VIII. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais

VIII. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais













C



H



E






É preciso matar sua coragem
até que reste apenas covardia.
É preciso matar o herói-miragem
até que reste apenas vilania.
É preciso matar sua beleza
até que reste apenas feiúra.
E até que reste apenas frieza
é preciso matar sua ternura,
é preciso matar sua piedade.
É preciso matar-lhe o aroma e a flor,
até que reste apenas crueldade,
até que reste apenas seu fedor.
É preciso matar sua memória
até que reste apenas sua escória.

We must kill him. 0, we gotta kill him
anywhere, elsewhere, everywhere.
Ô gunfighters do mundo, dai um fim à tão sinistra luz,
a luz esquerda que assombra e, sem medo, engatilhai
Macintoshes, mirai, usai Windows - ó épicos satélites,
Rastreai o olhar campeador (o mais ruim dos)
e os passos que não passam -, com o florete
da palavra mais livre e seus repiques
em googles e youtubes, na Internet,
por CNNs e times e newsweeks,
deletai as três letras que empeçonham
os sonhos desses loucos que ainda sonham.

Qué sé yo de Ia muerte? No sé nada. De Ia vida sabré tal vez un poco,
de hambre y hombres, de lucha apasionada.
De morir sí, lo sé, tránsito loco
entre dos tiros, dos tinieblas, dos
punzones en el pecho sin dolor,
o entre vida y no vida, no más, los ojos como entornados
y el rigor final de los juicios que te alaban
o te destruyen. Y os díré: morir
es solo un trámíte, todos se acaban
aunque paguen el precio de vivir
por Ia causa dei Hombre o, así lo quieras,
del odio, sus pasiones, sus banderas.



Trechos do poema A "Segunda Morte de Che", de Pedro Galvão, publicitário. Escrito por ocasião dos 40 anos da morte de Che Guevara, quando algumas revistas do mundo publicaram matérias infamantes, algumas delas repulsivas, com o intuito de destruir a imagem do herói. Publicada pela revista brasileira Caros Amigos, edição especial de novembro de 2008, A América Latina Está Viva





EM TRECHOS SELECIONADOS DE SUAS RECORDAÇÕES DE COMBATE, CHE GUEVARA NARRA A CAMPANHA GUERRILHEIRA EM CUBA QUE O REVELOU PARA O MUNDO, DERRUBOU O DITADOR FULGENCIO BATISTA E IMPLANTOU O REGIME SOCIALISTA NO PAÍS


Revista Caros Amigos, outubro de 2004. Especial Che Guevara


“NO DIA 2 DE DEZEMBRO desembarcamos em Cuba, num lugar chamado Belic, na praia das Colosadas. Fomos denunciados. Desembarcamos com toda pressa, com a aviação inimiga perseguindo-nos alagadiços adentro. Nem bem havíamos chegado, o exército da ditadura já estava em nosso encalço. Finalmente, depois de uma marcha exaustiva, chegamos a um posto chamado Alegría del Pío, na província de santa Cruz, município de Niquero, perto do Cabo Cruz.

Havíamos perdido quase todo o nosso armamento no desastroso desembaque, bem como o arsenal médico e os alimentos. Um guia, camponês da região, nos traiu, entregando-nos aos soldados de Batista. Exaustos, mal podíamos caminhar. Começamos a ouvir o barulho de aviões sobrevoando a região. Todos os nossos homens tinham os pés feridos pela caminhada e eu sofria muito com seguidas crises de asma. Subitamente, fomos atacados. Tiros de todos os lados. Um deles me atingiu. Pensei que iria morrer. Vi cenas dramáticas com meus companheiros feridos. Precisávamos sair dali e atingir o outro lado do canavial, onde deveria estar Fidel com outra tropa.

Foi um esforço terrível, escapando das balas. Caminhamos até que a noite nos impediu de avançar e resolvemos dormir todos juntos, amontoados, atacados pelos mosquitos, sofrendo pela sede e pela fome. Esse foi nosso batismo de fogo no dia 5 de dezembro de 1956. Assim começou a forjar-se o exército rebelde.

De noite, saímos caminhando na montanha guiados pela estrela polar. Orientávamo-nos para o leste, em direção à Sierra Maestra. Encontramos três companheiros numa pequena praia (Camilo Cienfuegos, Pancho Gonzáles e Pablo Hurtado). Com eles, éramos oito, não tínhamos notícias de mais sobreviventes. Tudo o que sabíamos era que, caminhando com o mar à nossa direita, íamos para o leste, isto é, para Sierra Maestra, o lugar onde devíamos nos refugiar.

Depois de passar dias de muita fome e sede, acabamos por encontrar camponeses que nos alimentaram, mas depois nos denunciaram. Outros tornaram-se fiéis companheiros e mais tarde se incorporaram ao nosso partido. Por fim, um camponês disse-nos saber onde encontrar Fidel. Nossa pequena tropa apresentava-se sem uniformes e sem armamentos, já que as duas pistolas eram tudo o que tínhamos conseguido salvar do desastre. A reprimenda de Fidel foi muito violenta: 'Vocês não pagaram a falta que cometeram, porque abandonar fuzis, nessas circunstâncias, só se paga com a vida. Aúnica esperança de sobreviver que tinham no caso de se defrontar com o exército eram suas armas. Abandoná-las foi um crime e uma estupidez'.

O ataque a um pequeno quartel situado na foz do rio La Plata, na Sierra Maestra, constituiu nossa primeira vitória e alcançou certa repercussão. Foi a prova de que o exército rebelde existia e estava disposto a lutar; e, para nós, a reafirmação das nossas possibilidades de triunfo final. Isso ocorreu no dia 14 de janeiro de 1957, pouco mais de um mês depois da surpresa em Alegría del Pío.

Nossa atitude para com os feridos contrastava sempre com a do exército, que não somente assassinava os nossos feridos, como também abandonavam os seus. Essa diferença surtiu efeito com o tempo e se constituiu num dos fatores do triunfo.

Seguindo pelas encostas dos morros que bordejam o rio Inferno, chegamos a uma pequena abertura circular na montanha onde existiam duas choças camponesas. Fizemos ali nosso acampamento. Fidel cuidou de nossas defesas. Mas, na madrugada do dia 22, alguns soldados invadiram o nosso espaço e trocamos tiros. O combate foi de uma ferocidade extraordinária. Morreram quatro inimigos.

Escapamos de mais um violento ataque dos aviões de Batista e acabamos escondendo-nos na mata. Logo estaremos completando,no dia 2 de fevereiro, dois meses do desembarque do Granma.

Nos dias 27 e 28 de fevereiro, implantou-se a censura em todo o país. Pelas 4 horas da tarde, uma numerosa tropa de soldados, sem saber de nossa presença (num vale próximo a La Marcedas), caminhava nessa direção. Tivemos de fugir correndo. Mas eu estava tendo um forte ataque de asma. Todos escaparam, mas, para mim, foi muito difícil e doloroso. Crespo me dizia: 'Argentino de merda, tens de caminhar ou te levo a coronhadas'.

Tínhamos um encontro marcado com Fidel na casa de Epifanio, caminho que poderia ter sido feito em 24 horas, mas não conseguimos. O encontro era em 5 de março, mas só chegamos lá no dia 11, em razão das minhas dificuldades. No dia 16 chegaram 50 homens de reforço, com algum armamento, mas todos despreparados para as marchas.

Com cerca de 80 homens, os rebeldes se dividiram em três grupos, sob a direção geral de Fidel. Eu tinha a função de médico num deles. A primeira quinzena de maio foi de marcha contínua. Estávamos na crista de Sierra Maestra, próximos do pico Turquino.

Depois de longa espera, recebemos mais armamentos. A 31 de maio tínhamos 127 homens, na maioria armados. Preparamo-nos, então, por decisão de Fidel, para tornar o quartel El Uvero, à beira-mar. Esse combate foi um dos mais sangrentos que travamos. A luta durou 2 horas e 45 minutos. Do nosso lado, morreram seis companheiros. E muitos feridos, sendo 19 de combate. Entre os governistas, 19 feridos, 14 mortos, 14 prisioneiros. Um tenente, depois de atingido, levantou a bandeira branca da rendição. A partir desse combate, nosso moral aumentou enormemente. A coluna vitoriosa partiu no dia seguinte e eu permaneci no quartel, cuidando dos feridos.

Em 12 de julho de 1957, surgiu um manifesto de apoio à luta guerrilheira e propondo a nova ordem política para Cuba. Foi publicado nos jornais. Essa declaração, para nós, não era mais que uma pequena pausa no caminho. Cumpria continuar a tarefa fundamental, que era a de derrotar no campo de batalha o exército opressor.

Naqueles dias, formava-se uma nova coluna cuja direção era entregue a mim, com o posto de capitão. A nomeação foi muito simples. Ao escrever os nomes que iam fazer parte da coluna, na hora de especificar o meu posto, Fidel ordenou: 'Põe comandante'. Desse modo informal e quase disfarçado,fui nomeado comandante da Segunda Coluna do Exército Guerrilheiro, que posteriormente se chamava Número 4.

No dia 31 de julho, fizemos o ataque ao quartel Bueycito, comandado por mim. Seguimos em caminhões conseguidos com os camponeses que nos apoiavam. Houve um tiroteio rápido, no qual perdemos o companheiro Pedro Rivero, com um tiro no peito. E mais alguns outros,com ferimentos leves. Queimamos o quartel, depois de tirar tudo o que podia ser útil, e fomos nos caminhões, levando prisioneiro o sargento.

Com o assassinato de Frank País (famoso líder estudantil da universidade de Santiago ligado ao Movimento Revolucionário de Cuba), numa rua de Santiago, perdemos um dos mais valiosos lutadores, mas a reação a seu assassinato, com uma greve espontânea em toda Cuba, demonstrou que novas forças se incorporavam à luta e que crescia o espírito combativo do povo.

Tanto a nossa coluna quanto a de Fidel realizavam pequenas façanhas militares que, no entanto, eram grandes, pela desproporção de forças que existia entre nossos soldados, pobremente armados, e as forças perfeitamente armadas da repressão. Mais ou menos a partir desse momento foi que as tropas de Batista deixaram definitivamente Sierra Maestra.

Enquanto Fidel prosseguia a marcha para Santiago, chegamos a Pino del Água, no dia 10 de setembro, na mata da Maestra. Ali realizamos uma emboscada, onde caíram três caminhões com soldados e armamentos. A maioria dos soldados fugiu, mas nos deixaram as armas. Queimamos os três caminhões, pois não pretendíamos utilizá-los. Travamos mais alguns combates com os soldados de Batista na região, num dos quais me feriram no pé. Pareceu-nos, depois, que o inimigo se afastara dali.

Vencida a batalha em Sierra Maestra no dia 30 de dezembro de 1958, com 400 homens invadimos Santa Clara, defendida por 3 mil soldados da ditadura. Foi o golpe mortal contra Batista, que fugiu de Cuba em janeiro de 1958, na madrugada do Ano Novo.
Nesse mesmo mês de janeiro, separei-me de Hilda Gadea e pouco depois casei-me com Aleida March, que lutara a meu lado nos últimos meses da guerrilha. Após a tomada do poder, a 8 de janeiro, parti para uma longa viagem diplomática.

Em novembro, foi nomeado presidente do Banco Nacional de Cuba. No dia 17 de abril, o novo regime cubano frustrou o desembarque, na baía dos Porcos, de cubanos dirigidos e armados pelos Estados Unidos.

Ocupei outros cargos importantes no governo revolucionário presidido por Fidel Castro. Em fins de 1964 precisei discordar da linha internacional do Partido Comunista Soviético, que dava apoio financeiro à Cuba, posição que Fidel não pôde compartilhar. Foi quando decidimos que eu continuaria a minha vida de guerrilheiro internacionalista e Fidel seguiria administrando a vida política da Ilha”.





O Legado de Che Guevara


Analisando sua obra falada, escrita e vivida, podemos identificar um profundo humanismo. O ser humano era o centro de todas as suas preocupações


João Pedro Stedile, jornal Brasil de Fato

8 de outubro de 2009



Em 8 de outubro cumpre-se o aniversário do assassinato de Che Guevara pelo exército boliviano. Após sua prisão, em 8 de outubro de 1967, foi executado friamente, por ordens da CIA. Seria ''muito perigoso'' mantê-lo vivo, pois poderia gerar ainda mais revoltas populares em todo o continente.

Decididamente, a contribuição de Che, por suas idéias e exemplo, não se resume a teses de estratégias militares ou de tomada de poder político. Nem devemos vê-lo como um super-homem que defendia todos os injustiçados e tampouco exorcizá-lo, reduzindo-o a um mito.

Analisando sua obra falada, escrita e vivida, podemos identificar em toda a trajetória um profundo humanismo. O ser humano era o centro de todas as suas preocupações. Isso pode-se ver no jovem Che, retratado de forma brilhante por Walter Salles no filme Diários de Motocicleta, até seus últimos dias nas montanhas da Bolívia, com o cuidado que tinha com seus companheiros de guerrilha.

A indignação contra qualquer injustiça social, em qualquer parte do mundo, escreveu ele a uma parente distante, seria o que mais o motivava a lutar. O espírito de sacrifício, não medindo esforços em quaisquer circunstâncias, não se resumiu às ações militares, mas também e sobretudo no exemplo prático. Mesmo como ministro de Estado, dirigente da Revolução Cubana, fazia trabalho solidário na construção de moradias populares, no corte da cana, como um cidadão comum.

Che praticou como ninguém a máxima de ser o primeiro no trabalho e o último no lazer. Defendia com suas teses e prática o princípio de que os problemas do povo somente se resolveriam se todo o povo se envolvesse, com trabalho e dedicação. Ou seja, uma revolução social se caracterizava fundamentalmente pelo fato de o povo assumir seu próprio destino, participar de todas as decisões políticas da sociedade.

Sempre defendeu a integração completa dos dirigentes com a população. Evitando populismos demagógicos. E assim mesclava a força das massas organizadas com o papel dos dirigentes, dos militantes, praticando aquilo que Gramsci já havia discorrido como a função do intelectual orgânico coletivo.

Teve uma vida simples e despojada. Nunca se apegou a bens materiais. Denunciava o fetiche do consumismo, defendia com ardor a necessidade de elevar permanentemente o nível de conhecimento e de cultura de todo o povo. Por isso, Cuba foi o primeiro país a eliminar o analfabetismo e, na América Latina, a alcançar o maior índice de ensino superior. O conhecimento e a cultura eram para ele os principais valores e bens a serem cultivados. Daí também, dentro do processo revolucionário cubano, era quem mais ajudava a organizar a formação de militantes e quadros. Uma formação não apenas baseada em cursinhos de teoria clássica, mas mesclando sempre a teoria com a necessária prática cotidiana.

Acreditar no Che, reverenciar o Che hoje é acima de tudo cultivar esses valores da prática revolucionária que ele nos deixou como legado.

A burguesia queria matar o Che. Levou seu corpo, mas imortalizou seu exemplo. Che vive! Viva o Che!

João Pedro Stedile é membro da coordenação nacional do MST e da Via Campesina.

# Posté le mercredi 16 juillet 2008 09:37

Modifié le dimanche 06 décembre 2009 10:14

VIII. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais

VIII. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais

Laboratórios Têm a Dosagem da Corrupção


Para manter os 300 mil médicos brasileiros escravos de seus remédios, o monopólio farmacêutico transnacional promove congressos científicos nas mais atraentes cidades turísticas, sorteia automóveis de último tipo, e paga passagens aéreas, alimentação, hospedagem e diversão, incluindo "acompanhantes", pouco importando a eficácia das drogas que serão prescritas a partir dali


jornal A Nova democracia, outubro de 2008

por Archibaldo Figueira



Segundo dados oficiais, 13 mil remédios estão à venda, além de 2 mil medicamentos genéricos. O mercado farmacêutico brasileiro está entre os 10 maiores de todo o mundo: em todas as cidades vão surgindo mais farmácias do que padarias. Ao que parece, o pão de trigo está sendo substituído por comprimidos, drágeas e xaropes. Haverá alguma fiscalização sobre esta avalanche de medicamentos?

A alma do negócio

O escândalo assumiu tamanha dimensão que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) resolveu convocar audiências públicas para ter em 2009 uma nova regulamentação sobre a propaganda médica. Tudo não passa, entretanto, de jogo de cena, pois a política estabelecida pelas matrizes dos laboratórios transnacionais é gastar duas vezes mais em propaganda do que em pesquisa.

Dois pesquisadores canadenses, Marc-André Gagnon e Joel Lexchin, fizeram na Universidade de York um levantamento dos gastos dos laboratórios ianques em atividades promocionais, chegando a um total de 57,5 bilhões de dólares em 2004 (último ano em que havia números disponíveis), em comparação com um gasto de US$ 31,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, segundo a Fundação Nacional de Ciências do USA, no mesmo período.

Outro levantamento revela que, pior ainda, o monopólio dos medicamentos aplica cerca de 90% dos recursos para pesquisa e desenvolvimento para remédios contra doenças que, como o diabetes — que atingem apenas 10% da população mundial —, possibilitam um tratamento caro e prolongado. Por outro lado, moléstias infecciosas como a malária, que aflige mais de 300 milhões de pessoas por ano, ou a tuberculose, que ceifa 2 milhões de vidas, anualmente, e para as quais não se lança um medicamento há 30 anos, são deixadas em segundo plano, pois oferecem uma lucratividade menor.

Resistências

Assim como os fabricantes de cerveja, o monopólio farmacêutico não admite controle, ainda que formal, sobre sua propaganda. Impõe forte oposição às propostas da Anvisa para atualização da regulamentação da propaganda de medicamentos, e nesse esforço não trabalha sozinho. Também o mercado de publicidade resiste. Os laboratórios gastaram no ano passado, com propaganda de medicamentos que não necessitam de prescrição médica, nada menos de 863 milhões de reais, com acréscimo de 15% em relação a 2006. Os remédios mais apregoados foram "para gripe e resfriado"*. Do total investido, 75% foi para propaganda em televisão; 14% para rádio; 5% para TV por assinatura; 5% para revistas; 1% para jornal; 0,3% para cinema e 0,01% para outdoor.

A Anvisa denuncia, entretanto, a enorme quantidade de remédios que não curam, destacando que as principais infrações sanitárias são anúncios de produtos sem registro, falta de orientação a respeito da contra-indicação e efeitos colaterais de medicamentos, chegando a mascarar as verdadeiras indicações do produto.

Recentemente, a Anvisa proibiu a comercialização e venda de 130 medicamentos circulantes, informando, textualmente, que não têm eficácia comprovada e oferecem riscos para a saúde da população. Não faz muito tempo, pediatras alagoanos denunciaram descongestionantes nasais usados em recém-nascidos que provocam irritações nas mucosas das narinas. Também está presente na memória médica o caso do anticoncepcional Microvlar (Laboratório Schering), comercializado com farinha em lugar da substância original, sem nenhuma eficácia. Provocou milhares de casos indesejáveis de gravidez. Logo depois, foram tirados de circulação e proibida a venda de dois antiinflamatórios muito conhecidos, o Vioxx (Merk) e o Celebra (Pfizer), por causa de riscos de infarto do miocárdio, complicações cardíacas e digestivas que poderiam provocar.

Vale lembrar que, como denunciou AND em sua edição nº 15 (12/2003) "em seu boletim de outubro a SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) informou que — desde 14 de setembro, quando se encerrou na Finlândia a nova rodada do Fórum mundial, aonde são decididas as normas éticas e de segurança para experimentos relativos a drogas de uso médico — os laboratórios do USA, que experimentam seus produtos em pacientes do Terceiro Mundo, estão isentos da responsabilidade de oferecer tratamento para estas pessoas, caso ocorram efeitos colaterais nefastos, fruto de seus macabros experimentos. O USA rompe (ou "modifica", como preferem os porta-vozes desses oligopólios) a declaração de Helsinque, que há 39 anos limita este tipo de prática."

O lucro máximo

As reclamações da Anvisa são insignificantes. Porém, diante das acusações em âmbito mundial de que os laboratórios colocam seus lucros muito acima dos pacientes, verifica-se ainda que os "novos medicamentos", não são realmente novos — dois terços dos "novos" remédios prescritos são idênticos aos existentes, ou são versões modificadas.

O Brasil dispõe de plena capacidade técnica para gerar produtos de combate às "doenças de exclusão" (assim chamadas por terem tratamentos inatingíveis para a maior parte do povo), mas as sucessivas gerências não fazem o menor esforço para que o país se converta em produtor de remédios para esses males. As políticas de ciência e tecnologia submetem-se, passivamente, às decisões tomadas no estrangeiro.

O monopólio farmacêutico não produz medicamentos para combater às doenças negligenciadas, típicas dos países pobres, porque as perspectivas de lucro são muito pequenas. A indústria obtém lucro máximo no USA e na Europa, com medicamentos produzidos só para os que podem pagar, ignorando as populações que sofrem com doenças tropicais e infecciosas. No Brasil, em muitos casos o medicamento existe (como os anti-retrovirais), mas é muito caro; noutros, como o da malária, o medicamento não existe porque ninguém conseguiu desenvolvê-lo. Pior ainda, entretanto, é a politicagem no gerenciamento: o mapa de distribuição da Doença de Chagas, há 20 anos, coincidia exatamente com o mapa das pessoas que não votavam e eram analfabetas.

Inovações

Raros, também, são os esforços para a introdução de inovações brasileiras nos mercados mundiais, em função das patentes e da influência da FDA (Food and Drug Administration do USA). A geração de um novo medicamento é um procedimento de alto custo — estimado entre US$ 300 e 600 milhões — e no qual o tempo necessário para completar o processo gira em torno de cinco a oito anos.

Um bom exemplo brasileiro é o Extra-Graft X-13, um biocomposto que substitui placas de platina com a vantagem de não precisar ser trocado e de induzir o crescimento do tecido ósseo onde é aplicado. O produto nasceu de um projeto desenvolvido na Unicamp, liderado pelo professor Benedicto Vidal, e já foi lançado no mercado brasileiro. Mas para penetrar no mercado internacional, aguarda o beneplácito da agência ianque que fiscaliza e regulamenta alimentos, remédios e similares da Comunidade Européia e da China, coisa que só será conseguida quando a produção do composto estiver a cargo de algum grande laboratório.

A força de vendas

A promoção dos medicamentos junto à classe médica é feita de várias maneiras, com destaque para os milhares de representantes — aqueles que frequentam os consultórios médicos para oferecer informações, amostras, brindes e até a decoração da clínica, como recentemente denunciado na pela TV Bandeirantes, citando o Novartis.

No USA, mercado que movimenta US$ 58 bilhões anuais, apurou-se que, para uma despesa de US$ 165 milhões com propaganda de remédios, corresponde um gasto de US$ 3,1 bilhões com a força de vendas — treinamento, salários e premiações. Apesar disso, é a indústria mais rentável naquele país, introduzindo aumentos mais rápidos do que qualquer paciente possa pagar e oferecendo margem de lucro de até 1.000% sobre o custo de seus ingredientes.

Além dos propagandistas, que fazem um mínimo de 15 visitas por dia para ganhar espaço no receituário dos médicos, o monopólio vale-se de publicidade em jornais, revistas, rádio, televisão, veículos especializados e patrocinam seminários, simpósios e congressos. A Organização Mundial da Saúde recomenda que o apoio a profissionais da saúde para participar em simpósio regional ou internacional não seja condicionado a qualquer obrigação para promover produtos farmacêuticos, porém esta recomendação tem sido mundialmente tão ignorada quanto à de não beber álcool no carnaval.

Nesses eventos, começou-se com farta distribuição de artigos trazendo o nome comercial do produto, com o intuito de promover a lembrança continuada do medicamento ao médico, com sua consequente prescrição. No entanto, ultimamente, tem-se intensificado o subsídio a viagens e até pagamento de honorários para comparecer, como ouvinte ou expositor, a um evento em que se faça propaganda aberta ou mais ou menos dissimulada de um produto farmacêutico.

Contradições

Estudos realizados na Faculdade de Medicina de Marília (SP) pelos professores Giovani José Dal Poggetto Molinari, Paulo Celso dos Santos Moreira e Lucieni de Oliveira Conterno concluem que a aceitação dessas "colaborações" gera no médico não apenas um sentimento de dívida, mas também estabelece um modelo de reciprocidade equilibrada, onde o doador espera algo em troca, ainda que não seja de imediato.

O levantamento efetuado pelos estudiosos de Marília constatou que a grande maioria dos professores da Faculdade não conseguia falar com precisão a respeito da legislação sobre genéricos e, quando perguntada sobre a ocorrência de auxílio financeiro, de laboratório, recebimento de brindes e influência exercida no receituário, negava a sua ocorrência. No entanto, Molinari, Moreira e Contern asseguram que as influências na prescrição e no comportamento médico acontecem mais do que eles percebem:

"As questões sobre recebimento de brindes e de auxílios de laboratórios para comparecimento a eventos — ressaltam — mostram números muito maiores do que os referentes à influência dos que o confessam. Os profissionais parecem ter dificuldades na avaliação de seu próprio comportamento. O brinde oferecido pelas indústrias com marcas promocionais do produto promovido representa a porta de entrada e um facilitador do contato inicial entre o representante e o profissional prescritor. Uma vez estabelecida a confiança e o espaço para a colaboração mútua, colaborações mais significativas tendem a aparecer".


Em seu trabalho, Molinari, Moreira e Contern despertam uma reflexão:
"Seria lícito receber auxílios para comparecer a eventos, ou aparelhos, receituários ou impressos sem que haja alguma contrapartida no receituário? Não seria mais leal rejeitar colaborações maiores? Se não tivessem retorno, os laboratórios — extremamente informados sobre as vendas de seu produto por região, por farmácia e até por receitas de cada profissional —insistiriam em distribuir vultosas benesses?"


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* Vale ressaltar que assim como para outras doenças transmitidas por vírus, não existe um remédio específico, mas drogas que amenizam os sintomas, enquanto o organismo reage. Os remédios para gripe são basicamente um descongestionante nasal, e um analgésico/antitérmico, além dos xaropes para tosse. O que muda são apenas as marcas e o preço, para a mesma droga ou similar. O resto é publicidade.

# Posté le mercredi 16 juillet 2008 09:37

Modifié le dimanche 08 novembre 2009 20:06

VIII. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais

VIII. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais




























Sempre Evita

1952 – 2002 / 50 ANOS DE SUA MORTE

Traçado da vida de uma mulher que mudou a história de seu país. Seu início como atriz. Sua ascensão ao poder. A ajuda aos pobres. Os discursos. Sua paixão, o mito, a lenda


Edição especial do jornal Clarín - Argentina

Buenos Aires, sexta-feira, 26 de julho de 2002



Sangra tanto o coração do que pede, que tem que correr e dar; sem esperar

Evita



(...) Suas mensagens, sua linguagem, seus sentimentos expostos à flor da pele e sem pudores, geraram um amor irrenunciável e um ódio irracional, como é irracional o ódio por natureza

(...) Os que amavam o que Evita era e os que odiavam o que Eva Perón representava, tornaram-se irreconciliáveis

Veemente, passional, frontal, sem meios termos, costumava definir-se como uma fanática


Alberto Amato , Una Vida entre el Poder, las Pasiones y la Gloria, Clarín, 26.07.2002



UMA VIDA ENTRE O PODER,
AS PAIXÕES E A GLÓRIA

Nasceu na pobreza. Casou-se com Juan Perón e foi primeira dama. Foi amada. E combatida. Não teve paz nem sequer depois de sua morte jovem. Mas nada nem ninguém pôde relegá-la ao esquecimento


por Alberto Amato

da redação de
Clarín



Nasceu para ninguém. E para não ter nada. E para passar por esse mundo quase com a fugacidade de uma cintilação. Não quis nada disso para sua vida. Converteu-se na mulher mais importante da história contemporânea argentina; teve em suas mãos o poder e a glória; se bem que sua vida durou o que um resplendor (morreu devorada pelo câncer aos 33 anos e só atuou seis anos na vida política e social da Argentina, sem ocupar jamais um cargo público0 partiu o país em dois, e gerou tanto amor e tanto ódio sobre sua vida, sua figura e sua obra, que aquela breve faísca se transformou em uma labareda que a mantém viva por meio século.

É impossível tentar explicar Eva Perón sem entender antes Eva Duarte. Nasceu no princípio do século passado, em 7 de maio de 1919 na cidade de Los Toldos, província de Buenos Aires, nos subúrbios desamparados das últimas tolderías do cacique Coliqueo, um índio desmañado e ladino que acabou aliando-se com os conquistadores do deserto. Eva Perón jamais tolerou nem perdoou a traição. Era filha natural, fruto de uma relação extra-conjugal, de um viajante de comércio que tinha duas famílias: uma em Chivilcoy e outra em Los Toldos. Eva Perón entregou sua vida por amor a um só homem, ao que se agarrou para sempre em seu primeiro encontro, Juan Perón. E proclamou esse amor aos gritos na tribuna mais precária e nas varandas da Casa de Governo, com o ciúme irreverente e candoroso de uma garota. E era, mesmo: tinha apenas 25 anos quando conheceu Perón.

Soube desde menina da miséria e das humilhações que vivem os mais humildes. Já no poder, entrincheirou-se na Secretaria do Trabalho e Provisão para entregar, pessoalmente, colchões e cobertores e roupas e máquinas de costurar e bolas de futebol e bonecas e bicicletas e trabalho e comida, a milhares de pessoas que não tinham casa nem cama nem colchões nem cobertores nem roupa nem trabalho nem bonecas nem bicicletas. Quando a tarefa transbordou (no Natal de 1947 distribuiu cinco milhões de brinquedos, e em maio de 1948 recebia cerca de 12 mil cartas diárias, segundo constata Marysa Navarro em seu livro “Evita”) criou a Fundação Eva Perón, uma instituição que estendeu a ajuda social a todo o país e chegou a acumular em seus depósitos, entre outros milhares de artigos, dezenas de milhares de panelas destinadas aos cantos mais pobres da Argentina, onde se cozinhava nas latas que a miséria oxidava com o implacável rigor de um relojoeiro.

Seus críticos qualificaram sua ação como “assistencialismo”. Seus inimigos viram nesse reparo de bens uma intenção política definida: a de eternizar Perón no poder. Ela respondia com uma frase: “Sangra tanto o coração do que pede, que tem que correr e dar; sem esperar”.

Evita Duarte chegou a Buenos Aires em 1935 com um sonho, o de ser atriz, e em plena Década Infame; um período caracterizado pela fraude política, a corrupção econômica e a miséria generalizada. Qualquer semelhança com a atualidade não é mera coincidência. Deambuló por papeluchos sem importância no cinema e no teatro, dois âmbitos nos quais se mostrou desde cedo sua inquietude social. Contava Hugo del carril que nos altos da filmagem de “La Cabalgata del Circo”, Evita Duarte perguntou-o se recebia cartas da gente pobre. Ele respondeu que sim e que não podia responder a todas. “Ah, não”, disse-lhe então a jovem aspirante a atriz à figura consagrada, “Aos humildes tem que dar sempre uma resposta...”.

Foi um drama, o terremoto de San Juan de janeiro de 1944, que a uniu a Perón em um festival que arrecadava fundos para as vítimas. Assumiu desde então o papel estrelar de sua vida: deixou para trás, e para sempre, Eva Duarte e passou a ser Eva Perón. Se o peronismo determinou a irrupção à cena política de uma classe social até então deixada de lado, Eva Perón encarnou a voz e a reivindicação dessa classe social. E fez isso com veemência, com paixão, uma paixão na qual queimou sua vida, com uma linguagem singela, clara, simples e, por isso mesmo, inaceitável. Disse a verdade aos gritos. E crucificaram-na pela ousadia. Há meio século de sua morte, a sociedade sente falta em seus políticos daquela franqueza pela qual Eva Perón foi condenada, pouco menos que em uma fogueira. Mas o certo é que nos seis anos que abarcam a breve passagem de Eva Perón pela vida política argentina, suas mensagens, sua linguagem, seus sentimentos expostos à flor da pele e sem pudores, geraram um amor irrenunciável e um ódio irracional, como é irracional o ódio por natureza.

Usou, para definir a quem julgava seus inimigos, um termo acadêmico de origem grega: oligarcas. E deu-lhes as três aceitações que o Dicionário da Real Academia Espanhola reserva à palavra: governo de alguns poucos; forma de governo na qual o poder supremo é exercido por um reduzido número de pessoas, que pertencem a uma mesma classe social; e conjunto de alguns poderosos negociantes que se unem para que todo os negócios dependam de seu arbítrio. Por outro lado, para seus seguidores usou um par de gírias, arrabaleros e pejorativos que só em sua voz eram tolerados e cobravam valor afetivo: “Grasitas”, “Descamisados”. Não precisava muito mais um país sempre propenso a se dividir em dois, e em que brota com fúria serena a semente da vingança: os que amavam o que Evita era e os que odiavam o que Eva Perón representava, tornaram-se irreconciliáveis.

Alguns julgaram-na pouco menos que uma santa, uma fada protetora e bem-feitora, uma revolucionária, uma mulher empenhada em fazer a justiça social chegar a cada canto de um país devastado. Outros julgaram-na ambiciosa, aventureira, ressentida, egoísta e falsa, cheia de ódio e de hipocrisia.

Alguns aplaudiram sua imagem materna, suas atitudes combativas, seus gestos solidários, sua atitude transgressora e independente no epicentro de uma cultura rígida e pacata, sua bondade imaculada apesar de seu passado de miséria, sua defesa irredutível aos direitos da mulher até colocá-la como mais um fator de decisão, em uma sociedade agarrada aos preceitos mais intransigentes do machismo hispânico. Outros le enrostraron seu passado de filha natural, seu passado esquecido de atriz; imaginaram-na espiã nazista ou prostituta aos 16 anos nos esgotos de uma Buenos Aires desconhecida e hostil; le endilgaron el servir a um regime demagógico, uma guaranguería improvável e o fato de portar jóias e vestidos importados, em contradição a seu proclamado amor pelos humildes e suas necessidades.

Para desqualificá-la, definiram-na como uma fanática. Mas precisamente era essa uma das condições que Eva Perón resgatava como sua maior virtude: “O mundo será dos povos se os povos decidimos enardecernos no fogo sagrado do fanatismo”, escreveu quando já sabia que estava arrasada pelo câncer. Três anos antes havia antecipado-se à definição: quando seu médico deu-lhe a certeza inapelável de sua mal destino, Evita despediu-o com uma “carteirada” na bochecha e um grito de coragem desesperado: “Não estou doente!”.

Consciente de seu fim inevitável, no último ano de sua vida jovem fez tudo para tentar, freneticamente, preservar o governo de seu esposo, o qual já se sentia ameaçado pelos fantasmas tangíveis do golpe de Estado. Aspirou com todas as suas forças ser candidata a vice-presidente nas eleições de novembro de 1951. Mas, ou por pressões militares, ou pela enfermidade que a corroia, ou por ambas as razões, teve que renunciar à nominação no mesmo ato que se havia montado para consagrá-la. Antes de fazê-lo, e em um episódio cheio de dramatismo, único na história do país, manteve um diálogo memorável com a multidão que na alta noite de 22 de agosto de 1951 exigia-lhe que aceitasse. Eva duvidou. E esse contraponto de ópera verdiana no qual a voz enrouquecida da primeira dama pede, entre lágrimas, um pouco mais de tempo para pensar, enquanto milhares de vozes gritam-lhe, “Agora, agora...!”, sintetiza, ainda hoje, a parábola trágica daquele país a ponto de se esquartejar, amarrado às cinchas de seus desejos e sua importância.

Dois meses depois, em 17 de outubro e para premiar sua renúncia, Perón pendurou no peito dela, perante a multidão e nas varandas da Casa de Governo, a Medalha da Lealdade Peronista. O discurso de Eva Perón foi uma despedida antecipada. Agradeceu àqueles que haviam rezado por sua saúde. Professou sua fé de peronista incessante e enarboló três fases inesquecíveis, rítmicas, musicais, comoventes, um pequeno hino dolorido e profético: “Eu não quis nem quero nada para mim. Minha glória é e será para sempre o escudo de Perón, e a bandeira do meu povo. E ainda que deixe no caminho jirones da minha vida, eu sei que vocês guardarão meu nome e o levarão como bandeira rumo à vitória”.

Não parece ser tão certo, então, que Eva Perón se converteu em mito depois de sua morte jovem. Foi condenada a ser mito mesmo quando não havia cumprido ainda os 30 anos, apenas 15 anos depois de ter fugido, menina, das terras de Coliqueo, e com o sonho de atriz nas costas. Condenação que aceitou como uma missão: sua paixão, seus debordes, sua convicção da vida, alimentaram esse fogo que lhe dava um papel nunca imaginado, longe da ficção, em um mundo real, com as responsabilidades de uma estadista veterana, e a idade e a aura de uma imperatriz sem coroa em um reino de utopia.

As conquistas do peronismo, o protagonismo dado aos operários e sindicatos, a satisfação a necessidades dos mais pobres, a nacionalização dos recursos fundamentais que passaram às mãos do Estado, a obra social encarada por Evita e a batalha campal e sem trégua desatada sobre sua figura, dominaram aqueles anos singulares, apaixonantes, irrepetíveis da história argentina. Tanto que ofuscaram os desatinos de um governo que aplicou a muitos de seus opositores o trato que determinavam os padrões da época: perseguição, cárcere, tortura, exílio ou morte. Nada comparável à catástrofe que se aproximava.

Como afirma a escritora mexicana Alma Guillermopietro, Evita “dividiu com sua classe social eu ressentimento que a consumia y que abarca tudo, a precisa parte do furibundo desdém com que a classe governante via a plebe”. Mas não é menos certo que, se ao longo de seis anos, Eva Perón semeou amores e ódios, foi correspondida com creces. Se o amor dos seus, “os humildes, os operários, as mulheres, minhas “grasitas...” permaneceu inalterável, o ódio de seus inimigos crescia. Aos que a amavam, Evita foi sempre um símbolo. Aos que a odiavam, uma obsessão

Após sua morte e Perón já derrubado do poder em 1955, o nome de Eva Perón foi proibido, junto com o do ex-presidente, os símbolos e os cantos partidários; destruíram-se os bustos erguidos em sua homenagem, queimaram-se seus retratos, arrasou-se com uma soma hoje incalculável de bens (cobertores, colchões, lençóis, colchas, insumos hospitalares, louça) porque levavam a inscrição “Fundação Eva Perón”, e pouco se sobe do ativo da entidade que, então, era de 2 milhões de pesos.

Mas os desatinos chegaram à loucura: o cadáver embalsamado daquela menina de Los Toldos devenida em reina sem coroa, foi roubado, violentado, mancillado, escarnecido, vejado, escondido fora do país sob um nome falso e devolvido a Perón em 1971, como parte de uma negociação política da ditadura militar de então.

Com tanto disparate imposto por decreto assinado, os seguidores de Eva Perón responderam com uma lógica inconmovible: levantaram altares para ela na penumbra secreta das casas mais humildes, canonizaram-na com um fervor que já querrían para sí muchos santos dos altares e enarbolaron de portas até o lado de fora uma frase com a simplicidade e o peso do cimento armado: “Eva Perón, eterna na alma do seu povo”.

Evita aspirava menos. Em um de seus últimos discursos, arriscou: “Confesso que tenho uma ambição, uma só e grande ambição pessoal: gostaria que o nome de Evita figurasse alguma vez na história da minha Pátria”. Imaginava figurar em uma nota ao rodapé do capítulo que essa história dedicaria a Perón. E acrescentava: “E me sentiria devidamente, sobradamente compensada se a nota terminasse dessa maneira: Daquela mulher, só sabemos que o povo chamava, carinhosamente, Evita”.

Soube que morreria. Até o fim. Já desguazada pela doença, ditou com um fio de voz umas páginas incendiárias, nas quais revelava as misérias do poder e dos poderosos, citou-as uma por uma, leu-as enardecida a alguns surpreendidos ministros e legisladores peronistas, e deixou-as para que a história as conhecesse como “Minha mensagem”. Fiel a seu estilo, teve como um gesto de desafiante altivez quando intuiu que a cortina da sua vida estava para cair: pediu à sua manicure que, ao morrer, tirasse o esmalte vermelho se suas unhas e aplicasse um incolor.

Hoje Eva Perón teria 83 anos. O tempo e suas mudanças han limado, talvez, as paixões geradas que moldaram aquele país quase adolescente de meio século. Mas não deixa de ser atrativo imaginar que pensaria Eva Perón diante da Argentina devastada de 2002, com suas arcas vazias e a miséria que domina quase a metade de seus habitantes.

Em 26 de julho de 1952, Eva Perón cedeu ao embate do câncer na residência presidencial que se levantava na rua Áustria. Fechou seus olhos às 20h25, segundo sentenciou para sempre a Secretaria de Imprensa e Difusão. Horas depois, sua manicure, Sara Gatti, tirou o esmalte vermelho de suas unhas e aplicou duas camadas de brilho transparente “Queen of Diamonds” da “Revlon”.


A fraca cintilação de vida de Eva Perón havia-se apagado para sempre.


Foi um breve momento de esplendor. Mas quanto iluminou.

# Posté le mercredi 16 juillet 2008 09:38

Modifié le lundi 02 novembre 2009 08:55

VIII. ARQUVO - Os Noticiários Mundiais

VIII. ARQUVO - Os Noticiários Mundiais


ROMA

LO SCUDETTO 41 ANNI DOPO / STAGIONE 1982 - 83

O Escudinho de Campeã 41 Anos Depois / Temporada 1982 - 83


Revista italiana Gazzetta dello Sport, maio de 1983

Resenha de Eduardo Montesanti Goldoni


O último título de campeã italiana havia sido conquistado em 1942. Duas gerações estavam agoniadas, esperando com muito drama esse triunfo de 1982 / 83. Afinal, trata-se de um dos clubes mais tradicionais da Itália, que não pode ficar afastado por tanto tempo da galeria dos campeões da velha Bota.

Os italianos deram fundamental contribuição ao Brasil, com a vinda em massa de seus cidadãos no final do século XIX e princípios do século XX, estimulando a economia do país, produzindo e exportando nosso café fazendo do Brasil o maior produtor e exportador do mundo em grande parte do século passado (Humberto Goldoni, fundador da cidade de Jumirim no Oeste paulista, foi por anos o maior produtor e exportador desse produto do país), entre outras tantas colaborações na área da economia e da cultura.


Pois em 1982 e 83 foi a vez do Brasil devolver a gentileza: o craque Falcão, entre grandes jogadores, inclusive Bruno Conti campeão da Copa do Mundo pela Azzurra em 1982, foi o maestro daquele time tendo sido considerado o Rei de Roma, recebendo nota 9,5 da revista especial Gazzetta dello Sport, que avaliou toda a consagrada jornada da equipe (detalhe: os analistas italianos são muito rigorosos nas notas). E a Roma já teve outros brasileiros em seus esquadrões: Dino da Costa (de 1955 a 62), Sormani (63 e 64), Da Silva (65 e 66), Amarildo (70 a 72) e Jair (67 e 68). Mas nenhum brilhou tanto quanto o novo Rei do velho Império, na temporada 82-83.



COME VINCERE E DARE SPETTACOLO

Barulho na Região dos Montesanti: Como Vencer e Dar Espetáculo

Foi um campeonato dos mais memoráveis, um campeão que venceu e deu espetáculo. Entre os rivais da Roma estavam: a Juventus, La Vecchia Signora campeã da temporada anterior, com seus astros Platini, Boniek, Zoff, Scirea, Tardelli, Gentile, Paolo Rossi; a surpreendente Udinese de Zico, Edinho e Causio; a Inter de Altobelli; a Sampdoria de Toninho Cerezo; a Fiorentina de Antognoni.

Mas, do começo ao fim, la società gialorossa - a sociedade rubro-amarela - destacou-se comandada pelo treinador Nils Liedholm. Essa campanha da Roma servirá sempre como exemplo quando se falar em scudetto memorabile. Memorável porque levou ao cume do futebol italiano uma Roma que era adornada com apenas um título nacional, justamente o de 1942. Mas i gialorossi - os rubros-amarelos - de então fizeram o rumore voltar a agitar a terra dos Montesanti 41 anos depois em grande estilo, um barulho de festa com toque genial e peculiarmente brasileiro, a ginga que faz o mundo delirar. E nosso Rei aliava a habilidade com uma técnica clássica, tal categoria que o colocou, definitivamente, na galeria dos maiores do mundo em todos os tempos. A Itália ficou pequena para Paulo Roberto Falcão.



SCOPPRIAMO CHI SONO TUTTI I CAMPIONI DELLO SCUDETTO' 83

Descobrimos Quem São Todos os Campeõs do Escudinho'83


Paulo Roberto Falcão, nota 9,5

Com classe imensa, fundamental para a transformação da Roma em esquadrão internacional


Franco Tancredi, nota 8,5

Um dos melhores goleiros do campeonato. Foi impecável, muitas vezes salvou i gialorossi com defesas fora do comum


Sebastiano Nela, nota 8,5

Atacante-revelação da temporada, um dos pontos-chave do triunfo com bels gols


Pietro Vierchowod, nota 9


Defensor russo que ia ao ataque com grandes arranques. Deu muita segurança a seus colegas


Agostino di Bartolomei, nota 8

Defensor de técnica rara, clássico, também bateu belas faltas de longa distância, com gols


Aldo Maldera, nota 7

Defensor especialmente importante no primeiro turno. intimidação ao adversário e forte perna esquerda foram decisivas


Bruno Conti, nota 6,5

O estresse do título da Copa de 82 com a Itália, seguido de inúmeras festas, não permitiu rendimento máximo do atacante Apenas o suficiente para temporada razoável, longe da nobre classe


Herbert Prohaska, nota 6,5

Meio-campista austríaco não rendeu o esperado, com alguns bons momentos


Roberto Pruzzo, nota 8

Atacante-artilheiro, também abriu espaço para iorio


Maurizio Iorio, nota 7


Bela surpresa. Atacante taticamente importante: Pruzzo duramente marcado, Iorio aproveitava os espaços com gols decisivos


Carlo Ancelotti, nota 7,5

Meio-campo quase 1 ano de fora por acidente, recuperou-se fisicamente de modo extraordinário. Fundamental nas ligações defesa-ataque


Odoare Chierico, nota 6


Ubaldo Righetti, nota 6,5


Michele Nappi, nota 6


Claudio Valigi, nota 6


Aberto Faccini, sem nota




IN TRENTA TAPPE, LA MARCIA TRIONFALE DEI GIALOROSSI

Em Trinta Fases, a Marcha Triunfal dos Rubros-Amarelos



1º. Cagliari - Roma 1-3

Gols: Faccini (9), Loi, gol-contra (61), Piras - C (67), Iorio (87)


2º. Roma - Verona 1-0

Gol: Di Bartolomei (90)


3º. Sampdoria - Roma 1-0

Gol: Mancini (35)


4º. Roma - Ascoli 2-1

Gols: Prohaska (13), Greco - A (74), Pruzzo (71)


5º. Napoli - Roma 3-1

Gol: Pellegrini - N (1), Iorio (33), Nela (65), Chierico (78)


6º. Roma - Cesena 1-0

Gol: Pruzzo (10)


7º. Juventus - Roma 2-1

Gols: Chierico (5), Platini - J (49), Scirea - J (55)


8º. Roma - Pisa 3-1

Gols: Todesco - P (25), Pruzzo, pên. (75), Madero, 2 (81 e 88)


9º. Udinese - Roma 1-1

Falcão (22), Surjak - U (80)


10º. Roma - Fiorentina 3-1

Gols: Pruzzo (4), Antognoni - F, pên. (30),Conti, 2 (45 e 85)


11º. Catanzaro - Roma 0-0


12º. Roma - Inter 2-1

Falcão (34), Iorio (67), Altobelli - I (89)


13º. Avellino - Roma 1-1

Gols: Prohaska (30), Barbadillo - A (50)


14º. Roma - Genoa 2-0

Gols: Corti, gol-contra (1), Di Bartolomei (47)


15º. Torino - Roma, 1-1

Gols: Pruzzo (32), Dossena - T (46)


16º. Roma - Cagliari 1-0

Gol: Falcão (48)


17º. Verona - Roma 1-1

Gols: Iorio (26), Penzo - V (28)


18º. Roma - Sampdoria 1-0

Gol: Iorio (36)


19º. Ascoli – Roma 1-1

Gols: Greco - A (13), Ancelotti (20)


20º. Roma - Napoli 5-2

Gols: Diaz - N (12), Nela (30), Ancelotti (43), Di Bartolomei - 2 (48 e 62), Pruzo (60), Marino - N (78)


21º. Cesena - Roma 1-1

Gols: Pruzzo (71), Arrigoni - C (74)


22º. Roma - Juventus 1-2

Gols: Falcão (62), Platini - J (83), Brio - J (86)


23º. Pisa - Roma, 1-2

Gols: Falcão (130, Di Bartolomei (60), Bergreen - P (64)


24º. Roma - Udinese 0-0


25º. Fiorentina - Roma 2-2

Gols: Massaro - F (9), Pruzzo (18), Prohaska, pên. (62), Ancelotti, gol-contra (79)


26º. Roma - Catanzaro 2-0

Gols: Di Bartolomei (38), Pruzzo (63)


27º. Inter - Roma 0-0


28º. Roma - Avellino 2-0

Gols: Falcão (38), Di Bartolomei (65)



O PONTO DO TÍTULO

Faltava apenas um ponto para a Roma conquistar o scudetto
Ele veio em Gênova, a penúltima marcha da batalha rumo ao triunfo


29º. Genoa - Roma 1-1

Gols: Pruzzo (19), Fiorini - G (42)



A Passarela dá-se com o Torino. O dia da festa.
A apoteóse dos tifosi aos 15 de maio em Roma, no Estádio Olímpico


30º. Roma - Torino 0-0




BRAVO, GIALOROSSi! SIAMO INFINE CAMPIONI ANCORA!!

Muito bem, Rubros-Amarelos! Somos enfim campeões de novo!!

# Posté le mercredi 16 juillet 2008 09:38

Modifié le samedi 05 décembre 2009 13:25

VIII. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais

VIII. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais



Após morte de Serginho, Mário Sérgio acusa São Caetano de negligência


da Folha Online, 28/10/2004 - 00h34


O técnico Mário Sérgio, atualmente no Atlético-MG, que já dirigiu Serginho no São Caetano, confirmou que o clube do ABC sabia do problema do jogador e acusou sua ex-equipe de negligência.

"Ele [Serginho] inclusive me procurou para que eu indicasse um cardiologista. Foi no mínimo negligência por parte do São Caetano. Estou revoltado com esta situação. Quem dirige tem que ter discernimento para impedir uma pessoa que tem necessidade de trabalhar de entrar em campo em uma situação dessa", disse o treinador, em entrevista à rádio Jovem Pan.
Fernando Santos/FI

O presidente do São Caetano, contudo, contestou a informação. "Exames são feitos sempre, e o Serginho estava apto para jogar. Não tinha problema algum de coração", declarou Nairo Ferreira de Souza, que também rebateu as declarações de seu jogador. "O Silvio Luiz é goleiro, não médico", disse.

Serginho morreu nesta quarta-feira após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante o jogo de seu time contra o São Paulo, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro.

"Todos nós fizemos exames e sei que no Serginho acusou um entupimento ou algo assim. O risco de acontecer alguma coisa era de 1%. Infelizmente aconteceu", disse o goleiro Silvio Luiz, companheiro de clube de Serginho, ainda no gramado do estádio são-paulino.

O lateral-direito Ânderson Lima também confirmou a informação. "Os exames foram feitos, mas o médico disse que não era nada grave", afirmou o jogador. "A possibilidade de acontecer alguma coisa era mínima", completou.

Segundo a assessoria de imprensa do São Caetano, o clube promete dar uma entrevista coletiva ainda esta semana para dar a sua versão.



OBSERVAÇÂO DO BLOG: O caso foi abafado, e jamais os culpados foram punidos



Zagueiro Serginho, do São Caetano, morre após parada cardíaca no Morumbi

da Folha Online, 27/10/2004 - 23h04


O zagueiro Paulo Sérgio de Oliveira Silva, o Serginho, 30, do São Caetano, morreu na noite desta quarta-feira após ter sofrido uma parada cardiorrespiratória durante o jogo de sua equipe contra o São Paulo, no estádio do Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro.

De acordo com um comunicado oficial, o jogador chegou ainda com vida ao hospital São Luiz, em São Paulo, às 22h05, mas não resistiu e morreu às 22h45, após "manobras do protocolo de ressuscitação cardiopulmonar". Serginho era casado e pai de um filho de quatro anos.

Serginho cai no gramado

O jogador caiu sozinho em campo, aos 14min do segundo tempo, quando a partida estava empatada por 0 a 0 -- o jogo foi suspenso. Ele estava próximo à pequena área de seu time.

Os médicos do São Caetano, Paulo Forte, e do São Paulo, José Sanchez, tentaram reanimar o jogador ainda no gramado, com massagem cardíaca e respiração boca-a-boca. Durante cerca de cinco minutos ele foi atendido em campo, antes de ser levado de ambulância até o centro médico do próprio estádio. Em seguida, às 21h55, foi levado para o Hospital São Luiz.

"O tempo todo ele foi assistido. Foi feito o que se tem que fazer numa situação dessa: massagem cardíaca, respiração boca-a-boca, chegou a ambulância. Ele tinha dois médicos, um de cada clube, o atendendo. Infelizmente o caso era muito grave", disse Sanchez.

Muitos jogadores choravam em campo enquanto Serginho era retirado. Em seguida, jogadores dos dois clubes, árbitros e membros das comissões técnicas formaram um círculo no centro de campo e rezaram pelo atleta. A torcida presente no estádio gritou em coro o nome do jogador. "Serginho, oramos por você", dizia o placar.

Segundo o goleiro Silvio Luiz, também do São Caetano, os exames periódicos de Serginho haviam acusado algum problema cardíaco. "Era uma chance de 1% de haver algum problema", disse.

O juiz Cléber Wellington Abade consultou os capitães das duas equipes, Rogério Ceni (São Paulo) e Silvio Luiz (São Caetano) e optou por não continuar a partida.

De acordo com Abade, tudo o que ocorreu será relatado na súmula e entregue à CBF, que decidirá se deverá ser realizada uma nova partida. Segundo o diretor técnico da entidade que comanda o futebol nacional, Virgílio Elísio da Costa Neto, a tendência é que a partida continue a partir do 14º minuto do segundo tempo em data a ser definida.

Histórico

Em janeiro deste ano, o jogador húngaro Miklos Fehér, que atuava pelo Benfica, de Portugal, morreu após passar mal durante a partida contra o Vitória de Guimarães, no dia 25 de janeiro, pelo Campeonato Português.

Ele caiu no gramado com parada cardiorrespiratória e foi levado para um hospital, mas ele não resistiu e morreu.

No ano passado, o camaronês Marc-Vivien Foe morreu em campo, em junho, jogando por sua seleção na Copa das Confederações.


Ficha

Nome: Paulo Sérgio de Oliveira Silva
Nascimento: 19.out.74
Local: Vitória (ES)
Posição: zagueiro
Altura: 1,82 m
Peso: 83 kg
Clubes: Social Coronel Fabriciano-MG (95-96 e 97-98), Patrocinense-MG (95), Araçatuba (SP), Democrata-MG (96), Mogi Mirim (96), Araçatuba (99) e São Caetano
Principais conquistas: campeão paulista-2004





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CONTEÚDO (com ligações)


l. BLOGANDO COM EDU - Perfil, Comentários e Literatura

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Página 5


II. PRIMEIRA PÁGINA- Poemas


lll. SEGUNDA PÁGINA - Meio Ambiente, Esporte e Saúde


lV. TERCEIRA PÁGINA - Crônicas / Questões Internacionais


V. O BRASIL NO ESPELHO - Crônicas



VI. NO PIQUE DA VIDA - Reflexões


VII. HISTÓRIAS MUNDIAIS


VIII. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais

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IX. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque



X. O AFEGANISTÃO ESTÁ ASSIM

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XI. SANEAMENTO PÚBLICO - ONDE JOGAR TANTO LIXO HUMANO?


XII. GOLPES MILITARES NA AMÉRICA LATINA


XIII. NOVA ALIANÇA DE DEUS COM O HOMEM – Reflexões do Sr. José Luiz Santos


XV. IDIOMAS

Inglês

Espanhol

Alemão

Italiano

Francês

Sueco

Português



XVI. EDU ENTREVISTA


XVII. UM POUCO DE EDUARDO MONTESANTI GOLDONI, DO BRASIL E DO MUNDO

# Posté le mercredi 16 juillet 2008 09:39

Modifié le samedi 12 décembre 2009 12:06