IX. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque



A ONU, as grandes potências e a mídia só consideram terror praticado por indivíduos e grupos, mas não preveem terrorismo de Estado, totalmente fora de moda das discussões e dos noticiários mas em alta nas últimas décadas, encontrando seu ápice nos Estados Unidos nos oito longos anos que se estenderam de 2001 a 2009. E o escândalo mundial que se tornaram as torturas na cadeia de Abu Ghraib no Iraque, cometidas barbaramente por soldados norte-americanos contra presos locais - mais de 80% deles eram inocentes, como seria provado mais tarde -, são a maior evidência disso




Página dedicada aos defensores ferrenhos da "imposição" da liberdade,
da democracia e do livre-mercado ao mundo


Em nome de uma raça superior, nação eleita por Deus para salvar o planeta



Figura Contemporânea de Destaque:

Ele, George H. W. Bush em:


Moderno Holocausto em Favor do Livre-Mercado, da Democracia
E da Apresentação da Palavra de Deus aos Iraquianos


IX. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque

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IX. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque

IX. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque


O Século XXI Saúda a Grande Civilização


Algumas imagens das torturas cometidas por soldados norte-americanos na cadeia de Abu-Ghraib no Iraque, em 2003. Observe soldados, com bastante diversão, espancando, atacando iraquianos com cachorros, submetendo-os a humilhações sexuais e corpos mutilados. Após ter se tornado escândalo mundial seguido de investigação, comprovou-se a participação direta do sr. Donald Rumsfeld, então secretário de Defesa dos EUA: "Vocês estão sendo bonzinhos demais com os iraquianos (...). Ele devem ser tratados como cães".

Em seus oito anos na Casa Branca, Bush ousou confessar aquilo que nem mesmo Hitler confessou: estar acima das leis internacionais de tortura e de espionagem a civis - sem mandato judicial.

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IX. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque

IX. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque


Observe nas imagens acima soldados norte-americanos eletrocutando, espancando e atacando iraquianos com cães ferozes, submetendo-os a humilhações sexuais, debochando deles. Também houve casos de esposas e filhas de iraquianos presos, torturadas e exploradas sexualmente com o fim de obter informações dos prisioneiros. Posteriormente, foi constatado que em pelo menos 80% deles nada havia que pudesse ligá-los com atos de terrorismo.





"Fizemo-La Voar em Pedaços"


Com exceção do povo iraquiano, ninguém sabe mais que os próprios soldados ianques o que seu exército está fazendo no Iraque. Um livro recém-publicado (nos EUA) oferece aos leitores, nas palavras dos próprios soldados, alguns relatos detalhados da devastação que a ocupação ianque levou ao Iraque


Este artigo encontra-se, no original em inglês, em www.globalresearch.ca

Dahr Jamail


Traduzido e publicado no Brasil pelo jornal mensal A Nova Democracia

Outubro de 2008



Winter Soldier Iraq and Afghanistan: Eyewitness Accounts of the Occupation
(Soldado de Inverno: Iraque e Afeganistão, Relatos de Testemunhas das Ocupações), publicado por Hayermarket Books, é uma crônica visceral e histórica de tudo quanto o exército ianque como seus próprios soldados têm feito no Iraque.

Seus autores são Veteranos do Iraque Contra a Guerra (Iraq Veterans Against the War, IVAW), e o jornalista Aaron Glantz. O livro é uma seleção de textos do encontro que ocorreu em Silver Spring, Maryland, de 13 a 16 de março de 2008, no National Labour College.

"Lembro de uma mulher que ia andando", relatou Jason Washington, um cabo dos marines ianques que serviu três períodos de serviço no Iraque, "Levava uma bolsa enorme e parecia que se dirigia a nós. Disparamos o Mark 19, que é um lança-granadas automático e, quando a poeira baixou, nos demos de que a bolsa estava cheia de provisões. Ela tentava nos trazer comida e nós a fizemos voar em pedaços".

Seu emotivo testemunho, como todos do livro, que possui sessões referentes à desumanização, o testemunho de civis, o machismo dos militares, a saúde dos veteranos e o desmonitoramento dos militares, trouxeram à luz questões que outros veteranos repetiram mais de uma vez.

"Outra coisa que éramos estimulados a fazer, quase com uma cumplicidade pícara, era levar 'armas que podem ser abandonadas'. Tratava-se de levar estas armas conosco, de maneira que se matássemos um civil por acidente, podíamos simplesmente deixar a arma ao lado do corpo e fazer com que parecesse um membro da resistência", afirmou Washburn.

Quatro dias de demolidores testemunhos, os quais testemunhei, se consolidaram neste livro duro de ler, repleto de devastadores relatos dos soldados sobre o que está se fazendo no Iraque.

Estão incluídos desde a tomada de "fotos-troféus" dos mortos, até torturas e matanças de civis.

"Também criar uma recompilação histórica do que ainda ocorre nesta guerra e do que é realmente esta guera", declarou Glantz.

Hart Viges, membro da 82ª Divisão Aerotransportada, que serviu por um ano no Iraque, fala das ordens transmitidas pelo rádio:

— Uma vez nos disseram que disparássemos contra todos os táxis porque o inimigo os utilizava como transporte... Um dos franco-atiradores contestou: "Perdão, ouvi bem? Disparar nos táxis?" O tenente-coronel respondeu: "Ouviu soldado. Disparem nos táxis". Depois a povoação se iluminou com os tiros de todas as unidades disparando contra os carros. Esta foi minha primeira experiência de guerra e marcou a pauta pelo resto do serviço.

Vincent Emanuele, um marine que passou um ano na zona iraquiana de AL-Qaim, perto da fronteira síria falou como esvaziavam os carregadores de munição na cidade sem objetivos identificados, como passavam por cima dos cadáveres com os Humvees (veículos militares blindados) e se deterem para tirar "fotos-troféu" dos mortos.

— Um fato que ocorria com muita frequência no Iraque era disparar ao azar contra os carros que passavam — afirmou — Isso não era um incidente isolado e ocorreu durante a maior parte dos dezoito meses em que estivemos de serviço.

Kelly Dougherty, diretora geral da IVAW, culpa as políticas do governo ianque pelo comportamento dos soldados no Iraque.

— Os abusos cometidos nas ocupações, longe de ser resultado de mal-comportamento de "umas poucas maçãs podres", são o resultado da política de nosso governo no Oriente Próximo, desenhada nas mais altas esferas do poder do USA — declarou.

Mesmo assim, saber disso mitiga muito pouco a devastação emocional e moral dos relatos.

— Se um indivíduo é visto com uma bandeira branca, que se aproxima lentamente e obedece às ordens, temos que acreditar que é um truque e disparar contra ele —disse Michael Leduc, um cabo dos marines que participou do ataque ianque a Faluja em novembro de 2004. Afirmou ainda que essas eram as ordens que recebeu do oficial de seu batalhão antes de entrar na cidade.

Este é um livro muito importante, particularmente para o público estadunidense, porque seus testemunhos não foram recolhidos por nenhum dos meios de comunicação dominantes, a não ser o Washington Post, que publicou um único artigo enterrado em seu fascículo "metropolitano".

Isso tem uma importância particular, uma vez que, como afirmou o ex-marine Jon Turner.

— Cada vez que os jornalistas vinham conosco, nossas ações mudavam drasticamente. Nunca atuávamos da mesma maneira, mas seguindo as normas.

— Para mim, este livro oferece um retrato do que é a guerra — acrescentou Glantz — porque aqui no USA temos uma versão muito neutra do que é uma guerra.

O livro trata também da desumanização dos próprios soldados, incluindo testemunhos de machismo, de racismo, e da difícil situação dos veteranos ao voltar para casa e lutar para obter assistência da Administração de Veteranos.

Há também relatos da desumanização sofrida pelo povo iraquiano. Brian Casler, um cabo dos marines, falou do que testemunhou durante a invasão do Iraque:

— Naqueles comboios vi soldados defecando nas bolsas de comida e urinando nas garrafas, depois atirando para as crianças que estavam nas margens da estrada — declarou.

Muitos relatos dos soldados incluem o abundante uso de termos degradantes para se referir aos iraquianos, como "hajis", "cabeças de toalha" e "negros do deserto".

Scott Ewing, que serviu no Iraque entre 2005 e 2006, admitiu que as unidades distribuíam doces às crianças por razões diferentes de "ganhar seus corações e mentes":

— Havia outro motivo. Se as crianças andassem perto de nossos veículos, não seríamos atacados. Usávamos as crianças como escudos humanos — afirmou Ewing.

# Online seit Mittwoch, 16. Juli, 2008 um 09:53

Geändert am Donnerstag, 05. November, 2009 um 07:13

IX. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque





A Idade da Mentira


Segundo José Saramago, “George Bush expulsou a verdade do mundo para, em seu lugar, fazer frutificar a idade da mentira”. Uma retrospectiva dos anos Bush talvez nos ajude a compreender com mais clareza o que essa era representou para o mundo


Marcelo da Silva Duarte

Publicado em
Carta Maior, 17 de dezembro de 2008



George Walker Bush é aquilo que o “american way of life” reconhece como um “winner”.

O 43º presidente dos Estados Unidos nasceu em 06 de julho de 1946. Graduado em História em Yale e com MBA pela Harvard Business School, da conceituada Harvard University, primeiro venceu na indústria do petróleo.

Em 1977 criou a Arbusto Energy, uma companhia de exploração de petróleo e gás. Em 1982 mudou o nome da empresa para Bush Exploration Oil & Gas Company, depois da quinta crise internacional do petróleo (1979), e a vendeu em 1984 à Spectrum 7, que faliu em 1985.

Pelo contrato, Bush assumiu como diretor da Spectrum, ainda antes de sua falência. Foi isso que permitiu que, com o resgate dessa empresa, em 1986, pela Harken Energy Corp., Bush assumisse como um de seus diretores.

Em 1991, quando participava do Conselho Diretor dessa empresa, foi acusado de usar informações sigilosas em benefício próprio. Logo depois que vendeu suas ações, a Harken registrou um prejuízo de 23,2 milhões de dólares no trimestre. Seus detratores alegaram que a investigação federal que avaliou sua conduta teria sido influenciada diretamente pelo seu pai, George H. W. Bush, então presidente dos EUA.

Foi eleito duas vezes governador do Texas, em 1994 e 1998. Venceu sua primeira eleição presidencial em 2000, ao derrotar o democrata Al Gore, e foi reeleito em 2004, ao superar o também democrata John Kerry.

Sua primeira vitória ainda hoje causa discussão, bem como a validade dos votos que o elegeram. Superou por apenas 5 votos, no Colégio Eleitoral, o democrata Al Gore, embora o então vice-presidente dos EUA tenha recebido 500 mil votos a mais do que Bush na eleição direta.

Coincidentemente, os votos que decretaram sua vitória foram obtidos na Flórida, estado então governado por seu irmão, Jeb Bush...

“É Meu Dever Libertar Pessoas”

Um dos mais impopulares presidentes estadunidenses de todos os tempos começou sua administração, a bem da verdade, sob fogo cerrado.

Bush, porém, soube tirar proveito disso. Sua postura diante dos ataques de 11 de setembro de 2001 elevaram seus índices de aprovação a mais de 90%, uma marca histórica.

Porém, ao recorrer aos pilares da cultura estadunidense - tradição, família, propriedade, liberdade e o velho e bom self-made -, e discursando em nome de um fundamentalismo que, na prática, renegava tudo o que uma religião poderia ter de bom, mal sabia Bush que sua empáfia mergulharia os EUA num dos maiores atoleiros morais de sua história recente.

Na “Sessão Conjunta do Congresso e do Povo Americano”, logo após os atentados do onze de setembro, a palavra “cruzada” pôde ser ouvida em seu discurso.

Fez-se um lúgubre silêncio no mundo. Ninguém imaginava que uma liderança internacional, ao menos em sã consciência, assumisse o discurso do “choque de civilizações”.

Porém, o estrago estava feito.

Islâmicos de todo o mundo apontaram o caráter de “Guerra Santa” presente no discurso estadunidense. Feridas medievais, cicatrizadas após séculos de esforços em nome da convivência pacífica entre ocidente e oriente, irromperam por conta de uma retórica maniqueísta, que via na reação estadunidense a realização plena da eterna luta do bem contra o mal.

A espada da justiça divina havia sido depositada em suas mãos. Sua missão era a realização da vontade de Deus. “É meu dever libertar pessoas”, teria dito George Bush.

Décadas de secularismo foram imediatamente destroçadas, enquanto quase se ouviam, ao longe, as trombetas dos sete anjos, anunciando o Juízo Final.

A “Guerra contra o Terrorismo”

Sua “Guerra contra o Terrorismo” e contra o “Eixo do Mal” começou no Afeganistão, onde supostamente operariam Osama Bin Laden e sua Al-Qaeda, apontados como autores dos atentados do onze de setembro.

O governo talibã foi deposto e o presidente exilado, Burhanuddin Rabbani, reempossado. Contando com a ajuda de forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), questionada por lideranças internacionais, os EUA jamais controlaram o país asiático.

Chefiados por um governo especial interino, que artificialmente tenta unificar etnias que divergem do que comer a maneira de se vestir, os afegãos vivem o caos.

Milhares de vítimas colaterais depois, os EUA disfarçam seu fracasso concentrando suas forças ao redor da capital afegã, Cabul, enquanto recente relatório do Conselho Internacional sobre Segurança e Desenvolvimento afirma que os Talibãs já controlam 72% do Afeganistão e três das quatro principais vias de acesso à capital afegã. Em numerosas vilas e cidades ao sul, afirma o relatório, o Talibã continua sendo o único poder.

Ainda assim, os EUA planejam enviar até 20 mil homens para o Afeganistão, no início do ano que vem. Talvez para ajudarem nas plantações de papoula, de onde se extrai o ópio, umas das principais fontes de renda dos aliados estadunidenses no país.

Em fevereiro de 2003, convencido de que o governo iraquiano tinha ligações com a Al-Qaeda desde o atentado do onze de setembro, e munido de um relatório de inteligência que apontava a existência de armas de destruição em massa no Iraque, George Bush pediu ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) autorização para o uso preventivo da força, que lhe foi negada. Bush, depois disso, recusou-se a propor uma segunda resolução à ONU.

“Pela paz do mundo e pelo bem e liberdade do povo iraquiano, dou a ordem para executar a Operação Liberdade Iraquiana. Que Deus abençoe as tropas”, teria dito Bush ao jornalista Bob Woodward.

No mês seguinte, mais uma vez os céus de Bagdá escureceram.

George Bush rezou logo após a decisão de desencadear a operação Liberdade Iraquiana. “(...) para ser o mais possível um bom mensageiro da vontade de Deus”, teria dito.

Nove meses depois, Saddam Hussein seria preso. Três anos depois, em dezembro de 2006, seria executado por enforcamento, após condenação por genocídio, por um tribunal iraquiano comandado politicamente pelos EUA.

Ainda em 2003, o vice-secretário da Defesa dos EUA havia afirmado que “nadar em petróleo” teria sido a principal razão para a invasão do Iraque. “no caso do Iraque, economicamente falando, nós simplesmente não tínhamos escolha. O país [Iraque] nada em um mar de petróleo”, teria dito Paul Wolfowitz.

Em outra polêmica declaração, o mesmo Wolfowitz afirmou que foi somente “por razões que estão muito ligadas à burocracia do governo dos EUA”, que George Bush e seus falcões estabeleceram “como ponto principal algo com que todos poderiam concordar: armas de destruição em massa”.

Armas de destruição em massa que, também, nunca existiram. “Muitas agências de inteligência acreditaram que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa, e é verdade que essa informação se provou errada”, afirmou Bush, ainda em 2005.

O presidente, na verdade, eufemizava o fato dos serviços de inteligência dos EUA terem produzido relatórios falsos e os apresentado às Nações Unidas, a fim de legitimar o achaque ao petróleo iraquiano.

Tudo isso ocorreu antes de Saddan ser condenado e executado.

Recentemente, Bush defendeu vigorosamente seus oito anos de intervenções no Oriente Médio, que, segundo suas palavras, “tornaram a região mais livre que em 2001”.

De 600 mil a um milhão de iraquianos morreram e continuam morrendo desde a invasão estadunidense, em 2003. Civis foram assassinados covardemente por forças mercenárias contratadas para fazer a segurança dos estadunidenses que lá trabalham e mulheres foram estupradas. Embora os conflitos internos entre sunitas e xiitas sejam agora menos freqüentes, jamais recrudesceram tanto quanto durante os anos de ocupação. O Líbano, recentemente, quase foi varrido por Israel, que continua fazendo do território palestino campo de testes para armamentos experimentais, com o apoio dos EUA.

“Yes, We Can”

Tão logo trombeteou sua Guerra Santa, George Bush obteve, do Congresso estadunidense, a autorização para manter sob custódia, por tempo intederminado e sem acusação legal, suspeitos de “terrorismo internacional”.

O “Patriot Act” também autorizava o governo a espionar cidadãos estadunidenses, mas foram os estrangeiros que pagaram o pato.

Muitos dos 250 prisioneiros de Guantánamo, prisão estadunidense em território cubano, não foram formalmente indiciados. Oriundos de países como o Afeganistão e Arábia Saudita, aguardam a hora de seus julgamentos pelos tribunais militares especiais de George Bush, criados a fim de julgar suspeitos de terrorismo internacional ligados a organizações como a Al-Qaeda. Eles são chamados de “combatentes inimigos”.

Residentes nos Estados Unidos que não são seus cidadãos também estão sujeitos aos tribunais militares especiais. Esse é o caso de Ali al-Marri, nascido no Catar, que está em confinamento solitário desde 2003 em um navio da marinha dos EUA, na Carolina do Sul. A Suprema Corte dos EUA vai se manifestar sobre seu caso.

Assim como Guantánamo, Abu-Ghraib também é uma prisão estadunidense onde permanecem detidos prisioneiros sem acusação legal. Ao menos extra-oficialmente, a grande vantagem de um prisioneiro de Guantánamo, em relação ao seu colega detido em Abu-Ghraib, sempre foi a de que aquele primeiro somente apanhava, enquanto seu colega detido na prisão iraquiana poderia, além de ser espancado, ser torturado ou ridicularizado pelos soldados dos EUA.

Isso, porém, até George Bush democratizar a tortura, ao vetar a legislação apresentada pelo Congresso que proibia a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) de utilizar métodos de interrogatório pouco ortodoxos, como a simulação de afogamento. Desde então, os prisioneiros de Guantánamo passaram a ser oficialmente interrogados pela CIA de acordo com os legalizados métodos de investigação.

Depois da capitulação do Iraque, George Bush devotou especial atenção para o Irã, um dos três pilares do chamado “eixo do mal”. O Irã, segundo a Casa Branca, estaria produzindo armas nucleares para atacar Israel e o Ocidente e colaboraria com a resistência iraquiana.

Em 2006, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, em uma conferência na Espanha, afirmou que a Casa Branca teria provas sobre o envolvimento do Irã com “rebeldes” iraquianos, eufemismo estadunidense para designar todo cidadão que resiste à ocupação de seu país por uma força estrangeira.

O Irã, segundo Gates, forneceria armas e tecnologia para os referidos rebeldes. A resistência iraquiana também seria patrocinada pelo Hezbollah, por sua vez subvencionado pelos governos do Irã e da Síria.

Essas acusações jamais foram provadas.

Quando o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, condicionou a suspensão de seu programa de enriquecimento de urânio à suspensão dos programas mantidos por países ocidentais, ouviu de Tony Snow, porta-voz do fundamentalismo cristão da Casa Branca, a seguinte afirmação: “Você acha que essa oferta é séria?”

Snow tinha muitos motivos para troçar da proposta de Ahmadinejad. O primeiro deles é que o maior aliado dos EUA no Oriente Médio, o Estado de Israel, jamais reconheceu publicamente possuir um arsenal nuclear militar.

Israel negou-se terminantemente a assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (proposto em 1970 e ratificado em 2002 por 188 países, inclusive o Irã), o que o desobriga de assumir, perante a comunidade internacional, o status de potência nuclear, condição que o exime de inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica.

Os próprios serviços de inteligência estadunidenses acabaram desmentido as acusações da Casa Branca de que o Irã produzia armas nucleares.

“Ainda acho que o Irã é perigoso”, respondeu Bush.

Sua política de relações internacionais, depois de estreitar laços com o Afeganistão, com o Iraque e com o Irã, voltou-se para o leste europeu, o que criou mais um foco de tensão internacional.

O anúncio de que Washington teria planos de instalar um sistema antimísseis na Polônia e na República Tcheca gerou imediata reação russa. O chefe do Estado Maior da Rússia, general Yuri Baluyevsky, afirmou à imprensa que “O disparo de um foguete antimíssil da Polônia poderia ser considerado pelo sistema automático da Rússia como o lançamento de um míssil balístico, o que poderia provocar um ataque como resposta”.

O projeto de escudo antimísseis dos EUA no leste europeu prevê a instalação de bases de radares na República Checa e um sistema de interceptação de mísseis na Polônia. Os acordos com os dois países europeus foram assinados, respectivamente, em julho e agosto últimos.

A Rússia argumentou que a instalação de um sistema antimísseis americano no Leste Europeu afeta o equilíbrio militar na Europa e estimula uma nova corrida armamentista. Washington rebateu dizendo que o objetivo do sistema será proteger os Estados Unidos e seus aliados na Europa de ataques de países considerados perigosos, como o Irã.

Segundo os próprios serviços de inteligência da Casa Branca, é bom lembrar, o Irã não produz armas nucleares.

Seu legado ambiental também não é dos mais honrosos. Bush recusou-se a ratificar o Protocolo de Kyoto, assinado por seu antecessor, o democrata Bill Clinton. A esse respeito chegou a declarar que o acordo seria “desleal e inútil”, pois deixaria de fora 80% do mundo, além de causar “sérios prejuízos à economia americana”. A administração Bush também questiona a teoria de que os poluentes emitidos pelo homem causem elevação da temperatura da Terra.

“Hay que Endurecer...”

As relações da Casa Branca com a América do Sul não foram nada ternas, na gestão Bush.

Porém, o outrora playground político estadunidense vem diminuindo, não obstante sua crescente presença militar no continente.

A CIA montou em Assunción, durante o governo (1954-1989) do ditador paraguaio Alfredo Stroessner, uma estação de espionagem eletrônica e de rastreamento de sinais de rádio. Emissões de rádio de toda a região sul da América eram monitoradas e utilizadas pelos aparelhos repressores dos diversos ditadores de plantão de então.

Anibal Miranda, especialista em geopolítica, ainda em 2001 assegurava à imprensa “que a estação ainda funciona, no prédio da embaixada americana em Assunção”.

Foi provavelmente graças a esse monitoramento que os EUA recentemente divulgaram relatório demonstrando “preocupação” com o terrorismo na Tríplice Fronteira, confluência geográfica entre Argentina, Brasil e Paraguai. De acordo com a Casa Branca, células terroristas de grupos do Oriente Médio, como o Hezbollah e o Hamas, estariam operando na região, arrecadando doações entre a comunidade muçulmana local.

O exército paraguaio executa ações conjuntas com o exército estadunidense. Em Assunción, militares dos EUA estão presentes no Centro de Instrução Militar de Operações Especiais. Em Mariscal Estigarribia há uma pista de pouso para qualquer tipo de aeronave, que serve de apoio a operações estadunidenses na região.

Segundo Maria Luisa Mendonça, coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, a estratégia estadunidense nessa região tem combinado “campanhas de propaganda sobre a suposta 'ameça terrorista', com a presença de militares estadunidenses, favorecida pelo acordo militar bilateral dos Estados Unidos com o Paraguai”.

Já a estratégia militar estadunidense em geral, por sua vez, ainda segundo Mendonça, “inclui implementação de bases militares, treinamentos e presença de tropas em território estrangeiro, investimentos em tecnologias de monitoramento, espionagem e projetos de infra-estrutura. Esta estratégia está baseada em diversos pilares, desde a intervenção direta até campanhas de propaganda e difamação, passando por processos das chamadas 'guerras de baixa intensidade', que promovem a opressão e estimulam a violência contra populações de baixa renda, urbanas e rurais”.

O Comando de Operações Especiais (Socom, em inglês), ainda em 2006, expandiu suas atividades para cerca de 20 países do Oriente Médio, da África e da América Latina. Desde 2003, já na administração Bush, o orçamento desse comando aumentou 60%.

Segundo o The Washington Post, entre suas missões está o recolhimento de informações para o planejamento de eventuais ações militares em países onde não há guerra ou conflito direto.

Talvez tenha sido graças a tais informações, e em nome da estratégia de estímulo a conflitos locais, que Phillip Goldberg, embaixador dos EUA na Bolívia, reuniu-se com líderes da oposição boliviana ao presidente Evo Morales, antes dos recentes conflitos racistas no país andino.

Goldberg foi expulso da Bolívia e o presidente Lula declarou apoio a Evo Morales, lembrando que a diplomacia dos EUA têm um longo histórico de ingerência nos assuntos sul-americanos.

Recentemente, Evo Morales qualificou como “vingança política” a decisão estadunidense de excluir seu país de benefícios alfandegários, unilateralmente condicionados à “luta antidrogas”. Bush suspendeu isenções fiscais de que se beneficiavam produtos bolivianos no mercado dos EUA.

Integrantes do governo dos EUA também mantiveram freqüentes contatos com diversos líderes golpistas nas semanas anteriores ao golpe de estado contra Hugo Chávez, em 2002. Meses após o golpe, que foi condenado oficialmente pela Organização dos Estados Americanos (OEA), o governo venezuelano revelou a presença de navios e aviões militares americanos em seu território, durante os dias da manobra oposicionista.

George Bush também tentou “aprimorar” o “Plano Colômbia”, criado pelo governo dos Estados Unidos em 2000, ainda na administração democrata.

O plano, que em tese combateria o narcotráfico na região, seria expandido a ponto de permitir a atuação dos militares estadunidenses no país sul-americano contra “ameaças à segurança nacional”, tanto dos EUA quanto da Colômbia. Incluída em um apêndice do orçamento nacional que Bush apresentou ao Congresso no ano passado, essa autorização permitiria aos EUA não se restringir, na região, apenas ao combate ao narcotráfico e às guerrilhas.

As guerrilhas, segundo classificação do Departamento de Estado dos EUA, seriam as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs), o Exército de Libertação Nacional (ELN) e a Autodefesas Unidas Colombianas (AUC).

Só que as AUC financiavam suas ações contra a guerrilha de esquerda com o tráfico de cocaína, tudo sob a vista grossa do presidente Álvaro Uribe, do exército colombiano e da agência estadunidense antidrogas (DEA).

Talvez tenha sido por isso que, no recente episódio de violação da soberania do Equador pela Colômbia, os EUA tenham dado apoio incondicional a Álvaro Uribe. “Democratas e republicanos devem trabalhar para estar ao lado de nosso aliado e lutar contra o narcotráfico”, disse Bush na oportunidade. Tratava-se de “uma questão de segurança nacional”, complementou à época.

A resolução da 25ª Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada em março último, em Washington, repudiou, em seu artigo 4, “a incursão de forças militares e efetivos da polícia da Colômbia em território do Equador, na Província de Sucumbíos, em 1° de março de 2008, feita sem conhecimento nem consentimento prévio do Governo do Equador, por considerar que constitui uma clara violação dos artigos 19 e 21 da Carta da OEA”.

Os EUA, evidentemente, fizeram restrições a tal artigo, argumentando que "a Colômbia exerceu o seu direito de 'legítima defesa', durante o ataque voltado contra as Farc".

A diplomacia brasileira, na oportunidade, defendeu a inegociabilidade do Artigo 21 da Carta da OEA, que trata da inviolabilidade territorial de seus estados-membros, contra a peculiar noção estadunidense de “soberania relativa”, defendida dias antes por Condoleezza Rice. Segundo a lógica de Rice, o combate ao terrorismo não pode respeitar fronteiras, o que implica que, nesses casos, a noção tradicional de soberania seja substituída pela de “soberania relativa”.

Um dos últimos movimentos da estratégia militar estadunidense para o continente foi a reativação de sua 4ª Frota Naval, responsável pela área marítina do Caribe e da América do Sul.

Uma das preocupações brasileiras com a reativação da 4ª Frota é que os EUA assinaram, mas não ratificaram, a Convenção de Montego Bay, da qual o Brasil é signatário. Segundo Montego Bay, o Brasil tem mar territorial de 12 milhas náuticas e Zona Econômica Exclusiva (ZEE) de 188 milhas, extensível até trezentas caso haja prolongamento da plataforma continental no fundo do oceano, fato que pode ser verificado tecnicamente.

Boa parte das novas reservas de petróleo localizadas pela Petrobras se localizam na ZEE, na chamada camada pré-sal.

Paranóia? Na verdade, recentemente os EUA questionaram, perante a Comissão de Levantamento da Plataforma Continental da ONU (LEPLAC) “os valores apresentados pelo Brasil no processo de levantamento de sua plataforma continental”, segundo o contra-almirante José Eduardo Borges de Souza, secretário-executivo da Comissão Interministerial para Recursos do Mar (Secirm).

De resto, desde o princípio da era Bush, a Casa Branca jamais aceitou negociar seus gigantescos subsídios à agricultura estadunidense e seu protecionismo a produtos como o aço, quando discutiu a implementação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Medidas compensatórias e acesso ao mercado estadunidense jamais fizeram parte da agenda de Bush para a ALCA, marcada por medidas unilaterais e pela exclusão de temas que não interessam a sua economia.

Mas que interessam, e muito, principalmente aos países do Mercosul.

Em função dessa resistência, os EUA passaram a celebrar tratados bilaterais de comércio, sobretudo com os países cujas economias são menos estruturadas, o que lhe confere maior poder de barganha sobre o conjunto do continente.

A reação latina veio na forma da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).

“No, We Can't Anymore”

Em matéria de políticas internas, suas campanhas fundamentalistas para a abstinência sexual de adolescentes e jovens solteiros foram tão condenadas por setores da sociedade estadunidense quanto a proibição de pesquisas científicas sobre células-tronco.

A lei federal “No child left behind” (“Nenhuma Criança Deixada para Trás”), de 2001, foi duramente criticada. Entre as acusações de especialistas está a de que promoveu a privatização de parte do serviço básico de educação pública.

Acusação que também pesou sobre as reformas promovidas nos serviços sociais e de saúde. A privatização maciça desses setores foi feita, sobretudo, em benefício de organizações religiosas.

As mesmas que exigiram limitações legais ao direito ao aborto e o cancelamento de financiamentos a associações internacionais, como o Fundo das Populações das Nações Unidas, vinculado a ONU. Responsável por questões populacionais, a entidade foi acusada por setores religiosos fundamentalistas de promover, indiscriminadamente, o aborto e a esterilização forçada entre mulheres da China.

Segundo dados do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, entre 2001 e 2007 aumentaram em 25% os casos em que autoridades encarregadas da aplicação da lei violaram direitos civis das vítimas que deveriam proteger, um aumento de 25% em relação aos sete anos anteriores. A maioria dos acusados, contudo, sequer foi processada.

A taxa oficial de pobreza do país, em 2006, era de 12,3%. 7,7 milhões de famílias viviam em condições de pobreza, bem longe do sonho americano. Em novembro do ano passado, o Departamento de Agricultura apresentou relatório admitindo que, ainda em 2006, 35,52 milhões de estadunidenses, incluídas aí 12,63 milhões de crianças, haviam passado fome.

Enquanto isso, o orçamento estadunidense deste ano, de US$ 2,7 trilhões, previa 419 bilhões em despesas militares, além de outros 235 bilhões exclusivos para manter a ocupação ilegal do Afeganistão e do Iraque. Os recursos previstos para o Pentágono, este ano, representaram um aumento de 62% em relação a 2001, quando George Bush assumiu a Casa Branca. 47 dias de ocupação estadunidense no Iraque e no Afeganistão equivalem ao orçamento anual das forças armadas brasileiras.

O atual déficit recorde dos EUA, de US$ 427 bilhões, é uma conseqüência das ocupações no Iraque e no Afeganistão, do aumento das despesas com segurança nacional, depois do onze de setembro, e da recessão de 2001, que eliminaram o superávit do orçamento herdado por Bush quando assumiu a Casa Branca pela primeira vez.

Alguns analistas também afirmam que seus cortes gigantescos de impostos, entre eles a “Tax Relief for America”, de 2001, também são responsáveis pelo atual déficit histórico. Os principais objetivos desses cortes, a recuperação da economia e a criação de empregos, não foram atingidos.

Ainda na economia, sua gestão foi marcada por duas crises, a recessão de 2001/02 e o recente colapso de Wall Street.

A recessão do começo deste século teve sua origem, segundo afirmou o economista Walden Bello nessa mesma Carta Maior, na bolha tecnológica do final dos 90, que resultou na perda de ativos no valor de 7 bilhões de dólares em função do desmoronamento dos preços das ações das empresas do mundo da Internet, que haviam disparado de forma artificial.

Foi então que, em junho de 2003, já na administração Bush, o presidente do Banco Central dos EUA, Alan Greenspan, tratando de prevenir uma recessão duradoura, rebaixou as taxas de juros 1%, nível sem precedentes em 45 anos. “Com isso, o que conseguiu foi estimular a formação de outra bolha: a bolha imobiliária”, afirmou Bello, responsável pela maior quebra da economia estadunidense desde a crise de 29.

Que vem arrastando, consigo, boa parte da economia mundial.

Segundo José Saramago, “George Bush expulsou a verdade do mundo para, em seu lugar, fazer frutificar a idade da mentira”.

Informações recentes dão conta que, cada vez mais isolado, sequer seus amigos o visitam na Casa Branca, e nem mesmo seus secretários mais próximos têm comparecido aos seus antes concorridos encontros.

Na contabilidade final da história, o homem que um dia pensou falar com Deus e agir em seu nome não passa de um grande perdedor.


* Mestrando em filosofia. Mantém o blog www.laviejabruja.blogspot.com

# Online seit Mittwoch, 16. Juli, 2008 um 09:54

Geändert am Donnerstag, 05. November, 2009 um 07:12

IX. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque

Reportagem: Mulher iraquiana estuprada por soldados norte-americanos




Ligação abaixo, vídeo em inglês:





Ligações abaixo: Documentários em inglês de menina de 14 anos estuprada e queimada viva por soldado cristão norte-americano, assassinada junto de toda a família, inclusive da irmã de 5 anos
com ajuda de quatro soldados compatriotas, em 2006:













Mais sobre as torturas em Abu Ghraib e toda a investida norte-americana no Oriente Médio,

na TERCEIRA PÁGINA - Crônicas


O documentário norte-americano The Perfect Storm apresenta vídeo destas torturas na cadeia de Abu Graib, com declarações e denúncias dos próprios soldados snorte-americanos envolvidos no escândalo





"Tudo que Deriva da Ocupação do Iraque é Ilegal e Ilegítimo"


A ocupação do Iraque pelo USA é ilegal e não pode ser legalizada. Tudo o que deriva da ocupação é ilegal e ilegítimo e não pode adquirir legitimidade. Estes fatos são indiscutíveis. Quais são suas consequências?


Rede Internacional Anti-Ocupação*

Publicado em português no jornal
A Nova Democracia

Outubro de 2008



A paz, a estabilidade e a democracia no Iraque são impossíveis sob a ocupação. A ocupação estrangeira se opõe por natureza aos interesses do povo ocupado, fato demonstrado pelos seis milhões de iraquianos refugiados no interior e no exterior do Iraque, o assassinato planificado de professores, universitários e profissionais iraquianos, a destruição da cultura iraquiana, assim como os mais de 1 milhão de iraquianos que perderam a vida.

A propaganda no Ocidente tenta tornar digerível o absurdo de que o invasor e destruidor do Iraque pode ser o protetor do Iraque. O medo conveniente a um "vazio na segurança" — utilizado para perpetuar a ocupação — ignora o fato de que o exército iraquiano nunca se rendeu e hoje é a coluna vertebral da Resistência armada iraquiana. Esta coluna vertebral está empenhada unicamente na defesa do povo e da soberania do Iraque. Da mesma forma, os vaticínios de guerra civil ignoram a realidade de que a esmagadora maioria da população iraquiana, em número e em interesse, rechaça e seguirá rechaçando a ocupação.

O povo iraquiano resiste à ocupação por todos os meios, e isso em conformidade com o Direito Internacional. A Resistência Popular é a única que pode ser reconhecida como porta-voz e defensora dos interesses e da vontade do povo iraquiano. Até agora, o USA fechou os olhos ante essa realidade, a espera de que uma ofensiva diplomática — depois da ofensiva [surge] militar que conseguiu uma eficaz limpeza étnica — salvaguarde o governo que impôs ao Iraque. Independente de quem seja o vencedor nas próximas eleições presidenciais ianques, o USA nunca conseguirá atingir seus objetivos imperiais, já que as forças que impõe no Iraque são opostas aos interesses do povo iraquiano.

Garantir a Soberania do Iraque

No Ocidente, alguns seguem justificando a negação da soberania popular com a desculpa da "guerra contra o terrorismo", criminalizando não só a Resistência, mas também a ajuda humanitária prestada a um povo sitiado. De acordo com o Direito Internacional, a Resistência Iraquiana é um movimento de libertação nacional. Consequentemente, o reconhecimento da Resistência iraquiana é um direito, não uma opção. A comunidade internacional tem direito de retirar seu reconhecimento ao governo imposto pelo USA no Iraque e a reconhecer a Resistência iraquiana.

É evidente que o Iraque não pode recobrar sua unidade, sua integridade territorial e uma estabilidade duradoura até que sua soberania esteja garantida. Mesmo assim, é evidente que a ocupação ianque não pode esquecer sua responsabilidade tentando culpar os vizinhos do Iraque. A maneira mais óbvia de chegar à estabilidade é um pacto de não agressão, desenvolvimento e cooperação entre o Iraque liberado e seus vizinhos mais próximos. Em sua situação geopolítica central, e em virtude de seus recursos naturais, um Iraque livre, pacífico e democrático é fundamental para o bem-estar e desenvolvimento de seus vizinhos. Todos os vizinhos do Iraque deveriam reconhecer que a estabilidade do Iraque serve a seus próprios interesses e deveriam se comprometer a não interferir em seus assuntos internos.

Se a comunidade internacional e o USA estivessem interessados na paz, na estabilidade e na democracia no Iraque, deveriam aceitar que só a Resistência iraquiana — armada, civil e política — pode conseguir isso, garantindo os interesses do povo iraquiano. A primeira exigência da Resistência é a retirada incondicional de todas as forças estrangeiras que ocupam il egalmente o Iraque — o que inclui os contratistas privados — e o desmantelamento de todas as forças armadas estabelecidas pela ocupação.

Futuro Democrático

ssegurar um futuro democrático, não sectário, para o Iraque.
Em sua defesa do povo iraquiano, o movimento contra a ocupação — em todas as suas expressões — é a única força capacitada para assegurar a democracia no Iraque. Todos os componentes desse movimento concordaram em que, depois da retirada das tropas do USA, um governo administrativo temporário se encarregará de duas tarefas: a preparação de eleições democráticas e a reconstituição do exército nacional. Uma vez completadas ambas as tarefas, o governo administrativo a dissolveria e deixaria as decisões relativas às indenizações, ao desenvolvimento e à reconstrução nas mãos de um governo iraquiano soberano e livremente eleito, num Estado de todos seus cidadãos, sem discriminação religiosa, étnica, confessional ou sexual.

Todas as leis, contratos, tratados e acordos assinados sob a ocupação são inequivocamente nulos de pleno direito. Segundo o Direito Internacional e o desejo do povo iraquiano, a soberania sobre o petróleo iraquiano e sobre todos os recursos naturais, culturais e materiais do país reside no povo iraquiano, em todas as suas gerações passadas, presentes e futuras. Todos os componentes do movimento iraquiano contra a ocupação acordaram que o Iraque venderá seu petróleo no mercado internacional a todos os Estados que não estejam em guerra com o Iraque e que sigam a linha das obrigações do Iraque como membro da OPEP.

A invasão ianque em 2003 foi e segue sendo ilegal e a lei de responsabilidade estatal exige que os Estados se neguem a reconhecer as consequências de atos estatais ilegais. A responsabilidade estatal também inclui a obrigação de indenizar. Todos os Estados e agentes não-estatais que tiraram proveito da destruição e do saque do Iraque deverão indenizá-lo economicamente.

O povo iraquiano anseia por uma paz duradoura. De acordo com as conclusões alcançadas pelo Tribunal Internacional sobre o Iraque, celebrado em Istambul, em 2005 e no reconhecimento do incalculável sofrimento do agredido povo iraquiano, os assinantes desta declaração subscrevem os princípios acima mencionados para alcançar a paz, a estabilidade e a democracia para o Iraque.

A soberania do Iraque está nas mãos de seu povo levantado na Resistência. A paz no Iraque é fácil de alcançar: basta a retirada incondicional do USA e o reconhecimento da Resistência iraquiana, que por definição representa a vontade do povo iraquiano.

Apelamos a todas as pessoas que amam a paz no mundo a que apóiem o povo e a Resistência iraquianos. O futuro de paz, democracia e progresso no Iraque, na região e no mundo depende disso.


Assinam:

CEOSI, Espanha;
Consicence Internacional, USA;
BRussells Tribunal, Bélgica; El Taller Internacional, Tunísia;
INTAL, Bélgica,
IAC, USA; IrakSolidaritet, Suécia;
Medical Aid For the Third World, Bélgica;
Muslim Peacemaker Teams, Iraque;
US Academics for Peace, USA;
World Courts of Women


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* A Rede Internacional Anti-Ocupação se reuniu na cidade de Le Feyt, na França, entre 25 e 27 de agosto de 2008. Para ver todos os assinantes da declaração, visite www.iraqsolidaridad.org





uma questão de liberdade



CONTEÚDO (com ligações)


l. BLOGANDO COM EDU - Perfil, Comentários e Literatura

Página 1 a 4


Página 5


II. PRIMEIRA PÁGINA- Poemas


lll. SEGUNDA PÁGINA - Meio Ambiente, Esporte e Saúde


lV. TERCEIRA PÁGINA - Crônicas / Questões Internacionais


V. O BRASIL NO ESPELHO - Crônicas



VI. NO PIQUE DA VIDA - Reflexões


VII. HISTÓRIAS MUNDIAIS


VIII. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais

Página 1

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IX. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque[



X. O AFEGANISTÃO ESTÁ ASSIM

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XI. SANEAMENTO PÚBLICO - ONDE JOGAR TANTO LIXO HUMANO?


XII. GOLPES MILITARES NA AMÉRICA LATINA


XIII. NOVA ALIANÇA DE DEUS COM O HOMEM – Reflexões do Sr. José Luiz Santos


XV. IDIOMAS

Inglês

Espanhol

Alemão

Italiano

Francês

Sueco

Português



XVI. EDU ENTREVISTA


XVII. UM POUCO DE EDUARDO MONTESANTI GOLDONI, DO BRASIL E DO MUNDO

# Online seit Mittwoch, 16. Juli, 2008 um 09:55

Geändert am Samstag, 12. Dezember, 2009 um 12:05