de "foco" e os afegãos desejam que os EUA e aliados uma vez mais "esqueçam" o Afeganistão e nos deixe, somente nós, resolvermos nossos problemas! Eles estão apenas complicando nossos problemas e tornando nossos inimigos mais fortes.
13) Como está a produção de ópio no Afeganistão? Este é outro problema do país?
A única área que tem progredido no Afeganistão nos últimos anos, e além da imaginação, é o cultivo de drogas e o seu tráfico, e agora o Afeganistão produz 93% do ópio mundial, que mostra um aumento de 4.500% desde 2001.
Um dos objetivos ocultos da guerra no Afeganistão foi especificamente restaurar o patrocínio do comércio de droga, e exercer controle direto spbre as rotas dos 600 bilhões de dólares anuais da indpustria global da droga. A economia dos narcóticos afegãos é traçado pela CIA, apoiada política externa dos EUA. Deste modo, é muito compreensível ver que desde outubro de 2001, o cultivo de ópio-papoula tem aumentado vertiginosamente, e há relatos de que até o Exérito dos EUA está engajado no tráfico de drogas.
A máfia da droga está no poder e apoiada pelo Ocidente. Recentemente, até a mídia do Ocidente relatou que Wali Karzai, irmão de Hamid Karzai, comanda a maior rede de dorgas no leste do Afeganistão, e é fato que altos escalões do governo estão engajados no tráfico de drogas, no trabalho sujo.
Os esforços contranarcóticos são também meras mentiras e peças de teatro. Um ex-senhor da guerra chamado General Khodiedad, é ministro de Contranarcóticos,e um outro ex-senhor da guerra e conhecido traficante de droga chamado Gen. Daud, é líder da direção Antinarcóticos!!
Atualmente o Afeganistão não só é o maior produtor de ópio do mundo, mas também é o maior produtor de cannabis, uma outra plantação ilegal da qual é maconha é derivada.
O ópio aparece como o maior perigo para o futuro do Afeganistão.
14) Você tem recebido vários prêmios, e foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz. Coisas como essa tornam digna sua luta? Como você se sente com isso?
Minha luta é por liberdade, democracia e direitos humanos no Afeganistão, não para receber prêmios. Mas quando algum grupo de direitos humanos e de amor e paz, e organizaçõesgentilmente me nomeiam para alguns prêmios e me honram com eles, claro que os aceito. A cada prêmio que ganho, adquiro maior audiência em todo o mundo e isso me dá oportunidade de alcançar maior número de pessoas, a fim de espalhar ao mundo a situação difícil por que passa o povo afegão.
Tenho até agora dedicado todos os prêmios ao meu sofrido povo, e minha renda monetária, advinda deles, também vão em ajuda às mulheres afegãs e crianças em meus projetos humanitários. Eu sempre digo que esses prêmios não pertencem a mim, mas a centenas de heróis e heroínas anônimos do meu país que perderam suas vidas na luta por liberdade e democracia, mas ninguém se lembra de honrá-los.
Claro que esses prêmios e os encorajamentos dão responsabilidades e obrigações extra na luta contra a discriminação, injustiças e fundamentalismos brutais em meu país, com mais determinação e força.
15) Eu gostaria de saber sobre suas metas, seus desejso. Qual seu sonho para o Afeganistão?
Atualmente, minha primeira meta é levar à justiça alguns dos maiores criminosos do Afeganistão, que ainda estão no poder. Tenho juntado muitos documentos de suas brutalidades e crimes, e tenho mantido contatos com alguns de meus apoiadores e grupos de paz e amor, em diferentes países, a fim de trabalhar para levar esses homens brutais a um tribunal internacional de justiça, porque agora não há justiça no Afeganistão para processá-los dentro do meu próprio país.
Acho que enquanto alguns dos maiores criminosos do Afeganistão não for levados à juízo, nós não teremos garantia de paz e justiça para o Afeganistão no futuro. A era da impunidade que esses criminosos desfrutam no Afeganistão hoje, os encoraja mais e a outros, para brutalizar nosso povo.
Sonho com um Afeganistão livre, democrático e próspero, onde as mulheres sejam consideradas seres humanos e iguais aos homens, e a elas sejam dadas a chance de desempenhar seu papel e reconstruir o país. Eu sonho com um Afeganistão onde as pessoas vivam sob uma democracia secular e não onde a grupos extremistas seja-lhes permitido usar mal a religião para seus objetivos sinistros, um Afeganistão próspero onde cada um tenha chances iguais para viver e compartilhar a beleza da natureza.
_______________________________________________________________________________________
Esses realatos de Malalaï Joya são material precioso a qualquer um que escreve sobre o Oriente Médio, seja qual for seu ponto de vista sobre o assunto.
Leiamos agora como Renata Medeiros e seu O Tempo aproveitaram isso, o que eles concluíram das respostas de Joya, e que tipo de trabalho foi feito:
Prioridade. Medidas de combate ao terrorismo podem agravar a violência no Paquistão e no Afeganistão
Especialistas falam sobre expansão de extremistas como efeito colateral
Renata Medeiros
"A guerra fortalece nossos inimigos". Essa é a opinião da militante e ex-parlamentar afegã Malalai Joya. Ela faz a afirmativa frente recentes medidas anunciadas pelo presidente norte-americano, Barack Obama, em relação ao Afeganistão. O conflito no país, que se estende por oito anos, é uma das prioridades dos EUA e o envio de mais tropas ao local é uma das providências para derrotar o grupo terrorista Al Qaeda e combater os talebans radicais, que se dissipam pelo país vizinho, o Paquistão. É provável, porém, que o foco no combate aumente o poder dos extremistas e coloque mais munição nesse barril de pólvora prestes a explodir.
"Hoje, devido à guerra, vivemos em uma nação sem leis e em destroços", lamenta Malalai. Um dos receios da militante é que o envio de mais tropas ao seu país, assim como o investimento financeiro no conflito, agrave a situação. Para ela, a própria guerra ajudou o Taleban, derrubado em 2001 pela invasão norte-americana, a se fortalecer. Hoje, o grupo domina 72% do território afegão. "O regime Taleban trouxe retrocesso e oprimiu a população. Mas isso não impediu que jovens, revoltados com as atrocidades cometidas contra os civis, se juntassem a eles. A presença dos EUA complica a situação do país e fortalece quem está contra nosso povo", critica.
Laços. Uma das maiores preocupações norte-americanas é a relação entre o Taleban e a rede terrorista Al Qaeda, que possuem laços ideológicos e históricos em comum. A origem de ambos está relacionada à orientação islamita sunita extremista, mas enquanto o primeiro possui interesses em uma região específica, Afeganistão e Paquistão, o segundo possui uma "agenda internacional". É principalmente no Paquistão, junto à fronteira afegã, que a proximidade entre eles é vista como ameaça. A Agência de Inteligência Norte-americana (CIA) acredita que Osama bin Laden esteja em território paquistanês. O Vale de Swat é um dos locais mais conflituosos da região.
"Membros da rede terrorista sabem que o Paquistão tomado pelos talebans é um ótimo lugar para ela se desenvolver", diz Lorenzo Vidino, autor do livro "Al Qaeda na Europa - o novo campo de batalha do Jihad". Assim como Malalai, especialistas acreditam que o foco no Afeganistão pode fortalecer não somente o Taleban, mas também a Al Qaeda. "É onde há conflito que a rede se fortalece e se desenvolve. Se um grande número de civis morre vítima da ofensiva dos EUA, é de se esperar que a população, indignada, se junte aos terroristas", explica o professor de relações internacionais Onofre dos Santos, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Vidino concorda com Santos e lembra que o início da Guerra do Iraque deu novo impulso à Al Qaeda. Em 2005, segundo a CIA, o Iraque se transformou em um campo de treinamento para uma nova geração de militantes muçulmanos. "A rede só perdeu força no país anos depois, quando os próprios iraquianos se mostraram contra as severas 'leis' impostas pelos terroristas", comenta.
Curiosidades
Al Qaeda. No fim dos anos 80, foi criado um campo de treinamento da juventude contra a ofensiva soviética. O local era chamado Al Qaeda, que significa "base sólida". É daí que vem o nome da rede
Taleban. O grupo sobrevive por meio do tráfico, sendo responsável por 90% da oferta mundial de ópio. O governo dos EUA pretende transformar o Taleban em partido político, o que divide opiniões
Paquistão é peça-chave para estabilidade
Por ser uma potência nuclear, a estabilidade do Paquistão é essencial para a segurança do território. "Há receio de que armas nucleares caiam nas mãos dos talebans extremistas. Se isso acontecer, a Índia, outra potência nuclear e inimiga do Paquistão, reagirá, desencadeando um conflito com consequências desastrosas", diz Lourival Santanna, autor do livro "Viagem ao Mundo dos Taleban".
Segundo o especialista em relações internacionais Danny Zahreddine, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, quanto mais espaço os talebans conquistam no território afegão, maior é a força do grupo no território paquistanês. "A instabilidade afegã afeta diretamente a estabilidade paquistanesa. Controlar o Afeganistão significa diminuir a probabilidade dos talebans de continuar atuando de maneira desfavorável à política da região", afirma. (RM)
Números
96% dos afegãos reprovam a atuação do grupo político extremista Taleban.
21 mil soldados dos EUA chegam ao Afeganistão este ano. Hoje, eles são 47 mil.
MINIENTREVISTA
Malalai Joya
Militante afegã, 31 anos. Ex-membro do Parlamento no Afeganistão
[1] "No parlamento várias vezes escutei: 'estuprem-na'. O fato de você ser mulher já é considerado pecado"
Em 2007, você foi expulsa do Parlamento. Por que isso aconteceu?
O Parlamento não é democrático. Ali manda quem tem dinheiro e armas. Quando perceberam que não podiam me impedir de ter voz ali dentro, me ameaçaram e depois me expulsaram.
[2] O fato de você ser mulher também contribuiu?
Sim. O fato de ser mulher já é considerado pecado. Há a ideia de que política é coisa para homem. Hoje, 70% das afegãs não vão à escola, poucas têm emprego e várias são vítimas de estupro, praticado impunemente.
[3] Você ainda recebe ameaças?
No Parlamento, várias vezes escutei: "estuprem ". Era chamada de prostituta. Recebo ameaças de morte. Preciso sair sempre de burca [foto] e nunca fico muito tempo em uma mesma casa.
[4] Como é seu trabalho de militância?
Recebo visitas de vítimas e tento revelar ao mundo, por meio da mídia internacional, a realidade afegã. Tenho também uma clínica que presta assistência médica a mulheres e crianças. Recolho documentos que provam as atrocidades realizadas por quem está no poder e quero levar esse material a um tribunal internacional de Justiça.
[5] Quais são os principais problemas enfrentados pelos afegãos?
Somente 2% da população tem luz elétrica e 8% acesso ao serviço sanitário. A expectativa de vida é de 44 anos. O afegão sofre devido à pobreza, ao tráfico de ópio e à inexistência de leis no país.
[6]Quem traz esses problemas ao Afeganistão?
O afegão possui três inimigos: o Taleban, que o oprime; os senhores de guerra, e a ocupação norte-americana, que continua a matar civis.
_______________________________________________________________________________________
Quanto mais o tempo passa, mais claramente vemos a verdadeira face desta piada de Guerra ao Terror, que começou com a conversa-fiada de "Luta do Bem contra o Mal" por parte dos lords da democracia da Casa Branca, tanto quanto vemos que tipo de democracia vivemos no Ocidente julgando-nos tão honrosamente prontos para "impor" democracia e bons princípios aos outros, especialmente aos orientais, contra quem temos tanto preconceito.
O Brasil é historicamente subjugado pelos impérios, como toda a América Latina e todos os países subdesenvolvidos, inclusive o Afeganistão. Atualmente, os EUA, única superpotência mundial, subjuga seriamente a América Latina e o Brasil, enquanto o Brasil mesmo subjuga o Paraguai.
Inacreditavelmente, a mídia no Brasil é mais pró-EUA que a mídia dos próprios EUA, o que se reflete sobre todo o comportamento, hábitos e cultura em geral da sociedade brasileira. Enquanto os norte-americanos, apesar da crise intelectual e moral por que os EUA vêm atravessando, são mais cultos que nós brasileiros, com muito mais senso crítico e moral fiscalizando suas instituições, tendo então mais senso de democracia, cidadana e justiça que nós, protestando exigentemente contra elas se necessário, nós brasileiros tendemos a aceitar passivamente todo o lixo despejado sobre nós sob as bênçãos de Tio Sam, bem-vindo por nossas classes dominantes e seus magnatas ligados às mega-corporações transnacionais, que destróem nossa cultura manipulando, explorando e oprimindo nosso povo.
Um exemplo recente e bastante prático de que o Brasil é o quintal dos EUA, é que do Brasil hoje não se pode enviar nada pelo correio ao Afeganistão, ao Paquistão, nem ao Iraque. Mas dos EUA, sim, pode. O que nós brsileiros temos a ver com o 11 de setembro? O que nós temos a ver com o terrorismo e com as guerras dos EUA? Nós não votamos nem reelegemos George Bush! Não temos nada a ver com essa palhaçada de Guerra ao Terror, nós queremos liberdade, tanto quanto os afegãos, os iraquianos e os paquistaneses querem-na, mas temos sido isolados uns dos outros. Para a segurança dos EUA (?), nós temos sido privados de nossa liberdade.
No que diz respeito ao artigo acima escrito por Renata Medeiros, seguida de uma engraçada minientrevista com Malalaï Joya, a jornalista tentou dar-nos a idéia de que ele é baseado nas opiniões de Joya pois começou com parte de citações dela, assim como todo o artigo contém apenas pequenos e vagos "cacos" das afirmações de Joya, ligando também seu ponto de vista aos da CIA (!) (leia nossa matéria mais abaixo Por Trás das Cortinas da Superpotência, e veja por que isso é impossível de acontecer).
Ao contrário do que sugeriu Renata, Joya não critica a "Guerra ao Terror" só agora, frente às medidas de Obama de mandar mais tropas ao Afeganistão. De acordo com Joya, tal medida é terrível, e ela apontou o centro dos problemas da guerra nunca mencionado pelo sítio brasileiro: Joya explicou exatamente que os EUA têm substituído uma máfia no poder (Taliban) por outra (senhores da guerra, como lemos na questão 6, entrevista original); porque os EUA fizeram isso (questões 8, 10 e 13, original); o que os soldados dos EUA / OTAN fazem em seu país dia após dia, massacrando os afegãos (10, original) e traficando drogas (13, original).
Na entrevista publicada, questões 1 e 2, não foi publicado por que exatamente Joya foi expulsa do Parlamento, conforme ela explicou com detalhes (questões 2 e 5, original). Por que não publicar isso, Renata?
Na questão 4, publicada, o sítio cortou a essência da realidade, a informação principal e todo seu contexto: Joya está colectando documentos, sim, mas para quê? Ela explicou isso, como lemos na questão 15, original.
Na questão 5, publicada, Renata Medeiros cometeu um erro (para não perder o costume): Joya não afirmou que a expectativa de vida no Afeganistão é de 44 anos em geral, mas que tal número corresponde às mulheres em seu país.
O festival de incompetência continua: na mesma questão 5, publicada, Joya nunca disse que "os afegãos sofrem com a pobreza" na entrevista original, mas ela explicou como eles sofrem (devemos destacar que em um artigo o jornalista é livre para tirar suas conclusões, em seu nome, enquanto em uma entrevista ele deve publicar o que o entrevistado realmente disse). Joya não disse que eles sofrem sob tráfico de drogas nem sob um país sem lei, ela não usou essas palavras em absoluto, mas explicou como eles sofrem sob tudo isso em palavras claras, objetivas e detalhadas.
Para concluir, devemos observar, comparando "ambas as entrevistas" (!), que as questões 1, 2 e 4 publicadas não foram perguntadas pela jornalista, de modo algim, enquanto as questões 3, 5 e 6 foram totalmente cortadas e publicadas pela metade (ou até mesmo menos da metade).
Na questão 5, original, Joya, como sempre, acusa a mídia ocidental de encobrir a catastrófica situação no Oriente Médio, especialmente no Afeganistão. Agora, mais que nunca, está melancolicamente provado, ela tem razão.
Em maio, 164 civis morreram nos bombardeios das forças EUA / OTAN, na província de Farah no Afeganistão. O Pentágono anunciou que o número era de apenas 12 mortos! Leia as denúncias de Joya em uma entrevista coletiva em 11 de maio, publicado por Z-Magazine em 16 de maio de 2009
"Esse Massacre Oferece ao Mundo um Relance
Aos Horrores Enfrentados por Nosso Povo"
Malalaï Joya é a pessoa mais nova a se tornar membro do Parlamento afegão (uma das 68 mulheres eleitas aos 249 assentos na Assembléia Nacional denominada Wolesi Jirga, em 2005). Ela foi uma das mil mulheres indicadas para o Prêmio Nobel da Paz em 2005, foi uma 250 das líderes do Fórum Econômico Mundial em 2007, e foi indicada para o Prêmio Sakharov pela Liberdade de Pensamento, pelo Parlamento Europeu. Em 2007, ela esteve em Berlim e falou na Comissão Parlamentar da Alemanha pelos Direitos Humanos. Ela lidera o grupo não-governamental Organização para Promoção das Habilidades das Mulheres Afegãs (OPAWC, na sigla em inglês) no leste do Afeganistão. Ela já sobreviveu a quatro tentativas de assassinato.
Filmes sobre Joya:
Malalai Joya Champions Rape Victims (Malalaï Joya Defende Vítimas de Estupro), 2008,
por Glyn Strong.
Enemies of Happiness (Inimigos da Felicidade), 2006, dirigido por Eva Mulvad.
A Woman Among Warlords (Uma Mulher contra os Senhores da Guerra), 2007.
Dirigido por Eva Mulvad.
Afghanistan Unveiled (O Afeganistão sem o Véu), 2004, por Nicolas Delloye, Aina Productions
Genocídio em Gaza
E o que o Mundo não Sabe sobre EUA, Al-Qaeda e a "Guerra ao Terror"
A Palestina e o Afeganistão sangram. Crianças têm sido mortas, decapitadas, estupradas - inclusive pelas forças da Coalizão. Até quando eles fingirão que combatem o terror, em nome de Deus, ou do petróleo, e nós fingiremos que acreditamos? Explosivas (e documentadas) revelações que envolvem a política dos Estados Unidos no Oriente Médio, de Carter a Bush filho, contestando a dita "guerra ao terror" e o bombardeio de Israel em Gaza. A ONU e os meios de comunicação mundiais trompeteiam sobre atos de terrorismo individuais e em grupo. Contudo, nada sobre terrorismo de Estado. Escondendo-se atrás de discursos democráticos e de libertação de outros povos, Bush leva a teologia de Branham às últimas consequências, baseado no "poder da espada norte-americana", exterminando nações. Desmascaramos a superpotência e sua "guerra contra o terror", descrevendo também o sofrimento infantil na Palestina e no Afeganistão. Uma geração perdida. Um futuro perdido
Versão original em inglês publicada no Nolan Chart
Esta matéria foi publicada também no Afeganistão, em www.mobygroup.com
Janeiro de 2009
Temos assistido na televisão crianças palestinas em pânico, correndo desesperadamente, totalmente deprimidas em meio a infinitos destroços, muitas delas até mortas. Uma imagem mostrou uma criança de aproximadamente 3 anos decapitada em Gaza, vítima do bombardeio de Israel. Não há eletricidade nem água em Gaza, e o povo palestino mal tem alimento. Um psiquiatra palestino disse que os traumas acompanharão suas crianças compatriotas para sempre, comprometendo toda a vida delas. Uma geração perdida. Um futuro perdido. O que esperar daqui em diante?
Do Afeganistão, recebemos há muito tempo informações de crianças forçadas ao ataque suicida, torturadas e estupradas inclusive pelas forças da Coalizão, e sido até presas (oito menores afegãos foram levados a Guantánamo desde 2002, e os EUA reconhecem que há dez menores, um deles um menino de 12 anos, na base de Bagrom no Afeganistão). As meninas não podem ir à escolas ou ao hospitais, correndo o risco de ser capturadas, espancadas, estupradas, queimadas ou mortas. Que concluir disso tudo?
A atual resposta de Israel ao Hamas é o único conflito em todo o mundo no qual o povo atacado não pode cruzar a fronteira para fugir a outro país. Israel não permite que a imprensa cubra o conflito e informe a verdadeira situação em Gaza, e mal permite ajuda humanitária. Depois de ser expulso das suas casas pelo Exército israelense, milhares de palestinos refugiaram-se em escolas da UNRWA (Agência de Trabalho e Alívio das Nações Unidas). Para 33 deles, em vão: 30 deles morreram no dia 6 de Janeiro, sob bombardeio em uma escola na cidade de Yabalia; 55 ficaram feridos. Em outra escola atacada em Gaza, três civis morreram. O britânico John Ging, chefe da UNRWA, disse que esse conflito é desumano: segundo ele, famílias inteiras, com mais de 10 membros, têm sido exterminadas em suas casas. Mas esse não é o primeiro conflito no mundo em que crimes de guerra são cometidos - e eles têm sido cometidos em Gaza de duas terríveis maneiras: 1. As diferenças brutais entre ambos os lados; e 2. A morte de civis. Até agora morreram 919 palestinos, e 13 israelenses.
NÃO é impressionante como os meios de comunicação mundiais só analisam a versão de Israel neste conflito, e até criam fatos. É algo impressionante? Não, não é, e mostraremos por que nas linhas mais abaixo, após algumas outras considerações. David Brooks escreveu em sua coluna no The New York Times, em 6 de Janeiro: "Quando Hamas, Hezbollah e Irã tornaram-se os principais jogadores no Oriente Médio, o jogo de paz para a região foi suspenso (...). Os grupos extremistas acreditam no extermínio total de Israel. O objetivo dos extremistas é matar tantos judeus quanto possível, e esperar que Deus (ou que o Irã) mate o resto. O objetivo de Israel é conter a impudência dos extremistas até que suas investidas sejam derrotadas, até que de alguma maneira eles se queimem ou sejam destruídos dentro da sociedade árabe. O objetivo imediato e realista de Israel não é o de realizar nenhuma resolução permanente, mas simplesmente suprimir o terrorismo semana a semana, e mês a mês."
NÃO é impressionante como vários observadores internacionais ignoram a história e a realidade, você acha impressionante? Não, não é. Em primeiro lugar, um comentarista ou político que ainda acredita em recursos militares para se vencer o terror, terror contra o terror, está só brincando. E se os fatos que envolvem Israel em Gaza citados acima, que não são novos no mundo, não são suficientes para condenar este conflito, torna-se realmente difícil entender, discutir e resolver o problema.
Bem, temos de lembrar que o Reino Unido ocupou a Palestina no fim da II Guerra Mundial, e em 1917 o primeiro ministro britânico Arthur Balfour apoiou a ideia de uma pátria aos judeus na região, defendendo também os direitos das comunidades árabes nela. Balfour prometeu aos palestinos um Estado independente, nunca criado. Três anos depois, o Reino Unido recebeu um mandato da Sociedade das Nações para governar a Palestina. Deste modo, os líderes árabes consideraram-se traídos pelo Reino Unido e ameaçados pelos judeus.
Depois da II Guerra Mundial, o devastado Reino Unido entregou à Organização das Nações Unidas (ONU) a responsabilidade de resolver os problemas na região. Em 1947, sem consultar os palestinos que viviam na região há muito tempo, a ONU aprovou a divisão da Palestina em dois Estados - um aos judeus e outro aos árabes, que rejeitaram o acordo. Em 1948 foi criado o Estado de Israel, e no ano seguinte a guerra encerrou-se com a vitória dos judeus. 700 mil palestinos refugiaram-se na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em países árabes. O Egito tomou posse da Gaza; a Jordânia de Jerusalém Oriental e Cisjordânia, e desde então os palestinos não têm Estado próprio. O Estado árabe-palestino prometido não foi proclamado, e até hoje os judeus controlam mais de 75% do território.
Brooks prosseguiu: (...) "Neste jogo, a violência não gera necessariamente violência", referindo-se ao assassinato de Abdel Aziz Rantisi e Ahmed Yassin em 2004 que, segundo Brooks, temporariamente suprimiu os bombardeios suicidas do Hamas. Finalmente, ele afirmou que, "O novo jogo não é uma guerra de atrito. É uma batalha de confiança, uma série de pressão psicológica projetada para deslocar o equilíbrio moral (...). O que é realmente importante é como cada episódio termina (o material destruído e os efeitos psicológicos), porque o fim define a sentido". Brooks, fria e tendenciosamente, afirma que o fim define o sentido, "esquecendo-se" de todas as perdas civis na Palestina. Mas se Brooks, refletindo o ponto de vista da imprensa mundial, como realmente faz, está tão certo disso por que não poderiam então os palestinos e algum partido local, levando em conta a história, responder do mesmo jeito? O fim define o sentido só para um lado? Por quê? O terror de Estado praticado pelas grandes potências é muito anterior ao Hamas, um partido político amplamente apoiado pela população de Gaza, que resiste e luta pela libertação de um povo orpimido. Por que Israel e os EUA podem defender seus interesses por meio do Exército e de bombas poderosíssimas, enquanto um povo que não tem sequer uma terra, tomada deles, não pode se defender através da luta armada? Vale observar que quando os palestinos não se defendem com armas totalmente obsoletas, incomparáveis às de seus inimigos, usam mesmo pedras e paus... Somos totalmente contra guerra e qualquer espécie de violência, inclusive contra a prática de ataques-suicidas praticados e incentivados pelo Hamas, mas por que um genocídio covarde praticado pelo Estado não é considerado terrorismo, como no caso de Israel e EUA? Isso foi motivo de divergência na ONU. Outro ponto de discussão é se a definição legal sobre o terror dever considerar as condições que o causam, tais como pobreza, diferenças sociais e injustiça. Todo esse circo da informação que temos assistido e lido nos meios de comunicação não é "para nada", mas possui motivações sérias, o que compreenderemos exatamente nas linhas explosivas abaixo.
Por Trás das Cortinas da Superpotência
Na verdade, a messiânica disposição norte-americana para a dominação global é baseada na teologia de William Branham (1909-1965). Considerado um profeta por algumas ramificações evangélicas no país, Branham pregou que a salvação mundial deveria ser promovida pelo "poder da espada norte-americana", isto é, pela guerra permanente contra os inimigos da nação. Tal teoria é muito oportuna à sede norte-americana por petróleo, e George Bush filho leva essa teologia às últimas consequências atualmente.
Aos EUA e a Israel, seu aliado no Oriente Médio, não há mais desculpas mas eles insistem em defender o indefensável. Por que insistem na luta contra o terror por meios militares? Por que insistem em nos chamar de tolos? O que está exatamente por trás das cortinas da superpotência? Muitas coisas.
Michel Chossudovski é o diretor do Centro de Pesquisa em Globalização no Canadá, e professor do Desenvolvimento Econômico Internacional na Universidade de Ottawa. A sua entrevista para a revista brasileira Caros Amigos em Julho de 2004, que conta sobre a seu livro Guerra e Globalização - A Verdade Por Trás do 11 de Setembro, responde totalmente nossas perguntas. Vamos ler algumas passagens das afirmações de Chossudovski:
"A Al-Qaeda foi criada pelos EUA. Foi um projeto da CIA (serviço de Inteligência dos Estados Unidos), lançado durante a administração de Jimmy Carter em 1979, quando o conselheiro de Segurança Nacional foi Zbigniew Brzezinski. Depois, essa iniciativa tornou-se mais forte durante a administração Reagan, quando alguns agentes foram enviados para apoiar os mujaheedins recrutados (guerrilheiros muçulmanos) para financiar as madrassas, ou escolas canônicas, onde os talibans estudaram (...).
"Se você perguntar sobre isso à CIA, eles dizem, "Sim, criamos as brigadas islamitas, mas por uma boa causa". A explicação oficial apresentada, incrível, consiste em que no fim da Guerra Fria essas brigadas islamitas voltaram-se contra os EUA. Deste modo, a CIA reconhece que criou as brigadas islamitas, em outras palavras, criou a Al-Qaeda e Osama bin Laden.
"Vários homens que estão hoje na administração Bush estiveram envolvidos na arquitetura das brigadas islamitas. Richard Armitage, sub-secretário de Estado, foi responsável pelo financiamento e apoio aos mujaheedins. Collin Powell também esteve envolvido quando veio á tona o escândalo Irã-Contras (...), ele foi o comandante militar que autorizou aquela venda [de armas ao Irã na guerra contra o Iraque], e com o dinheiro o governo norte-americano financiou os contras na Nicarágua, e também os mujaheedins.
"(...) Brzevinski diz que o governo norte-americano criou a insurgência afegã do mesmo jeito que criou os contras. (...) A CIA estimulou tais seitas a construir escolas no Afeganistão e a desenvolver uma guerra santa contra os invasores soviéticos, que eram seculares. Mas se você se lembrar dos anos 70, verá que houve no Afeganistão um governo pós-colonial secular apoiado pela União Soviética (URSS), e a sociedade afegã era também secular e começava a construir instituições do governo, e o que os norte-americanos na verdade fizeram foi criar essencialmente a revolta e incitar os soviéticos a intervir. No meu livro, em uma entrevista com Brzezinski, ele diz muito claramente: 'Criamos as jihads islamitas e levamos apoio e financiamento a eles'. Posteriormente, células da Al-Qaeda foram usadas em vários países, inclusive depois da Guerra Fria (...) . Foram usadas pelos EUA para desestabilizar a ex-URSS. Uma das passagens estratégicas importantes é a Chechênia. Por que é importante? Está no cruzamento de um oleoduto soviético (...) e os EUA tentaram desestabilizar o controle russo por cima desses oleodutos, e utilizou-se das insurgências da Al-Qaeda na região. E a Inteligência Paquistanesa (ISI) desempenhou um papel muito importante em tudo isso.
"(...) O ISI ficou proeminente exatamente no começo da administração Reagan, em 1981, 1982, quando começou a recrutar radicais de todas as partes do Oriente Médio (...). Bin Laden foi criado pela CIA durante a guerra afegã-soviética nos anos 80. (...), comprovei no meu livro que houve uma colaboração entre a Al-Qaeda e o governo norte-americano na Iugoslávia, que começou na Bósnia em 1993. Reproduzi no livro um documento do Comitê do Partido Republicano no Senado dos Estados Unidos de 1997, que acusa o presidente Bill Clinton de colaborar com Bin Laden. E isso é um documento muito explícito que diz claramente: 'A administração Clinton colabora com a rede terrorista Al-Qaeda'. E houve outros acontecimentos nos anos 90 (...), há outras evidências da colaboração, mas esses são os mais cruciais, em Kosovo e na Macedônia. Na Macedônia, aconteceu algumas semanas antes do dia 11 de Setembro de 2001. Dentro da mesma organização pára-militar, houve conselheiros militares norte-americanos do Pentágono que trabalharam lado a lado com os mujaheedins indicados pela Al-Qaeda (...). Aconteceu em agosto de 2001, e foi denunciado pelo primeiro ministro da Macedônia na época [sr. Branko Crvenkovski].
"(...) Há documentos em meu livro que comprovam a colaboração do ISI com a CIA (...), o general Ahmad foi recebido pelos altos escalões da administração Bush, participou de reuniões com Powell, com Armitage, com o diretor da CIA George Tenet, e também encontrou membros importantes do Congresso em setembro de 2001.
"(...) O senador Bob Graham e o deputado Peter Gross foram ao Paquistão no dia 29 de agosto, e participaram de reuniões com o governo local e com Massoud [Ahmed Massoud, chefe de Aliança do Norte, morto em atentado suicida em 13 de Setembro de 2001], depois identificado pela agência do Departamento de Justiça norte-americano como envolvido no financiamento dos ataques de 11 de setembro.
"(...) Os EUA apoiaram o Taliban em 1996 para promover um governo islamita radical, conservador no Afeganistão, e Massoud e a Aliança do Norte foram apoiados pela Rússia. Mas depois os EUA perceberam que não podiam manipular o Taliban como haviam imaginado, e precisou da Aliança do Norte para substitui-lo. Não sabemos qual foi exatamente o objetivo da visita do general Ahmad aos EUA, mas nos meios de comunicação norte-americanos houve certo silêncio sobre sua presença no país (...). No dia seguinte ao atentado [de 11 de setembro], como se a reunião tivesse sido planejada antes, ele esteve no escritório de Armitage! E discutiu lá os termos da cooperação paquistanesa à guerra contra o terror, correndo atrás do Taliban e da Al-Qaeda. E tais negociações foram concluídas no dia 13 de setembro, quando ele encontrou Powell. Na manhã de 11 de setembro, Ahmad tomou café da manhã com Graham e com Gross, isso foi informado pelos meios de comunicação norte-americanos.
"(...) A agência do Departamento de Justiça norte-americano escreveu um relatório no fim de setembro, afirmando que ele transferiu o dinheiro para Mohamed Atta, apontado como a cabeça dos atentados de 11 de setembro."
O presidente eleito Barack Obama disse que os EUA têm um presidente por vez, e tem razão nisto. Mas por outro lado, ele agiu errado sendo tão vago no campanha presidencial sobre os assuntos do Oriente Médio, especialmente a Questão Palestina. Ele também está errado em escolher Hillary Clinton como sua secretária de Estado.
Obama está planejando enviar milhares de tropas norte-americanas adicionais à "guerra contra o terror" no Afeganistão, que já tem mais de sete anos, custou bilhões e bilhões de dólares, muitas vidas (inclusive norte-americanas), e há muito se converteu em fracasso total. Qual será a missão dos Estados Unidos lá? O povo afegão está clamando às forças estrangeiras conduzidas pelos EUA que deixem o país. Malalaï Joya, uma ex-parlamentar afegã, observou: "Os Estados Unidos podem livrar-se facilmente de um bando de gente com mente medieval, analfabeta e ignorante como os talibans. Na verdade, os Estados Unidos não são sérios em sua luta contra o Taliban e precisam apenas de uma desculpa para prolongar sua presença no Afeganistão para ameaçar o Irã, a China, a Ásia Central e outros poderes asiáticos" (Leia essa e outras declarações em matéria nesta mesma página, Prêmio Anna Politkovskaya' 2008 para Malalaï Joya - A Mulher Mais Corajosa do Afeganistão, mais abaixo).
Em artigo na revista norte-americana Newsweek, Bacevich escreveu: "O efeito principal das operações militares no Afeganistão, por enquanto, foi empurrar islamitas radicais para a fronteira paquistanesa. Por conseguinte, atos para se estabilizar o Afeganistão [nós e os afegãos contestamos tais atos, grifo deste blog] estão contribuindo para a desestabilização do Paquistão, com implicações potencialmente devastadoras. Uma coisa é certa: os EUA e as forças internacionais não podem entregar o Afeganistão à sua própria sorte". Não, os EUA realmente não podem entregar os afegãos à sua própria sorte agora, mas também não podem ocupar o país por mais tempo. Não só o foco da política dos Estados Unidos tem de ser modificada, como também o cerne da discussão. Se Obama insistir nessa mentirosa "guerra ao terror" correndo atrás do poder ilimitado, não haverá política suficiente para modificar a situação mundial nem a crise econômica dos Estados Unidos. Bush usa "a guerra ao terror" para resolver seus problemas econômicos. E então, o que tem acontecido?
A ONU desenvolveu uma legislação extensa do terrorismo praticado por grupos de oposição ou indivíduos, contudo não definiu o terrorismo de Estado, e por todo o mundo a maior parte de vítimas tem sidos civis pacíficos e desarmados, incitando-os à luta armada - e poucas pessoas têm sofrido tanto quanto os palestinos. Mas esse terrorismo que eles sofrem está fora de moda para os meios de comunicação. No subsolo do Oriente Médio encontra-se a resposta para isso.
Israel, sempre apoiado pelos EUA, está atacando e destruindo a Palestina voltando as costas ao mundo - "Fazemos o que é melhor ao nosso povo" -, esquecendo-se que as crianças palestinas crescerão um dia. Que esperar delas? Tal "jogo de paz da região", que à mente irracional de muita gente "violência não gera necessariamente violência" (mas só para um lado da história, claro), está interrompido por mais uma geração, e peço mesmo a Deus que nós ocidentais, dentro de 10, 20, 30, 40 anos, nos lembremos desses ataques israelenses infames, cujo derramamento de sangue necessita de um modo muito cuidadoso para que seja resolvido - o primeiro, dando aos palestinos uma terra justa.
Somos as raízes da atual raiva mundial, não nos permitamos nunca esquecer este janeiro de 2009 nos próximos anos - os homens de amanhã serão as crianças de hoje. Que tenhamos uma boa memória para não aplaudirmos alegremente os espetáculos dos meios de comunicação e dos políticos no futuro.
Não Poderia Haver Marca Metafórica Mais Adequada
Para Encerrar Seus 8 Longos Anos na Casa Branca
Versão original em inglês publicada no Nolan Chart
Este artigo foi também publicado na Europa,
na página criada por jornalistas holandeses em favor do jornalista Al-Zaidi,
autor do sapataço contra Bush / www.freealzaidi.com
Dezembro de 2008
Momentos antes de uma entrevista coletiva em Bagdá no Iraque domingo, 14 de dezembro de 2008, o jornalista e islamita- xiita Muntadhar al-Zaidi, de 29 anos, atirou seus dois sapatos conta Bush, de quem estava a 3,5 metros de distância. No primeiro ato, quase acertando Bush que se desviou para não ser atingido, Al-Zaidi gritou, "Este é um presente dos iraquianos! Este é um beijo de despedida, seu cachorro!". No segundo arremesso, em que o primeiro-ministro iraquiano Al-Maliki antecipou-se com a mão para proteger Bush, o jornalista iraquiano gritou: "Este é das viúvas, dos órfãos e dos que morreram no Iraque!". Jogar sapato em alguém é a pior ofensa no mundo árabe, e chamar de cachorro o pior insulto.
Preso logo em seguida, Al-Zaidi tem sido considerado herói nacional em seu país e em quase todo o Oriente Médio pelo sapataço, tanto por sunitas quanto pela maioria xiita, historicamente marcados por feroz divisão (a qual tem sido uma das grandes preocupações de Bush no Oriente Médio, e teoricamente um dos motivos da invasão ao Iraque, e para ali permanecer todos estes anos).
Após o incidente Bush, visivelmente nervoso e abatido, disse que esse tipo de coisa é normal acontecer em sociedades livres e democráticas, especialmente por parte de pessoas que desejam chamar a atenção. Não, Bush, o Iraque não é um país livre e democrático. Mas após oito anos dando tantas gafes, Bush enfim acertou uma: sim, Al-Zaidi quis chamar a atenção, sim. Mas para quê?
Antes de compreendermos a situação iraquiana e a motivação de Al-Zaidi, vamos lembrar que um juiz não sentencia uma causa sem analisar todo seu contexto. O juiz brasileiro, dos mais respeitados, dr. Ives Gandra Martins, costuma dizer que, "Um juiz não é escravo da lei, mas da justiça". Entendemos e iremos discutir o contexto em que se deu o incidente, e todas as dores do povo de Al-Zaidi.
No que diz respeito à delirante democracia no Iraque, devemos lembrar, inclusive para avaliar o que ocorreu em 14 de dezembro na sala de Imprensa de Bagdá, que o Iraque é um caso totalmente atípico: os iraquianos têm sido dizimados em um país invadido onde, desde 2002, 1,5 milhão de pessoas morreram, 2 milhões se refugiaram na Jordânia e 3 milhões estão desabrigados (1). O sistema de educação e toda a infraestrutura do país estão completamente destruídos. Que dizermos de Abu Ghraib e Guantánamo? E do Plano P2OG, arquitetado diretamente por Bush e Donald Rumsfeld, então secretário de Defesa, que visava incitar atos de terrorismo por parte dos iraquianos no Iraque, para justificar em seguida novos ataques norte-americanos ali? (confira no final desta página documento, em inglês, que incrimina a Casa Branca nesta questão. Em Cacos do Império, nossa crônica nesta seção, leia mais sobre o Plano P2OG). Como toleraríamos torturas dentro de nosso país, praticadas por estrangeiros que controlassem nossas riquezas? Do mesmo jeito que Bush responde ao 11 de setembro?
Os iraquianos têm seus traumas, suas dores e tudo isso é, sim, justificável. É muito confortável a nós aqui, sentados em nosso trono democrático e religioso, falar agora em diálogo, paz e democracia. Sabemos bem que a muitos isso é política e religiosamente correto, mas aos iraquianos não interessa, muito menos agora, nossa filosofia, nossa religião, menos ainda se Bush e os lords da democracia da Casa Branca acham-se predestinados para salvar o mundo, levando a outros povos a civilização deles através do American Way of Life. As cínicas desculpas de Bush, no início de dezembro, por não ter encontrado bombas de destruição em massa no Iraque não podem trazer de volta os concidadãos de Al-Zaidi mortos até agora, nem aqueles mortos sob as bombas Mini-Nuke em 1991, na Primeira Guerra do Golfo, nos arredores da cidade de Basra - conforme revelado em outubro deste ano, tais bombas, atingindo 4,3 graus na escala Richter (!), eram de 6 a 30 vezes mais potentes que a bomba atômica que atingiu Hiroshima no fim Segunda Guerra Mundial (2).
Sim, Al-Zaidi quis chamar a atenção, sim: a minha, a sua e a atenção do mundo. Em um lugar e em um tempo que nem ele nem seu povo não têm espaço para ecoar seus sofrimentos, ele quis chamar a atenção para a covarde invasão dos Estados Unidos que eles têm enfrentado, causando inumeráveis e inimagináveis vítimas. Como o Iraque é um caso atípico, nós entendemos seu ato domingo passado. A opressão de Bush incita tais atos, a política dos EUA incita tal compreensível e justificável repúdio contra nós, ocidentais. A covardia e as mentiras de Bush estimulam o mundo a gritar, "Chega!". O ponto principal não é o sapataço, mas sim como nós respondemos a ele, e como nós, Ocidentais, assumimos a responsabilidade pelo que os orientais vêm sofrendo.
Perante isso tudo, podemos afirmar: o retrocesso não foi do jornalista iraquiano, mas tem sido evidenciado, definitivamente, por alguém que responde, com ditos e feitos, como o xerife do mundo, cuja administração encerra-se agora de modo vexatório, como sempre se escondendo atrás de discursos democráticos. Domingo passado, os oito longos anos de Bush foram metaforicamente marcados, para sempre, pelo sapataço - pelo qual Bush é responsável, vale apontar novamente.
Finalmente, entre espetáculos midiáticos e bombas "inteligentes", caras e genocidas, ao menos uma coisa positiva devemos reconhecer na administração Bush, após tanto tempo: um dos seus maiores problemas parece ter sido resolvido, a divisão entre sunitas e xiitas. Vá embora feliz, Bush, você conseguiu.
Enquanto o mundo dá risada (inclusive o democrático Bush), não devemos esquecer: o Iraque sangra.
1. Research Business, no jornal britânico The Guardian. Citado por Carmen Aristegui na rede de TV CNN em Espanhol;
2. A Nova Democracia, novembro / dezembro de 2008 (www.anovademocracia.com.br)
Diplomata da ONU Morto no Iraque
Comentários sobre documentário de mesmo nome
Apresentado pela TV alemã Deutsche Welle
Transmitido em 18 de novembro de 2008
Versão original em inglês publicada no Nolan Chart
Novembro de 2008
Com esta indagação, a TV alemã Deutsche Welle inicia documentário que apresenta o contexto em que se deu a morte do enviado especial da ONU ao Iraque, o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello em agosto de 2003, pouco mais de um ano após a invasão norte-americana ao país. O edifício da ONU em Bagdá onde ele estava foi ao chão, totalmente destruído por uma bomba - fato obscuro, até hoje não esclarecido. Mais 21 pessoas morreram, e 150 ficaram feridas.
Filmagens mostram o momento da explosão, e o desespero de colegas e de Carolina, esposa de Vieira de Mello. Um dos oficiais da ONU ouviu gemidos sob os escombros, até que encontrou o brasileiro e solicitou uma pá aos soldados norte-americanos, que lha negaram.
Vieira de Mello, nascido em 1948 na cidade do Rio de Janeiro, iniciou seu trabalho na ONU aos 20 anos de idade, em missões de paz e em favor de refugiados, enquanto ainda estudava Filosofia na Universidade de Paris. Este brasileiro, famoso por seu humanitarismo, senso de justiça, por ser um lutador e um intelectual, foi decisivo na independência do Timor Leste, fato este que o valorizou sobremaneira perante a ONU e o mundo.
A ONU considerou ilegal a invasão dos EUA ao Iraque, e Vieira de Mello afirmou, entre críticas aos erros do Exército norte-americano em território iraquiano: "Já que houve a ocupação, que dure o menor tempo possível". Ele também explicou como os EUA aplicaram no Iraque, de maneira distorcida, a resolução 1483 da ONU, a qual tirou a soberania do país: "Ao invés de tirar a soberania e entregar à ONU, os EUA tomaram-na a si mesmos".
Enquanto isso, oficiais do novo governo iraquiano negam-se a dialogar com os estadunidenses, dizendo que só fariam isso com Vieira de Mello. "Não seria possível esse trabalho de reconstrução do Iraque sem Vieira de Mello", afirma Al-Sirani. Uma carta do governo local solicita ainda que a ONU assuma o papel que lhe corresponde ali.
Para essa reconstrução, segundo a ONU e o próprio Vieira de Mello, a colaboração do chefe da Coalizão, o norte-americano Paul Bremer, tem estado difícil. Carolina declarou após sua morte: "A relação entre Sérgio e Paul Bremer foi esfriando-se rapidamente. O norte-americano não precisava mais dele".
O documentário ainda mostra o momento exato da explosão, quando colegas e Carolina procuram desesperadamente por Vieira de Mello sobre os escombros, aos gritos chorosos, "Sérgio?!". Um oficial da ONU ouve gemidos, e localiza Vieira de Mello. Vai até soldados norte-americanos, pede uma pá, mas seu pedido é negado. Sérgio Vieira de Mello, deste modo, vem a falecer.
Se um ponto de interrogação ainda pairava no ar sobre quem poderia se interessar pela morte de Sérgio Vieira de Mello, uma coisa é certa: desde 2003, os iraquianos são os que menos mandam e agem dentro do Iraque. Aliás, sobre ingerência e sabotagem norte-americana nós, latino-americanos, entendemos bem por experiência própria. Já estamos cansados de assistir a esse filme. E fica evidente: após a apresentação desse documentário pela TV alemã, tal ponto de interrogação já não paira mais perdido nas alturas...
A Mulher Mais Corajosa do Afeganistão
A Baronesa de Warsi declarou-se honrada por encontrar Joya em Londres: "Faz tempo que eu queria encontrar Malalaï Joya, e foi uma honra recebê-la na House of the Lords"
Versão original em inglês publicada no Nolan Chart
Esta matéria foi também publicada no Afeganistão, em www.malalaijoya.com
Outubro de 2008
Deveriam saber que sob a ocupação dos EUA, o Afeganistão tornou-se o produtor número um de ópio do mundo, e uma grande parte dele é contrabandeada aos Estados Unidos (2) (Joya). O Afeganistão domina o mercado mundial da droga, com 93 % de ópio do mundo, apoiado pela Aliança do Norte dos senhores da guerra (líderes tribais armados). Os quatro maiores atuantes no setor de comércio de heroína são altos funcionários do governo afegão.
Você sabia disso ?
O governo afegão tem controle de apenas 30% do país, e onde o Taliban e os senhores da guerra locais detêm o poder, simplesmente não há lei. O Presidente Karzai é tão impotente frente aos "criminosos" senhores da guerra que ele é zombado, chamado de prefeito de Cabul (3). (Joya)
Você sabia disso ?
Um relatório da organização internacional de mulheres, a Woman Worldwide, declarou que milhões de mulheres e garotas afegãs continuam enfrentando discriminação e violência no dia-a-dia, e que isso aumentou no ano passado. Tanto o Taliban quanto os senhores da guerra Mujahedeen são acusados ainda de estuprar meninas muito novas, algumas de até quatro anos de idade (1). (Joya)
Você sabia disso ?
Deveriam saber que o povo afegão enfrenta um 11 de setembro todos os dias. As forças dos EUA e da OTAN matam mais civis do que os inimigos do povo afegão (...). Milhares de mulheres afegãs inocentes e crianças têm sido mortas nas operações EUA / OTAN. (4). (Joya).
Você sabia disso ?
Aparentemente, as tropas dos EUA estão aqui para combater o Taliban, mas por outro lado elas apóiam totalmente os comandantes da Aliança do Norte, que são os principais vendedores de armas e munições ao Taliban. Os soldados dos EUA são inocentes, porque foi-lhes dito que nos trariam democracia. Quando me pronunciei nos EUA no início deste ano [2007], pessoas que haviam perdido seus entes queridos no Afeganistão vieram até mim e abraçaram-me, choraram e disseram que compreendiam cada vez mais que a política dos EUA no Afeganistão é uma zombaria da democracia (6). (Joya).
Os piores inimigos do povo afegão que trouxeram Osama bin Laden e que massacraram nosso povo, e cometeram incríveis crimes contra a mulher estão agora no poder, levados de volta pelo governo dos Estados Unidos (2). Os Estados Unidos estão satisfeitos com a situação do país (...). Eles usam a insurreição de talibans como uma desculpa para permanecer por mais tempo no Afeganistão (...). Não há diferença entre esses pessoas e Pinochet, Mussolini, Hitler, e assim por diante (1). A propaganda para o mundo sobre a libertação do Afeganistão e das mulheres, e de lutar contra os terroristas, é mentira (4). (Joya)
Você sabia disso?
Se não houver Taliban, não haverá tolos norte-americanos ocupando suas terras com grandes armas e células de tortura (...). Os Estados Unidos não estão preocupados com a causa principal por trás do terrorismo no Afeganistão. Daí por que nosso povo não considera os Estados Unidos libertadores do nosso país (...).
Penso que se Espanha e outros governos realmente querem ajudar o povo do Afeganistão e trazer mudanças positivas, eles têm de agir independentemente em vez de se tornar um instrumento para implantar as políticas do governo dos Estados Unidos (...). Eles seguem exatamente os passos do governo dos Estados Unidos, e tornaram-se instrumento nas mãos dos Estados Unidos para implementar seus interesses estratégicos, regionais e econômicos (2). O povo afegão está hoje convencido de que os Estados Unidos estão dispostos a colocar-nos em risco enquanto estiver em jogo seus próprios interesses regionais (4). (Joya).
Você sabia disso?
A partir das próximas linhas você saberá o que grande parte do mundo não sabe, e também saberá por que você nunca ouviu falar em Joya. Prepare-se para encarar a verdade; prepare-se para se apaixonar por MALALAI JOYA - PRÊMIO ANNA POLITKOVSKAYA' 2008
1982. Joya tem quatro anos quando foge com a família do Afeganistão, ao Irã e depois ao Paquistão, onde vivem em campos de refugiados. As forças soviéticas invadiram Cabul em 1979, oprimindo o povo afegão por todo o país, situação que perduraria pelos próximos dez anos.
Joya é escolarizada em um campo do Paquistão onde, interessada pela vida dos refugiados, ouve histórias sobre seus conterrâneos - torturas, estupros, choros, pesadelos, mulheres que perderam maridos, filhos e filhas. Assim, fica sabendo o que acontece em sua pátria.
Garota que aprende rápido as coisas, Joya em muito pouco tempo começa a ensinar meninas e mães a ler e escrever - inclusive sua própria mãe! "Eu sabia que nossa saúde dependia da nossa educação", disse Joya este ano ao jornal francês Le Monde (confira o depoimento na íntegra, traduzido para o português).
No Afeganistão, o Taliban toma o poder em 1995. No Paquistão, a Organização para Promoção das Habilidades das Mulheres Afegãs (OPAWC, na sigla em inglês) marca Joya, a qual ingressa garotas ativistas para estimular escolas clandestinas para meninas no Afeganistão, proibidas pelo Taliban que é totalmente anti-feminista. Os pais de Joya têm medo do trabalho, o qual requer o regresso ao país, mas Joya está decidida e insiste em incentivar a família.
Em 1998, quando Joya tem 20 anos, ela e a família retornam definitivamente à pátria. A ocupação soviética retirou-se do Afeganistão nove anos atrás, deixando um vácuo político preenchido pelo Taliban e pelos senhores da guerra, ambos apoiados e armados pelos Estados Unidos na luta contra os comunistas.
Joya começa imediatamente a ensinar meninas em escolas clandestinas - ganha um salário por essa tarefa, uma atividade muito perigosa, mas ela está decidida em seguir adiante. O Taliban tem espiões que perseguem garotas em toda parte, de modo que Joya e suas alunas costumam trocar de salas de aula muitas vezes, levando com elas um Corão para fingir que vão apenas rezar.
Em Dezembro de 2003, Joya é eleita para integrar a Loya Jirga, uma assembléia de 500 cadeiras reunida para rever um projeto da Constituição, onde ela encara ao seu lado os ladrões, estupradores e torturadores que ouviu falar ao longo de toda sua infância e adolescência, no exterior.
Na Loya Jirga, os senhores da guerra da Aliança do Norte, levados ao poder pelos Estados Unidos, tentam prejudicar todos os comitês dispostos a tomar o poder absoluto aproveitando-se da nova democracia. Isso incomoda Joya profundamente, que pensa consigo mesma, "Devo desmascará-los! Isso é intolerável! São aqueles que transformaram nosso país neste núcleo de guerras nacionais e internacionais. São aquela maioria de anti-feministas da sociedade que levaram o nosso país a esse estado, e querem fazer o mesmo de novo. Considero um erro dar-lhes uma segunda oportunidade. Eles devem ser levados ao tribunal nacional e internacional". (2)
Assim, é dada autorização para que Joya fale. Há vários jornalistas na Loya Jirga; os senhores da guerra enchem o lugar. Ela fala por dois minutos, dois minutos que mudariam completamente sua vida. O discurso duro de Joya, denunciando os crimes dos senhores da guerra, faz com que haja um minuto de silêncio total. Em seguida, os senhores da guerra, furiosos, gritam insultos, "Infiel! Prostituta! Comunista!", exigindo suas desculpas. Tal pedido é impossível por parte da parlamentar indignada: "Eu preferiria morrer!". Deste modo, Joya é sumariamente excluída das atividades atuais. Nas ruas afegãs multidões gritam, "Muito bem! Muito obrigado! ".
Em Novembro de 2005, Joya é eleita novamente: agora, para compor o Parlamento de Farah, província da capital nacional Cabul. Com 27 anos de idade, torna-se a mais jovem membro eleita do Parlamento afegão, onde testemunhou novamente a presença dos senhores da guerra corruptos, que são também senhores do ópio. Neste momento, o Afeganistão domina novamente o mercado de ópio mundial após três anos de crescimento meteórico, que evidentemente faz seus dirigentes ficar cada vez mais ricos. Desta vez, Joya manteria o silêncio? "Eu não poderia trair meu povo". Assim, no Parlamento ela começa a denunciar a presença e os atos deles.
Em maio de 2007, depois de ser constantemente ofendida e até mesmo agredida fisicamente em pleno Parlamento por colegas, ela é suspensa do ofício e outra terrível história começa a ser escrita.
Enquanto isso, o Afeganistão bate em 2007 seu próprio recorde histórico de produção de ópio: 8.200 toneladas (9). O Presidente Hamid Karzai é acusado de fazer parte disso. Neste ano também cresceu muito mais o confronto no país, particularmente ataques-suicidas como ocorrem no Iraque - anos antes incomuns no Afeganistão -, e as forças de ocupação dos EUA matam mais civis que nunca.
Joya hoje - "Troco diariamente de casa. Fui à minha cidade natal e uma ponte foi bombardeada ", disse. "Minha casa e o gabinete foram assaltados. A cada dia minha vida está em risco maior " (8). Joya tem sido ameaçada de espancamento, estupro e morte; invadiram seu micro-computador e homens devastaram seu gabinete. Por tudo isso, trafega com guardas armados escondida em uma burqa para não ser reconhecida, e nunca dorme duas noites na mesma casa.
"Estou me preparando para regressar ao Parlamento, onde tenho legitimidade. Tenho um sonho. Até muitos. Sonho que as mulheres do Afeganistão ajam e mostrem que se for dada uma oportunidade, ela podem fazer um trabalho brilhante". (7)
No Afeganistão, 87% das mulheres sofrem violência doméstica; estupros são inúmeros e 80% dos casamentos são forçados, onde filhas servem como moeda de troca; suicídios são, muitas vezes, a única opção como fuga da miséria. "Se você soubesse o número de mulheres queimadas e deformados no hospital de Herat! Educação? Segundo a Oxfam, uma menina de cinco anos vai à escola primária, quando tem 20 à secundária! Não há nenhuma melhora nessa situação, e nas regiões dominadas pelos talibans muitas meninas são freqüentemente atacadas e estupradas a caminho de escola, e suas escolas são queimadas. Saúde? Não existe! A expectativa de vida da mulher no Afeganistão é de 44 anos, a cada 28 minutos uma mulher morre nos hospitais afegãos..." (Joya declarou ao Le Monde este ano).
- Porque os Estados Unidos permitem que tudo isso aconteça? (Agust Farooq Sulehria, Counterpunch Magazine, 18 de agosto de 2008)
Joya: "Os Estados Unidos querem que as coisas fiquem como estão. O status quo. Um Afeganistão sangrento, sofrido, é uma boa desculpa para prolongar a permanência deles. Agora, eles estão até abraçando o Taliban. Recentemente em Musa Qila, um comandante dos talibans, Salam de Mulla, foi nomeado governador por Karzai. Os Estados Unidos não têm nenhum problema com o Taliban, contanto que 'seja o nosso Taliban'.
"Não apenas Karzai, mas também todos esses senhores da guerra têm sido sustentados no poder pelos EUA. Por isso, quando há manifestações contra os senhores da guerra há também manifestações contra tropas estrangeiras. Aqui, se pensa que os senhores da guerra são protegidos pelas tropas dos EUA. Se os EUA saírem do país, os senhores da guerra perderão o poder porque não têm nenhum apoio da nossa população. O povo do Afeganistão lidará com esses senhores da guerra quando as tropas dos EUA deixarem o Afeganistão.
Em entrevista a Elsa Rassbach (2), Joya referiu-se às tropas aliadas desta mameira: (...) "Ao contrário do governo dos Estados Unidos, [as tropas aliadas] contarão com o povo afegão, individualmente e através de grupos amantes da liberdade, que são a alternativa real para os fundamentalistas.
"Hoje, precisamos de segurança e de liberdade, mas em nome da segurança as tropas estrangeiras privam-nos de nossa liberdade. Precisamos de apoio internacional mas não queremos ocupação. Infelizmente, hoje o Afeganistão tornou-se um país ocupado, e o governo dos Estados Unidos prosseguem com seus interesses regionais e econômicos, enquanto o bem-estar do povo afegão parece ser algo totalmente sem valor. Os Estados Unidos alimentaram e deram poder à Aliança do Norte, que é mais perigosa que o Taliban, como o próprio presidente Karzai confessou. E o Taliban está ficando mais forte, simplesmente porque a maioria do povo não suporta o atual governo.
"Devemos recordar que foram os Estados Unidos quem originalmente apoiaram o Taliban e o formaram, e os Estados Unidos também apóiam a Aliança do Norte. Os Estados Unidos poderiam facilmente livrar-se de um bando de pessoas com visão medieval, analfabetas e ignorantes como é o caso do Taliban. Na realidade, os Estados Unidos não são sérios em sua luta contra o Taliban, e precisam de apenas um pretexto para prolongar a sua presença no Afeganistão, e ameaçar o Irã, a China, os países da Ásia Central e outras potências asiáticas."
Sonali Kolhatkar disse: "Mulher como Malalaï Joya é 'inconveniente' para a administração Bush. Isso acontece porque Joya reflete a vontade do seu povo no apelo para acabar com os senhores da guerra e pôr fim à ocupação dos EUA. Bush e seus comparsas gostam de promover mulheres que passivamente aceitam o discurso dos EUA. e demonstram gratidão por ser 'salvas' pelos norte-americanos". (2)
Por isso você nunca ouviu falar em Malalaï Joya.
Anna Politkovskaya foi uma jornalista russa franca e ativista, que criticou duramente a guerra do Kremlin contra os rebeldes da Chechênia. Ela foi morta em 7 de Outubro de 2006, em seu apartamento em Moscou, por expor corajosamente violações russas aos direitos humanos no país vizinho, através de horríveis atrocidades contra civis.
Desde então, a organização Alcance Todas as Mulheres em Guerra (RAW na guerra, na sigla em inglês), em sua memória, premia anualmente uma mulher que, como Malalaï Joya, defende os direitos da mulher em uma zona de guerra e de conflitos, mantendo vivo o espírito de Politkovskaya.
Malalaï Joya visitou Londres para receber, em 6 de Outubro de 2008, o Prêmio Anna Politkovskaya porque, "Apesar das ameaças à sua própria vida, ela continua em seu trabalho para fazer do nosso mundo compartilhado um lugar melhor e mais seguro. Ela é modelo de ação a todos nós, e excelente exemplo de uma mulher muçulmana que está tão compromissada com sua religião como está com seu país e com sua política", disse a Baronesa de Warsi. Esse é um dos vários prêmios e títulos nobres que Joya tem recebido em todas as partes do mundo.
Eu sou uma pessoa. Não sou melhor que meu povo. E a segurança do todas as pessoas no Afeganistão está em risco. Minha vida corre risco cada vez maior todos os dias, porque eu não me entrego e não vou parar de lutar enquanto houver sangue no meu corpo
Prosseguirei cada vez mais em meu combate, porque a maior parte do meu povo está comigo
Eles podem cortar uma flor, mas não podem deter a chegada da primavera; eles poderiam me matar, mas não podem calar minha voz porque será para sempre a voz de todas as mulheres do Afeganistão
FONTES :
(1) Baronees Warsi Meets Malalai Joya, The Sikh Times, London. 15 de outubro de 2008;
(2) Citado por Jake, the Champion of the Constitution in A Salute to Malalai Joya, no Nolan Chart, retirado de PBS's NOW. 8 de agosto de 2008;
(3) Daily Mail, www.dailymail.com ;
(4) Bearing Witness: The Afghan Tragedy, The Nation, 7 de outubro de 2008;
(5) A Salute to Malalai Joya, Jake the Champion of the Constitution. Nolan Chart. 8 de agosto de 2008 ;
(6) Elsa Rassbach Interviews Malalai Joya, www.afterdowningstreet.org, Alemanha. 18 - 22 de setembro de 2007;
(7) "I have a dream" - Malalaï Joya : "Je rêve qu'une femme prenne un jour les rênes de l'Afghanistan". Le Monde, Paris. 24 de julho de 2008;
(8) Afghan Woman Rights Campaigner Wins Courage Award. Reuters, London. 7 de outubro de 2008;
(9) Almanaque Abril - 2008 (Brasil)
A Globalização Unilateral e a Ditadura Democrática de Bush
Publicado em inglês no Nolan Chart
Setembro de 2008
A Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada em 1945 no pós-II Guerra Mundial com o fim de mediar as relações internacionais, manter a paz exercendo tanto quanto possível o diálogo, colocando guerra em questão apenas em últimos casos, defender os direitos humanos, as liberdades individuais e promover o desenvolvimento dos países em escala mundial. De acordo com seus estatutos, nada pode ser aprovado se um de seus membros permanentes, Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Federação Russa, os vencedores da II Guerra Mundial, não estiver de acordo.
Durante todo o primeiro semestre de 2001, funcionários da Agência de Inteligência norte-americana (CIA) imploraram para que sérias atitudes de segurança fossem tomadas e com urgência já que, de acordo com suas constatações, eram iminentes ataques terroristas dentro do país a ser praticados por seqüetradores suicidas em aviões comerciais. Como estes funcionários eram ignorados pelos altos escalões a agência, pediram demissão indignados e temerosos - segundo eles, para lavar as mãos em relação àquilo que certamente ocorreria de terrível e sangrento contra a nação, e em breve.
As sérias e até hoje mal explicadas falhas dos serviços de Inteligência dos EUA acabaram facilitando os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, maior ofensiva sofrida pelos norte-americanos dentro de seu território em toda a história. Até então, o país passava por séria crise econômica e política - o escândalo de corrupção envolvendo Bush e a empresa Enron acumulou-se à prova de fraudes no pleito presidencial, vencido pelo mesmo Bush no Estado da Flórida decidindo a disputa a seu favor, o que colocou em xeque a democracia local perante a opinião pública mundial.
Foi a partir daí que Bush ressuscitou documentos de seu pai, ex-presidente de mesmo nome que ocupou a Casa Branca de 1988 a 1992. Estes documentos colocaram novamente o país em posição unilateral e preventiva (isto é, com o direito de declarar guerra sem passar previamente pelo crivo de organismos internacionais, e sem necessariamente ser atacado antes, apenas quando considerar que algum país siginifique ameaça local). Inspetores da ONU vistoriaram o Iraque por toda a década de 1990, destruindo grande quantidade de armas. Finalmente, em 14 de fevereiro de 2002 estes inspetores asseguraram que não havia armas de destruição em massa naquele país, não dando razão à invasão. O próprio Congresso norte-americano, nesta mesma época, afirmou que o "arsenal militar iraquiano era pobre", e em 1999 que "o estado de ânimo e a eficiência dos campos de batalha no Iraque eram mais frágeis do que em 1991".
Recusando qualquer diálogo e tentativas diplomáticas, Bush insistiu em seus propósitos e, já em 19 de março, tropas norte-americanas entraram no Iraque. Negando-se a submeter seus soldados ao Tribunal Penal Internacional, tem cometido crimes de guerra, causando inúmeras mortes de civis e afetando seriamente a estrutura do Iraque, bem como a do Afeganistão. Não capturou Bin Laden, e a rede terrorista Al-Qaeda e o Taliban agem novamente hoje com eficácia.
Dentro dos EUA, todo o clima criado pela Casa Branca com apelo patriótico jogou ao esquecimento o fato de que Bush é um político corrupto, e a economia passou logo a reaquecer-se impulsionada, claro, pela indústria bélica: em 2000 os Estados Unidos respondiam por 40% do mercado mundial de vendas de armas; em 2008 detêm 52% deste mercado, e os maiores de seus compradores são exatamente os países vizinhos àqueles que Bush denominou como sendo do "Eixo do Mal", Irã, Iraque e Coréia do Norte.
As invasões evidenciam também grande contradição ideológica da Casa Branca: se um governo é ditador, comete crimes contra os direitos humanos, vive em meio a corrupção e tráfico de drogas mas é alinhado a Washington, recebe apoio, militar e econômico, da única superpotência mundial, como é o caso por exemplo de Ruanda e Colômbia - entre outros tantos países, ao todo mais de 60. No caso específico da Colômbia, juristas e grupos de direitos humanos têm observado grande aumento na morte de civis desde 2002, quando comandantes intensificaram uma contra-insurgência financiadas pelos EUA, em US$ 500 bilhões por ano. Estes mesmos países "ajudados militarmente" pelos Estados Unidos acabam comprando dele armas em um "acordo de cavalheiros". Por outro lado, a Doutrina Bush é imperdoável e não vê limites para impor sua democracia e liberdade, como faz no Iraque em tempos que se esgotaram as tentativas da Casa Branca de justificar sua invasão. Os EUA importam hoje 50% do petróleo que consomem, o que significa 1/4 do produto mundial, e possuem menos de 3% de suas reservas. Atualmente, qualquer criança enxerga um país rico em petróleo como presa potencial dos EUA.
E mais - o que também já não é mais nenhum segredo: a disposição messiânica norte-americana para a guerra fez com que os gastos militares do planeta aumentassem 3,5% apenas entre 2005 e 2006, e 37% nos últimos dez anos, chegando ao fabuloso valor de 1,3 trilhão de dólares - só os EUA responderam por 46% do total dos gastos de 2006, acima até que os do ano de 1988 (época da Guerra Fria!). Até hoje, foram gastos em ambas as invasões, ao Iraque e Afeganistão, US$ 850 bilhões (US$ 600 bilhões apenas em 2007). É deste modo que a indústria bélica goes ahead, que é uma beleza!
Antes da ONU, foi assinada em 1864 pelas potências européias a Convenção de Genebra na Suíça, mais tarde ratificada pelos próprios Estados Unidos. Tal Convenção proíbe qualquer país de atacar alvos civis durante uma guerra, garante respeito aos prisioneiros e a preservação de sítios históricos. Mas o que os Estados Unidos têm praticado no Afeganistão e Iraque fere absolutamente todos estes quesitos, e ainda têm aumentado atualmente sua presença militar na Ásia e na África, contando com bases beligerantes em mais de 60 regiões e territórios. Se não bastasse, Bush não hesita em afirmar que se deve estender a presença ariana, política e militar norte-americana ao Leste europeu.
Os EUA têm fracassado drasticamente no Iraque e Afeganistão, e antes: têm espalhado armas por todo o mundo em vez de diplomacia, diálogo e políticas consistentes a fim de conter o terrorismo mundial. Ao próximo presidente dos EUA, Bush está deixando uma bomba cujo potencial é imensurável, a qual deve ser substituída por prioridades claras e bem definidas por parte da Casa Branca, uma mudança na essência de seus interesses. E ao contrário do que afirmou Bush em sua (pífia) carta aos iraquianos, a presente crise econômica não pode ser um pretexto para que se deixe o diáolgo e efetivas políticas (na verdade, nunca iniciados) no Oriente Médio e no combate ao terrorismo mundial.
17 de junho de 2004
Ontem foram explodidos no Iraque, para calafrios dos EUA e do mercado mundial, mais três oleodutos por cidadãos daquele país, inconformados com a invasão do xerife do mundo, o sr. George Bush, sob pretexto de haver ali bombas de destruição em massa - até hoje não encontradas. E não há nada que ligue o ex-ditador à rede terrorista Al-Qaeda, outro argumento que levou à guerra. As sabotagens reduziram a produção de petróleo a 30% do seu nível do pós-guerra, já baixa em relação ao anterior e à capacidade do país, agitando os negócios mundo afora.
Quem pode se esquecer (ou se lembrar) do garoto iraquiano Ali Abbas de 12 anos, que perdeu os braços em bombardeio, das torturas e humilhações (inclusive sexuais) praticadas por criminosos militares norte-americanos na prisão de Abu Ghraib, entre outras crueldades dessa invasão em favor da "democracia", que ficarão para sempre na história da vergonha mundial? Embora atrocidade a que o povo iraquiano é submetido não seja novidade na história do imperialismo global, não a torna menos deplorável. E não deixa dúvidas quanto às intenções de Bush filho naquele país, principalmente se observarmos a diferença de tratamento dada a (pasmemos! Pero no mucho...) oleodutos e iraquianos.
E que o óleo valha mais que uma vida também não é algo novo, ou não deveria ser a qualquer pessoa really down to earth. Não dá para aceitar que os norte-americanos, doutores da liberdade duradoura, nos imponham a carapuça da ignorância convencendo que a democracia pode e deve ser imposta a uma nação. não reconhecer os interesses de outros povos é negar a eles a liberdade de escolha, e o direito a uma situação adequada à realidade deles. E a realidade política, social, cultural e religiosa do Iraque e Oriente Médio é muito diferente da Ocidental.
Desejar torná-los o play ground da América em tempos que o comércio já importa (muito) mais que o bem-estar da humanidade, e com uso da força constituir um Islã made in West, que abrace os valores estadunidenses, é um perigo que aumentará a violência em escala mundial, custará muitas vidas... mas como vida não está em moda usemos, portanto, uma figura de linguagem: inflamará o terror como gasolina no fogo - tremam, burocratas! Agora mexeu com alguém?!
Liberdade a quem, baby Bush, ao povo iraquiano? "Mais non, tapados! Lá tal qual cá!" É a mesma liberdade e democracia que nos têm sido impostas goela abaixo na América Latina, onde três bombas de Hiroshima caem a cada ano (silenciosamente), e a cada minuto uma criança morre faminta ou enferma. Ou será que os hegemônicos pais da democracia estão contentes com o vizinho Haiti, onde o povo sobrevive à base de "bolachas" feitas de barro, água e óleo assadas sob o sol nas calçadas do país? Mas os iraquianos "oleosos" são mais interessantes que os haitianos inoportunos. Preocupar-se com eles por quê? Para não mencionar que nem se lembra que dentro dos próprios Estados Unidos cada vez mais se morre de fome e de doenças tratáveis e curáveis.
Se entre o fraco e o forte, é ao pobre que a dita liberdade econômica oprime, logo testemunharemos o Iraque tão livre, em meio a esse monoteísmo do mercado, quanto nós latinos sob auspícios de nossos neocolonizadores, vassalos do neoliberalismo como o norte-americano Covey T. Oliver, coordenador da Aliança para o Progresso (da América Latina), sentenciando em 1968: "Falar de preços justos, atualmente, é um conceito medieval. Estamos em plena era de livre-comercialização...". Ou liberdade sob a verdade absoluta já proclamada em 1913 pelo então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson: "Ouve-se falar de concessões feitas pela América Latina ao capital estrangeiro, mas não de concessões feitas pelos Estados Unidos ao capital de outros países... É que nós não fazemos concessões." É isso: "liberdade" econômica nunca foi o forte deles.... a não ser para o "resto". Ai de quem discordar! Por trás da retórica de "prosperidade" e de "comércio livre" está a pilhagem dos recursos naturais dos países subdesenvolvidos, e as guerras prenunciando "paz" e "estabilidade" são sempre os mesmos argumentos imperialistas históricos, para se sustentar financeiramente e se manter no poder.
Nos dias de hoje, além de termos que engolir Bush em entrevista coletiva de 13 de abril, afirmar que não se lembra de nenhum erro cometido por ele após o 11 de setembro, e que se importa com os problemas dos EUA, não com os da humanidade, assistimos passivos à política (fracassada, é óbvio) de "terceirização" da invasão ao Iraque por parte do Pentágono, sob bandeira do humanitarismo (mas ele já disse que não se preocupa...!) O século XXI saúda a grande civilização decadente e intolerante das megamortes sistemáticas. E viva o bem-estar... dos oleodutos.
O 11 de setembro acentua o unilateralismo da política dos Estados Unidos, cuja resposta aos ataques terroristas contra o país despedaçam seus últimos ícones
As ações norte-americanas no Oriente Médio, muito antes dos atos terroristas de 11 de setembro de 2001, são recheadas de investidas manipuladoras e genocidas, e ao invés de segurança e liberdade dissolvem, definitivamente, a imagem mais preciosa que a América faz de si mesma: de um país que luta por democracia e liberdade
Corrupção e crimes de guerra, de Reagan a Bush filho, levam o Iraque e o Afeganistão ao caos, a Al-Qaeda e o Taliban ao fortalecimento, e a paz no Oriente Médio é uma miragem no deserto. Para onde vai o mundo?
Dezembro de 2008
Muito mais que levar ao esquecimento total de envolvimento em corrupção, além de fracassos políticos e econômicos da administração de George Bush, os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, que a princípio mobilizaram praticamente todo o mundo em favor do país, conduziram a história norte-americana e mundial a rumos completamente diferentes e perigosos. Por outro lado, colaboraram para que se tenha colocado em prática a política hegemônica dos EUA, especialmente elaborada por Bush já em sua primeira e fraudulenta campanha presidencial. Igualmente, em nada mudaram a maneira do país fazer guerra. Aqui está mais um capítulo arrogante e corrupto de sua história – desta vez, mais que nunca, o mundo teme que, em meio a sérias crises em todas as esferas, seja este o capítulo derradeiro da democracia global, com sua única superpotência não exercendo seus deveres de liderança, mas sim defendido unilateralmente apenas seus próprios interesses imperialistas, sob agonizante pretexto de buscar segurança e liberdade.
Saddam Hussein, que merecia severa pena por tanta crueldade cometida no Iraque, matando 30 mil pessoas, foi condenado à morte por júri dentro dos EUA e levado de volta ao seu país logo em seguida, onde foi enforcado por meios que feriram o Tribunal Penal Internacional. Afirmou até o último instante que George Bush é um genocida, especialmente no mundo árabe. O presidente norte-americano, por sua vez, diz não ter se arrependido da massacrante invasão ao Iraque, mesmo sem encontrar ali bombas de destruição em massa, além de não haver nada que ligue o ex-ditador a Osama bin Laden, grande mentor dos ataques terroristas do 11 de setembro, sendo estes os supostos motivos da guerra unilateral empreendida pelos EUA atualmente. Fracassou também no Afeganistão: tirou o Taliban do poder oficial, mas não atingiu seu principal objetivo, capturar Bin Laden, e ainda deixou o país em situação de extremo caos - o próprio Taliban age hoje até com mais agressividade na clandestinidade. E a Al-Qaeda tem agido fortemente dentro do Iraque, o que só passou a ocorrer após as respostas de Bush ao 11 de setembro. Em 1991, o então presidente dos EUA, George Bush (pai), não conseguiu destituir o tirano do poder cabendo ao filho o serviço, sob garantia de que, com isso, o mundo se tornaria mais seguro, como (diz que) acredita que se tornou segundo afirmação em 12.07.2004: "Hoje, porque os EUA agiram e lideraram, o Iraque e o mundo estão mais seguros".
Mas o 11 de setembro e mesmo a questão EUA x Iraque vão muito além de Bagdá, remontam tempos relativamente remotos e possuem implicações bem mais profundas do que divergências ideológicas e humanitarismo, já que o Oriente Médio tem sido palco de jogo de interesses internos e externos. E nem a guerra, nem a morte de Hussein tornam o Iraque e o mundo mais humanos, muito menos contêm o terrorismo mundial, pelo contrário, estão servindo, isto sim, para fortalecê-lo, e a rede terrorista Al-Qaeda de Bin Laden hoje age com muito mais eficácia dentro dos abandonados Iraque e Afeganistão, enquanto os EUA saqueiam o Iraque, o mundo teme por mais outros ataques terroristas a qualquer momento, e a democracia agoniza. É tudo isso que se tentará esboçar aqui.
O Kuwait fez parte do que é hoje o Iraque na época do Império Turco-Otomano e, com enfraquecimento e divisão imperial após a I Guerra Mundial, tornou-se protetorado da Inglaterra, que facilitou sua independência em 1961. Descoberta de novas jazidas de petróleo no Kuwait causou tentativa iraquiana de reanexá-lo, abandonada em 1963: o país enfrentava instabilidade política com várias tentativas de golpe após a queda da Monarquia, em 1958. Tal situação estendeu-se por praticamente toda a década de 1960, até que o Partido Socialista Árabe Baath ("renascimento", em árabe), a princípio aliado comunista, assumi o poder em 1969. Saddam Hussein, vice-presidente desde então, promove um golpe onze anos mais tarde e torna-se presidente, dando início à implacável perseguição a adversários políticos, constituindo Estado laico que contém inclusive cristãos em alguns ministérios.
Com menos de um ano no poder, com apoio de Israel, União Soviética e EUA, entre outras potências ocidentais, além de árabes conservadores como Arábia Saudita e Egito, lança ofensiva contra o vizinho Irã. Por questões territoriais e preocupação da Coalizão com a Revolução Iraniana em curso, tornar-se-ia a batalha mais sangrenta desde o fim da II Guerra Mundial, em 1945: com duração de oito anos, mataria 300 mil iraquianos, 400 mil iranianos, devastando os dois países sem deixar vencedor, e ao final do conflito as fronteiras permaneceriam inalteradas.
O Irã, sob liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini, havia deposto o ditador laico e pró-Ocidente, xá Reza Pahlevi, em 1979. O novo governo estatizou empresas, campos petrolíferos e fez do país uma república islamita. A inquietação de vizinhos e ocidentais é que a revolução se espalhe pelo Oriente Médio, desestabilizando-o e, deste modo, muitas jazidas petrolíferas passem a poderes estatais. Para piorar, em 1980 são seqüestrados no Irã, com a conivência do aiatolá, cidadãos estrangeiros incluindo norte-americanos. No mesmo ano o Iraque ocupa áreas iranianas em disputa, às margens do rio Chatt El-Arab, dando início á guerra. Liderado pelos EUA, Hussein ataca com bombas químicas, desobedecendo à Convenção de Genebra de 1925 assinada por vários países e pelos próprios EUA, é claro, em repulsa ao uso delas pelos alemães na I Guerra Mundial. Estas mesmas bombas acabariam servindo para Hussein exterminar posteriormente milhares de pessoas dentro do próprio Iraque, ao longo da década de 1980.
Durante esta guerra vem à tona o escândalo conhecido como Irã-Contras, envolvendo diretamente o então presidente norte-americano Ronald Reagan e seu vice, George Bush (pai), um dos muitos casos de corrupção desta administração (1980 - 1988) - mal o país se havia recuperado da humilhante derrota na Guerra do Vietnã, e da renúncia desmoralizada de Richard Nixon, atolado em casos de corrupção e uso excessivo do poder, ambos os episódios na primeira metade da década de 1970. Reagan apresenta mais um duro golpe à imagem democrática que a América faz de si mesma: neste caso Irã-Contras, o poder Executivo dos EUA aliou-se ocultamente a Khomeini (!) concedendo-lhe armas e milhões de dólares em dinheiro (quantias enormes pertencentes ao xá Pahlevi depositadas em bancos dentro dos EUA), em troca de cidadãos norte-americanos reféns no Irã, contradizendo as próprias manifestações oficiais da Casa Branca, contrária a qualquer tipo de negociação com terroristas. E se não bastasse, parte do dinheiro da venda de armas a Khomeini foi enviada a contas de bancos suíços pertencentes aos “contras”, guerrilheiros da Nicarágua que combatem o então governo sandinista. Isto também fere a lei vigente dentro dos EUA, cujo Congresso proibiu este tipo de ajuda do governo aos nicaragüenses insurgentes. Reagan demonstra, assim, que não há limites, políticos e morais, para cumprir seu lema na campanha presidencial, America is back (os Estados Unidos estão de volta).
Na batalha contra o Irã, países próximos ao Iraque sentiram-se protegidos por ele, o que fez com que Arábia Saudita e Kuwait emprestassem-no dinheiro sob promessa de perdoar posteriormente. Todavia, quando Hussein pede perdão da dívida de U$ 10 bilhões ao Kuwait, este o nega. O ditador ainda exige do Kuwait compensação de U$ 2,4 bilhões, pois durante a guerra ele aproveitou para se apoderar de seu petróleo na região fronteiriça. E se não bastasse, mais adiante, rememorando 1963, sob alegação de soberania sobre o Kuwait, parte de seu território histórico, o presidente iraquiano reivindica a reanexação do vizinho e os portos de Bubyian e Uarba, que proporcionariam novos acessos ao Golfo Pérsico e aumentariam sua reserva petrolífera, tornando-a a maior do planeta. A gota d'água para a invasão é a grande quantidade de óleo comercializada pelo Kuwait em 1990, superior à estabelecida pela OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), resultando em queda do preço do produto no mercado mundial. Em 8 de agosto há então ofensiva, e após fuga do emir Jaber al-Ahmed al-Sabah e do primeiro-ministro (príncipe) Saad al-Sabah, Hussein declara o território kuwaitiano a 19ª província iraquiana, com Governo Provisório Livre estabelecido por ele.
Além de emaranhado em casos de improbidade administrativa, Reagan deixou o país seriamente endividado, e com a maior taxa de mortalidade infantil do mundo desenvolvido, dobro de Japão e Suíça, e com a dura realidade de que um negro no bairro de Harlem, em Nova Iorque, tem menos chance de alcançar os 65 anos que um homem no Bangladesh. Mesmo assim, seu vice George H. W. Bush é eleito presidente em 1988. Vale lembrar a afirmação de Bush, ainda em campanha, na convenção do Partido Republicano na cidade de Nova Orleans, em agosto de 1988: "Esta eleição se resume no seguinte: A visão que o meu adversário [o democrata Michael Dukakis] tem do mundo é a de um lento e extenso declínio para o nosso país, de uma queda inevitável induzida pelas forças históricas impessoais, mas a América não é está em declínio. A América é uma nação em ascensão. Eu vejo a América como líder entre as nações, uma nação única, por causa do papel especial que ela exerce no mundo. Este século foi chamado de 'século norte-americano', porque durante esse período nós fomos a força dominante, para o bem do mundo. Nós salvamos a Europa, encontramos a vacina para a pólio, desbravamos a Lua e iluminamos o mundo com a nossa cultura. Agora, nós estamos no limiar de um novo século. Eu digo que este também será um século norte-americano".
Bush assume a presidência assegurando que não intervirá no conflito do Iraque com o Kuwait, já que se trata, segundo ele, de assunto interno dos dois países. E Washington mantém, até aí, relações diplomáticas com Hussein, a quem apoiara anteriormente com fornecimento de armas. Logo após a invasão do Iraque ao Kuwait, entretanto, os Estados Unidos dão ultimato a Hussein, em aliança com 30 países, entre europeus e árabes, e apoiados pela ONU (Organização das Nações Unidas), prometendo punição caso não haja saída do Kuwait até 15 de janeiro de 1991 – a escolha da data é estratégica, proporcionando seis meses para que o comandante-em-chefe dos Estados Unidos, Collin Powell, e o comandante da ONU, Norman Schwarzkopf, reúnam, armem e treinem exército multinacional de 700 mil homens, maior contingente militar após a II Guerra Mundial, composta de 467.539 militares norte-americanos, e maior força aérea já vista pelo mundo. Hussein, por sua vez, conta com a famosa Guarda Republicana, testada na batalha contra o Irã e fundamental na brutal supressão das insurreições curdas internas, com milhares de tanques, peças de artilharia e veículos blindados, estoques de armas de destruição massiva e moderna força aérea. O líder iraquiano imagina que obterá apoio soviético: equivoca-se, esquecendo que a União Soviética já praticamente não existe. Posteriormente, Hussein endurece sua política sobre o Kuwait ordenando a prisão de todos os estrangeiros residentes no país, em resposta às pressões estadunidenses junto à ONU, para que se use a força e um embargo econômico contra seu país.
Em 16 de janeiro de 1991 Bush cumpre sua promessa e declara guerra ao Iraque. A Guerra do Golfo, também conhecida como Tempestade no Deserto, é a primeira da história a ir ao ar ao vivo, através da rede de TV norte-americana CNN e apresentada em forma de show ao mundo. Também é inaugurada a "guerra cirúrgica", isto é, bombas teoricamente lançadas com exatidão, que poupariam civis. Dentro de 100 horas todo o Exército iraquiano é devastado, e o espetáculo cirúrgico, findado em pouco mais de um mês, a 28 de fevereiro, é oposto ao que tentam vender ao mundo: deixa como saldo 100 mil soldados iraquianos mortos e 7 mil civis, além de 70 mil soldados kuwaitianos e 510 da Coalizão. Saddam Hussein, contudo, permanece no poder e abafa revolta interna, através da qual Bush contava com a derrubada do tirano.
Sobre esta guerra, vale a pena recordar a denúncia de Gregg Easterbrook, especialista em assuntos externos dos EUA, à revista The New Republic, em 30 de janeiro do mesmo ano, nunca desmentida pelo Pentágono (citada por José Arbex em A Outra América): Mas a maior falha moral na Guerra do Golfo (...) foi a recusa do Ocidente em admitir, ou pelo menos discutir, não algumas mortes acidentais de civis, mas os 100 mil mortos entre os alvos militares no Iraque. Katherine Boo, do Washington Monthly, notou que ao longo da guerra a mídia norte-americana organizou grandes tabelas de perdas, listando em uma coluna quantos tanques e aviões do Iraque haviam sido abatidos. Mas não houve qualquer menção às mortes do lado iraquiano: era como se o objetivo do “exercício” fosse eliminar montes de máquinas e não seres humanos. As famosas palavras do chefe das Forças Armadas, Collin Powell, sobre o Exército Iraquiano - “vamos estilhaçá-lo e depois eliminá-lo” - claramente eliminaram qualquer consideração sobre a condição humana do inimigo. O Pentágono liberou dúzias de vídeos que mostravam bombas inteligentes atingindo objetos inanimados como bases de mísseis; mas há que se lembrar que até o momento não foi liberado nenhum centímetro de filme mostrando qualquer combate envolvendo seres humanos. Censores militares enlouqueceram quando um comandante deixou alguns repórteres virem um vídeo feito de um helicóptero Apache que atacou um batalhão no Iraque. No tape, adolescentes aterrorizados correm caoticamente por todas as direções, enquanto metralhadoras disparando do helicóptero, que eles não conseguem ver, cortam seus corpos pela metade. O vídeo foi rapidamente tirado de circulação. Quando perguntei a razão disso a um funcionário do Pentágono, ele respondeu: “Se permitirmos que as pessoas vejam esse tipo de coisa, nunca haverá outra guerra”.
José Arbex observa que em outros termos, o Pentágono aprendeu a lição com a Guerra do Vietnã, em que a opinião pública limitou a vocação barbárie do Executivo dos EUA. Nesse sentido, a Guerra do Golfo marcou uma inflexão na História norte-americana. As grandes paradas com que os soldados foram recebidos em Nova Iorque, e as demonstrações com orgulho patriótico explicitam um perigoso grau de histeria coletiva. O Iraque havia sido atacado durante semanas com um poder de fogo que, em termos de potência, foi equivalente ao de uma bomba que atingiu Hiroshima por dia. Mas ninguém se lembrava disso. Essa histeria é a matéria-prima de regimes totalitários e fascistas. Se as eleições fossem no início de 1992, Bush teria facilmente vencido (chegou a ter 90% das intenções de voto naquela época).
Em outubro de 2008, seria revelado que nesta guerra forma usadas as bombas Mini-Nuke na região da cidade de Basra, no Iraque, com potência de 6 a 30 vezes mais que a atômica lançada sobre Hiroshima no final da II Guerra Mundial, alcançando 4,3 graus na escala Richter, chegando a ser captada por sismógrafos no Nepal.
Bush pai perde as eleições de 1992 devido à séria crise econômica por que atravessa o país, com crescente concentração de renda apesar de aumento do PIB (Produto Interno Bruto), e com a vitória de William (Bill) Clinton são arquivados documentos que colocam o país em posição unilateral e preventiva. Clinton assume o poder criticando rigidamente a situação dos EUA: afirma que no país 1% detém 70% da riqueza nacional, e que 40% da população vive abaixo da linha da pobreza. Já em relação ao Iraque, motivando intenso protesto dos iraquianos, é imposto embargo econômico ao país das Mil e uma Noites que dura até 1998, impedindo-o de qualquer transação internacional matando um milhão de iraquianos, principalmente crianças. Em 2000, George W. Bush (filho) é eleito presidente de maneira suspeita, sob fortes denúncias de fraude no estado da Flórida que quase levam à anulação do pleito presidencial, com o caso abafado e abalando mais uma vez a imagem da democracia estadunidense. A equipe de governo então formada é fiel à do pai: Dick Cheney, vice-presidente hoje, era secretário de Defesa quando eclodiu a I Guerra do Golfo; o secretário de Estado Collin Powell era chefe do Estado-maior das Forças Armadas; o atual secretário adjunto de Defesa, Paul Wolfowitz, era subsecretário de Defesa; Lewis Libby, vice-chefe do Estado-maior das Forças Armadas, era o principal assessor de Wolfowitz; Eric Elderman, atualmente assessor de Segurança Nacional, também era subsecretário de Defesa treze anos atrás. Donald Rumsfeld, secretário de Defesa, não ocupava cargo nenhum, mas há muito tempo mantém amizade com a família presidencial. Já na campanha eleitoral, o Partido Republicano de Bush traçou novos rumos da política externa de seu país, que visam ao intervencionismo e isolacionismo – evidentes tendências desde o governo Reagan. Tudo isso desagua, naturalmente, na ressurreição dos documentos que aprovam Tio Sam a agir unilateral e preventivamente.
A maior ofensiva já executada dentro do território dos EUA, em 11 de setembro de 2001, na qual aviões se chocam contra as torres gêmeas do World Trade Center e parte do Pentágono matando mais de três mil pessoas, é reivindicada pelo saudita de origem iemenita, Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda (“A Base” ou “O Método”, em árabe), apoiado pelos norte-americanos na época da Guerra Fria e ligado ao partido político Taliban (“Estudante”, em pashtun), detentor do poder ditatorial no Afeganistão onde Bin Laden foi abrigado após expulsão da Arábia Saudita por atos terroristas. Os ataques a Nova Iorque e Washington, que implodem ícones do poderio econômico e militar da única superpotência mundial, além de um terceiro avião que caiu em uma floresta após luta física entre passageiros e terroristas, que provavelmente atacaria a Casa Branca, devem-se, de acordo com os terroristas, à ingerência norte-americana no Oriente Médio, especialmente na Questão Palestina. Tudo isso faz o mundo solidarizar-se aos EUA, inclusive por parte de países do Oriente Médio, havendo manchetes em jornais diários dos quatro cantos do planeta: “Somos todos norte-americanos”. Os seqüestradores suicidas eram provenientes de países aliados aos EUA, tais como Arábia, Paquistão e Egito, pertencentes a classes média e alta, e vários dos grupos de “mártires” mais importantes de Bin Laden têm sido formados no Ocidente. Além do mais, o antrax, uma das mais temidas bombas de destruição massiva, sai justamente de laboratórios norte-americanos transportados por núcleos mafiosos dentro do próprio país, e a bomba atômica islamita de hoje é paquistanesa. Pouco depois dos ataques, em 17 de dezembro do mesmo ano, é comprovado que o atual presidente Bush recebeu, ao longo da década de 1980, dinheiro ilícito da empresa de energia local, a Enron. E no pouco tempo que ocupa a Casa Branca, Bush tem-na favorecido na divulgação de lucros fictícios valorizando, deste modo, as ações da empresa. Mas a Enron passava em oculto por séria crise, até vir à falência, pouco antes dos episódios virem á tona: o prejuízo chegou a U$ 4 bilhões, prejudicando milhões de investidores em várias partes do planeta.
E em meio a estes ambiente de pavor generalizado por falta de segurança, séria crise econômica e escândalos de corrupção nos EUA, Bush sentencia, “quem não está ao nosso lado, está contra nós”. É declarada guerra ao Afegansistão com os objetivos de tirar o Taliban do poder e, o principal, capturar Bin Laden. Outrora maiores aliados norte-americanos na Ásia Central por ocasião da Guerra Fria, os afegãos e Bin Laden foram armados e treinados por Washington, que contou com apoio de Inglaterra, Paquistão, Irã, Arábia e Emirados Árabes. Os guerrilheiros islamitas afegãos resistiram aos soviéticos vitoriosamente, de 1979 a 1989, e a retirada das forças de ocupação comunistas deixou sério vácuo político no Afeganistão, sem nenhum projeto de reestruturação, abrindo caminho para que o Taliban e Bin laden tomassem o controle do país. “Diz o ditado: 'Se alguma coisa parece boa, faça-a!'. Agora, de acordo com a ética, a política norte-americana é, 'Siga em frente!'”, afirma Bush em outubro, quando índice de aprovação a seu governo no país chega a 92%. É deste modo que avança o mais poderoso país do mundo rumo à guerra total contra o Afeganistão, que viria a atingir um ponto importante: se não é este o objetivo da Casa Branca, pelo menos não declaradamente, logo movimentaria positivamente, a partir da indústria bélica, a péssima economia na gestão Bush (adiando sua crise), além de jogar ao esquecimento o caso de Bush com a Enron.
Mais uma vez, as bombas supostamente lançadas com exatidão não são capazes de poupar civis. Derrubam o Taliban do poder, mas o mundo pergunta-se sobre o paradeiro de Bin Laden – a principal meta não é atingida, o terrorista simplesmente desaparece, e vem constantemente a TVs árabes ameaçando seriamente os EUA. Bush, que três meses atrás afirmou querer Bin Laden "vivo ou morto", dá-se conta agora que perdeu o rastro do terrorista e declara: "Não é o foco da minha campanha [alcançá-lo, grifo nosso], é foco dos terroristas". Deixando o Afeganistão em situação de caos absoluto, à mercê de antigas e ferozes rivalidades étnicas e total desgoverno (em pouco tempo viria o Taliban a agir novamente, mas de modo clandestino, com muita eficácia e diversos assassinatos dentro do país, levando-o a uma situação até mais deplorável que a anterior), Bush desmoraliza-se e a opinião pública norte-americana divide-se em relação a seu governo. Ainda durante a invasão ao Afeganistão, o presidente dos EUA deixa claro que seu próximo alvo na (dita) luta contra o terror é o Iraque de Saddam Hussein, acusando-o de ligação a Bin Laden no terrorismo mundial e de possuir dentro do Iraque bombas de destruição massiva, classificando-o, deste modo, como integrante do que o próprio Bush chama de Eixo do Mal, junto de Coréia do Norte e Irã (este Eixo refere-se a países que, de acordo com o presidente dos EUA, apresentam riscos grandes ao seu país e ao mundo por possuir bombas de destruição em massa). O ditador iraquiano nega ambas as acusações, ao passo que a Coréia do Norte (que não possui petróleo) afirma possui tais bombas, sendo contudo ignorada, na prática, pela Casa Branca (que não se atreve, é claro, a inventar uma de suas guerras nas fronteiras da temível China).
Nesse ínterim, também se comprova falha nos serviços de Inteligência dos EUA, que acabaram facilitando as ações terroristas do 11 de setembro: meses antes desta fatídica data para a história mundial, houve sérias advertências de funcionários da CIA (Central Intelligence Agency, serviço de Inteligência dos EUA) para que se tomasse providências drásticas e urgentes, pois de acordo com suas perícias eram iminentes ataques contra o país por parte de terroristas, cedendo inclusive informações de que envolveriam aviões comerciais. Após virem que nada era feito pela CIA, pelo contrário, estavam sendo ignorados, estes funcionários pediram demissão indignados, segundo eles para lavar as mãos contra o que certa e proximamente ocorreria de tão terrível contra a nação. Em maio de 2002, Bush vem a público e diz, irritado, "nunca tive indícios claros de que terroristas seqüestrariam aviões dentro dos EUA, e os lançariam contra prédios".
Enquanto prepara nova invasão no Oriente Médio, desta vez contra o Iraque, sem nenhuma resistência por parte do povo norte-americano devido ao ressonante apelo por patriotismo e solidariedade, Washington aumenta consideravelmente os gastos com defesa, sob afirmação generalizada de que o terrorismo é uma ameaça tão grande à segurança nacional quanto foram a Guerra Civil dentro do país, e a Guerra Fria. Condoleeza Rice, assessora de Segurança Nacional, afirma não tentar impor democracia aos outros, mas ajudar os povos a reivindicar um futuro mais livre a si mesmos. Diferentemente dos europeus, que vêem o terrorismo mundial como algo inevitável e parte da paisagem, jamais problema estratégico, os Estados Unidos o consideram um mal multiforme – islamita hoje, no futuro de outra origem – a ser aniquilado urgentemente e a qualquer custo, de modo preventivo. E no caso específico do terror islamita, os norte-americanos, que têm promovido debates mais histéricos que racionais, tendem a vê-lo como uma luta de fanáticos religiosos, cobiçosos por retrocesso a um Estado teocrático do século X no Oriente Médio, contra o avanço capitalista e tecnológico do Ocidente. A opinião pública européia, por sua vez, credita o terrorismo de Bin Laden ao conflito crescente no Oriente Médio, especialmente à Questão Palestina.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou em 9 de novembro de 1991, por unanimidade, a resolução 1441, que permitia visita de inspetores ao Iraque para vistoriar armas ali contidas, sempre à contra-gosto de Hussein que dificultou e até impediu por vezes tais vistorias, reivindicando respeito à soberania de seu país. Mas os inspetores destruíram grande quantidade de armas ao longo daquela década, sem contudo deixar nada que apresentasse perigo e pudesse motivar intervenção militar futuramente. Por fim, em 14 de fevereiro de 2002, outro relatório da ONU tido como honesto, equilibrado e imparcial, não dá razão às acusações de Bush. Mas mesmo assim EUA e Grã-Bretanha, esta através de seu primeiro-ministro Tony Blair, apresentam dossiê afirmando que Bagdá continua, sim, a fabricar bombas químicas e biológicas dando início, já em 19 de março, à nova invasão ao Iraque, também conhecida como Campanha do Deserto, recebendo logo em seguida como aliadas Espanha, França, Itália, Austrália e Jordânia, e contrariando, deste modo, a razão de ser da ONU, criada em 1945: impedir que uma nação declare querra unilateralmente à outra.
As instituições internacionais são vistas pelo atual governo norte-americano como inviáveis se restringirem os interesses do país, alegando que a influência militar estadunidense deve ser elevada à maior potência, ao passo que a ONU deve ser reduzida ao papel de grande agência humanitária. Na realidade, a fundamentação desta disposição messiânica dos EUA para a dominação global encontra-se na teologia de William Branham (1909 - 1965), tido como um profeta por setores evangélicos dentro do país. Branham pregava que a salvação do mundo tem que ser promovida através da "força da espada", ou seja, na guerra permanente contra elementos inimigos. Tudo isto significa também dizer que as decisões sobre o que deve acontecer no mundo ficam por conta, única e exclusivamente, dos EUA. Por outro lado, já em 1999 o Comitê do Senado norte-americano constatou que o arsenal militar do Iraque era pobre e, em 2002, que o “estado de ânimo e a eficiência do campo de batalha do país são mais frágeis do que eram em 1991”. Contudo, é iniciada mais uma sangrenta batalha da superpotência, alegando prevenção ao terrorismo e em nome da democracia e da liberdade do povo iraquiano, sob protestos no mundo todo, mas com opinião local favorável. "O governo do Iraque logo pertencerá aos iraquianos, e não será dirigido pela Grã-Bretanha nem pelos Estados unidos", afirma Bush em mensagem à TV e rádio iraquianos. Blair complementa, entre outros ditos: "O dinheiro do petróleo será de vocês, servirá para a sua prosperidade e à de suas famílias".
“A guerra será curta, pois seremos recebidos no Iraque como libertadores”. A primeira previsão da Casa Branca seria relativamente cumprida à risca: a guerra é desde o princício devastadora ao Iraque, não lhe dando a menor chance e as bombas atacam apenas civis nos primeiros dias: os hospitais não recebem nenhum soldado no início dos ataques. Bagdá resistiu por 20 dias, sendo em 9 de abril totalmente tomada por tropas da Coalizão. Nos primeiros seis meses de guerra, nenhuma das 90 bombas atinge o alvo planejado, e por isso o necrotério de Bagdá registra (no papel e através de imagens televisivas) 90% de civis, muitos deles crianças - entre tantos trabalhadores e donas-de-casa, apenas 10% são soldados. "Não há segurança, não há nada", declara à TV o funcionário do necrotério da cidade, totalmente desalentado em meio a cadáveres dilacerados por bombas. Enquanto isso, funcionários governamentais dos EUA vêm a público constantemente denunciar que provas foram coagidas para se afirmar que o Iraque possui bombas químicas e biológicas. Tais queixas fazem algum barulho, mas logo se perdem no vazio. Em meio a tudo isso Saddam Hussein, escondido desde o início dos ataques, aparece constantemente em TVs árabes encorajando os iraquianos a resistir aos 150 mil soldados aliados, enquanto Bush diz ao mundo que não se lembra de nenhum erro cometido por ele após o 11 de setembro. Capturado a 13 de dezembro de 2003 em Tikrit, sua cidade natal, dentro de um buraco em uma fazenda, com saúde, sem qualquer ferida mas sujo e aparentando extremo cansaço, conforma-se com seu destino e surpreende ao mundo por seu aspecto e inofensividade, sendo logo levado aos EUA para julgamento. Segundo o general norte-americano que o prendeu, Raymond T. Odierno, foram recebidas informações sobre o paradeiro de Hussein através de um familiar “muito próximo a ele”, e há fortes boatos de que a traidora fora sua esposa, Samira Shahbandar, refugiada em Beirute, capital do Líbano, de onde mantinha constantes contatos com seu esposo. Dos EUA, onde foi julgado e condenado à morte, é levado de volta ao Iraque onde seria executado a 30 de dezembro de 2006 sob ofensas, o enforcamento sendo filmado e as imagens publicadas ao mundo, tudo isso ferindo a lei internacional. E se do ponto de vista arrasador o tempo foi realmente curto para as investidas norte-americanas no Iraque, não se pode dizer o mesmo rem relação à eficiência na contenção ao terrorismo - inclusive terrorismo comandado por Washington.
É neste período, primeiro semestre de 2002, que o relatório anual de Direitos Humanos do departamento de Estado norte-americano comprova que mais de um terço dos países que recebem ajuda financeira do país, comete graves violações contra os direitos humanos. Tal apoio é destinado a ajudar exércitos em mais de 150 países, entre eles Argélia, Ruanda, Arábia, Uzbequistão e Colômbia (neste país, juristas e gupos de direitos humanos internacionais têm observado grande aumento na morte de civis desde 2002, quando comandantes intensificaram uma contra-insurgência financiadas pelos EUA, em US$ 500 bilhões por ano), e trata-se do mais conhecido programa de apoio estadunidense, mas não o único: o Departamento de Justiça, o Pentágono e diversas agências de Inteligência mantêm seus próprios projetos, sem verificar, contudo, o passado dos alunos, nem registro do que é ensinado nos treinamentos, e, em alguns casos, não há sequer vestígios da existência do programa.
Em outubro de 2002, é revelado no jornal norte-americano Los Angeles Times, em artigo do especialista estadunidense em assuntos militares, William Arkin, o plano P2OG (Counter Proactive and Preemptive Operations Group, isto é, Grupo de Operações Proativas e Preemptivas Contra o Terrorismo). Para este plano preparado por Rumsfeld, o Pentágono liberou U$ 3,3 bilhões que, na prática, destinou-se a estimular atos terroristas por parte de iraquianos, com o intuito de incriminá-los perante o mundo. em documentos exibidos por parte da imprensa internacional, além de menção dos valores em dólar aplicados,há títulos como "Operações Proativas Agressivas", que no contexto tem por objetivo conduzir o inimigo à agressividade. E há mais citações, como "ações encobertas, encobrimento e embuste", "desenvolver novas capacidades técnicas clandestinas, e novos métodos para possibilitar a infiltração profunda rumo ao adversário", além de "desenvolvimento técnico e formação para 500 novos mercenários", entre outros pontos.
Sobre esta questão, Chris Floyd, colaborador da revista norte-americana Counterpunch e colunista do jornal diário da Rússia, Moscow Times, comparou este plano de promover atos terroristas com as Operações Northwoods em 1963, preparada pela Agência de Segurança Nacional com objetivo de lançar série de atentados e assassinatos contra norte-americanos, para incriminar Cuba e invadir o país posteriormente. Encomendado pelos altos escalões do Pentágono, as Northwoods só acabou não sendo levada à cabo por desautorização do então presidente John Kennedy, assassinado meses depois, de modo nebuloso, até os dias de hoje. Agora, na avaliação de Floyd, este plano P2OG, que objetiva estimular reações e abrir espaço para novos contra-ataques dos EUA "Rumsfeld fez uma ressurreição do plano Northwoods, mas em escala muito maior que a sonhada por seus antecessores (...) e sem encontra nenhum tipo de resistência interna". O plano P2OG foi formulado no novo departamento do Pentágono, o DSB (Defense Science Board, Comissão da Ciência de Defesa, em inglês), criado por Rumsfeld que o qualifica como "a nova elite a nível do Conselho de Segurança Nacional (NSC, na sigla em inglês). E como este Conselho é controlado pela Casa Branca, não há dúvidas de que Bush tenha feito parte do plano - aliás, Bush é o próprio presidente do NSC, que possui uma executiva nele com gabinete na Casa Branca.
Mas logo o assunto, como um passe de mágica, desmancha-se no ar. Como disse Floyd: "o P2OG voltou á escuridão depois de um breve aparecimento (...)". De acordo com a eleição anual de alunos e professores da Sonoma State University, na Califórnia, que desde 1976 edita oanuário com o subtítulo "Censurado: as notícias que não fazem o noticiário", este foi "um dos 25 casos mais censurados pela mídia", em 2002. Apenas na imprensa inglesa apareceram alguns artigos. (Sobre este assunto, veja documento enviado por fax-símiles, logo após esta matéria).
Em maio de 2004, um ano depois da queda de Hussein, chocam o mundo imagens de fotos e vídeos que mostram militares norte-americanos divertindo-se enquanto torturam física e psicologicamente prisioneiros de guerra do Iraque - eletrocutados, pendurados de ponta-cabeça, acorrentados, humilhados sexualmente, sendo forçados a práticas homossexuais entre si, gerando morte covarde de alguns - na cadeia de Abu Ghraib, maior do país e principal palco de tortura do império do medo do ex-ditador Hussein. Os norte-americanos ainda conduziram à prisão esposas e filhas dos detentos, onde elas foram abusadas sexualmente e torturadas. Pois o festival de incompetência não tem ficado só nisso: a cadeia chegou a aprisionar 6 mil iraquianos, tendo apenas não mais que 300 soldados norte-americanos "supervisionando-os". Depois disso, que se tornou mais um escândalo mundial, seis militares dos EUA são acusados pelo júri norte-americano por maus-tratos, e sete chefes submetidos a processos disciplinares, os quais vêem a público e, sem serem desmentidos, acusam o Pentágono de forjado toda a brabárie cometida em Abu-Ghraib. Assim, a Campanha do Deserto revela sua face oculta, o Pentágono acabaria sendo envolvido diretamente, com provas em outubro de 2008, nos atos de tortura ali: com o intuito de obter informações sobre terroristas, Rumsfeld ordenou que seus soldados no Iraque deixassem de agir com bondade, e tratassem os prisioneiros como cães, pois, segundo o secretário de Defesa, eles teriam informações a ser passadas, e são o que há de pior em matéria de terrorismo - tais afirmações vindas de Washington seriam exibidas posteriormente na TV através de documentos.
O passar do tempo mostrou que isto foi mais um ledo engano: de 70% a 80% dos prisioneiros de Abu Ghraib não tinham o que informar. Hussein, um tirano, foi destituído do poder, mas na principal detenção usada por ele, na estrada que leva de Bagdá a Amman, há simplesmente uma substituição de ação: desta vez os criminosos são norte-americanos, novamente ferindo a Convenção de Genebra praticando crimes de guerra, após se apresentar no Iraque como libertadores. Na base militar norte-americana em Guantánamo, em Cuba, onde os EUA mantêm prisioneiros do Iraque e Afeganistão, também há constantes registros de torturas, especialmente de afogamento simulado, autorizados reconhecidamente por Dick Cheney, que ainda diz que este método tem trazido "resultados extraordinários". Segundo o jornalista norte-americano Ron Suskind, "Cheney escancarou os portões de um dos fundamentos da democracia, a prestação de contas". O democrata Carl Levin, comandante do Comitê das Forças Armadas no Congresso norte-americano, disse que o advogado-geral da União, Michael Mukassey, "não demonstra interesse pela questão. Nada disso, porém, detém Bush dentro dos Estados Unidos: obtém vitória arrasadora nas urnas contra o democrata John Kerry reelegendo-se, deste modo, presidente do país por mais quatro anos.
Têm sido feitos contratos privados durante a dita "reconstrução" do Iraque, o que viola a convenção internacional que governa a conduta das forças ocupantes, a Convenção de Haia de 1907, e até mesmo o código de ética do exército norte-americano. As regras de Haia afirmam que "uma potência ocupante deve respeitar as leis vigentes no país". A Autoridade Prisional da Coalizão, todavia, tem destruído esta simples norma e também a Constituição do Iraque, que proíbe a privatização de importantes bens do Estado, ou a possessão de empresas locais por parte de estrangeiros. Em menos de três meses de guerra, porém, a administração da Coalizão liderada pelo norte-americano e ex-embaixador Paul Bremer acabou com esses dispositivos e, finalmente, em 19 de setembro de 2003, Bremer colocou em vigência a Ordem 39, que autorizou a privatização de 200 empresas estatais, além do decreto que prevê que empresas estrangeiras podem apropriar-se de 100% dos bancos, minas e fábricas, permitindo-se-lhes levar 100% de seus ganhos. Houve alerta do Procurador Geral da Grã-Bretanha, Peter Goldsmith, em memorando de 26 de março de 2003, no qual dizia que "a imposição de reformas estruturais não está autorizada pela lei internacional", mas tal documento, no entanto, tem sido ignorado pelas forças de ocupação. Ainda que a venda do Iraque tivesse sido levada à cabo com transparência e em licitações abertas, seguiria sendo ilegal pela simples razão que o país não pertence aos Estados Unidos, pelo contrário, é um país soberano. Segundo vários especialistas em legislação internacional, isso significa que se o próximo governo decidir nacionalizar novamente os bens privatizados pelos ocupantes, terá poderosos argumentos legais para isso (mas pelo que a história da política opressora norte-americana nos mostra, se isso ocorrer certamente os EUA, alegando "prédicas comunistas de nacionalização", declararão a Terceira Guerra do Golfo...). Como resposta a esse saque norte-americano no país, claro, a violência, as explosões de oleodutos como forma de protesto e os casos de homens-bomba iraquianos suicidando-se têm aumentado vertiginosamente.
A lei de Guerras Terrestres das Forças Armadas norte-americanas afirma que "o ocupante não tem o direito de vender ou utilizar de maneira desqualificada a propriedade (civil)". Realmente, o fato de bombardearem um território não dá direito aos atacantes de vendê-lo. O Iraque tem dívida externa de U$ 127 bilhões, que se triplica levando-se em conta as indenizações exigidas pelos vizinhos árabes, por perdas na I Guerra do Golfo, mas os EUA querem que a renda petrolífera seja usada para financiar negócios ali em proveito de firmas estadunidenses, não para pagar dívidas com quem quer que seja. Perante tudo isso, até a Casa Branca, que sempre soube exatamente quais eram as possibilidades militares do Iraque, visto que ela mesma o armou, encontra hoje seríssimas dificuldades para justificar a invasão ao país, outrora sob argumentos democráticos e libertários. Os EUA, até o primeiro quarto do século XX possuidor da maior reserva petrolífera do mundo, importam hoje dois terços do petróleo que consomem, e essa taxa tende a aumentar muito. As evidências sobre as intenções da Casa Branca estão todas aí, já não há mais como ocultá-las.
De acordo com a Unicef (Organização das Nações Unidas para a Criança), nos EUA hoje uma em cada cinco crianças vive em estado de pobreza, e este número tem crescido de modo alarmante, para mais que o dobro de Canadá e Alemanha. E ainda, para cada oito crianças norte-americanas uma não come o suficiente. É de se preocupar com a realidade e futuro da democracia no mundo hegemonizado pelos EUA. O governo de Bush, ditador da democracia global, entre outras tantas: praticou boicote sobre o Protocolo de Kyoto; bloqueou o progresso de negociações para a Convenção contra Armas Biológicas; não submete seus soldados à lei do Tribunal Penal Internacional, para julgar crimes de guerra; não assinou o tratado para extinção de minas terrestres; apóia genocídio na Palestina; ameaça invasão a mais países batizados por Bush como sendo do Eixo do Mal; excluiu direitos civis dentro do próprio país nos chamados Patriot Acts, conjunto de medidas criado após o 11 de setembro através do qual, entre outras coisas, qualquer cidadão pode ter sua linha telefônica grampeada, e casas podem ser revistadas sem autorizações judiciais específicas; o mesmo governo que ameaça mais invasões em combate ao terror, como é o caso de Síria e Irã, sob sentença de Washington, "Reformem-se ou serão derrubados", injeta grandes somas em dólar em países onde há constantes violações dos direitos humanos, extrema opressão, tráfico de drogas, corrupção e discriminação. Tudo isso aliado ao aval que a história nos dá, que em tempos de crise econômica as instituições democráticas correm sérios riscos, temos motivo de sobra para recear.
Em 2000, os Estados Unidos respondiam por 40% do mercado mundial de vendas de armas; em 2008 detêm 52% deste mercado, e os maiores de seus compradores são exatamente os países vizinhos àqueles que Bush denominou como sendo do "Eixo do Mal", Irã, Iraque e Coréia do Norte. E mais - o que também já não é mais nenhum segredo: a disposição messiânica norte-americana para a guerra fez com que os gastos militares do planeta aumentassem 3,5% apenas entre 2005 e 2006, e 37% nos últimos dez anos, chegando ao fabuloso valor de 1,3 trilhão de dólares - só os EUA responderam por 46% do total dos gastos de 2006, acima até que os do ano de 1988 (época da Guerra Fria!). A administração Bush gastou só em 2008 cerca de U$S 700 bilhões com a defesa, o que significa duas vezes mais os gastos dos cinco maiores gastos mundiais subseqüentes. Meio trilhão de dólares foi para o orçamento de base do Pentágono, e mais U$S 180 bilhões para as guerras no Iraque e Afeganistão. Nos dois mandatos de Clinton, foram gastos U$S 300 bilhões por ano com a defesa (valor ajustado com a inflação), enquanto nos anos de Bush, ao todo, foram gastos U$S 1,3 trilhão, sem contar os gastos com os dois países invadidos, Iraque e Afeganistão, que chegou a US$ 850 bilhões.
A dureza excessiva é o retrato evidente da insegurança, e deste modo os EUA têm demonstrado sua fraqueza e vulnerabilidade, não uma força suficiente para enfrentar os problemas do novo século XXI, sem abrir mão dos valores democráticos. Aliás não só fraqueza, mas também desinteresse em resolvê-los. Dentro do Iraque, além dos mencionados saques e torturas, causam também descontentamento generalizado da população local, justamente revoltada com o inimigo estrangeiro: os serviços locais que estão deteriorados; o nível de desemprego que aumenta vertiginosamente; os soldados de Bush e Blair não conseguem impedir saques a hospitais, museus, bibliotecas nacionais e patrimônios da humanidade totalmente destruídos pela revolta interna, mas são capazes, sim, de agir com eficiência quando se trata de guardar oleodutos.
O estado caótico do Iraque e no Afeganistão só piora, e não há nenhuma perspectiva para o fim da invasão norte-americana, cuja política está totalmente perdida. A Convenção de Genebra estabelece que as forças de ocupação se responsabilizem pelo bem-estar da população local, o que não ocorre no Iraque, nem no Afeganistão. E essa situação de abandono e caos leva a dois outros problemas igualmente graves: a terrível luta histórica, religiosa e territorial entre curdos, sunitas e a maioria xiita tende a atingir níveis incalculáveis; a rede terrorista Al-Qaeda está agindo com eficácia crescente no território iraquiano, o que não ocorria anteriormente, sob a presidência de Hussein.
E como pouca desgraça é bobagem para os EUA, hoje Bush, consciente da tremenda encrenca em que se meteu, clama desesperada mas previsivelmente pelo apoio da ONU e de outros países, outrora negligenciados e até mesmo ameaçados por ele. Este súplica poderia significar uma luz no fim do túnel, uma evidência de revisão política e de desejos de cooperação internacional, se na prática a situação não fosse bem diferente: a ONU e outros países ainda devem, na visão dos EUA, enquadrar-se a todos os ditos e feitos de Washington, que até hoje tem categoricamente afirmado esta condição. Quando questionada se havia algum arrependimento da Casa Branca pela maneira como tem reagido ao terrorismo, com as invasões ao Afeganistão e ao Iraque (apenas este último contabiliza em 2008 cem mil mortos, na maioria civis), Condoleezza foi incisiva em sua resposta à TV CNN: "Não, absolutamente!". Em contraste com o início das invasões a ambos os países, logo após os ataques do 11 de setembro. Bush deixa o governo com apenas 25% de aprovação nos EUA (só não perdendo em impopularidade para Bin Laden), que contabilizam 4 mil soldados mortos entre muito mais feridos e inválidos, além de séria crise financeira só não mais aguda, por enquanto, que a Grande Depressão de 1929.
No Oriente Médio, a situação calamitosa por que passa o Iraque não é diferente no Afeganistão - onde é até pior: sob a Aliança do Norte o país reconvertido em principal produtor mundial de ópio, acaba batendo o próprio recorde na produção mundial da droga em 2007, com 8.200 toneladas (em 2006 atingiu 6.100, e em 1999, 4.685). Em meio ao terror que vive o Afeganistão, diariamente torturado pelos senhores da guerra e pelo Taliban, alguns políticos e a maioria dos cidadãos comuns afirmam que ao governo norte-americano não interessa vencer tais poderes locais, para ter o pretexto de ali manter as forças de ocupação, as quais aliam-se ao contrabando de drogas. Mulheres e meninas não são perdoadas pelo Taliban se pegas indo a escolas ou ao hospital - há casos de estupro, ateamento de fogo, agressões físicas das mais terríveis espécies.
Crianças no Afeganistão têm sido abusadas de todas as maneiras, inclusive pelas forças de ocupação: os próprios EUA reconhecem que têm 10 menores (de até 12 anos) presos na base de Bagrom, onde não se permite o acesso de organizações de direitos humanos nem da ONU, e outros oito tem sido levados para a base de Guantánamo desde 2002. Dentro do Afeganistão, tem havido atentados e bombardeio contra menores, abusos sexuais de menores praticados principalmente por membros das Forças Armadas do próprio país (estabelecida e controlada diretamente pelos EUA; houve relato de um menino de 15 anos, solto após pagar suborno), recrutamento forçoso de menores ao serviço militar, menores suicidas - a maioria usada para este fim enganada pelo Taliban, e o registro oficial de que muitos dos 1722 civis mortos de agosto de 2007 a julho de 2008, são menores. Em novembro de 2008, 52 estudantes e 5 professores morreram em tiroteio cujos atacantes eram os talibans. Antes disso, em 6 de julho, 30 dos 47 mortos no bombardeio da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) a um casamento, eram crianças. Tais ocorrências envolvendo civis têm sido uma impiedosa constante em todos esses anos no país, que ainda vem assistindo casos de suicidas como ocorrem no Iraque, antes muito raros no Afeganistão.
Em 2008, quando indagado por um entrevistador da ABC News sobre o fato de que a Al-Qaeda só entrou e agiu no Iraque após a invasão norte-americana,. Bush respondeu: "E daí?". Foi a mesma resposta de Cheney, seu vice, quando confrontado na TV, em rede nacional por um repórter sobre o fato de 70% dos norte-americanos aprovam retirada imediata das tropas do Iraque, "E daí?". Em dezembro, Bush pede desculpas ao mundo por não ter encontrado bombas de detruição em massa no Iraque, e dias depois, pouco antes de uma entrevista coletiva em Bagdá que serve como despedida no Oriente Médio, o jornalista Muntader al-Zaidi arremessa seus dois sapatos contra o presidente norte-americano, que se desvia para não ser atingido. É a triste e mais adequada marca metafórica para seus oito longos anos na Casa Branca, que recebem dos norte-americanos o índice de aprovação mais baixo da história dos Estados Unidos, 27%.
“Os Estados Unidos se preocupam com seus próprios problemas, não com os da humanidade”, foi o que disse George Bush em 13 de abril de 2004. Mas não precisaria mencionar mais esse célebre e revelador dito do xerife do mundo, para se dar conta de a invasão ao Oriente Médio não visa combater o terrorismo nem estabelecer governos democráticos naquela região, mas sim defender interesses econômicos e regionais com "choque de civilizações", uma guerra disfarçada de luta do "bem contra o mal" totalmente sem sentido. O que a administração Bush conseguiu com tudo isso foi tornar o país e o mundo um lugar muito mais inseguro para se viver, acirrar o ódio contra seu próprio país por parte de terroristas, e criar um antiamericanismo global sem precedentes. Mas é claro que a proeza não se deve apenas a Bush, isso é também conseqüência de governos corruptos e terroristas como de Bill Clinton, Bush pai e Ronlad Reagan, como vimos.
Ao invés de liderança como única superpotência mundial, os EUA têm exercido ao longo de muitas décadas perigosa hegemonia, levada às últimas consequências por Bush nesses últimos oito anos, também na tentativa de resolver a crise econômica por que passava o país às vésperas dos ataques do 11 de Setembro, “terceirizando” uma invasão ao Iraque totalmente sem sentido, fomentando a indústria bélica e movimentando a economia a curto prazo.
O terrorismo é uma questão de extremo grau de dificuldade, requer políticas eficazes e até mais duras. O problema é que justamente essa questão não pode ser resolvida, pois Washington precisa de um pretexto para seguir ocupando cada vez mais países do Oriente Médio, a fim de defender seus interesses econômicos e regionais. Grande parte da população daquela região é analfabeta e grande parte das mulheres não têm sequer acesso a escolas e hospitais, coopera na formação de novos terroristas e aos governos locais não interessa mudar esse quadro para que possam se perpetuar no poder. E só políticas eficientes, que não consideram invasões e bombardeios, podem solucionar essa questão e levar democracia àqueles povos – e é isso o que grande parte deles realmente deseja, democracia e liberdade.
Mas passados oito anos de fracassos da ofensiva liderada pelos EUA, não se muda o discurso e a única possibilidade considerada para resolver um problema que só cresce continua sendo intervenção militar, que tantos e tantos civis tem matado. Não se aceita outra alternativa, não se aceita por exemplo ouvir a população iraquiana nem afegã, as quais clama por ajuda externa sim, mas não aceitam ocupação.Contrariando o dito francês tout comprendre c'est tout pardonner (tudo compreender é tudo perdoar), não dá para perdoar Bush e seus antepassados da Casa Branca por tanta corrupção e tanto genocídio para um único fim: manter o imperialismo mundial do país. E parafraseando o historiador Eric Hobsbawm em Era dos Extremos, “para o poeta T. S. Eliot, 'é assim que o mundo acaba, não com uma bomba, mas com uma lamúria'”. O Império dos Estados Unidos, certamente, se acabará com os dois. E até os próximos ataques terroristas, humanidades, o mundo se tornou um lugar muito mais vulnerável e odioso.
FONTES:
Era dos Extremos - O Breve Século XX, Eric Hobsbawm. Cia. das Letras;
Ascensão e Queda das Grandes Potências - Transformação Econômica e Militar de 1500 a 2000, Paul Keneddy. Ed. Campus;
Rumo a Uma Guerra Santa? O Debate do Século, Roger Garaudy. Jorge Zahar Editor;
O Poder da TV, José Arbex. Ed. Scipione;
A Outra América - Apogeu, Crise e Decadência dos Estados Unidos, José Arbex. Ed. Moderna;
Almanaque Abril - Mundo / Edições 2003 e 2008. Ed. Abril;
Jornais Brasil de Fato, Hora do Povo, A Nova Democracia, Zero Hora, Tribuna da Imprensa, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Clarín (Argentina), El País (Espanha) e The New York Times.
REVISTAS:
Carta Capital (ano XV, nº 572, 24 de dezembro de 2008);
Documento Verdade - Guerra do Golfo (nº1) e Documento Verdade - Guerra Sem Fim (ano 1, nº 3). Ed. Scala;
Caros Amigos (ano VI, nº 72, março de 2003, e ano VII, nº 73, abril de 2003);
Primeira Leitura (O Império Americano em 38 Páginas, nº 15, maio de 2003);
Política Exterrna (vol. 11, nº 3, dezembro-janeiro-fevereiro de 2002 / 2003);
Time (A Nation, Indivisible, 24.9.2001. Estados Unidos);
America's Great Battles (edição especial de Military History Magazine. Estados Unidos);
Der Spiegel (US Söldner im Irak / Die Folterer von Baghdad, nº 19, 3.5.2003. Alemanha).
Deutschland (nº 5, outubro / novembro de 2007)
Le Monde Diplomatique - Brasil (nº 6 / novembro de 2008)
NA INTERNET:
www.estadao.com.br
www.revistaepoca.globo.com
www.internationalviewpoint.org
www.corriere.it
www.cpa-iraq.org/bios
www.time.com
www.msnbc.com
www.lanacion.com.ar
www.counterpunch.org
www.malalaijoya.com
NA TV:
Max Prime
The History Channel
CNN
HBO (documentário norte-americano The Perfect Storm, sobre as torturas na cadeia de Abu-Ghraib)
