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XVIII. WIKILEAKS - América Latina


O Papa Bergoglio e os Kirchner
XVIII. WIKILEAKS - América Latina
Telegramas da embaixada norte-americana em Buenos Aires mostram
influência do novo papa na política argentina, e sua ligação com a oposição

14.3.2013 / Fonte: A Pública


Despachos oriundos da embaixada de Buenos Aires, vazados pelo Wikileaks, revelam que o novo papa da Igreja Católica, o argentino Jorge Bergoglio, era um nome bastante citado pela oposição argentina em conversas com diplomatas americanos.

Embora não haja nenhuma conversa direta entre o líder religioso e os diplomatas dos Estados Unidos, os oito cables que citam o cardeal no período de 2006 a 2010 mostram que a oposição do país vizinho, assim como os americanos, via nele um agente político poderoso contra os Kirchner.

O atual papa Francisco I é citado em um documento do final de outubro de 2006 que trata do revés político sofrido pelo aliado de Néstor Kirchner, então presidente, na província de Misiones, no nordeste do país. Carlos Rovira, tentara um plebiscito para alterar a constituição da província e tornar possível sua própria reeleição por indefinidas vezes. Mas foi batido pela oposição liderada pelo bispo emérito de Puerto Iguazú, Monsignor Piña.

“O Cardeal Jorge Mario Bergoglio, líder da Arquidiocese Católica de Buenos Aires, ofereceu seu apoio pessoal aos esforços de Piña, mas também desencorajou qualquer envolvimento oficial da Igreja em política”, relata o documento. O engajamento de outros religiosos na política é descrito neste mesmo telegrama. “A lista de candidatos da oposição era constituída principalmente de líderes religiosos, incluindo ministros católicos e protestantes, que eram amplamente vistos como líderes morais livres de qualquer bagagem política”, apontaram os diplomatas.

E se Bergoglio descartava o envolvimento “oficial” da Igreja, outros documentos revelam que ele não se mantinha longe da política. Em um documento de maio de 2007, a relação entre a Igreja Católica e o governo Néstor Kirchner é descrita como “tensa”: “Bergoglio recentemente falou de sua preocupação com a concentração de poder de Kirchner e o enfraquecimento das instituições democráticas na Argentina”.

Além disso, reportam os documentos, Bergoglio agia fortemente nos bastidores, provocando a irritação dos partidários de Kirchner. “O prefeito de Buenos Aires, Jorge Telerman, e sua parceira de coalizão e candidata a presidência, Elisa Carrio, supostamente encontraram-se com Bergoglio em abril, e a inclusão do líder muçulmano Omar Abud na lista de candidatos ao legislativo de Telerman foi supostamente ideia de Bergoglio”, reportaram os diplomatas. O religioso também era muito próximo de Gabriela Michetti, então ex-vice prefeita de Buenos Aires e atualmente deputada federal da oposição, segundo outro telegrama, de 26 de janeiro de 2010.

A relação desgastada entre a Casa Rosada e a Arquidiocese de Buenos Aires chegou ao rompimento entre as duas instituições. Os laços institucionais entre a presidência argentina e o cardeal só seriam retomados por Cristina Kirchner em 2008, quando ela se encontrou com Bergoglio, segundo telegrama de abril daquele ano. Dias depois, os americanos especulam sobre a possibilidade do Cardeal negar-se a celebrar a missa de 25 de maio – data nacional na Argentina – em decorrência da mudança das festividades de Buenos Aires para Salta.

Um Líder Manchado pela Relação com a Ditadura

XVIII. WIKILEAKS - América LatinaOutro telegrama que cita Bergoglio, de outubro de 2007, narra a condenação de Christian Von Wernich, padre e ex-capelão da polícia de Buenos Aires durante a ditadura na Argentina. Wernich foi considerado cúmplice em sete assassinatos, 31 casos de tortura e 42 sequestros (na imagem à esquerda, Bergoglio e Rafael Videla, sanguinário ditador militar que governou a Argentina de 1976 a 1981).

Após o veredito, a arquidiocese de Buenos Aires publicou uma nota em que convocava o sacerdote a se arrepender e pedir perdão em público. “A Arquidiocese disse que a Igreja Católica Argentina estava transtornada pela dor causada pela participação de um dos seus padres nestes crimes graves”, relata o despacho.

Para os americanos, este evento acabaria impactando na imagem de Bergoglio. “Entretando, numa época em que alguns observadores consideram o primaz católico romano Cardeal Bergoglio ser um líder da oposição à administração Kirchner por conta de seus comentários sobre questões sociais”, comenta o documento, “o caso Von Wernich pode ter o efeito, alguns acreditam, de minar a autoridade moral ou capacidade da Igreja (e, por conseguinte, do Cardeal Bergoglio) de comentar questões politicais, sociais ou econômicas”.


XVIII. WIKILEAKS - América Latina
EUA Atuaram contra Aumento de Mínimo no Haiti para 5 Dólares

29.7.2011 / Fonte: A Pública


Entre 2008 e 2009, a Embaixada norte-americana do Haiti se reuniu a portas fechadas com donos de fábricas contratadas pelas marcas Levi's, Hanes e Fruit of de Loom com o intuito de bloquear o aumento de salários da indústria têxtil do Haiti – que são os mais baixos do continente – segundo documentos do Departamento de Estado americano.

Os donos das fábricas se recusavam a pagar 62 centavos por hora, o que equivale a 5 doláres por 8 horas de trabalho, conforme estabelecia uma medida aprovada por unanimidade pelo Congresso haitiano em 2009.

Nos bastidores, porém, os donos de fábricas tiveram o apoio vigoroso dos EUA, da Agência de Desenvolvimento Internacional (USAID) e da embaixada americana, segundo documentos da embaixada entregues ao Haïti Liberté, parceiro da Pública, por meio do grupo de transparência WikiLeaks.

Na época, o mínimo salarial diário era de 70 gourdes, ou 1 dólar e 75 centavos.

Os empresários afirmaram ao Congresso haitiano que estavam dispostos a dar um aumento de 9 centavos, chegando a 31 centavos por hora de trabalho – 100 gourdes diários -, para os trabalhadores que produzem camisas, sutiãs e roupas íntimas para gigantes da industria têxtil americana, como as marcas Dockers e Nautica.

Para resolver o problema entre as empresas e o Congresso, o Departamento de Estado americano insistiu que o presidente haitiano René Préval intervisse:

“Uma atuação mais engajada de Préval pode ser crítica para resolver a questão do salário mínimo e os protestos pelo seu aumento – ou então, corremos o risco do ambiente político fugir do controle”, avisou o embaixador americano Janet Sanderson em junho de 2009.

Dois meses depois, Préval negociou um acordo com o Congresso para estabelecer dois tipos de salários mínimos: um para a industria têxtil de 3,13 doláres por dia (125 gourdes) e outro para todas as outras indústrias e setores comerciais, de 5 doláres por dia (200 gourdes).

Mas mesmo assim, a embaixada americana não ficou satisfeita. O chefe da missão, David E. Lindwall, disse que um aumento para 5 doláres “não leva em conta a realidade econômica”, e teria sido apenas uma medida “populista” para apelar “às massas desempregadas e mal-pagas”.

Os defensores do mínimo haitiano insistem que era necessário manter o passo com a inflação e aliviar o aumento do custo de vida.

O Haiti é o país mais pobre do continente, e o Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que 3,3 milhões de pessoas, um terço da população, estejam em risco de passar fome.

Naquele mesmo ano de 2008, uma onda de protestos conhecidos como “protestos do cloro” sacudiram o país – o nome era uma referência à dor no estômago causada pela fome aguda, como se a pessoa tivesse ingerido cloro.

De acordo com estudo do Consórcio dos Direitos dos Trabalhadores realizado em 2008, uma família da classe trabalhadora sustentada por um único individuo e tendo dois dependentes precisaria de 550 gourdes haitianos, cerca de 13 doláres e 75 centavos por dia, para manter um nível de vida normal.

Segundo o assessor de imprensa da embaixada norte-americana Jon Piechowski, “a política do Departamento de Estado é de não comentar documentos com informações classificadas e condenar o vazamento ilegal dessas informações”.

Ele afirmou ainda que “no Haiti, 80% da população está desempregada, e 78% vive com menos de 1 dólar por dia – o governo americano está trabalhando com o governo haitiano e outros parceiros internacionais para aumentar a criação de empregos, apoiar o crescimento econômico e atrair investimentos estrangeiros que sigam as normas da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e consigam alavancar a industria e a agricultura do país”.

O interesse dos EUA: zonas-francas para têxteis no Haiti

Porém, durante um período de 20 meses, do começo de fevereiro de 2008 a outubro de 2009, agentes da embaixada americana monitoraram atentamente e informaram Washington sobre a questão dos salários.

Os relatórios mostram que a embaixada compreendia a popularidade da proposta de aumento do minimo.

Os telegramas afirmam que o novo mínimo tinha o apoio da maior parte da comunidade de negócios do Haiti “com base em relatos de que o mínimo na República Dominicana e na Nicarágua (países que competem no setor têxtil) também vão aumentar”.

Mesmo assim, a proposta gerou uma oposição ferrenha dentre a elite manufatureira haitiana, que Washington vinha apoiando com suporte financeiro direto e acordos de livre comércio.

Em 2006, o congresso americano aprovou o plano Oportunidade Hemisférica através do Incentivo à Parceria (HOPE, na sigla em inglês que significa “esperança”). A lei permitiu incentivos fiscais para criar zonas-francas de fábricas no Haiti – elas podem exportar para os EUA sem pagar impostos.

Dois anos depois, o congresso dos EUA aprovou outra lei de isenção de impostos, chamada HOPE II, e a USAID passou a fornecer assistência técnica treinamento para ajudar as fábricas a expandir suas produções e aproveitar ao máximo a nova legislação.

Os documentos brasileiros do WikiLeaks, publicados pela Pública, demonstraram que empresas brasileiras estão fazendo lobby para integrarem essa iniciativa – usando a mão-de-obra barata do Haiti e exportando sem impostos para os EUA.

Os telegramas da embaixada haitiana afirmam que essa iniciativa dos EUA estava em perigo por causa da proposta de aumento do salário mínimo.

“Representantes da indústria têxtil, liderados pela Associação da Indústria Haitiana (ADIH), se opuseram ao aumento de HTG 130 (US$ 3,25) por dia no setor manufatureiro, afirmando que iria devastar a indústria e ter um impacto negativo no projeto HOPE II” afirma um documento confidencial de 17 de junho de 2009 assinado pelo conselheiro da embaixada Thomas C. Tighe.

Ironicamente, um relato confidencial assinado por Tighe uma semana antes , no dia 10 de junho, observou que um estudo da Associação da Indústria Haitiana havia concluído que “de modo geral, a média salarial para os empregados do setor têxtil é HTG 173 (US$ 4,33)”, ou seja, apenas 67 centavos menos do que o mínimo proposto no Congresso.

Mesmo assim, o estudo alertava que deveria haver oposição ao aumento do mínimo porque “a atual estrutura de salários promove a produtividade e serve como um elemento de competitividade na região”.

Tighe observa, no entanto, que “o salário mínimo para os trabalhadores na Zona Franca na fronteira entre Haiti e República Dominicana é de cerca de US$ 6,00”, um dólar a mis do que o projeto de lei no Congresso.

Mesmo assim, o estudo conclui que “um salário minimo de HTG 200 resultaria na perda de 10.000 postos de trabalho”, o que significa mais de um terço do total na época.

Tighe afirmou então que “estudos financiados pela Associação da Indústria Haitiana e pela USAID sobre o impacto do aumento do salário mínimo na indústria têxtil mostram que o aumento iria tornar o setor inviável economicamente e consequentemente forçar o fechamento de fábricas”.

Apoiados por este estudo pago pela USAID, os donos de fábricas fizeram lobby pesado contra o aumento, reunindo-se com o ex-presidente Préval em diversas ocasiões e com mais de 40 membros do Parlamento e partidos políticos, segundo os documentos do WikiLeaks.

Monitoramento

Os documentos diplomáticos procedentes do Haiti revelam como a emabaixada americana monitarava o aumento de salário e se preocupava com os impactos da batalha dos salários na política.

Tropas da ONU foram chamadas para reprimir protestos estudantis, aumentando o sentimento contra a presença militar da ONU no Haiti.

Em 10 de agosto de 2009, trabalhadores da indústria têxtil, estudantes e outros ativistas protestaram no Parque Industrial (SONAPI), próximo ao aeroporto de Port-au-Prince.

A polícia prendeu dois estudantes, Guerchang Bastia e Patrick Joseph, por “incitar” os trabalhadores.

Exigindo sua libertação, os protestantes marcharam até a delegacia Delma 33, onde os policiais atiraram gás lacrimogêneo e os protestantes revidaram atirando pedras.

No percurso do protesto, o pára-brisa do carro do conselheiro da embaixada americana, Tighe, foi quebrado, e ele teve que se abrigar na delegacia.

Depois, quando perguntado por jornalistas sobre o incidente e a controvérsia do salário mínimo, Thige disse apenas: “É sempre a minoria que causa desordem”.

Devido aos protestos vertiginosos de trabalhadores e estudantes, os donos das fábricas e Washington venceram apenas parcialmente a batalha dos salários, atrasando o aumento por um ano e mantendo o salário das fábricas têxteis um pouco abaixo do restante.

Em outubro de 2010 a assembléia dos trabalhadores conseguiu aumentar para 200 gourdes por dia de trabalho na indústria têxtil, enquanto em todos os outros setores o salário foi para 250 gourdes por dia (cerca de 6 doláres e 25 centavos).



Tratamento Terrível dos Estados Unidos no Haiti, Segundo WikiLeaks

7.6.2011 / Fonte: National Journal

Tradução de Edu Montesanti


Na sequência de muitos desastres deste ano, o fluxo de más notícias que vêm do Haiti tem se reduzido a um gotejamento. Na semana passada, na verdade, vieram algumas boas notícias de que a taxa de mortes do terremoto de 2010 poderia ser muito menor que a relatada. E então, WikiLeaks mergulha a 1.918 documentos de um período de sete anos, a partir dos 10 meses antes do golpe que depôs o presidente Jean-Bertrand Aristide, em 29 de fevereiro de 2004, e termina seis semanas após o terremoto de 12 de janeiro de 2010. Em parceria com WikiLeaks, The Nation e o semanário haitiano Liberté estão publicando uma série de histórias que, até agora, destacam como os EUA têm microadministrado e levado o governo haitiano a se alinhar às suas políticas, conforme os interesses norteamericanos. Não é, claro, nenhuma novidade que os Estados Unidos intimidem aliados a fazer o que eles querem, mas vale a pena discriminar o primeiro par de furos jornalísticos.

EUA Usou o Haiti como Peão na Guerra do Petróleo contra a Venezuela

René Préval tomou o poder após a derrubada de Aristide, e imediatamente viajou aos Estados Unidos para reforçar a confiança nas relações diplomáticas entre as duas nações. De acordo com um cabo de 26 de março de 2006, escrito pelo embaixador dos EUA, Janet Sanderson, Préval queria "enterrar de uma vez por todas a suspeita no Haiti de que os Estados Unidos estão preocupados com ele", cautelosos pelos laços de Préval com Cuba e Venezuela. Sanderson disse também que Préval "ressaltou à embaixada que ele vai administrar as relações com Cuba e Venezuela somente para o benefício do povo haitiano, e não baseado em qualquer afinidade ideológica com esses governos". Mas o comportamento norteamericano nos bastidores que o mostra "cauteloso", pode ter sido uma palavra muito suave.

Préval rapidamente frustrou suas esperanças de um relacionamento forte com seus aliados do norte, através da negociação de um acordo de aliança com a indústria venezuelana de petróleo Petrocaribe. Reconhecendo como o negócio faz sentido tanto ao escasso orçamento do Haiti quanto às pessoas atingidas pela pobreza - o governo haitiano "pouparia 100 milhões de dólares por ano da sua moratória" segundo estimativas da embaixada norteamericana - os Estados Unidos dificultaram o acordo para os próximos anos. Oficiais norteamericanos aparentemente ajudaram a mobilizar a Chevron e a ExxonMobil, as únicas companhias de petróleo dos EUA operando no Haiti, a fim de bloquear seus embarques e se recusar a transportar petróleo da Petrocaribe, um requisito necessário para o Haiti assinar o acordo. Apesar do embaixador norteamericano reconhecer a falta de interesse do Haiti na política antinorteamericana - "Em nenhum momento Preval deu nenhuma evidência de que esteja interessado em associar o Haiti à ampla "agenda revolucionária" de Chávez, escreveu em um cabo - Sanderson sugeriu que os EUA "transmitam nosso descontentamento com as ações de Préval no mais alto grau possível, na próxima vez que visite Washington", após Préval visitar a Venezuela para negociar um acordo de energia que levaria eletricidade à mais casas, e economizaria milhões do povo do Haiti.

A Chevron finalmente assinou o acordo da Petrocaribe no início de 2008, apesar dos protestos dos EUA, mas só depois de dois anos de negociações potencialmente enfraquecidas, beneficiam o Haiti. No entanto, como The Nation assinala: "A extraordinária história que os cabos WikiLeaks do Haiti contam sobre a campanha da Embaixada dos EUA contra a Petrocaribe - que prevê tais benefícios óbvios ao Haiti - traz às claras as verdadeiras prioridades da mais importante e confável parceria bi-lateral do Haiti, como alega Sanderson".

EUA Queria Manter Salário Mínimo do Haiti em 24 Gourdes por Hora

A campanha de Préval para aumentar o salário mínimo do país chamou a atenção da administração de Obama. O impacto de 37 gourdes (¢, moeda haitiana) parece pequeno para os padrões norteamericanos, mas considerando que elevaria os salários em 150 por cento - de 24 e algo e 61 ¢ e pouco - a nova medida foi tomada para afetar drasticamente a vida dos haitianos pobres. No entanto, afetaria drasticamente também os lucros das empresas norteamericanas, como Hanes e Levi Strauss, que contrataram o trabalho no Haiti para costurar roupas. As empresas insistiram na limitação do aumento salarial de 7 ¢ e pouco, e o embaixador dos EUA pressionou Préval em 3 dólares por dia de salário para os trabalhadores têxteis, 2 dólares menos que o original de 5 dólares por dia, conforme Préval queria. * Reportagem de The Nation sobre as negociações mostram desaprovação contínua com essa política:

Ainda a Embaixada dos EUA não estava satisfeita. O vice-chefe da missão, David E. Lindwall, disse que o mínimo de 5 dólares por dia "não levou em conta a realidade econômica", mas foi uma medida populista que visa apelar para "as massas de desempregados e os mal pagos"

Ryan Chittum na Columbia Journalism Review fez um pouco de matemática para colocar estes números em perspectiva. A proposta de 5 dólares por dia fica muito aquém daquilo que The Nation estimou, em 12,50 dólares por dia, necessários para uma família haitiana de três pessoas arcar com as despesas. Mas como será drasticamente o menor ainda, 3 dólares por dia, como iso afetará as empresas norteamericanas com participação na questão?

Aproximar-se de empresas específicas ajuda a esclarecer mais ainda. Desde o ano passado, Hanes contou com 3.200 haitianos para fazer camisetas para a empresa. Pagando a cada um deles dois dólares por dia a mais, custaria cerca de 1,6 milhão de dólares por ano. Hanesbrands Incorporated fez 211 milhões dólares sobre 4,3 bilhões em vendas no ano passado e, presumivelmente, transferiria pelo menos alguns dos seus custos laborais mais elevados aos consumidores.

Chittum observa que o chefe da Hanes, Richard Noll, poderia cobrir as perdas com apenas um sexto do seu pacote de indenização de 10 milhões de dólares. Isso faz com que o ramo de vestuário norteamericano e sua política sem exploração dos empregados pareça angelical, tarada pelo chef Dov Charney e por todos.



XVIII. WIKILEAKS - América Latina
Por baixo dos Panos, Washington Acusa México por Tráfico de Armas

O escândalo do Plano Rápido e Furioso Revela Diálogo
de Surdos entre os Dois Governos

28.3.2011 / Fonte: La Jornada

Tradução de Edu Montesanti


Observação do Blog: Altos escalões do governo federal norte-americano, inclusive Barack Obama, alegam nunca ter sabido nada sobre o contrabando de armas que vão parar nas mãos de narcotraficantes mexicanos. E, se não bastasse, ainda culpam o governo mexicano por não conseguir controlar, em suas fronteiras, a entrada dessas armas. Curioso que os EUA, tão contraditoriamente, culpam o México pelo tráfico de drogas dentro dos próprios EUA, ao invés de assumir sua responsabilidade por não conseguir coibir o crescente número de usuários e traficantes de droga dentro do país.
Enfim, nada disso que vem da potência imperialista é novidade a qualquer pessoa bem-informada, mas, definitivamente: WikiLeaks tem sido providencial, muito saudável à democracia que depende desesperadamente da verdade e da transparência radical



Ao longo dos seis anos de Felipe Calderón, a questão do contrabando de armas ilegais dos EUA ao México foi um diálogo de surdos entre ambos os governos. Os mexicanos - presidente, procurador-geral, ministros militares - solicitam, em público e em particular, que Washington detenha a transferência de armas de guerra, proibida por lei no México a qual ao norte da fronteira são vendidas livremente. Enquanto isso - agora se sabe - parte desse tráfico ilegal teve luz verde do governo em Washington, através de sua operação secreta conhecida por seu codinome Fast and the Furious (Rápido e Furioso). Graças a este, circula no país mais de 2 mil rifles de alto calibre, fora de controle.

Diante das reclamações mexicanas, os norte-americanos fogem do assunto e culpam as autoridades mexicanas pela sua incompetência, pelo mau estado dos registros de armas apreendidas e pela "desordem" que existe nos depósitos onde o ministério da Defesa mantém os arsenais confiscados pelo crime organizado.

Quando os funcionários mexicanos exigem resultados no tráfico de armas, seus homólogos invariavelmente respondem que o que é necessário é "acesso total" das agências norte-americanas especializadas aos enormes estoques de material apreendido no país, para rastrear o caminho das armas desde os fornecedores ao longo da fronteira até o receptor, no crime organizado.

As únicas medidas concretas que têm sido tomadas são a aplicação do programa E-Trace, e as operaçõea Armas Cruzadas e Chuck Wagon. Segundo explica um cabo preparado para a visita do então secretário de Segurança Interna, Michael Chertoff, 17-19 de julho de 2008 (cabo 08MEXICO2160), E-Trace é um software instalado na PGR e a SPP nos 32 estados que permitem perguntar diretamente a um banco de dados do ministério da Justiça em Washington, sobre a origem de uma arma particular. Armas cruzadas em um mecanismo de cooperação entre o Departamento de Imigração e Alfândegas (ICE, em sua sigla em Inglês) e seu homólogo mexicano. Chuck Wagon foi uma operação que então existia para que o escritório do adido militar dos EUA, que depende diretamente do Pentágono, ajudasse a Secretaria de Defesa Nacional (do México, Sedena) a identificar armamento militar, inclusive foguetes, lançadores antitanque RPG e granadas.

De acordo com o que consta nos cabos da embaixada dos EUA contidas no arquivo Wikileaks em poder de La Jornada, o governo mexicano afirmou repetidamente durante os primeiros seis anos, que isso "não era suficiente". Depois, deixou de fazê-lo.

As agências dos EUA envolvidas, ICE, por parte do Departamento de Segurança Interna, e a Agência de Controle de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF, em sua sigla em inglês), através do gabinete do procurador-geral, obtiveram todo o acesso necessário. O resultado foi o escândalo do Rápido e Furioso, não se sabe até onde vai a responsabilidade do executivo norteamericano nesta operação, secreta e falida.

Até à presente data, a ATF tem acesso a cenas de crime no México, aos bancos de dados e depósitos do PGR e do departamento de Defesa, inclusive indícios balísticos (tampas e fragmentos de explosivos) que sejam de interesse, mas não apresentou sequer um único caso de identificação de tráfico de armas, um episódio de interceptação de armas contrabandeadas nem informação sobre a origem da carga ilícita ou seu destino em território mexicano. Nos cabos, em poder deste diário e nos anais do ministério das Relações Exteriores, não contém qualquer acusação formal, no lado mexicano, por essa falta de resultados sobre um assunto tão vital.

De quem é a culpa?

Os parceiros norte-americanos nesses acordos - nos quais participam também a Alfândega e Patrulha de Fronteira (Customs and Border Patrol, CBP), e o adido militar da embaixada, culpam o governo mexicano de "obstruir os esforços" devido à "incapacidade das principais agências de segurança e justiça de trabalhar em equipe".

Pelo menos, essa é a conclusão a que chegou o ministro conselheiro John Feeley (hoje, virtual chefe interino da embaixada, após a renúncia de Carlos Pascual) sobre um cabo revelado pelo Wikileaks (09MEXICO3108) de 28 de outubro de 2009, enviado ao departamentos de Estado, Justiça, Segurança Interna e até mesmo ao Comando do Sul. "O respaldo do governo mexicano a um banco de dados abrangente, parte do pretexto que a medida permitirá uma melhor cooperação entre o ministério de Segurança Pública e a Procuradoria Geral da República, sem que haja um compromisso real para superar as diferenças que impedem resolver o problema do tráfico de drogas".

Também culpou os governos estaduais por não ter controle adequado sobre as transferências de armas que lhes confere o ministério da Defesa, no fornecimento de forças policiais e local. Assim, afirma-se em um cabo de 30 de novembro de 2009 (09MEXICO3376), oficiais de justiça dos EUA "têm razões para acreditar que algumas armas (das remessas importadas legalmente pela Secretaria de Defesa Nacional (do México, Sedena) simplesmente desaparecem." Trata-se de um caso detectado através do seu programa de verificação conhecido como Blue Lantern (Lanterna Azul): um fuzil AR-15 pertencente a um lote de 30 mil armas similares, legalmente importados e entregues as autoridades SEDENA Michoacan. A arma foi recuperada após um confronto em Panindícuaro, Michoacán, em meados de 2009, mas nunca foi possível determinar quando ela se desviou para cair nas mãos de grupos criminosos.

"Desordem" nos porões da Sedena

Às vezes, como relatado nos cabo confidencial 09MEXICO3114, datado de 29 de outubro, a embaixada consegue de livrar das restrições impostas por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, e obter a informação pretendida. "Em julho deste ano (2009) do departamento de Defesa decidiu compartilhar as informações conosco, o que permitiu que a análise dos dados por parte daICE e da ATF, com a ideia de abrir investigações contra indivíduos que vendem armas para o tráfico de drogas".

O resultado foi a frustração norteamericana perante a desordem com que são guardados os dados-chave. Isso é o que o ministro-conselheiro Gustavo Delgado escreve: "Infelizmente, a informação é incompleta e carece de informação sobre a origem das armas, refletindo os métodos irregulares e pobres utilizados tanto pela Polícia Federal (SSP), quanto por agentes do departamento de Defesa, no momento de processar as armas confiscadas".

Acirram-se críticas contra os militares: "Além da grande quantidade de armas armazenadas, a desordem com que o governo do México administra os depósitos (sob jurisdição da Sedena), levou a um sistema de manutenção das armas dicreto, sem responsabilidades claras. Muitas vezes, as dependências antepõem seus interesses e conflitos, contestando abertamente que tem prioridade na gestão da investigação fundamental. O PGR defende intransigentemente sua autoridade sobre os aspectos jurídicos, a pesquisa e a arma forense, enquanto a SSP reforça sua posição de liderança entre os edifícios dos tribunais. A SSP tem acesso apenas às informações compartilhadas, onde o caso é transferido para a competência do PGR.

Segundo dados do contexto contidas neste comunicado, até 2009 os depósitos do governo em todo o México guardaram cerca de 140 mil armas, quer seja recuperadasem cenas do crime ou nas inspeções. Os depósitos estão sob responsabilidade da Sedena, que mantém informação fragmentada sobre cerca de 64 mil armas recuperadas, desde o início do governo Calderón.

Nessa análise, a embaixada ainda questionou a versão oficial do seu próprio governo, de que detém 90 por cento das armas ilegais confiscadas aqui, vem dos Estados Unidos. "A informação é baseada em avaliações incompletas. De fato, sem um acesso mais amplo, não temos nenhuma possibilidade de verificar esses valores".

Existe uma loja localizada na avenida Industria Militar, a qual vende armas de fogo de diversos calibres, a militares e policiais. Apenas 38 milímetros arma é vendido ao público em geral, depois de percorrer as exigências da Gestão de Marketing de Armas e Munições da Sedena.

Em março, soldados apreenderam munição de AK-47 em um sítio em Veracruz, onde assassinos treinavam. As autoridades mexicanas e os EUA estão divergindo sobre o contrabando de armas ao território mexicano.

A promessa de Napolitano e sua intenção encoberta

Em 14 de abril de 2009, Calderón abordou a questão com o secretário de Segurança Interna, Janet Napolitano, e com o procurador-geral, Eric Holder, logo após a conclusão da conferência binacional sobre o tráfico de armas em Cuernavaca, no primeiro dia do mês. Calderón, de acordo com cabos confidenciais 09MEXICO1048, reiterou sua posição já conhecida sobre a reintrodução do embargo que proíbe a venda livre de armas pesadas, a partir de 2004. É um tema que já tinha sido levantado antes, desde que o governo de Barack Obama desconversa a fim de não enfrentar os ultraconservadores, defensores da Segunda Emenda que protege o direito de possuir, vender e comprar armas.

Para salvar as formas, Napolitano sugeriu que sua agência reforçará fronteiras com "supervisão complementar" de viajantes que deixam os Estados Unidos rumo ao México. Ele até ofereceu unidades caninas, enquanto Calderón alertou que, como obtiveram mais êxito interceptando contrabandistas de armas que tentam rotas marítimas, exercerá mais pressão sobre a Marinha do México".

Na verdade, Holder colocou 110 novos agentes e funcionários da ATF, e Napolitano 360 da ICE nos pontos aduaneiros sob o programa Project Gunrunner (em vigor desde 2005). Entre eles, John Dodson e René Járquez, que, como afirmavam, eram pressionados pelas autoridades superiores para participar da operação Rápido e Furioso.

O cabo de referência sobre a reunião Calderón-Holder-Napolitano, assinado pelo assessor político Leslie Basset, não diz se autoridades dos EUA mencionaram a Calderón a operação Gunrunner e a Rápido e Furioso que, de acordo com a repórter investigativa da TV CBS Sharyl Attkinson, funciona pelo menos desde 2008. Hoje, em meio ao escândalo, os dois governos lançaram acusações mútuas, e até o presidente Obama sustenta uma afirmação sujetra a inquérito judicial, que nem ele nem Holder sabiam das "armas caminhantes".

Em setembro de 2010, um alerta da polícia informou à ATF que em sete lojas de armas em Phoenix, Arizona havia-se detectado compras irregulares. Um homem identificado como Jaime Ávila - quem emprestava seu nome aos verdadeiros compradores - acabou por ser os compradores verdade, estava adquirindo fuzis de assalto de estilo militar em grandes quantidades, e pagava em dinheiro com notas que carregava em grandes sacos de papel. Segundo Dodson e Járquez relataram para a televisão CBS, recentemente a ATF ordenou que seus funcionários não agissem e deixassem passar as remessas.

Os fuzis eram contrabandeadas em pontos aduaneiros que, segundo promessa feita a Calderón, estavam "controladas". A ordem, que ainda não sabe de que escalão governamental se originou, ou se o governo do México tinha conhecimento, passou por cima de vários agentes, incluisive Darren Gil, antigo delegado da ATF na Embaixada nortemmericana no México. Parte das obrigações de Gil era manter relações estreitas com a PGR, o SPP e a Sedena. Gil, que permaneceu no cargo até o final de 2010, disse neste sábado à rede de televisão CBS, que revelou o escândalo, que tomou conhecimento deste tráfico ilegal "no início de 2010", e alertou seus superiores de que algo poderia dar errado na operação. "Os mexicanos vão ficar irritados quando ouvirem isso", diz que advertiu seus superiores. Nisto, ele estava errado. Mesmo com o escândalo exposto, a reação do governo mexicano está longe de ser "zangado" ou tachativa.

Gil, cuja atribuição era especificamente autorizar essas entredas de armas supostamente controladas, foi bloqueado. "Meus superiores me garantiram que o caso agora está nas mãos do ministério da Justiça".

A operação começou a falhar quando se verificou que duas armas encontradas no local onde se matou um agente da patrulha fronteiriça dos EUA, Terry Brian, tinha números da série do lote que a ATF permiriu "caminhar" das lojas de Phoenix. Mais tarde, foi revelado que uma outra arma com a qual foi assassinado no México o agente da ICE, Jaime Zapata, também era parte do lote de Rápido e Furioso.

Outra mancha na história da Medina Mora

Antes da saída do ex-procurador-geral, Eduardo Medina Mora, a embaixada "avaliou" seu comportamento e deu-lhe qualificação "mista", com prós e contras, cabo 09MEXICO3092. Seu principal defeito era "criticar publicamente os EUA por não fazer o suficiente para reduzir o comércio de armas" durante a conferência bilateral de 2008. Uma pena, pois Medina, sobre esta questão, era "construtivo", colocou ênfase na colaboração e "estava longe dos argumentos pobres usados dos que criticam a segunda emenda, e a revogação do embargo de armas".

Entre suas falhas, como já foi publicado, este mesmo cabo cita "incapacidade de superar sua animosidade pessoal", entre ele e o secretário de Segurança Pública, García Luna. Entre os profissionais, a Embaixada elogiou o elevado número de extradições que autorizou, e os esforços para reforçar a "parceria triangular" Colômbia-México-Estados Unidos.

É pertinente falar de Medina Mora, porque em 2007, mesmo em tempos de George Bush, o então novo procurador de Calderón se reuniu com o diretor do Escritório Nacional de Controle de Drogas da Casa Branca, John Walters. Iniciou uma operação chamada de Armas Cruzadas, que visava aumentar os níveis de geração de informações de inteligência sobre redes de contrabando de armas (cabo 07MEXICO1854). Medina Mora fez um pedido específico, exigiu informações sobre os compradores nos Estados Unidos, munições de alto calibre para armas de uso militar. Nunca se respondeu a seu apelo.

Mouriño e alegam esquecidos

Outro antecedente deste diálogo de surdos, foi o encontro que teve o falecido ministro do Interior, Juan Camilo Mouriño, com o ex-secretário de Segurança Interna, Michael Chertoff. Deu-se em 28 de fevereiro de 2008, em uma conversa à margem de uma reunião bilateral realizada em Los Cabos, informou em 11 de março de 2008, em 08MEXICO714 cabo.

Sobre o tráfico de armas, Mouriño expressou a Chertoff preocupação porque o programa E-Trace (registro digital, que segue o caminho de cada arma através do seu número de licença), enquanto era apreciado pelas autoridades mexicanas, não representavam solução concreta, que era a impossibilidade de manter o controle dos carregamentos de grande e pequeno porte de armas compradas nas exposições de armas nos Estados Unidos, e de detectar as remessas que entram aos EUA de países terceiros, para seguir seu caminho ilegalmente ao México .

Chertoff respondeu conforme o habitual: "Temos de elevar o nível da partilha de informações". Foi a conversa em que Chertoff reivindicou a Mouriño permissão aos agentes dos EUA de interrogar estrangeiros detidos em instalações da imigração mexicana, qualificando de "interesse especial".

Relevantes ou não, as observações de Mouriño caíram no esquecimento. Elas não aparecem nas agendas dos dois países quando se discute a questão do contrabando de armas.



XVIII. WIKILEAKS - América Latina
Para EUA, Mercosul É “Antinorte-Americano”

Um documento secreto do Departamento de Estado ao qual o jornal Página/12 teve acesso via Wikileaks revela o temor estadunidense diante da consolidação de um bloco regional que inclua também a Venezuela. O texto revela o conteúdo de uma reunião de embaixadores estadunidenses no Cone Sul, realizada no Rio de Janeiro. Segundo o texto final do encontro, a chave que, segundo os EUA, muda a natureza do Mercosul é a decisão de incorporar a Venezuela aos quatro membros originais: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. “O Mercosul gradualmente foi transformando-se de uma união aduaneira imperfeita em uma organização mais restritiva e anti-norte-americana”, afirma

7.3.2011 / Fonte: Carta Maior


Pela primeira vez vem a público um documento do Departamento de Estado dos Estados Unidos que qualifica o Mercosul como um organismo “antinorteamericano”. Não consta nos arquivos públicos nenhuma menção neste sentido por parte de uma autoridade do Departamento de Estado. O documento ao qual o Página/12 da Argentina teve acesso via Wikileaks, revela o conteúdo de uma reunião de embaixadores estadunidenses no Cone Sul, realizada no Rio de Janeiro. Segundo o texto final do encontro, a chave que, segundo os EUA, muda a natureza do Mercosul é a decisão de incorporar a Venezuela aos quatro membros originais: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. “A entrada da Venezuela no Mercosul altera claramente o balanço e a dinâmica da organização”, diz o texto. “O Mercosul gradualmente foi transformando-se de uma união aduaneira imperfeita em uma organização mais restritiva e anti-norteamericana”.

A reunião ocorreu nos dias 8 e 9 de maio de 2007 no Rio de Janeiro. O telegrama com um resumo foi classificado como secreto no dia 17 de maio pelo número dois da embaixada no Paraguai, Michael J. Fitzpatrick. Seu título original é “Conferência: uma perspectiva do Cone Sul sobre a influência de Chávez”. Participaram os embaixadores norteamericanos no Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai e Chile, e o relatório agradece ainda as contribuições da embaixada na Bolívia.

Quase quatro anos depois do encontro adquire ainda mais importância que tenha sido um diplomata sediado no Paraguai o encarregado de qualificar o grau de confidencialidade da reunião. O protocolo de adesão da Venezuela foi firmado em março de 2006. Mas até hoje não entrou em pleno vigor porque um país só passa a ser membro pleno do Mercosul quando os parlamentos dos países que já são membros ratificam a decisão dos poderes executivos. A única coisa que falta para a entrada da Venezuela no bloco é, hoje, a ratificação do Senado paraguaio.

Na última reunião do Mercosul (Foz do Iguaçu, em 2010), a presidenta Cristina Fernández de Kirchner disse que “a incorporação da Venezuela ao Mercosul, além de aportar sua generosidade, vai ajudar estrategicamente a consolidar-nos em uma das frentes mais importantes deste século, a energética”. Cristina disse confiar “nos irmãos do Paraguai”, destacou o Mercosul como um bloco que permitiu deixar para trás uma hipótese absurda como o enfrentamento entre a Argentina e o Brasil e acrescentou que o peso dos mercados internos dos dois países permitiu “superar a crise global mais importante desde 1930”.

O atrativo de Chávez

A conclusão final dos embaixadores é que “a campanha de Chávez para expandir sua influência no Cone Sul é multifacetada e repousa em boa medida, mas não totalmente, em uma generosa assistência energética e em acordos de investimento”. Concede que a figura de Chávez pode ser “atrativa para muitos dos despossuídos da região, que todavia esperam que a globalização lhes traga os benefícios do livre comércio e o governo verdadeiramente democrático”.

Segundo o telegrama, “ao integrar a Venezuela às instituições existentes e ao criar novos organismos regionais, Chávez quer que o Cone Sul siga essa ideia”. Que resultados teria produzido a suposta campanha do presidente venezuelano? “Poucos países provaram ser capazes de resistir ao atrativo da ajuda venezuelana e de seus pacotes de investimento”.

Para a sorte dos críticos da integração venezuelana, “ao mesmo tempo que a influência de Chávez na região se expandiu significativamente, os líderes regionais suspeitam de seus motivos e objetivos”. Muitos desses líderes “coincidem na ideia de que o Cone Sul, e sobretudo a América do Sul, deve estabelecer uma identidade separada em relação à hegemonia norte-americana, mas não se sentem cômodos se são usados”.

Uma frase dos embaixadores indica o estado do diagnóstico estadunidense: “os Estados Unidos não podem esperar que os líderes da região corram em nossa defesa”.

E depois do diagnóstico vem a recomendação: “Precisamos nos convencer da necessidade de implementar uma estratégia transparente para a região”. O texto segue assim: “Nossa ideia de uma comunidade de nações democrática e inclusiva que assegura a perspectiva de um futuro mais próspero para seus cidadãos é a resposta correta a Chávez”. Os participantes também pediram “mais ferramentas e recurso” para se contrapor ao que definem como “esforços políticos de rachar a democracia, desenhar estratégias econômicas para estrangular o comércio livre, a politização do Mercosul, a expansão das relações na área da Defesa e a campanha nos meios de comunicação de massa”.

País por país

Os diplomatas reunidos no Rio de Janeiro se manifestaram convencidos de que existe uma campanha pública de Chávez e outra clandestina, de distribuição de recursos, e analisaram a posição dos governos da América do Sul detalhadamente.

No caso argentino, um dado chave é o fato de que, segundo os participantes, “uma pesquisa realizada em dezembro de 2006 apontava que Chávez era popular para 52% dos argentinos” e que a imagem dos EUA não era popular. Ao mencionar o nome de Néstor Kirchner, então presidente da Argentina, o relatório diz que “Kirchner tentou distanciar-se publicamente da posição antinorte-americana de Chávez e tratou de manter a percepção de uma linha mais independente para resultar potável ao eleitor médio, mas sua estratégia econômica claramente busca laços mais estreitos com Chávez no comércio e nas finanças, procurando posicionar-se, além disso, entre Lulz e Chávez no espectro regional”. Na visão estadunidense, Kirchner tentava balancear a relação com Chávez. “Isso é evidente no apoio de Kirchner e sua esposa à comunidade judia da Venezuela e, simultaneamente, no fato de que tenham se abstido de qualquer comunicado em favor da liberdade de imprensa no caso da RCTV, por exemplo”.

“Ainda que Kirchner compartilhe algumas das posturas esquerdistas de Chávez, ele é muito mais um pragmático”, diz o texto. E nomeia os empréstimos de 4,2 bilhões de dólares concedidos a Argentina.

O documento assinala ainda que “o que levou o Brasil a apoiar a admissão da Venezuela no Mercosul foi a crença de que Chávez poderia ser controlado mais facilmente dentro do organismo do que se deixado a sua própria inspiração fora dele”. O texto põe em questão essa ideia com dois exemplos. Um, que Chávez estimulou Evo Morales a nacionalizar a Petrobras na Bolívia. Outro, que Chávez disputava protagonismo com Lula nas reuniões do Mercosul.

“Esse atrito oferece uma oportunidade”, analisa o texto (e parece encher-se de esperança) classificado por Fitzpatrick em 2007. Obviamente se refere a uma oportunidade para os EUA causar alguma erosão nas relações do bloco sulamericano.

No entanto, quando Morales nacionalizou o petróleo, nacionalizou também a Petrobras e não só a Petrobras. Brasil se irritou com a ocupação militar das suas unidades, mas um diálogo entre os dois países solucionou a diferença.

Tampouco houve, finalmente, uma disputa de protagonismo entre Lula e Chávez, a tal ponto que o então presidente brasileiro seguiu impulsionando a entrada da Venezuela no Mercosul. O Senado brasileiro ratificou a posição em 2009, com Lula presidente. E sua sucessora, Dilma Rousseff, disse em janeiro último em uma entrevista com meios de comunicação argentinos, entre eles Página/12, que “a Venezuela é um grande produtor de petróleo e gás”. Opinou que o país “tem muito a ganhar entrando no Mercosul, e nós com sua presença”. Também tocou na questão da liderança, mas despersonalizou-a, preferindo colocá-la em um plano binacional argentino-brasileiro por tamanho e desenvolvimento econômico. “Até para os outros países é absolutamente importante que Brasil e Argentina estejam juntos porque não é uma relação de hegemonia a que os dois países se propõem a estabelecer com o resto da América Latina”, declarou.

Na visão norte-americana daquele momento, outro tema a seguir de perto eram os contatos militares venezuelanos e, no caso da Bolívia, os supostos contatos na área da inteligência. Até o Uruguai aparece sob suspeita, porque segundo o telegrama os temas relacionados à segurança, do então presidente Tabaré Vázquez, eram implementados no dia a dia por seu irmão, Jorge, “um ex-membro da guerrilha POR-33”. Vázquez, subsecretário do Interior, teria trabalhado segundo os Estados Unidos com “agentes do serviço secreto recrutados sob o guarda-chuva da central sindical PIT-CNT, dominada pelo Partido Comunista, e treinados em Caracas e Havana”.

Na verdade, a OPR-33 foi mais libertária do que comunista e na PIT-CNT há também peso de socialistas e do Movimento de Participação Popular do ex-tupamaro Pepe Mujica. Jorge Vázquez é o mesmo que denunciou no Uruguai uma campanha por meio do qual teria sido falsamente acusado de armazenar para o Irã em combinação com a Venezuela.



EUA Monitorou Políticas Argentinas em Defesa da Soberania das Malvinas

Dezembro de 2010 / Fonte: Telesur

Tradução de Edu Montesanti


Os EUA ordenaram à sua embaixada em Buenos Aires, acompanhar as decisões do governo sobre a intenção de uma suposta resposta militar da Argentina à exploração de petróleo britânico nas ilhas Malvinas no início de 2010, conforme revelam cabos diplomática vazados pelo WikiLeaks.

"Agradecemos que nos informem, para que possamos antecipar a reação da Argentina, incluindo uma possível ação militar", disse em um telegrama o enviado de Washington, que também pede um relatório sobre as discussões não só dentro do governo, mas também "entre os militares".

A situação das Malvinas, cuja soberania é reclamada pela Argentina ao Reino Unido, atingiu o pico no início deste ano quando o governo britânico permitiu a exploração de petróleo na plataforma continental do arquipélago do Atlântico sul.

Os interesses economicos em jogo

Os cabos mostram a preocupação do governo dos Estados Unidos pelo eventual prejuízo que possam sofrer as empresas americanas envolvidas na exploração de petróleo do Reino Unido, como é o caso de Diamond Drilling..

Essas ações responderiam, segundo as comunicações diplomáticas, ao início de uma política mais rigorosa do governo argentino sobre países que interferem em sua soberania nas Malvinas.

O cabo afirma que a Argentina "tem tomado três níveis de ação: protesto formal junto ao Reino Unido; cartas de advertência a cada empresa relacionada com a operação (de petróleo), lembrando-lhes que é ilegal e podem estar sujeitos a sanções; e cartas aos governos associados a essas empresas com conteúdo semelhante", a este último os EUA se consideraram aludidos.

Outras comunicações diplomáticas alegaram que em 2009 a Argentina retomaria seus esforços para obter a soberania formal das Malvinas, mediante "uma nova reivindicação sobre a Antártida diante da Comissão das Nações Unidas sobre a plataforma continental".

A Argentina através de meios pacíficos

A presidente Cristina Fernandez disse, no início de março, que seguiria sempre a "linha de diplomacia" no pedido ao Reino Unido pela soberania sobre as Ilhas Malvinas, em meio a crescentes tensões que provocaram o início das atividades de exploração de petróleo no arquipélago, por parte de uma empresa britânica.

Outro incidente que levantou o conflito foi o exercício militar realizado pelo Reino Unido no início de outubro, ocasião em que o chanceler argentino Héctor Timerman disse que seu governo não iria cair em nenhuma provocação imperial, e reafirmou que seu país não iria se desviar "do que manda a lei, a diplomacia e a paz".

Essas ações foram rejeitadas por todos os governos progressistas na América do Sul, bem como pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul), pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pelos países do Mercado Comum do Sul (Mercosul).



XVIII. WIKILEAKS - América Latina
Honduras e Colômbia
 
11.12.2010 / Fonte: Natália Viana


Uma reportagem descreve o documento em que os americanos prevêem um ano dificil para Manoel Zelaya, então presidente de Honduras – exatamente no ano do golpe.

O embaixador americano em Tegucigalpa, Charles Ford, não sugere desestabilizar o governo de Zelaya, mas deixa claro que, na sua visão “Zelaya não tem amigos de verdade fora da sua família, jáque ele ridiculariza publicamente os seus aliados” e que “estrategicamente ele está sozinho”.

Leia a íntegra, em inglês, aqui.

Outra reportagem narra a crescente tensão entre o governo colombiano e os indígenas. Cada vez mais, as comunidades nativas estão sendo massacradas na guerra entre as Farc e o exército.

Em setembro deste ano, o Departamento de Estado americano certificou o congresso de que o exército colombiano estava respeitando os direito humanos (para justificar os populdos fundos destinado a ele). Porém, um telegrama da embaixada em Bogotá enviado em 12 de fevereiro de 2010 prova que Washington sabia que civis estavam sendo feridos por nconta de operações militares.

O telegrama (clique aqui) conta que no dia 30 de janeiro de 2001, um ataque aéreo feito pela força aérea colombiana perto do território indígena Embera – Katio atingiou e feroiu gravemente não un integrante da guerrilha, mas um casal com um bebê de 20 dias. Para ler a reportagem no original em inglês, clique aqui.



Leia o novo livro de Edu Montesanti: Mentiras e Crimes da "Guerra ao Terror" - E o Jornalismo Brasileiro Manchado de Sangue
Destaque da Bienal' 2012 / Recomendado pelo Observatório da Imprensa e pelo Correio do Brasil

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#Posté le jeudi 10 mars 2011 01:00

Modifié le jeudi 21 avril 2016 21:22

 
Golpe Militar no Chile: Crimes, Mentiras e Telegramas

Cumplicidade de Pinochet e americanos nas violações de direitos humanos no Chile,
expressa-se em telegramas cínicos e cheios de gentilezas; Pinochet sugeriu
ao embaixador canalizar recursos através do Brasil

Fonte: A Pública / 11.04.2013

Observação do Blog: Nestes telegramas que revelam apoio de funcionários do governo dos Estados Unidos ao golpe militar no Chile em 1973, e a Augusto Pinochet, ficam evidentes alguns pontos de suma importância: o embaixador norte-americano Nathaniel Davis, obviamente sob consentimento do presidente republicano Richard Nixon e de seu secretário de Estado, Henry Kissinger, conforme mencionados nas mensagens secretas, sustentam a mentira de que o novo governo militar chileno não feria os direitos humanos, mas era sido vítima de terrorismo por parte de militantes de esquerda. O governo republicano à época enfrentava oposição dos democratas para suas "ajudas" e intervenções em países que violavam direitos humanos, como era o caso do Chile.

Líder do Senado dos EUA, o democrata Ted Kennedy estava atento quanto a governos que violavam direitos humanos, o Chile de Pinochet mesmo fora condenado pela ONU já em 1977 por isso, e tentava barrar qualquer apoio militar de seu país neste sentido através da proposta da Emenda Kennedy, e das próprias leis pré-estipuladas pela Constituição norte-americana.

O embaixador Davis ainda afirma que plantará matérias na Imprensa a fim de exaltar uma "ajuda humanitária" dos EUA no Chile, demonstrando bastante segurança que conseguirá fazer isso unto à mídia - efetivamente conseguiu. Pinochet, a Embaixada dos EUA no Chile a Casa Branca ainda contaram para tal tarefa, com a cúpula da Igreja Católica, tanto chilena quanto norte-americana.

O que vemos nisso tudo, é que os factoides e as graves mentiras envolvendo toda a sabotagem dos altos escalões dos governos de Washington ao redor do mundo, assim como no caso dos golpes militares na América Latina, vão se alastrando como em "efeito dominó", etapa a etapa derrubando as peças do tabuleiro mundial sedentas pela verdade, muitas vezes: as distorções são passadas pelos embaixadores ao presidente da República e a seus secretários, vendendo uma imagem equivocada à maior parte dos congressistas.

Tais mentiras, vendidas pela grande mídia e sustentadas pela cúpula religiosa, em muitos casos íntimas desses altos escalões governamentais, sabem exatamente do que se trata a questão, repassando a versão oficial às sociedades mundiais. Vale ressaltar esta afirmação de Pinochet, apresentadas ao Congresso e à sociedade norte-americana, e a todo o mundo: "O governo do Chile é cristão que, diferente dos regimes comunistas, tem respeito autêntico pela pessoa humana".

Muitos ideologicamente "cegos", compram estas "verdades", os "debates" entre os cidadãos acabam sendo insolúveis enquanto partem de pontos totalmente diversos embora muitas vezes buscando o mesmo objetivo (democracia), uns referindo-se ao que é, outros à versão oficial e outros ao que deveria ser havendo, assim, uma intensa fragmentação social sem nunca se chegar a lugar nenhum.

Comparando tudo isso com telegramas secretos mais recentes liberados por WikiLeaks, fica claro que este mesmo jogo político e midiático sujo é praticado hoje. Outra revelação, à parte WikiLeaks e também exposta com tradução exclusiva aqui no Blog [Apresentação e treinamento de novos membros Illuminati / Estrutura e projetos da organização secreta (role a tela)], de líder recrutando novos adeptos de alta sociedade secreta com sede nos EUA, afirma que dividir ferozmente a sociedade é uma das principais táticas para que os donos do poder sigam exercendo sua dominação, baseados, é claro, na mentira e nas ideologias que lhes são impostas.

Mais recentemente, no caso do golpe no Paraguai que destituiu o presidente Fernando Lugo e na Venezuela, especialmente sobre os governos de Hugo Chávez e da eleição de seu sucessor, Nicolás Maduro, vê-se claramente esta mesma prática político-midiática. Ainda no caso do Chile sob ditadura militar, uma das mais sanguinárias que a história já conheceu, Pinochet agradeceu o apoio secreto dos EUA, baseado em mentiras do alto escalão da Casa Branca, e recompensou os norte-americanos com as ricas minas de cobre chilenas.



Ele liderou o bombardeio do Palácio de La Moneda por aviões da força aérea, derrubou o governo Allende e assumiu o poder no Chile durante 17 anos. Em 1977, quatro anos depois do golpe que levou o presidente eleito, Salvador Allende, ao suicídio, e instituiu a ditadura militar no Chile, seu governo foi condenado pela ONU pela crueldade – comprovada – exercida contra presos políticos. Foram 40.018 vítimas da ditadura militar – mortos, torturados e presos políticos – de acordo com a contabilidade oficial do governo do Chile, divulgada em 2011. Em 2012, quase seis anos após sua morte, uma investigação judicial no país determinou a abertura de seu testamento, revelando uma fortuna de US$ 26 milhões, dos quais somente US$ 2 milhões possuíam justificativa contábil.

Com essas credenciais, parecem no mínimo inadequados os adjetivos escolhidos pelo embaixador americano no Chile, Nathaniel Davis, para descrever o comportamento de Augusto Pinochet em telegrama secreto enviado em 12 de outubro de 1973, um mês depois do golpe, quando dois jornalistas americanos – Frank Teruggi, 24 anos, e Charles Horman, 31 anos, estavam oficialmente “desaparecidos”.

“Pinochet foi gracioso e eloquente ao expressar seu desapontamento com minha transferência”, descreveu Davis, que deixou o comando da embaixada três semanas depois e foi definitivamente substituído em fevereiro de 1974, referindo-se a uma reunião marcada a pedido do então chefe da Junta Militar no poder, que queria “um momento de tranquilidade para conversar” com o embaixador.

“Ele disse que o Chile precisava enormemente de nossa ajuda, tanto econômica quanto militar, acrescentando que se o governo da Junta fracassar, a tragédia do Chile será permanente”, escreve Davis.“Aproveitei para lhe falar sobre nossos problemas políticos no momento: o debate sobre a Emenda Kennedy, e o problema de direitos humanos levantado pelos casos Teruggi e Horman”.

Ele prossegue justificando mais um pedido de ajuda militar do ditador: “Pinochet argumentou que o governo chileno compartilha de nossas preocupações com os direitos humanos e que está fazendo o melhor possível para prevenir violações, acrescentando que não é fácil porque os extremistas de esquerda continuam a atacar oficiais e soldados e praticar atos de sabotagem. Os extremistas ainda têm metade de seu arsenal, disse Pinochet, e as fábricas de bazucas e outras armas ilícitas continuam clandestinas. Se o exército deixasse o problema escapar de controle, o resultado seria um banho de sangue bem maior do que o atual”.

À luz do que se sabe hoje, o relato de Davis pode ser classificado de francamente cínico e mentiroso – e com a cumplicidade do destinatário. Não há registro da resposta de Kissinger ao telegrama de Davis. Mas a referida Emenda Kennedy tinha sido proposta pelo senador democrata Ted Kennedy, que se opunha ao governo Nixon e a seu secretário de Estado, Henry Kissinger, a quem se destinava o telegrama do embaixador. Aprovada no ano seguinte, essa emenda proibia a venda de armas e/ou ajuda militar americana a governos com denúncias de violação dos direitos humanos, e foi evocada diversas vezes pelos senadores americanos para suspender o suprimento militar ao Chile, embora o secretário de Estado, Henry Kissinger, defendesse que apoio militar e direitos humanos eram “assuntos diferentes”.

Desde 1975, com a conclusão do Church Report, o relatório do senador americano Frank Church, a participação ativa dos Estados Unidos no golpe do Chile era conhecida. Quanto aos casos dos jornalistas desaparecidos dias depois da derrubada de Allende, a explicação é mais complexa – e bem mais comprometedora para o embaixador, principalmente depois que o caso Horman se tornou mundialmente conhecido através do filme “Desaparecido” (“Missing”) de Costa Gravas, lançado em 1982.

Nele, o cineasta retrata a busca desesperada do pai e da mulher de Horman e as fortes suspeitas de envolvimento da embaixada americana no desaparecimento do jornalista logo depois do golpe militar no Chile. O autor dos telegramas publicados aqui, o embaixador Nathaniel Davis, vestiu a carapuça e entrou com um processo de 150 milhões de dólares contra Costa Gravas. O filme foi proibido de ser exibido durante a disputa judicial, que terminou com a vitória do cineasta. O capitão americano Ray E. Davis, adido militar da embaixada, foi acusado de cumplicidade no assassinato de Horman e teve sua extradição dos Estados Unidos pedida em dezembro de 2011 por um juiz chileno durante investigação sobre os crimes da ditadura.

Embaixada Oculta Assassinatos dos Jornalistas

Dois meses antes do golpe, com a ajuda do jovem Teruggi, o jornalista investigativo Charles Horman havia publicado no jornal alternativo FIN uma história sobre o envolvimento da CIA na desestabilização do governo Allende. Casualmente acabou descobrindo mais detalhes em uma viagem de turismo realizada a pedido de uma amiga americana, na véspera do golpe, ao litoral chileno, onde estavam as forças de apoio da Marinha. Horman e a amiga ficaram retidos em Viña Del Mar – as estradas haviam sido bloqueadas pelos golpistas -, e voltaram à capital chilena no dia 15 de setembro de 1973, de carona com o chefe da missão militar americana, o capitão Ray E. Davis, que lhes relatou milhares de prisões e centenas de mortes na Santiago pós-golpe.

Dois dias depois, Charles Horman foi preso dentro de sua casa, na frente de sua mulher – e nunca mais foi visto vivo. Documentos liberados a partir de 1999 pelo governo americano incriminaram o capitão Davis e apontaram a cumplicidade da embaixada dos Estados Unidos em Santiago na ocultação do crime. No dia 9 de outubro, três dias antes do cínico telegrama de Davis – que sabia do real destino dos jornalistas – a Embaixada publicou um anúncio do desaparecimento de Horman, por pressão de seu pai, que só deixou Santiago depois que o corpo do filho e de Teruggi foram “encontrados” nas ruas de Santiago com marcas de execução, dia 18 de outubro de 1973.

No dia anterior, Edmund Horman, pai do jornalista, havia visitado a Fundação Ford em Santiago, e ouvido de um consultor de programas da fundação que uma fonte confiável lhe havia dito que seu filho fora executado no Estádio Nacional, o centro de interrogatórios, torturas e execuções do governo chileno.

Só então o governo americano – que chegou a declarar que os jornalistas haviam retornado aos Estados Unidos – reconheceu a morte e emitiu a certidão de óbito de Charles Horman, cuja autópsia, assinada por um médico do necrotério do Chile, coloca como causa da morte “múltiplos ferimentos de bala”. O corpo de Teruggi, preso quatro ou cinco dias depois de Harmon, foi encontrado no mesmo dia, nas mesmas condições.

Embaixador Se Entende com Pinochet: Canalizando Recursos pelo Brasil

No mesmo 18 de outubro de 1973, dia em que o governo americano finalmente reconheceu o assassinato do jornalista, o embaixador Davis enviou um telegrama ao Departamento de Estado de Kissinger, com o seguinte sumário no alto da página:

Convoquei o presidente da Junta, Pinochet, dia 17 de outubro. A conversa revelou a preocupação com o governo do Chile com sua imagem nos Estados Unidos. E sensibilidade para a necessidade de cautela para ambos os governos, americano e chileno, em relação ao estreitamento excessivo da identificação pública [entre os dois governos] (...). O presidente do PDC [Partido Democrata Cristão] Aylwin e o Cardeal Silva planejam visitar os Estados Unidos para tentar ajudar no problema da imagem pública do Chile.

No corpo do longo telegrama secreto enviado a Kissinger, o embaixador – que não diz uma palavra sobre o reconhecimento da morte de Horman que se deu naquele mesmo dia – muda de tom. Explica que seguiu a “rotina diplomática, pedindo o encontro protocolarmente há duas semanas” e que na mesma tarde, Pinochet, que estava “relaxado e amigável”, também recebeu “outros embaixadores”.

Ao tratar da questão econômica no Chile e da cooperação financeira dos EUA, o embaixador conta que Pinochet falou rapidamente com o ministro de Relações Exteriores chileno, Ismael Huerta Díaz, em visita aos Estados Unidos, e que ficou com a impressão que o resultado da viagem seria positivo. “Ele sorriu e disse que entende que nós gostaríamos de ser prestativos, mas em alguns casos a ajuda deveria canalizada em breve através do Brasil ou de terceiros”, acrescentou o embaixador.

De fato, como revelaram os jornalistas Rubens Valente e João Carlos Magalhães, do diário Folha de S. Paulo em novembro daquele ano, o Brasil governado pelo general Emilio Médici liberou US$ 50 milhões ao Banco Central chileno para estimular exportações do Chile. O Brasil também abriu linhas de financiamento na Carteira de Crédito para Exportação do Banco do Brasil para empresários brasileiros interessados em vender para o Chile e em adquirir cobre das jazidas chilenas.

Na conversa com Pinochet, o embaixador Davis prosseguiu: “Mencionando o fato que o governo americano tinha levado uma quantidade considerável de suprimentos médicos para o Chile, eu disse que seria útil divulgar essa ajuda em uma materinha na imprensa. E acrescentei que ficaríamos felizes em seguir qualquer preferência ou orientação de Pinochet a esse respeito. Disse que achava que seria útil naquele momento exibir nosso interesse e apoio no campo humanitário. Pinochet disse que achava uma boa ideia. Seu comentário foi que a publicidade deveria se restringir a coisas humanitárias, e que deveríamos ficar bem quietos a respeito de nossa cooperação em outros campos”. Entre parênteses, o embaixador acrescentou: “Comentário: Tanto em relação à canalização da ajuda através de outro país como sobre a publicidade, Pinochet está mostrando uma compreensão considerável e, ao menos, um pouco de sensibilidade aos problemas que nossos países enfrentam”.

Ainda sobre o assunto, o embaixador relata:

Pinochet me disse que o Cardeal Silva lhe prometeu tentar ajudar no problema da imagem do Chile no exterior. Pinochet acha que, talvez, o cardeal possa viajar para Washington para falar com o senador Kennedy, com outros políticos e religiosos dentro de uma ou duas semanas. Comentei que o cardeal era muito respeitado como liderança progressista na Igreja, e teria uma influência considerável.


Novamente entre parênteses, o embaixador comenta que o presidente do PDC tinha ligado para ele na manhã daquele dia, também pensando em viajar ao exterior:

Aylwin espera convencer Kennedy e outros líderes democratas de que o Chile precisa da ajuda econômica americana, porque uma rápida recuperação do país permitiria que ele voltasse à democracia institucional. Mas expressou alguns escrúpulos morais em envolver seu partido profundamente na Junta, principalmente porque teme que a Lei de Fuga esteja sendo usada para eliminar oponentes extremistas.

Vitória de Pinochet e Seus Aliados no Governo Americano

Um telegrama de 3 de abril de 1974, às vésperas de Pinochet ser nomeado definitivamente presidente da República pela Junta Militar, mostra que a estratégia de Davis – a essa altura substituído por David Popper à frente da Embaixada – e o general foi bem sucedida. Em uma reunião cordial de 40 minutos com o secretário americano do Tesouro, George Schultz, Pinochet agradece a “ajuda indireta” dos EUA, “sem especificar o tipo”, ressalta o embaixador que aproveita para transmitir os cumprimentos do presidente Nixon, ao que Pinochet agradece, “referindo-se calorasamente à carta que a sra. Nixon lhe entregou em Brasília”.

Pinochet também promete compensar financeiramente os Estados Unidos através das minas de cobre, e quando questionado por Schultz sobre direitos humanos, responde, segundo Popper que “depois dos acontecimentos de setembro de 1973 [golpe militar], não havia outra maneira de impedir a infiltração da esquerda”, mas que “a autoridade de seu governo sempre seria exercida dentro dos limites de respeito pelo indivíduo, como ser humano”.

Como prova da liberdade no Chile, dá o seguinte exemplo:

Como o secretário podia ver, se a situação retratada por líderes da oposição chilena no exterior perdurasse,
não haveria crianças chilenas nas ruas nem mulheres dirigindo carros”. E “enfatizou a importância que
representou para todo o hemisfério livrar o Chile do atraso comunista.

Em outro momento, Pinochet diz a Popper: "O governo do Chile é cristão o qual, diferentemente dos regimes comunistas, tem respeito autêntico pela pessoa humana”. Reconhecendo que “incidentes isolados de abusos ainda ocorrem porque as pessoas 'não são perfeitas'”, o ditador adverte que os que denunciam as violações de direitos humanos “não são anjos”, e que teriam seus próprios motivos para fazer tais denúncias.

Passado quase um ano do encontro com o Secretário, em janeiro de 1975, quando o Senado americano cobrava investigação dos crimes contra dos direitos humanos cometidos no Chile e a participação americana nos delitos, Pinochet concluiria uma conversa por telefone com o embaixador Popper, falando sobre “amizade”:

Um dia os Estados Unidos entenderão que o Chile é um verdadeiro amigo – provavelmente o melhor – e talvez o
único verdadeiro amigo no hemisfério. Em nosso caso, isso sempre foi verdade, e agora é muito tarde para mudar.


Equador Acusa Embaixadora dos EUA de Espionagem e A Expulsa do País

8.4.2011 / Fonte: Correio do Brasil

Observação do Blog: Os norteamericanos, que justificam suas históricas empreitadas invasivas em "levar democracia à América Latina e ao mundo", não só não denunciaram corrupção na Polícia equatoriana ao governo local, como ainda a usaram para exercer espionagem dentro do país. Por que no Brasil não se segue o exemplo equatoriano e venezuelano, e não se trata como merecem espiões (como, aliás, trata-se quem faz isso dentro dos próprios Estados Unidos, e muitas vezes até de maneira mais grave)? Simples: porque aqui, diferentemente de Equador, Venezuela, Bolívia e Argentina, as cúpulas dos partidos dominantes (PT, PSDB e DEM) têm colaborado com a espionagem norteamericana, conforme temos lido nos documentos revelados por WikiLeaks. Se se repetir a dose da expulsão por tal atividade no Brasil, terão que ir junto ao exílio Lula, seus ministros e os líderes dos outros mencionados partidos. Quem sabe um dia? Nunca é demais sonhar...


O presidente do Equador, Rafael Correa, acusou nesta sexta-feira a Embaixada dos Estados Unidos de espionar a polícia e as Forças Armadas equatorianas, acrescentando que a espionagem foi um dos fatores para a expulsão da embaixadora norte-americana esta semana. Na terça-feira, o Equador disse à diplomata Heather Hodges que deixasse o país andino devido a despachos diplomáticos dela relatando suposta corrupção policial divulgados pelo WikiLeaks.

– A gravidade é que WikiLeaks disse que eles (a embaixada dos EUA) têm informantes na polícia e nas Forças Armadas... Isso é espionagem – disse Correa em entrevista a uma rádio, acrescentando que a embaixada tinha o dever de informar o governo dele caso tivesse evidência de um crime, mas não o fez.

Correa é aliado dos governos socialistas da Venezuela e da Bolívia, que também expulsaram os embaixadores dos EUA de seus países em 2008. Classificando a expulsão de “injustificada”, Washington expulsou o enviado equatoriano ao país e cancelou uma série de reuniões comerciais em uma ação de represália. O governo equatoriano disse que os despachos assinados pelo escritório de Hodges sugeriam que os principais comandantes da polícia equatoriana tinham conhecimento sobre práticas de corrupção na organização e que um funcionário da embaixada norte-americana acreditava que o gabinete de Correa também sabia.

Correa reconheceu que há corrupção na polícia e disse que seu governo está se esforçando para acabar com ela.

– A gravidade é que, se eles têm informações de dentro da polícia, em vez de informar o governo...eles não falam nada e tentam envolver o presidente do país – disse ele.

O ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patino, disse na quarta-feira que a decisão de expulsar Hodges foi tomada para defender a honra de Correa, mesmo que os laços comerciais com os EUA sejam abalados. Os EUA são o maior parceiro comercial do Equador. O país, que é membro da Opep, enviou cerca de 35% de suas exportações aos EUA em 2010.


WikiLeaks e "A Guerra Midiática dos EUA" na América do Sul

Telegramas mostram luta pela opinião pública
Entre Telesur e Voz da América

26.3.2011 / Fonte: Al-Jazeera

Tradução de Edu Montesanti

Observação do Blog: As guerras civis e étnicas no Oriente Médio, Ásia e África são resultado dos almejos imperalistas, sobretudo à época da Guerra Fria, a qual acabou mas seguem fortemente, ainda hoje, suas graves consequências - sem que os culpados façam nada para reparar o que suas "civilizações" criaram. Uma dessas consequências é o ressentimento contra ideais e práticas governamentais progressistas na América Latina, conforme revela mais esta guerra, desta vez midiática da única superpotência mundial intolerante das megamortes sistemáticas. A Guerra Fria acabou, mas não os desejos de expansão corrupta e coercitiva dos EUA que, desde o desmoronamento da ex-União Soviética em 1991, buscam desesperadamente inimigos em todas as partes a fim de justificar suas ações, o crescimento de sua indústria bélica e seu domínio global: Guerra ao Terror, Guerra às Drogas, e agora Guerra Midiática. Aos que ingenuamente acreditavam que elas haviam acabado, a espionagem e a opressão imperialistas não implodiram junto com o Muro de Berlim em 1989, nem com a dissolvição da União Soviética dois anos depois. Nem sua peculiar arrogância desmanchou-se no ar, de lá para cá. E com a atual crise econômica que já se estende por anos, toda essa agressividade só tende a aumentar.
A partir de nossos relatos de traumáticas experiências pessoais e profissionais com norteamericanos em solo brasileiro, tanto na seção No Pique da Vida quanto em Terrorismo - Trabalho neste Blog, somados a tudo que WikiLeaks vêm revelando, temos uma ideia - claro que não dará em nada, não ainda, mas nunca é demais sonhar: que tal uma campanha "Fora, Norteamericanos do Brasil"? Boa ideia, você não acha?
Do Golpe de 64 no Brasil à vídeochacota apresentada pelo pastor norteamericano Fawcett a Edu Montesanti dentro da sala pastoral em São Paulo no ano de 2008, gargalhando dos erros de português do presidente Lula (muitos causados por sua língua meio presa), os norteamericanos já mostraram a que vieram, não nos interessam mais (depois de WikiLeaks, está mais que provado para quem ainda tinha alguma dúvida), além do que eles já têm crises demais - não só a financeira tão profunda, como também são os maiores consumidores de narcóticos e maiores poluidores ambientais do mundo. Assim, eles prestarão um grande favor, antes de tudo a si mesmos, cuidando da vida deles lá na América. Já basta de norteamericano dando ordens no Brasil e na América Latina, você não acha?



Em um esforço para desviar e combater regimes de esquerda na América Latina durante a Guerra Fria, Washington deu grande importância política a seus esforços de propaganda.

De Cuba ao Chile, os EUA tentaram promover meios de comunicação amigáveis, enquanto cultivaram, ao mesmo tempo, apoio de jornalistas de direita

Em última instância, os esforços de propaganda, conforme provado, são não só economicamente destrutivos como também politicamente autoderrotantes, enquanto Washington antagonizou a esquerda latina deixando uma herança de ressentimento para os próximos anos.

À luz da experiência da Guerra Fria, que se poderia esperar que Washington aprendesse com os erros, ainda em 2006 a Voz da América iniciou transmissões em relação à esquerda na Venezuela.

Fundada originalmente em 1942, a Voz da América é supervisionada pela Broadcasting Board of Governors (BBG), empresa quase independente sob incumbência da "diplomacia pública" dos EUA que, por sua vez, transmite programas de rádio e televisão para vários países, tais como Cuba.

'Guerra Midiática"

Recentes cabos diplomáticos divulgados pela equipe de denúncias WikiLeaks, revelam grandes atividades de Washington no que diz respeito à guerra midiática na América Latina.

Apesar de Cuba ter sido, anteriormente, ponto central dos esforços de propaganda dos EUA, mais recentemente tal centro é Hugo Chávez, presidente da Venezuela, que fez soar o alarme no Departamento de Estado norteamericano.

Em um cabo de 2007 divulgado sítio argentino Página/12, diplomatas dos EUA falam abertamente sobre a necessidade de se combater iniciativas da mídia lançadas pelo líder esquerdista "agitador" da Venezuela.

Conforme discuti amplamente em meu livro mais recente, Chávez tem feito muito a fim de desenvolver meios de comunicação patrocinados pelos Estado da América do Sul, um esforço para neutralizar a tradicional mídia conservadora ligada aos EUA.

Depois que as forças midiáticas de extrema-direita aliadas ao governo Bush e à direita venezuelana não conseguiram destituir Chávez em um golpe em 2002, Caracas reforçou sua guerra de informação, em primeiro lugar desenvolvendo a mídia nacional, posteriormente aniquilando o crescimento daquelas mais inovadoras da América do Sul.

Apesar de diplomatas dos EUA manifestarem preocupação em relação à mídia de esquerda em geral, era a Telesur que mais aguçava a "ira" dos norteamericanos.

Uma rede de notícias via satélite patrocinada pela Venezuela e seus aliados esquerdistas, tais como Argentina, Uruguai, Cuba e Bolívia, a Telesur foi "a principal fonte de transmissão de propaganda anti-EUA", reportando principalmente documentários sobre a intromissão da CIA na América Latina.

Autoridades dos EUA escreveram que continuariam recomendando medidas diferentes para neutralizar Chávez, que representam ameaça aos interesses norteamericanos.

Voz da América

Em Washington, diplomatas declararam: "Não podemos esperar que os líderes da região se reúnam em nossa defesa, e precisamos ser mais proativos em defender e implementar nossa clara estratégia para a região".

Como se vê, os funcionários do Departamento de Estado não foram os únicos a ficar preocupados com o crescimento da mídia pró-Chávez.

No Capitólio, o deputado republicano Connie Mack da Flórida criou uma emenda, o Projeto de Fundos Exteriores do Departamento de Estado, a fim de expandir a radiodifusão na Venezuela.

Mais cedo, Mack havia soado o alarme após a Telesur ter celebrado um acordo de parceria de notícias com a Al Jazeera. A medida, Mack acusou, certamente serviria para criar "uma rede global de televisão para terroristas".

A proposta de Mack, aprovada pela Câmara, incluiu um pedido para fornecer à BBG recursos adicionais para estender o alcance da entidade de radiodifusão, chegando até a Voz da América.

Quando ficou sabendo da medida de Hugo Chávez, não muito satisfeito como era de se esperar, ressaltou que a proposta era "uma absurda idéia imperialista".

Felizmente, porém, as tensões se acalmaram um pouco após a era Bush, já que Washington adotou uma agenda um pouco menos agressiiva para a América Latina.

É incerto, contudo, se a administração Obama continuará dando grande importância aos esforços de sua propaganda secreta.

Felizmente, WikiLeaks continuará divulgando seus cabos sobre esses assuntos, vitais para que o público possa formar opinião mais clara sobre a verdade das prioridades políticas da Casa Branca e de Obama para a região.

Golpe Militar em Honduras

Seria providencial, por exemplo, ter-se acesso a mais cabos WikiLeaks referentes ao Golpe de Estado em Honduras em 2009, e ao papel da mídia.

O golpe militar de direita, que derrubou o presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya, configurou-se prematura mancha histórica de Obama em política externa.

Dissidente que desafiou Washington, Zelaya era aliado-chave de Chávez na América Central, e faz-se desnecessário dizer que a secretária de Estado, Hillary Clinton, foi impetuosa na destituição do presidente hondurenho.

O que é menos sabido, porém, é que a Telesur desempenhou papel fundamental na cobertura do golpe, mesmo durante os piores dias do autoritarismo militar.

Em determinado momento, a rede ainda transmitiu uma entrevista ao vivo com o presidente Zelaya, enquanto o líder deposto saía de Tegucigalpa em um jato.

A Telesur investiu vários recursos para sua cobertura em Honduras e, por vezes durante a primeira semana do golpe, a rede sul-americana foi o único canal com transmissão ao vivo da capital hondurenha.

Nada louvável, o exército hondurenho cortou as emissões locais da Telesur, enquanto os soldados prendíam jornalistas da rede em Tegucigalpa.

Qual foi a postura da administração de Obama sobre política da mídia em torno do golpe de Honduras? Washington estava preocupada com a crescente importância da Telesur em toda a região?

Sem uma visão mais clara dos cabos WikiLeaks, é difícil dizer se os acontecimentos recentes sugerem que podem estar objetivando diretamente um futuro: recentemente, o presidente da BBG, Walter Isaacson, comentou que os EUA não podiam se permitir estar "fora da comunicação" por parte de inimigos, como a Telesur.

Dois anos atrás, o recém-empossado Obama falou da necessidade de uma parceria igualitária entre os EUA e a América Latina durante a Cúpula das Américas, em Trinidad.

No entanto, quando funcionários como Isaacson fizeram declarações antiquadas e inflamatórias que remontam à Guerra Fria, tais sublimes objetivos estão seriamente comprometidos.

Em última análise, os EUA terão que rodar a catraca para trás em relação à sua máquina de propaganda de longa-data, se quiserem aliviar as tensões regionais e melhorar as relações com os gostos de Chávez.


WikiLeaks: Documentos Acusam Corrupção Generalizada em Cuba

Novos dados afirmam que práticas irregulares seriam recorrentes
na polícia e em vários setores da atividade econômica cubana

23.1.2011 / Fonte: ÚltimoSegundo.Ig.com.br


A corrupção em Cuba transformou-se em um problema generalizado, que atinge tanto a cúpula do Partido Comunista como profissionais de fora da política, de acordo com documentos do Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana, divulgados pelo Wikileaks.

Os novos dados revelados dão conta de que as práticas corruptas "reinam" em um regime empobrecido, informou o jornal El País. Segundo os documentos, "essas práticas incluem suborno, desvio de recursos públicos e fraudes contábeis".

As mensagens do escritório americano ressaltam que o roubo e a corrupção atingiriam a polícia, os setores turístico, transporte, de construção e distribuição de alimentos. Segundo os papéis do Wikileaks, as autoridades cubanas toleram as corrupções até certo ponto, mas podem atuar com contundência e severidade quando os desvios de dinheiro são muito grandes, daí as constantes destituições de ministros e altos cargos da Administração.

Em outras mensagens reveladas pelo Wikileaks, os diplomatas americanos se referem também à situação da Igreja Católica cubana, da qual chegam a dizer que renunciou ao ativismo político na ilha em troca de conservar seu espaço. "Desde o cardeal Jaime Ortega até as freiras das províncias, a Igreja Católica evita desafiar o governo", assinalou o chefe do Escritório de Interesses dos EUA em Havana em 2008, Jonathan Farrar.

Segundo essas fontes, "o medo de despertar a ira do governo reduz os programas da Igreja a trabalhos muito limitados, como o cuidado de doentes mentais". A conclusão dos diplomatas americanos de suas conversas com membros da Igreja Católica da ilha é que a organização religiosa não desafiará o regime e "prefere interceder perante as autoridades em segredo".


EUA Supervisionando Relação do Irã com a América Latina, Segundo WikiLeaks

1.12.2010 / Fonte: Telesur

Tradução de Edu Montesanti


EUA vigiava as relações diplomáticas do Irã com a América Latina, supondo que aquele país estava à procura de urânio na região, como pode ser lido em vários cabos diplomáticos secretos de Washington, revelou nesta quarta-feira o WikiLeaks.

Os contatos entre as embaixadas dos EUA na América do Sul e o Departamento de Estado, mostram que Washington reviu cuidadosamente as relações do Irã com Venezuela, Bolívia e Brasil, afirmando que Teerã está buscando o "yellow cake", termo usado nos cabos para descrever o óxido de urânio concentrado.

Várias cartas diplomáticas afirmam que a embaixada dos EUA em Caracas monitorou um total de 57 técnicos iranianos que, supostamentem têm trabalhado em agências relacionadas à mineração e geologia na Venezuela, entre 2004 e início de 2010.

Os governos da Venezuela e da Bolívia reforçaram suas relações bilaterais com o Irã em uma agenda de alto nível de cooperação, desde outubro de 2004. Empresas iranianas assessoram Venezuela e Bolívia em várias áreas como agricultura, habitação, finanças, petróleo e energia atômica para fins pacíficos.

Os documentos divulgados também se referem aos comentários do ministro israelense de Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, durante uma visita ao Peru em 2009, quando disse que a missão diplomática iraniana em La Paz é uma "tamanho imensurável" e, portanto, pressupõe que se deve à procura de urânio no país andino.

Os telegramas revelam que as embaixadas dos EUA estão acompanhando de perto a presença de urânio em qualquer país da região, seja natural ou processado.

Exemplo disso é a atenção dos diplomatas dos EUA sobre um acordo de uma empresa canadense, maior produtora de urânio do mundo - para aumentar sua produção no Peru, um país tradicionalmente aliado de Washington.

 
WikiLeaks: El Salvador também na Mira dos EUA

29.11.2010 / Fonte: Telesur

Tradução de Edu Montesanti


O banco de dados WikiLeaks evidenciou a atenção da diplomacia dos EUA em El Salvador, segundo investigação publicada hoje pelo jornal El Mundo.

A embaixada dos EUA aqui, emitiu ao Departamento de Estado 119 mil de mensagens entre 1966 e 26 de fevereiro deste ano, afirmou o jornal em sua investigação em sítios da Internet autorizados por essa organização.

Ele observa que, embora até o momento os sítios não publiquem o conteúdo dos despachos diplomáticos, muitos dos quais são considerados altamente secretos, revelam os problemas a que se referem, aponta o jornal..

Informa que a maioria das mensagens são dos últimos quatro anos e que 47 levam a sigla FMLN, que correspondem à Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional.

Outras 40 se referem à Arena, sigla da direitista Aliança Republicana Nacionalista que governou o país por 20 anos, até sua derrota nas eleições de 15 de marco de 2009, para a FMLN.

Outras 30 têm como tema a Funes e, e, igual quantidade, a Saca, que o jornal presume se referir ao presidente Mauricio Funes e ao ez-mandatário Antonio Saca (2004-2009).

O Mundo é o primeiro órgão da mídia que dedica espaço para os dados divulgados pela WikiLeaks sobre El Salvador, assunto que as autoridades não tocam.


Presidente Equatoriano Considera que EUA Violou Confiança de Aliados com Ordens de Espionagem

1.12.2010 / Fonte: Telesur

Tradução de Edu Montesanti


O presidente do Equador, Rafael Correa, considerou que os EUA cometeram um erro ao pedir espionagem aos líderes de seus países aliados, pois com essas ações violaram a confiança dessas nações.

Essa consideração foi feita por Correa na terça-feira, referindo-se aos documentos do Departamento de Estado norteamericano, recentemente vazado por Wikileaks.

"Os EUA quebraram a confiança dos países aliados, seus países amigos com esse tipo de espionagem", disse Correa durante pronunciamentos à mídia, na cidade equatoriana de Guayaquil (oeste).

Além disso, o chefe de Estado equatoriano criticou que, com a divulgação desses documentos, tenha-se violado da lei dos EUA, dizendo que "cada Estado tem a informação confidencial".

No entanto, ele observou que é preciso saber a época em que se realizou a espionagem dos Estados Unidos, no qual ele disse que seria "muito grave se fosse na época do Presidente Barack Obama e da secretária de Estado, Hillary Clinton".

Wikileaks vazou no domingo mais de 250 mil documentos enviados pela embaixada do Departamento de Estado, que expõem os segredos da diplomacia EUA, que inclui ações de espionagem e manipulações ocultas e corrupção, além de críticas aos líderes mundiais.

Correa disse que pediu ao Ministério da Inteligência do Equador, um relatório sobre os documentos vazados por Wikileaks relacionativos ao Equador, e a assuntos referentes a outros países latinoamericanos.

"Eu pedi um relatório à Secretaria Nacional de Inteligência que sistematize correios eletrònicos que têm a ver com o Equador, e outros casos de nosso interesse, como o golpe de Estado de Honduras", disse ele.

Analistas internacionais dos EUA, como James Petras, consideram necessário investigar se os documentos que vazaram por WikiLeaks tenham sido selecionados para beneficiar alguns países e prejudicar a outros.

Em entrevista à Telesur, Petras perguntou por que WikiLeaks não esclarece práticas de inteligência dos EUA para assassinar.

"Pelo menos, até agora, Wikileaks não está apresentado mais cabos que revelam práticas norteamericanas, por exemplo práticas de israelenses assassinos que colaboram com a CIA (Agência Central de Inteligência)", disse Petras à Telesur.


Esforços dos EUA para Minar Chávez

9.12.2010 / Fonte: WikiLeaks.ch


No dia 15 de junho de 2007 (Link) o embaixador americano no Chile, Craig Kelly, escreveu uma lista secreta de estratégias para minar o poder político do presidente venezuelano Hugo Chavez no continente.

"Conheça o inimigo: nós temos que entender melhor como Chavez pensa e o que ele pretende; —Engajamento direto: temos que reforçar nossa presença na região e nos aproximar fortemente, em especial com as "não-elites"; —Mudar o cenário político: Devemos oferecer uma mensagem de esperança e apoiá-la com projetos financiados adequadamente; —Aumentar as relações militares: Nós devemos continuar a fortalecer os laços com esses líderes militares na região que compartilham as nossas preocupações sobre Chavez", resumiu.

Kelly propõe ainda reforçar as operações de inteligência na America Latina para entender melhor os objetivos de Chavez a longo prazo, e pressionar os vizinhos a se voltarem contra ele, por exemplo, excluindo a Venezuela de acordos de livre comércio.

Kelly, que acabou de se aposentar como o número dois para temas do hemisfério ocidental no Departamento do Estado, reconheceu no seu telegrama que “Chavez conseguiu muitos avanços, em especial para as populações locais, ao fornecer programas para os desprivilegiados”.

Mas também disse que o venezuelano tem uma visão “distorcida” e que "a boca de Chavez frequentemente se abre antes que o seu cérebro esteja funcionando". Kelly recommenda a Washington simplesmente dizer “ a verdade” sobre Chavez e "a sua visão estreita, suas promessas vazias, suas relações internacionais perigosas, começando pelo Irã”.

Mesmo assim, o documento alerta que Chavez tem que ser levado a sério. “Seria um erro considerar Chavez apenas um palhaço ou um caudilho. Ele tem uma visão, mesmo que deturpada, e está tomando medidas calculadas para conseguir”.

Para ele, países pobres como o Uruguai não conseguem resistir às ofertas de ajuda do Venezuelano. A Argentina, depois da crise, também teria sido vítima dos “petrobolívares” de Chavez.

Passo a passo

Para reduzir a sua influência nos temas regionais, Kelly propõe que o Brasil e o Chile sejam estudados como “países que têm governos esquerdistas mas são democráticos e responsáveis na política fiscal”. Também sugere que os EUA ameacem reduzir o comércio como os países sulamericanos se a Venezuela conseguir ingressar no Mercosul.

O telegrama mostra como a diplomacia americana propõe desestabilizar o poder de Chavez internamente. Kelly recomenda usar “a diplomacia pública” para vencer o que seria uma “batalha de idéias e visões”. Além disso, diz ele, vale explorar o medo de lideres anti-chavistas e formadores de opinião que “apreciam a importância da relação com os EUA”

Visitas do alto escalão americano, como a de Bush em março de 2007, também podem ajudar o país a se aproximar das populações dos países hostis aos EUA. "Mostrar nossa bandeira e explicar diretamente para as populações nossa visão de democracia e progresso pode mudar a visão sobre os EUA".

Usando os militares

Outro dado interessante é que Kelly recomenda aumentar o financiamento para programas de parceria militar como o Military Education and Training (IMET) e Commander Activities (TCA).

Para ele, os militares latinoamericanos ainda são vistos como aliados, por causa da sua admiração ao poderio militar dos EUA.

“Os militares do cone sul continuam sendo instituições-chave nos seus respectivos países, e aliados importantes para os EUA. Esses militares geralmente são organizados e tecnicamente competentes. O seu desejo de manter a interoperabilidade e o acesso à tecnologia e treinamento americanos são algo que podemos usar em nosso favor”, diz o documento.

Ele também recomenda o corte de financiamento de outros programas, o que estaria sendo usaodo como uma retaliação à recusa dos países de assinar o Artigo 98, um contrato que impede cidadãos americanos de serem extraditado à Corte Penal Internacional se estiverem nesses países.


Efeito WikiLeaks: Embaixadora dos EUA no Paraguai Não Perde Tempo, e Reúne-Se com Blogueiros Locais

Tem circulado no Facebook, através da página da Embaixada dos EUA no Paraguai,
notícia deste encontro, do qual os paraguaios não têm notado o que realmente está por trás

Nota publicada por Edu Montesanti no Facebook, originalmente em espanhol

25.3.2011

(Creo que la embajadora debería reunirse con los blogueros paraguayos para explicar, a lo mejor disculparse por la injerencia en el país recién expuesta por WikiLeaks. Comentário publicado por Edu Montesanti na página no Facebook da Embaixada dos EUA no Paraguai)


O jornalismo investigativo de WikiLeaks expôs ao mundo o caráter espião e autoritário das embaixadas norte-americanas em todo o mundo (o que não é nenhuma novidade), através de telegramas secretos aos quais o sítio teve acesso. Tais telegramas têm sido reproduzidos e traduzidos para diversos idiomas, especialmente por blogueiros espalhados pelo mundo.

O responsável por WikiLeaks, o australiano Julian Assange, tem sido procurado pela Interpol por publicar essas mensagens secretas dos embaixadores dos Estados Unidos quem, segundo os telegramas, buscam expandir o domínio global norteamericano corrompendo governos locais.

O Paraguai foi um dos países que mais sofreram com a ditadura militar patrocinada pelos Estados Unidos, nos 35 negros e cruéis anos do general Alfredo Stroessner (1954 - 1989), e o país ainda hoje sofre, como todos os outros latino-americanos, com o imperialismo da única superpotência mundial (WikiLeaks também desnudou tal fato, para aqueles que ainda tinham alguma dúvida disso).

Pois a embixadora norteamericana no Paraguai, Liliana Ayalde, reuniu-se segunda-feira passada, 21 de março, com blogueiros paraguaios em tese para conhecer melhor o trabalho deles, discutir a importância dos blogs na sociedade e a importância da aproximação deles com os governos.

Mas trata-se, evidentemente, de mais um jogo de marketing da "espiã" Embaixada dos Estados Unidos a fim de ganhar mentes e corações, e "diplomaticamente" impedir que as informações de espionagem e muita corrupção das embaixadas norte-americanas sejam divulgadas também no Paraguai, em momentos que vêm total e escandalosamente às claras o verdadeiro papel desempenhado por tais embaixadas e seu governo central, e que blogs e o próprio Facebook têm sido maior instrumento para derrubada de governos autoritários no mundo árabe.

Em meio a tudo isso, é muito provável que outros encontros do tipo venham a acontecer como consequência do efeito WikiLeaks, e os irmãos paraguaios, sempre abertos ao diálogo, o que é bom e necessário, devem por outro lado prestar bastante atenção a tudo isso, especialmente os blogueiros devem se manter bastante firmes em suas posições primando sempre pela objetividade, pela ética e pela verdade, a quem convidamos a saber mais do que tem feito as embaixadas dos EUA, inclusive no Paraguai, em nosso Blog onde temos traduzido os telegramas secretos expostos por WikiLeaks.

Tais documentos expõem muita vergonha dos políticos, mas são a realidade e o preço da nossa fome, da nossa pobreza, da nossa miséria, da nossa vergonha. Mais vergonha ainda, significa comer as migalhas jogadas por eles...


TeleSUR: Cables de WikiLeaks Demuestran Injerencia de EE.UU. en Latinoamérica

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#Posté le jeudi 10 mars 2011 01:00

Modifié le vendredi 22 avril 2016 20:24

XVIII. WIKILEAKS - Estados Unidos, Europa, África e Ásia


ENTREVISTA COM MADS ANDENAES
Equador Corta Acesso de Assange à Internet

XVIII. WIKILEAKS - Estados Unidos, Europa, África e ÁsiaAsilado na Embaixada do Equador em Londres desde agosto de 2012, Julian Assange do WikiLeaks tem acesso à Internet impedido pelo governo equatoriano desde o último dia 17, menos de 24 horas após ter liberado parte dos correios eletrônicos de John Podesta, atual chefe de campanha da candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton.

Através de comunicado oficial, o Ministério de Relações Exteriores do país sul-americano afirmou que "respeita o princípio de não intervenção nos assuntos de outros países", o que motivou Quito a cortar temporariamente a Internet de Assange, quem vem divulgando reveladores correios eletrônicos de Hillary Clinton e de seu Partido Democrata, agitando fortemente a corrida à Casa Branca. No caso particular das mais recentes mensagens do chefe da campanha democrata interceptadas por WikiLeaks, evidenciou-se seu desprezo pelos latino-americanos e católicos e confirmou-se o quanto a ex-secretaria de Estado prioriza as grandes corporações, como Goldman Sachs.

Ao mesmo tempo, o governo equatoriano ressaltou seu compromisso em proteger "vítimas de perseguição política" como Assange, e a intenção de "salvaguardar sua vida e integridade física". Negando ter sofrido qualquer pressão externa para o corte da Internet, em consonância com o discurso do Departamento de Estado norte-americano, a chancelaria equatoriana garantiu: "Ratificamos que a proteção do Estado equatoriano seguirá enquanto as circunstâncias que motivaram a concessão de tal asilo permaneçam".

Já WikiLeaks afirma que inúmeras fontes norte-americanas garantem ter havido pressão de Washington para que o governo de Rafael Correa cortasse o acesso á Internet do jornalista australiano que, desde 2010, tem remexido as vísceras do poder global com a liberação de centenas de milhares de correios eletrônicos confidenciais, secretos e ultra-secretos envolvendo os porões do poder, especialmente os Estados Unidos e a própria CIA, evidenciando ainda mais a suja política coercitivo-expansionista norte-americana.

Na seguinte entrevista, comenta este caso que tem gerado polêmica internacional o jurista norueguês Mads Andenæs (imagem acima), diretor da Faculdade de Direito de Oslo, e desde 2009 presidente do Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenção Arbitrária, em defesa exatamente de Julian Assange.

20 de outubro de 2016 / Publicada no sítio na Internet da revista Caros Amigos


Edu Montesanti: Como o senhor vê a decisão do governo equatoriano de negar o acesso de Julian Assange à Internet? O presidente Rafael Correa alega que seu país não interfere em eleições estrangeiras: sua medida é mesmo democrática?

Mads Andenæs: Isso me surpreendeu. O presidente Correa é um dos meus heróis, e não consigo compreender bem esta mais recente medida. Entendo que esse fato mais recente é preocupante para Assange. E deve ser para todos nós.


Edu Montesanti: WikiLeaks tuitou após o ocorrido: "Várias fontes norte-americanas nos afirmam que John Kerry pediu que o Equador detivesse Assange de publicar documentos de Hillary Clinton durante as negociações de paz das FARC", enquanto o Departamento de Estado dos Estados Unidos negou a acusação, e o presidente Correa disse que agiu por conta própria, e que não cede a pressões estrangeiras. A seu ver, professor Mads, houve pressão de Washington no sentido de Quito para uma medida desse tipo, como diz Assange?

Mads Andenæs: Houve pressão, sem dúvida. O que você cita aqui soa crível, mas disso só sei o que tenho lido nos jornais.


Edu Montesanti: O senhor acha que o governo do Equador vai restringir trabalhos jornalísticos do WikiLeaks, em geral?

Mads Andenæs: Espero que não.


Edu Montesanti: O senhor acha que o asilo de Assange corre risco?

Mads Andenæs: Não, realmente espero que não. Mas é preocupante que tanta pressão seja exercida sobre os equatorianos. Estou cada vez mais preocupado que Assange não esteja seguro em nenhum lugar, em asilo ou não. Ele tem muitas boas razões para resistir à extradição.

Lembre-se que dois juízes do Supremo Tribunal do Reino Unido discordaram do julgamento sobre a extradição para a Suécia, e o juiz relator e um dos juízes da Suprema Corte na Suécia executaram o pedido ilegal porque ele era desproporcional. O professor Andrew Ashworth, de Oxford, advertiu que o pedido sueco não alega fatos que constituam um ato criminoso sob a lei Inglesa.

A professora Liora Lázaro, também de Oxford, considerou que a detenção de Assange viola o direito internacional. O presidente do Comitê de Direitos Humanos da Associação do Tribunal Inglês, Kirsty Brimelow QC, e o conselheiro-geral da Human Rights Watch, Dinah PoKempner, apoiaram a decisão do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária. O Reino Unido e a Suécia agora devem apenas respeitar o direito internacional, tal como aplicado pela ONU.


Edu Montesanti: O senhor teme que se a oposição equatoriana, pró-Washington, ganhar a eleição presidencial de 2017, Assange será extraditado para os Estados Unidos?

Mads Andenæs: Espero mesmo que eles não ganhem, e se acontecer isso, que não reneguem o asilo. Medo... sim, tenho fortes razões para sentir tanto medo neste caso.


CASO ASSANGE
Entrevista com Jurista Mads Andenæs - Presidente do Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenção Arbitrária

XVIII. WIKILEAKS - Estados Unidos, Europa, África e Ásia

O advogado norueguês Mads Andenæs é jurista acadêmico e Relator Especial da ONU sobre Detenções Arbitrárias, e presidente do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária desde 2009, comissão de especialistas que instou às autoridades suecas e britânicas que acabem com a privação da liberdade de Julian Assange, respeito a sua integridade física e à liberdade de movimento, além de pagar-lhe pelo direito a uma compensação financeira.

Assange, detido pela primeira vez na prisão e, em seguida, em prisão domiciliar, refugiou-se na Embaixada do Equador em Londres em 2012, depois de perder ação junto ao Supremo Tribunal do Reino Unido contra a extradição à Suécia, onde teve início uma investigação judicial contra ele em relação a acusações de abuso sexual. Contudo, o fundador e editor de WikiLeaks não foi acusado formalmente.

Em seu parecer oficial, o Grupo de Trabalho considerou que Assange tinha sido submetido a diferentes formas de privação da liberdade: através da detenção inicial na prisão de Wandsworth, em Londres, seguida da prisão domiciliar e, depois disso, por meio do confinamento na Embaixada equatoriana na capital inglesa.

De acordo com um comunicado de imprensa emitido pelo Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (OHCHR, na sigla em inglês) das Nações Unidas, os peritos concluíram também que a detenção foi arbitrária já que Julian Assange foi mantido em isolamento na prisão de Wandsworth o que, devido à falta de diligência por parte do Ministério Público sueco em suas investigações, resultou na perda de liberdade por longo período.

O Grupo de Trabalho estabeleceu ainda que tal detenção viola dois artigos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, além de seis artigos do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.

Assange também liberou mais de 250 mil telegramas secretos e confidenciais, emitidos por Embaixadas dos Estados Unidos em todo o mundo. Publicados em seu sítio WikiLeaks, muitos desses cabos que revelam os segredos de Estado norte-americanos têm sido republicados em meios de comunicação e blogs por todo o mundo.

Nesta entrevista, Andenæs comenta sua participação no Grupo de Trabalho das Nações Unidas e por que a comissão defende a liberdade de Assange, apresentando as implicações legais relativas ao caso.

"Há vários erros processuais cometidos pelas autoridades", diz o jurista que apresenta também sua visão sobre o papel que o fundador de WikiLeaks pode desempenhar em relação à política internacional, a importância da solidariedade mundial a ele e como vê as recentes revelações de WikiLeaks, de que os Estados Unidos espionaram o secretário-geral da ONU, Ban Ki-monn, e a chanceler alemã Angela Merkel.

Andenæs, quem emite ainda opinião sobre a cobertura da mídia predominante em relação ao caso Assange, é também professor da Faculdade de Direito da Universidade de Oslo, ex-diretor do Instituto Britânico de Direito Internacional e Comparado, em Londres, e ex-diretor do Centro de Direito Europeu no Kings College, da Universidade de Londres. Ele também é pesquisador do Instituto de Direito Europeu e Comparado da Universidade de Oxford, e pesquisador sênior no Instituto de Estudos Legais Avançados da Universidade de Londres.

É editor-geral da revista jurídica britânica International and Comparative Law Quarterly (da Imprensa da Universidade de Cambridge), do European Business Law Review, além de membro de conselhos editoriais de dez outras revistas da área de Direito e de série de livros, incluindo a Série Nijhoff que trata de Direito Comercial Internacional.

O justista norueguês é membro honorário da Sociedade de Estudos Jurídicos do Reino Unido, membro do conselho da Academia Internacional de Direito Comercial e do Consumidor, Membro Honorário do Instituto Britânico de Direito Internacional e Comparado, e membro da Sociedade Real das Artes, também do Reino Unido.

Mads Andenæs foi secretário-geral da Fédération Internationale de Droit Européen durante o período 2000-2002, secretário da Associação Britânica de Direito Europeu no período 1997-2008, e secretário do Comité de Direito Comparado do Reino Unido, 1999-2005. Foi presidente da Associação dos Institutos de Direitos Humanos, no ano de 2008.

por Edu Montesanti, 16 de março de 2016 / Publicado originalmente em inglês, em Pravda Report (Rússia)

Publicado em português na edição 234 da revista
Caros Amigos, no Jornal Pravda (Rússia), e no Diário Liberdade (Galiza)

Republicado por The Professor's Blog (Suécoa), pela revista sueca The Indicter, por Justice for Assange,
por
Lumi.do (Inglaterra), por Tokyo Rose in la Land (Japão), por The WikiLeaks Supporters Forum, por The Anonymous News,
por Réseau International (França), e em francês por Cercle des Volontaires (França),
por
Réseau International (França), e por WikiLeaks Actu Francophone


Caro doutor Mads Andenæs, obrigado por conceder esta entrevista. O senhor poderia, por favor, falar sobre seu trabalho no Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária (WGAD, na sigla em inglês) durante a parte inicial do caso de Julian Assange, nas Nações Unidas (ONU)?

Eu era presidente do Grupo de Trabalho das Nações Unidas quando a denúncia foi recebida, e a interação entre a ONU e as partes ocorreu. Não fiz parte das discussões do Grupo de Trabalho que antecederam a conclusão do caso de Assange. Meu mandato se estendeu até julho de 2015, enquanto a decisão foi publicada em fevereiro de 2016.


Por que o senhor defende Assange?

Tenho emitido opinião favorável ao parecer do Grupo de Trabalho das Nações Unidas. Assange está em detenção arbitrária, e no Reino Unido e na Suécia devem respeitar a decisão das Nações Unidas contra eles, tomar as medidas necessárias para colocar fim nessa detenção.


Por favor, doutor Andenæs, especifique as acusações contra Julian Assange, e quem o acusa.

O caso atual sobre a extradição para a Suécia diz respeito às alegações de abuso sexual. Claro, as alegações relativas a WikiLeaks envolvem um forte interesse do aparato de segurança em diversos países.

O temor é que essa última questão esteja influenciando o processo e os resultados do primeiro caso.


Como o senhor vê a alegação do regime de Washington, de que Assange tem ameaçado a segurança nacional dos Estados Unidos?

Prof. Mads Andenæs: Vejo que se tratam de alegações, normalmente, proferidas contra o uso do direito à informação e à liberdade de expressão. Há todas as razões para ser cético diante de tais afirmações.


Como o senhor vê a decisão da ONU de libertar Assange?

Ela é muito clara. O WGAD da ONU teve que decidir sobre duas questões. Em primeiro lugar, se havia privação de liberdade em contraposição à restrição da liberdade. Em segundo lugar, se essa privação de liberdade foi arbitrária.

O WGAD da ONU aceitou claramente o argumento de que as condições de Assange não são auto-impostas, ou seja, se ele sair às ruas será preso. Há também um fracasso substancial da autoridades em relação à diligência prévia na execução da ordem criminal.

O limite entre restrição da liberdade e privação de liberdade é finamente traçada na jurisprudência europeia dos direitos humanos. A privação da liberdade não consiste apenas nas condições facilmente reconhecíveis do estado da detenção. Você deve considerar o período de tempo em que Assange permanece na Embaixada do Equador, e sua situação atual.

A liberdade deve ser capaz de ser exercida de maneira efetiva, em sua totalidade. Onde o exercício de tal liberdade tiver resultados significativamente coercitivos, como outras privações de liberdade ou colocar outros direitos em risco, isso então não pode ser descrito como liberdade na prática. O fato de que Assange está resistindo à prisão não resolve esse problema, já que isso significaria argumentar que a liberdade é um direito contingente em sua cooperação.

Assange não é livre para sair da Embaixada equatoriana por sua própria vontade. Ele teme uma extradição aos Estados Unidos seguida de repressão por seu envolvimento com WikiLeaks. As autoridades suecas recusam-se a fornecer garantias de não-repulsão que apresentem resposta a esse temor. A privação de Assange é arbitrária e desproporcional.

Há outras maneiras, menos restritivas de se proceder. Antes de emitir um mandado de detenção europeu, as autoridades suecas poderiam ter seguido a prática normal de entrevistar Assange em uma sala de interrogatório da polícia britânica.

Após Assange ter residido na Embaixada equatoriana, eles poderiam ter contado com protocolos de assistência mútua, questionando Assange através de videoconferência, e dado, assim, a oportunidade de responder às acusações contra ele.


Por favor, doutor Andenæs, esclareça em que consiste a privação de liberdade.

O Pacto Internacional das Nações Unidas sobre os Direitos Civis e Políticos e a Declaração Universal da ONU sobre Direitos Humanos, proíbem privação arbitrária da liberdade nos artigos 9. Isso é algo mais do que uma "restrição à liberdade". Ela inclui prisão domiciliar.


Como o senhor avalia a decisão de Reino Unido e Suécia, de não respeitar a decisão da ONU?

As decisões do WGAD da ONU nem sempre são seguidas por Estados, mas raramente resultam nos ataques pessoais feitos por políticos do Reino Unido após o parecer Assange.

Sei que as palavras usadas pelo ministro das Relações Exteriores e do primeiro-ministro não se tratavam de reprodução das palavras por parte dos conselheiros públicos em direitos humanos e em direito internacional. Os políticos do Reino Unido visam enfraquecer a autoridade do órgão da ONU a fim de obter uma oportunista vantagem de curto prazo.

Temo que esses políticos tenham enfraquecido a possibilidade de a comunidade internacional proteger algumas das vítimas mais vulneráveis de violações dos direitos humanos. Suas palavras têm circulado entre os Estados responsáveis pelas piores violações dos direitos humanos. As palavras desses políticos do Reino Unido vão custar vidas e muito sofrimento humano.

O Reino Unido pode exercer lobby por algum tipo de apoio quando o assunto for relatado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas o Reino Unido certamente será criticado por outros Estados por sua resposta, e claramente merece críticas. Os danos causados pelo Reino Unido na ONU e sua autoridade moral em questões de direitos humanos são outro assunto, mas não há nenhuma dúvida sobre o dano causado à autoridade do Reino Unido.


Por favor, doutor Andenæs, comente o estado atual da investigação preliminar na Suécia, e a acusação vigente dos Estados Unidos contra WikiLeaks.

Também aqueles que estão convencidos de que Assange é culpado de estupro, ache ou não ache você que ele é um auto-publicista deliberadamente resistente à prisão, o que eu não acho, a verdade é que as autoridades poderiam usar menos meios restritivos sem comprometer a investigação inicial sobre as alegações a respeito de sua conduta sexual na Suécia.

É oportuno lembrar que Assange não foi considerado culpado de estupro: atualmente, o Ministério Público e os tribunais na Suécia consideram que existem motivos prováveis. O professor Andrew Ashworth, de Oxford, afirmou na Expert Opinion de 2011 que a equipe de Assange fez referência a que "não considero que nenhum dos fatos alegados no European Arrest Warrant [Mandato de Detenção Europeu], que são as alegações citadas no mandado de prisão, seja auto-suficiente para configurar qualquer infração à lei Inglesa".

O vice-presidente do Supremo Tribunal sueco recordou-nos que o acusado é presumivelmente inocente até considerado culpado (vídeo), e que, quando há declarações contraditórias, os tribunais devem decidir se os requisitos para uma condenação são satisfatórios.

Os tribunais suecos, bem como a maioria do Supremo Tribunal do país e o vice-presidente da Suécia não compareceram à comissão, expressaram que o mandado de detenção, mesmo que não pudesse ter sido executado contra Assange, limitou sua liberdade de uma maneira que acabou sendo relevante para questionar se ela permanece proporcional. A maioria manifestou aprovação diante das medidas tomadas agora, para entrevistar Assange em Londres.

Certamente, o ex-representante jurídico sueco para as Nações Unidas e consultor jurídico do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hans Corell, afirmou que "não entende porque o promotor não tinha interrogado Julian Assange durante todos os anos em que ele esteve na Embaixada do Equador".

Visões moderadas e jurídicas têm divergido sobre muitas dessas questões. Sem dúvida, elas têm sido incrementadas de maneira tendenciosa através de pontos de vista sobre a integridade do próprio Assange. Mas os direitos humanos não são destinados a favorecer um ser querido entre nós, mas sim para favorecer a todos nós.


Porque o senhor acha que o Reino Unido está agindo tão acentuadamente de acordo com os interesses do regime dos Estados Unidos neste caso?

WikiLeaks tem contribuído de modo muito importantes no que diz respeito ao nosso conhecimento do processo diplomático e político. Ele mudou minha percepção sobre grandes acontecimentos e instituições. WikiLeaks faz com que seja muito mais difícil nos manipular.

A tão chamada comunidade de inteligência baseia-se sobre métodos de trabalho envolvidos em segredo. Há poderosas forças institucionais que querem pôr fim às atividades do sr. Assange. E estão presentes em muitos países.


Como o senhor vê a posição do governo do Equador em relação a Assange, e a importância da solidariedade mundial a ele não só por parte de outros governos, mas também por ativistas e civis em geral, Professor Andenæs?

O governo do Equador deu uma contribuição muito importante à proteção de uma esfera pública internacional e à proteção à liberdade de informação, à liberdade de expressão e à responsabilização por violações de direitos humanos. As expressões de solidariedade para com ele, não só por parte de outros governos mas também por ativistas e outros setores populares ao redor do mundo, são muito importantes.


Como o senhor avalia a abordagem dos meios de comunicação predominantes em relação às revelações de WikiLeaks, especialmente envolvendo o julgamento de Assange?

Eu esperava uma defesa mais robusta ao direito à informação e à liberdade de expressão. Mas a mídia, em todos os países, opera dentro de uma complexa interação com os governos e leva em conta o interesse do Estado, de diferentes maneiras. Na minha opinião, neste caso há respeito excessivo ao interesse do Estado.


Como o senhor vê as recentes revelações de WikiLeaks, que o regime de Barack Obama espionou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a chanceler alemã Angela Merkel em uma particular reunião estratégia de mudança climática, em Berlim neste ano, e que espionou também o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR, na sigla em inglês)?

Revelam práticas totalmente inaceitáveis. Tais revelações também justificam o trabalho de WikiLeaks.


XVIII. WIKILEAKS - Estados Unidos, Europa, África e Ásia
NSA Espionou Chefes de Estado Europeus e Secretário-Geral da ONU

Após quase seis anos da liberação de milhares de telegramas secretos por WikiLeaks, e quase
três anos das denúncias de Snowden Comunidade de Inteligência dos EUA segue espionando indiscriminadamente, como se isso não fosse nada grave. Onde está a mídia predominante?

7 de março de 2016 / Publicado no Diário Liberdade (Galiza), e no Jornal Pravda (Rússia)


No último dia 23, WikiLeaks revelou que a Agência de Segurança Nacional (NSA, por sua sigla em inglês), segue espionando indiscriminadamente: desta vez, a vítima foi a reunião particular estratégica sobre mudança climática realizada em Berlim, da qual participaram a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban-Ki-moon, os quais buscavam soluções para o problema da mudança climática. De acordo com documentos secretos da NSA liberados por WikiLeaks, a reunião foi espionada por microfones ocultos instalados pela agência de inteligência norte-americana.

Além disso, a NSA espionou as reuniões e as entrevistas do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ex-primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. Na conversa entre os líderes, destaca que durante sua entrevista o primeiro-ministro israelense "suplicou" a seu homólogo da Itália que o ajudasse a obter acordo com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A agência estadunidense também escutou reuniões privadas entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, com Merkel e Berlusconi.

E se não bastasse, a NSA espionou as conversações entre os altos escalões da União Europeia (UE) com os ministros de negócios do Japão, sobre suas "linhas vermelhas do comércio" secretas.

O editor de WikiLeaks, Julian Assange, disse:

Hoje provamos que as reuniões privadas entre o Secretário-Geral Ban Ki-moon sobre como salvar o planeta da mudança climática foram escutadas por um país que busca em proteger suas maiores empresas de petróleo.

Já em 2010, revelamos que a então secretária de Estado Hillary Clinton [dos EUA] ordenou que seus diplomatas roubassem dados biométricos e outras informações da liderança da ONU.

O governo dos EUA tem acordos assinados com a ONU, nos quais garante que não se envolverá em tal conduta. Será interessante observar qual será a reação da ONU já que, se seu secretário-geral pode ser objeto de espionagem, cujas comunicações e a pessoa possuem inviolabilidade jurídica, podem ser repetidamente atacados indiscriminadamente, todos estão em risco.

A comunidade de Inteligência dos Estados Unidos apenas segue espionando indiscriminadamente, como se nada muito grave estivesse ocorrendo quase seis anos do inicio das liberações de mais de 250 mil telegramas secretos por WikiLeaks, e quase três após as denúncias igualmente documentais por parte do ex-contratista da NSA e da CIA, Edward Snowden, porque a mídia predominante, defensora dos interesses das multinacionais e por isso divorciada da prática jornalística, mantém o silêncio conivente.


XVIII. WIKILEAKS - Estados Unidos, Europa, África e Ásia
Cabos WikiLeaks Revelam Temores sobre Segurança Nuclear da China

Cabos destacam lobby dos EUA, e dizem a tecnologia obsoleta e barata
está "amplamente potencializando" risco de acidente nuclear

25.8.2011 / Fonte: The Guardian

Tradução de Edu Montesanti


Observação do Blog: Mais esta revelação WikiLeaks deixa claro que temores por desastre nuclear não são superados por interesses comerciais, bem como o papel espião-mercenário dos embaixadores norteamericanos.
As afirmações de Washington sobre bombas de destruição massiva no Iraque contrariaram as da ONU, que fizera inspeção ao longo dos anos de 1990 no país. Posteriormente à invasão e morte de Saddam Hussein, ficou ainda mais evidente as mentira que levaram à invasão ao país árabe (segunda maior reserva petrolífera do mundo, atrás apenas da Arábia Saudita), causando destruição completa da infraestrutura do país, de patrimônios da humanidade, pilhagem de suas riquezas naturais e a morte, até agora, morte de mais de 110 mil civis, e 1 milhão de refugiados. Bush terminou o mandato desculpando-se com o mundo por esses "erros" (sem jamais fazer nenhuma reparação).
Ao longo de toda a mesma década de 1990, que marcou intervenções norteamericanas no Iraque, a Coreia do Norte reivindicou desenvolver bombas de destruição massiva, sempre ignorada por Washington. Detalhe: este país é vizinho à China, maior exército do mundo, uma das maiores economias mundias em franca expansão desde a década de 1980, e um dos principais parceiros econômicos dos EUA (ao longo da década de 1990, na 6ª posição).
A China é um dos países que mais fere os direitos humanos em todo o mundo. Direitos humanos que têm sido também outra forte justificativa para as intervenções no Oriente Médio, região mais rica em petróleo do mundo.
As contradições na política externa norteamericana são facilmente desfeitas, e suas reais intenções claramente entendidas quando colocadas à luz da realidade dos fatos.
Abaixo, mais uma revelação WikiLeaks que vem a confirmar tudo isso: assim como no Haiti (revelação mais acima), diplomatas fazem na China as vezes de espiões e lobbistas comerciais, desconsiderando questões humanitárias. O perigo de desastre nuclear não é tratado pela Casa Branca na China como, por exemplo, catástrofes humanitárias na Líbia (país rico em petróleo, e vulnerável a intervenções estrangeiras). Pelo contrário: os interesses comerciais dos Estados Unidos - maiores opositores históricos para a criação de um Tribunal Penal Internacional, que puna crimes de guerra - em uma das economias que mais crescem no mundo, estão muito à frente de qualquer outra coisa, mesmo que isso aumente os riscos de desastre naquele país. É o que leremos a seguir.



A China tem "aumentado amplamente" o risco de acidente nuclear, optando por tecnologia barata que farão 100 anos antiquados, até o fim da vida útil, dezenas seus reatores, de acordo com cabos diplomáticos da embaixada dos EUA em Pequim.

O aviso vem semanas depois de o governo de Pequim retornar ao ambicioso programa de expansão nuclear, que foi temporariamente interrompido por inspeções de segurança, na esteira do colapso de três reatores em Fukushima, Japão.

Cabos divulgado nesta semana por WikiLeaks destacam o sigilo do processo de licitação para contratos de usina nuclear, a influência do lobby do governo, e as fraquezas potenciais na gestão e supervisão regulatória do setor da rápida expansão nuclear da China.

Em agosto de 2008, a embaixada observou que a China estava em processo de construção de 50 a 60 novas usinas nucleares até 2020. Esta meta - que aumentou desde então - foi uma oportunidade de negócios enorme. Para imitar os franceses e russos, o cabo pediu amparo de alto nível contínuo em nome da empresa dos EUA Westinghouse, para estimular seu reator AP-1000.

Isto é crucial, de acordo com o telegrama datado de 29 de agosto de 2008 da embaixada norteamericana em Pequim, porque "todas as compras do reator até agora têm sido, em grande parte, resultado de decisões internas alto nível político na ausência de qualquer processo aberto".

Para a embaixada dos EUA, a maior preocupação era que a China parecia mais interessada na construção de seus reatores próprios - o CPR-1000 - baseada na velha tecnologia da Westinghouse, em Daya Bay e Ling Ao.

"Conforme crescem as ações no mercado do CPR-1000, a China está garantindo que, ao invés de construir uma frota de reatores modernos, eles serão sobrecarregados com a tecnologia que, até o final de sua vida útil, serão de 100 anos antiquados", diz outro telegrama datado de 7 de agosto de 2008.

Nos últimos 10 anos, o CPR-1000 tem sido o modelo mais popular na China. Em 2009, a agência de notícias estatal Xinhua informou que cerca de dois dos 22 reatores nucleares em construção aplicaram a tecnologia do CPR-1000.

O cabo sugere que esta foi uma escolha perigosa: "Ignorando a tecnologia de segurança inativa do AP1000, o que, de acordo com a Westinghouse, é 100 vezes mais segura que o CPR-1000, a China está aumentando tremendamente o risco agregado de sua frota de energia nuclear".

"A tecnologia de segurança inativa" garante que um reator será desligado automaticamente em caso de desastre sem intervenção humana. Usinas sem esse recurso são consideradas menos seguras, pois dependem de intervenção humana que pode ser difícil de prever em situação de crise.

A China diz que tem atualizado e melhorado a tecnologia baseada no CPR-1000, mas o governo reconhece que é menos seguro que os modelos mais recentes. A administração nacional da China de segurança nuclear e de administração de energia, estão atualmente elaborando novos planos de segurança, que são pensados a partir da probabilidade de incluir uma cláusula em que todas as futuras instalações tenham de cumprir os padrões mais elevados de reatores de terceira geração, como o AP-1000 ou tecnologia de tório.

Mas ainda terá de gerenciar dezenas de reatores de segunda geração para as próximas décadas. Quatro CPR-1000 foram aprovados pelo Conselho de Estado poucos dias antes das explosões em Fukushima. O acidente - classificado no mesmo nível de Chernobyl - levou a repensar a dramática da política nuclear no Japão, Alemanha e Itália.

Não há sinal de mudança de coração na China, que planeja construir reatores mais do que o resto do mundo juntos até 2020. O mais recente a ser concluído foi o CPR-1000 em Ling Ao, no início deste mês.

A embaixada dos EUA e a Westinghouse podem ter almejado maquiar os riscos a fim de melhorar a força de seus próprios lances, mas preocupações com a segurança também são expressas na China. Neste ano, o prof Ele Zuoxiu, que ajudou a desenvolver a primeira bomba atômica da China, alegou planos para aumentar a produção de energia nuclear vinte vezes até 2030, a qual pode ser tão desastrosa como o "Grande Salto Adiante" - tentativa desastrosa de Mao Tsé-tung para impulsionar o desenvolvimento industrial, no final dos anos de 1950.

Escrevendo no jornal Science, Ele perguntou: "Será que estamos realmente prontos para este tipo de velocidade vertiginosa [de desenvolvimento de energia nuclear]? Acho que não - estamos seriamente despreparados, especialmente na parte da frente de segurança".

A pressa para construir novas usinas também pode criar problemas para a gestão eficaz, para a operação e supervisão regulatória. O representante da Westinghouse, Gavin Liu, foi citado em um cabo dizendo: "O maior gargalo em potencial são os recursos humanos - chegando com pessoal treinado o suficiente para construir e operar todas estas novas usinas, bem como regulamentar a indústria".

Tais preocupações aumentaram em julho, quando outro dos novos projetos industriais da China - uma estrada de ferro de alta velocidade - levou a uma colisão que matou 39 pessoas. Ele também foi construído internamente, baseado em projetos estrangeiros e foi produzido além mais do que seus operadores parecem ter sido capazes.



XVIII. WIKILEAKS - Estados Unidos, Europa, África e Ásia
Documento Secreto WikiLeaks Confirma Plano de União da América do Norte

20.5.2011 / Fonte: The Truth Seekers


Um documento secreto recentemente lançado por WikiLeaks [exibido neste próprio artigo] revela um embaixador de alto escalão dos EUA, promovendo a fusão dos Estados Unidos, Canadá e México em um combinado mercado consumidor e de trabalho, com moeda comum e um perímetro eletrônico de segurança mútuo, com menos foco nas fronteiras físicas.

Os documentos secretos revelam um plano bem desenvolvido que defende sigilo, uma abordagem minuciosa para não alarmar o público. O documento afirma claramente que o plano é evitar que os esforços dos EUA para proteger cidadãos do terrorismo ou de doenças, interfera no comércio e em outros interesses financeiros. Os documentos também defendem que a promoção deste plano concentra-se nas "empresas individuais, indústrias ou viajantes, especialmente nos consumidores", em vez das nações como um todo.

Esse vazamento de alto nível parece validar preocupações mais recentes de muitos grupos sobre os planos de criar um novo governo, que substituiria a soberania dos EUA, Canadá e México em uma forma semelhante à União Europeia. Os críticos desses planos de fusão, chamam-no de União Norte-Americana. Os defensores do plano de chamam-no de Comunidade Norteamericana e Integração Norteamericana (NAI, na sigla em inglês).

"Trata-se de conspiração, mas não é teoria", disse William Gheen de ALIPAC (Americanos pela Imigração Legal). "Esses traidores estão tentando esconder seus planos, mas está tudo escancarado agora. Eles estão tentando forçar uma união econômica nos EUA que não está ratificado pelo Congresso dos EUA, não está autorizada pela Constituição dos EUA, e não é aprovado pelo público norteamericano. Esse plano está sendo facilitado pelo não cumprimento da lei da nossa imigração vigente, e pelas leis de fronteira".

Os norteamericanos ficaram chocados ao saber, em 2005 e 2006, que milhões de estrangeiros ilegais haviam imigrado aos Estados Unidos, e que agora estavam marchando nas ruas exigindo a legalização, cidadania, direitos de voto e os recursos de contribuinte. Legisladores federais, leais aos planos norteamericanos de Integração, alegaram que "nossos sistemas de imigração estão falidos", quando, na realidade, os sistemas de imigração têm sido ajustados por aqueles que defendem a fusão das populações dos EUA, México e Canadá.

Outros exemplos deste plano de união econômica que tem sido perseguido pelos presidentes Bush e Obama, podem ser encontrados nos escritos do dr. Robert Pastor da American University, em publicações do Conselho de Relações Exteriores, como "Construindo uma Comunidade Norteamericana", e em anúncios feitos pelos chefes de Estado nos três países que apóiam a Segurança e a Prosperidade de Parceria (SPP, na sigla em inglês).

"A Integração dos países norteamericanos exigem desintegração dos EUA. Os cidadãos dos EUA nunca adeririam voluntariamente nesse regime diabólico, que desintegraria os Estados Unidos sob um super-Estado superior e sob um novo governo, que destruiria a atual Constituição dos EUA e suas fronteiras ", disse William Gheen. "Por isso, essa elite dos bancos, do empresariado e as influências políticas estão inundando os EUA com a imigração ilegal desenfreada e híper imigração legal. Elas estão conquistando os inocentes cidadãos amantes da liberdade dos EUA, trazendo pessoas de fora que nos substituirão gradualmente em nossos empregos e em nossas casas".

Enquanto notícias desta recente divulgação WikiLeaks circulam pela Internet, o ALIPAC está lançando a notícia e os documentos para a nação hoje, através de comunicado à imprensa nacional.

Os cidadãos norteamericanos são encorajados a tomar medidas apropriadas para se organizar em defesa da nação, e se preparam para o desafio político e derrotar aqueles que estão buscando essa agenda ilegal, inconstitucional e destruidora da nação.

William Gheen está lançando um artigo mais detalhado hoje, intitulado "WikiLeaks Divulga Arquivos Secretos: Integração Norteamericana", que será distribuído nacionalmente junto deste comunicado de imprensa.



XVIII. WIKILEAKS - Estados Unidos, Europa, África e Ásia
Relatório Especial da Red Cell da CIA: E se os Estrangeiros Virem os Estados Unidos como
País "Exportador de Terrorismo"?

Fonte: WikiLeaks.ch

Tradução de Edu Montesanti


Lançamento WikiLeaks: 25 de agosto de 2010

palavras-chave: WikiLeaks, Inteligência dos EUA, Exército dos EUA, Centro de Inteligência, NGIC, classificados, secreto, NOFORN, Red Cell
valor: classificação SECRETA / NOFORN (EUA)
data: 2 de fevereiro de 2010
grupo: CIA Red Cell
autor: CIA Red Cell
páginas: 3

Descrição

Este relatório da "Red Cell" da CIA de 2 de fevereiro de 2010, veja o que vai acontecer se for internacionalmente entendido que os Estados Unidos são um país exportador de terrorismo; Contrariamente à crença comum, as exportações norte-americanas de terrorismo ou de terroristas não é um fenômeno recente, nem tem estado associado apenas aos radicais islamitas ou a pessoas do Oriente Médio, africanas ou de origem sul-asiática. Essa dinâmica desmente a crença norte-americana de que nossa sociedade livre, aberta e multiculturalmente integrada diminui a atração do radicalismo e do terrorismo aos cidadãos dos EUA. O relatório analisa vários casos em que os EUA exportaram terrorismo, incluindo ataques terroristas pelos EUA com base ou financiados por judeus, muçulmanos e nacionalistas irlandeses. Conclui que a percepção externa dos EUA como "exportador de terrorismo", juntamente com dois pesos e duas medidas dos EUA em direito internacional, pode levar à não-cooperação em entregas [de cidadãos] (incluindo a detenção de agentes da CIA) e à decisão de não compactuar com a Inteligência dos Estados Unidos no que diz respeito a terrorismo. (S / / NF)

Muita atenção tem sido dada ultimamente, à ocorrência crescente de ataques terroristas islamitas contra alvos dos EUA, principalmente em solo norte-americano. Menos atenção tem sido dada ao crescimento local do terrorismo, não exclusivamente terroristas muçulmanos, exportados para atingir pessoas que não sejam norte-americanas. Este relatório analisa as implicações do que isso significaria para os EUA, se for visto cada vez mais como incubador e "exportador de terrorismo". (S / / NF)

Contrariamente à crença comum, as exportações norte-americanas de terrorismo ou de terroristas não é um recente fenômeno, nem tem sido associada apenas aos radicais islamitas ou pessoas do Oriente Médio, africanas ou de origem sul-asiática. Esaa dinâmica desmente a crença norte-americana de que nossa sociedade livre, aberta e multiculturalmente integrada diminui a atração do radicalismo e do terrorismo aos cidadãos dos EUA.

• No ano passado, cinco jovens muçulmanos norte-americanos viajaram do norte de Virgínia ao Paquistão, supostamente para se juntar aos talibans paquistaneses e para participar da jihad. Seus pais contactaram o FBI depois que eles desapareceram sem dizer nada a ninguém e, em seguida, autoridades paquistanesa prenderam-nos enquanto eles supostamente tentaram obter acesso às estruturas de formação da Al-Qaeda.

• Em novembro de 2008, o paquistanês-estadunidense David Headley prestou seu apoio aos ataques do Lashkar-i-Tayyiba (LT, saiba mais sobre este grupo terrorista aqui no Blog) em Mumbai, na Índia, que mataram mais de 160 pessoas. O LT induziu-o a mudar seu nome de Daood Gilani para David Headley, a fim de facilitar sua circulação entre EUA, Paquistão e Índia.

• Alguns judeus norte-americanos têm apoiado e até mesmo sido envolvidos em atos de violência contra claros inimigos de Israel. Em 1994, Baruch Goldstein, um médico judeu norte-americano de Nova York, emigrou para Israel, juntou-se ao grupo extremista Kach e matou 29 palestinos durante as orações destes na mesquita no Túmulo dos Patriarcas, em Hebron, o que ajudou a desencadear uma onda de explosões de ônibus pelo HAMAS no início de 1995.

• Alguns irlandeses-norte-americanos têm muito apoio financeiro e material para esforços violentos a fim de obrigar o Reino Unido a abandonar o controle da Irlanda do Norte. Na década de 1880, membros irlandeses-norte=americanos do clã Gael dinamitaram a Scotland Yard, o Parlamento e a Torre de Londres, e bombas foram detonadas em várias estações de metrô. Em Londres no século XX, irlandeses-norte-americanos forneceram grande parte do apoio financeiro enviado ao Exército Republicano Irlandês (IRA). O Comité de Ajuda do Norte (NORAID), com base nos EUA, fundado no final dos anos 1960 deu origem ao Exército Republicano Irlandês Provisório (PIRA) com dinheiro que foi usado frequentemente para compras de armas. Somente depois de repetidos pedidos do alto escalão britânico e, em seguida, o apoio de Londres ao nosso bombardeio sobre a Líbia na década de 1980, fez o governo dos EUA reprimir o apoio irlandês-norte-americano ao IRA. (S / / NF)

SECRET / NONFORN

Facilidades Nortemericanas às Liberdades Ajudam o Recrutamento de Terroristas e Operações (S / / NF)

Primeiramente, temos que nos preocupar com a infiltrações operativas da Al-Qaeda nos EUA para realizar ataques terroristas, mas a AQ pode estar cada vez mais procurando norte-americanos operar no exterior. Sem dúvida, a Al-Qaeda e outros grupos terroristas reconhecem que os norte-americanos podem ser grandes ativos em operações terroristas no exterior, porque eles carregam passaportes dos EUA, não se encaixam no perfil típico árabe-muçulmano, e podem comunicar-se facilmente com radicais através de seus líderes, e do acesso irrestrito à Internet e outros meios de comunicação.

• Os grupos terroristas como a Al-Qaeda têm certamente notado a facilidade com que Headley foi capaz de viajar várias vezes com visto dos EUA, daqui ao Paquistão e Índia sem levantar suspeitas entre os funcionários.

• Al-Qaeda e outros grupos extremistas também deve ter notado que o governo dos EUA tem se preocupado mais com a prevenção de ataques sobre os EUA por terroristas locais ou estrangeiros, do que com os norteamericanos que vão ao exterior para realizar ataques em outros países. A maioria dos governos estrangeiros não suspe que cidadãos norteamericanos teriam parcela de participação em ataques contra seus cidadãos, dentro de suas fronteiras. Os terroristas estrangeiros têm recrutado extremistas dentro dos EUA para ataques no exterior e são susceptíveis a aumentar o uso desse método porque, até agora, ele passou desapercebido do radar dos governos dos EUA e de outros países.

• A onipresença dos serviços de Internet ao redor do mundo, e o uso generalizado de inglês em sítios populares como o Youtube, Facebook, Myspace, Twitter e blogs diversos, permitem que os clérigos radicais e recrutadores de terroristas ignorem fronteiras físicas dos Estados Unidos, e influenciem cidadãos dos EUA. Por exemplo, um autoproclamado recrutador do Taleban paquistanês, contactou os cinco homens do norte da Virgínia e, em seguida, via YouTube, trocaram correios eletrônicos codificados com o grupo. Os terroristas sabem que, aparentemente, a detecção é particularmente difícil nos casos em que o potencial recruta nortemaericano não está afiliado a nenhum conhecido grupo terrorista. (S / / NF)

Impacto sobre as Relações Exteriores se os EUA Forem Vistos como "Exportadores de Terrorismo" (S / / NF)

Se os EUA forem vistos como exportador de terrorismo, os parceiros estrangeiros podem estar menos dispostos a cooperar com os Estados Unidos nas atividades extrajudiciais, incluindo detenção, transferência e interrogatório de suspeitos em países terceiros. Como recente vítima do grande perfil do terrorismo proveniente do exterior, o governo dos EUA teve uma alavanca importante para pressionar regimes estrangeiros a aceitar os pedidos de extradição de suspeitos de terrorismo a partir de seu solo. No entanto, se os EUA forem vistos como um "exportador de terrorismo", os governos estrangeiros podem solicitar um acordo recíproco que teria um impacto sobre a soberania dos EUA.

• Regimes estrangeiros poderiam solicitar informações sobre cidadãos dos EUA que considerem terroristas ou apoiantes do terrorismo, ou mesmo solicitar a extradição de cidadãos dos EUA. Os EUA não cooperando, pode resultar na recusa de governos a permitir que os EUA tirem suspeitos de terrorismo do território deles, forçando alianças e relações bilaterais.

• Em casos extremos, a recusa dos EUA de cooperar com os pedidos de governos estrangeiros para extradição, pode levar alguns governos a considerar secretamente a remoção de cidadãos norte-americanos suspeitos de terrorismo estrangeiros, do território dos EUA. Operações de inteligência estrangeira em solo norte-americano para neutralizar ou até mesmo assassinar indivíduos norte-americanos considerados uma ameaça, não são algo sem precedentes. Antes de os EUA entrarem II Guerra Mundial, a Inteligência britânica realizou operações de informações contra os cidadãos proeminentes dos EUA considerados isolacionistas ou simpático aos nazistas. Alguns historiadores que examinaram arquivos relevantes, até suspeitam que oficiais da Inteligência britânica assassinaram agentes nazistas em solo dos EUA. (S / / NF)

SECRET / NOFORN

Estrangeiros tendo percepção dos EUA como "exportador de terrorismo", também suscita difíceis questões jurídicas para os EUA, para seus aliados estrangeiros e para as instituições internacionais. Até o momento, os EUA não são signatários do Tribunal Penal Internacional (TPI), em vez disso prosseguem os Acordos de Imunidade Bilateral (BIA, na sigla em inglês), com outros países para garantir a imunidade para os cidadãos dos EUA em relação às punições do TPI. Os EUA, ameaçaram suspender assistência econômica e militar a países que não aderirem aos termos do BIA.

• Se os regimes estrangeiros acreditam que a posição dos EUA sobre a entrega de terroristas é demasiadamente unilateral, favorecendo os EUA, mas não e eles, os tais poderiam dificultar os esforços dos EUA para deter suspeitos de terrorismo. Por exemplo, em 2005 a Itália solicitou mandados de prisão criminal para agentes dos EUA envolvidos no rapto de um clérigo egípcio, e sua entrega ao Egito. A proliferação de tais casos não só desafia as relações bilaterais dos EUA com outros países, mas também danifica esforços de contraterrorismo global.

• Se os líderes estrangeiros virem os EUA recusando-se a prestar informações sobre os suspeitos norteamericanos de terrorismo, ou recusando-se a permitir que testemunhas deponham em seus tribunais, eles poderiam negar o mesmo aos EUA. Em 2005, Abdelghani Mzoudi suspeito do 11 de setembro, foi absolvido por um tribunal alemão porque os EUA se recusaram a permitir que Ramzi bin al-Shibh, principal suspeito do 11 de setembro que estava sob custódia dos EUA, depusesse. Mais casos assim poderiam impedir ações de bloqueio ao terrorismo, seja nos EUA ou no exterior, ou poderiam resultar em libertação dos suspeitos.


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Fundador do WikiLeaks Diz que Facebook é uma Máquina de Espionagem

3.5.2011 / Fonte: Armação


Em uma entrevista polêmica ao Russia Today, Julian Assange, fundador do WikiLeaks, disse que o Facebook é a “mais espantosa máquina de espionagem já inventada”.

“Nas redes sociais temos a base de dados mais ampla sobre os cidadãos, suas relações, o nome de seus contatos, seus endereços, as mensagens que trocam com outras pessoas e isso tudo é alojado nos EUA, acessível aos seus serviços de inteligência”, disse ele.

Para Assange, as empresas por trás desses serviços – como o Google e o Yahoo – criaram mecanismos para facilitar o acesso dos serviços de inteligência à esse tipo de informação. “Obter uma citação ou um requerimento judicial já não é um problema. Existe uma interface de conexão já em uso. Isso quer dizer que o Facebook está sendo gerido pelos serviços de inteligência americanos? Não, não é isso. Simplesmente a inteligência dos EUA tem a capacidade legal e política para pressioná-los. É caro manejar um a um cada um dos arquivos, por isso automatizaram o processo”.

E o fundador do WikiLeaks vai além: quem usa as redes sociais com frequência e convida os amigos a participarem do Facebook está trabalhando de graça para as agências de inteligência dos EUA.



WikiLeaks: EUA Confiava no Ministro de Relações Exteriores da Líbia

31.3.2011 / Fonte: Now Lebanon

Tradução de Edu Montesanti


O demitido ministro de Relações Exteriores da Líbia, Moussa Kussa, era um homem que os Estados Unidos podiam confiar e comprometer-se, apesar da sua experiência em espionagem, de acordo com os cabos divulgados sobre os EUA pelo WikiLeaks, quinta-feira 31 de março.

"Kussa frequentemente viaja com Muamar Kadafi, e é o principal assessor em matéria de segurança", citou o cabo do sítio de denúncias WikiLeaks, datado de 21 de maio de 2009, conforme afirma.

"Ele é educado pelos ocidentais ... e é visto como um forte apoiante do reengajamento com o Ocidente", disse a mensagem preparada antes de uma viagem à Líbia pelo agora aposentado general dos EUA, William Ward.

Kussa, 59, foi empossado como ministro de Relações Exteriores de Kadafi em março de 2009, depois de ter servido como chefe da agência de Inteligência da Líbia desde 1994.

"Ele desempenhou papel de destaque nas relações EUA-Líbia e, mais amplamente, nos negócios estrangeiros da Líbia. Desde que se tornou ministro das Relações Exteriores, assumiu diversas carteira,s anteriormente assumtidas por outras figuras de destaque do regime".

"Kussa é o raro oficial líbio, que incorpora uma combinação de perspicácia intelectual, capacidade operacional e peso político.

"Promover áreas específicas de cooperação com ele, é uma oportunidade para que ele lance essa mensagem em termos aceitáveis para a liderança da Líbia".

Kussa viajou para a Grã-Bretanha da Tunísia na quarta-feira 30 de março, de acordo com o governo britânico.

O ex-embaixador chegou à Grã-Bretanha "de vontade própria" através de Farnborough, a sudoeste do aeroporto de Londres na quarta-feira, afirmou o ministro de Relações Exterioes britânico, William Hague.

Ele estava agora em conversações com funcionários britânicos, mas Hague ressaltou que Kussa, acusado de ter planejado o atentado de Lockerbie em 1988, não está sob imunidade de processo.

O governo da Líbia, na quinta-feira 31 de março, minimizou a partida de Kussa, afirmando que o regime de Muammar Kadafi "não dependem de indivíduos", em sua primeira admissão sobre a demissão de Kussa, após o ex-chanceler ter renunciado ao cargo.



WikiLeaks Dará um Duro Golpe em Wall Street em 2011

30.11.2010 / Fonte: Telesur

Tradução de Edu Montesanti


Julian Assange,fundador do WikiLeaks, informou terça-feira que vai apresentar novas informações, mas desta vez não serão sobre a diplomacia dos EUA, e sim sobre Wall Street. O golpe será dado no primeiro semestre de 2011.

Assange disse à revista Forbes, em Londres, que o material vai revelar "práticas imorais", citou a agência de notícias DPA.

O fundador do WikiLeaks garante que o conteúdo do material deve "derrubar um ou dois bancos".

Supostamente, trata-se de comunicações internas que confirma, corrupção financeira, assim como "os correios eletrônicos da Enron".

Assange, sobre quem pesa um mandado de prisão pela Interpol, justificou a necessidade da divulgação em "promover reformas no setor financeiro".

Desde a eclosão da crise econômica nos EUA, houve suspeitas de prática ilícita em quase todos os bancos. No entanto, o Goldman Sachs é o que tem mais tem levantado suspeitas de irregularidades, tanto que é investigada pela Securities and Exchange Commission.

O criador do sítio WikiLeaks insiste que, à medida que o perfil de sua página e dele mesmo crescem, acelera-se exponencialmente o número de documentos que recebe.

Salientou, a esse respeito, que atualmente encontra-se em condição de fazer divulgações que afetam o setor privado, não apenas financeiro, mas também o energético e os produtos farmacêuticos.

Na terça-feira, houve diversas reações aos 250 mil documentos divulgados pela WikiLeaks que colocam em risco a diplomacia dos EUA.

Muitos governos em todo o mundo têm falado sobre o escândalo que surgiu domingo, após a publicação da notícia.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, condenou os fatos e disse que eles são "o mais alto grau de irresponsabilidade". Por sua vez, a Arábia Saudita e o Irã têm questionado a veracidade dos textos.

O porta-voz do Ministério dos Assuntos Exteriores, Ramin Mehmanparast, disse que "esses documentos foram produzidos, provavelmente, pelos serviços secretos do Ocidente e dos EUA".

Enquanto isso, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse segunda-feira que os vazamentos deixaram "o Império nu, mostrando como ignora até mesmo seus aliados".

Em entrevista à Telesur, o analista de política internacional, James Petras, ressaltou que os documentos do sítio WikiLeaks ainda não "revelam a verdade da política dos EUA com o resto do mundo. Por que não mencionam o apoio dos EUA a grupos terroristas que operam no Irã, produzindo carros-bomba e matando os cientistas?".

"Pelo menos até agora, o WikiLeaks não está apresentado mais cabos que revelam as práticas norteamericanas, por exemplo práticas de assassinos israelenses que colaboram com a CIA (Agência Central de Inteligência norteamericana)", disse ele.

A correspondente da Telesur em Washington, Aurora Sampeiro, disse que, através de um levantamento, constatou-se que muitos norteamericanos não sabem sobre o tema do WikiLeaks, "outros pareciam envergonhados e não sabiam como esses documentos foram trazidos às claras".

O fato de que, supostamente, não vão prejudicar as relações dos EUA com Espanha e Israel, a jornalista disse que "as reações do Departamento de Estado do Pentágono têm sido discretas".

Finalmente, informou que a secretária de Estado, Hillary Clinton, iniciou nesta terça-feira uma viagem à Ásia Central e ao Golfo Pérsico.



WikiLeaks Revela que 'Acordo de Copenhague' Foi Manipulado pelos Estados Unidos
 
26.12.2010. Fonte: Almoxarifado Empoeirado 


Telegramas secretos mostram 'ofensiva diplomática' dos EUA pela adesão ao 'Acordo de Copenhague' mediante promessa de ajuda financeira

Telegramas da diplomacia americana revelados pelo WikiLeaks mostram uma “ofensiva diplomática” secreta sobre o aquecimento global. Segundo os documentos, a operação política internacional buscou angariar apoio do maior número possível de nações através de empréstimos e ajudas financeiras, com o objetivo de cercar a oposição ao controverso Acordo de Copenhague, documento não-oficial que emergiu das ruínas da COP-15 de 2009, na capital dinamarquesa. Reportagem de Damian Carrington, em The Guardian.

No dia 31 de julho de 2009, o Departamento de Estado dos EUA enviou um telegrama secreto a diplomatas das Nações Unidas sobre uma série de temas, incluindo as mudanças climáticas. O pedido foi originário da CIA. Os diplomatas foram questionados sobre o posicionamento de cada nação e requisitados para apresentar evidências do “esvaziamento” do tratado ambiental da ONU, além de pactos entre nações.

Em 19 de junho de 2009, o Departamento de Estado enviou outra mensagem detalhando um ataque cibernético ao gabinete do negociador para mudanças climática dos EUA, Todd Stern, enquanto as negociações sobre as emissões da China eram realizadas em Pequim. Ele e outras pessoas receberam e-mails personalizados, como se viessem do National Journal americano. Um arquivo em anexo continha um código malicioso que daria o controle total do computador do destinatário para um hacker. O ataque não foi bem sucedido, mas o departamento de análise de ameaças cibernéticas da divisão observou: “É provável que tentativas de invasão como essa persistam.”

As negociações de Pequim não conseguiram guiar um acordo global em Copenhague. Os EUA, historicamente os maiores poluidores do mundo, tinham um álibi: o Acordo de Copenhague, martelado nas últimas horas da COP-15 que, apesar de não ter sido adotado oficialmente pela ONU, foi uma alternativa para resolver muitos dos problemas americanos.

O acordo transforma a abordagem da ONU, que antes tendia para a unanimidade. De acordo com ele, cada nação escolhe alvos palatáveis para cortes de gases de efeito estufa, teoricamente uma maneira muito mais fácil de vincular a China e outros países em rápido desenvolvimento à causa do que o processo da ONU. Mas o acordo não pode garantir os cortes necessários de gases-estufa para evitar um aquecimento perigoso, além de embaralhar as negociações da ONU sobre a prorrogação do Protocolo de Kyoto, no qual as nações ricas têm obrigações vinculantes. Estes fatores levaram muitos países – especialmente os mais pobres e vulneráveis – a se oporem com veemência ao acordo.

A “ofensiva diplomática” dos EUA teve seus telegramas secretos enviados entre o final da COP-15 de Copenhague, em dezembro de 2009, até o fim de fevereiro desde ano, e consistiu em garantir o apoio do maior número possível de nações para o Acordo de Copenhague, que serve aos interesses americanos em grande parte.

Alguns países precisaram de pouca insistência. O acordo prometeu US$ 30 bilhões para as nações mais pobres atingidas pelo aquecimento global que não causaram. Duas semanas após Copenhague, o ministro das Relações Exteriores das Maldivas, Ahmed Shaheed, escreveu à secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, requerendo o aporte.

Em 23 de fevereiro de 2010, o embaixador das Maldivas nos EUA, Abdul Ghafoor Mohamed, disse ao deputado americano Jonathan Pershing, enviado para assuntos climáticos, que seu país busca “assistência tangível “, e defendeu que outras nações perceberiam “as vantagens a serem aquiridas pelo respeito” ao acordo.

Uma dança diplomática seguiu. Ghafoor se referiu a vários projetos custando cerca de US$ 50 milhões. Pershing encorajou-o a dar exemplos e custos concretos, a fim de aumentar a probabilidade de assistência bilateral.

As Maldivas são incomuns entre os países em desenvolvimento, ao adotar o acordo em sua totalidade, mas outras pequenas nações insulares foram secretamente vistas como vulneráveis à pressão financeira. Os países mais ameaçados pela mudança climática veem a ajuda como um direito, não uma recompensa. Em 11 de fevereiro, Pershing encontrou a comissária europeia de ação climática, Connie Hedegaard, em Bruxelas. Ela disse a ele, de acordo com um telegrama, que “os países da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (Aosis, na sigla em inglês) poderiam ser nossos melhores aliados”, dada sua necessidade para o financiamento.

Os dois estavam preocupados sobre como os US$ 30 bilhões deveriam ser levantados. Hedegaard questionou se a ajuda dos EUA seria toda em dinheiro. Ela perguntou se os Estados Unidos seriam obrigados a fazer uma “contabilidade criativa”, notando que alguns países, como Japão e Reino Unido, querem garantias de empréstimo, e não doações isoladas – uma tática à qual ela se opôs. Segundo o documento, Pershing dissera que “os doadores têm de equilibrar a necessidade política de conceder financiamento real com as limitações práticas de orçamentos apertados.”

Confiança

Juntamente com financiamento, outro assunto traiçoeiro das negociações climáticas (que estão em curso em Cancún), é a confiança na manutenção dos compromissos assumidos pelos países. Hedegaard se perguntava por que os EUA não concordaram com a China e a Índia em relação a medidas que, para ela, pareciam aceitáveis para monitorar futuros cortes nas emissões. “A questão é se eles (países) vão honrar essa linguagem”, relata o telegrama,citando as palavras de Pershing.

A confiança estava em falta nos dois lados: o das nações desenvolvidas e dos países em desenvolvimento. No dia 2 de fevereiro, um telegrama de Adis Abeba reportou um encontro entre a subsecretária de estado dos EUA, Maria Otero, e o primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi, que lidera a União Africana para negociações climáticas. O telegrama confidencial registra uma ameaça, sem cortes, dos EUA a Zenawi: assine o acordo ou a discussão termina agora. Zenawi responde que a Etiópia vai apoiar o acordo, mas ele tem uma preocupação: que o comprometimento pessoal de Barack Obama para o envio da ajuda financeira prometida não seja honrado.

A determinação dos EUA de procurar aliados contra seus adversários mais poderosos – os gigantes em ascensão Brasil, África do Sul, Índia e China (Basic) – está claro em outro telegrama de Bruxelas no dia 17 de fevereiro, desta vez relatando um encontro entre o assessor de segurança naciona, Michael Froman, Hedegaard e outros oficiais da União Europeia.

Froman disse que a União Europeia precisava aprender com os países do Basic as habilidades básicas que estes usaram para impedir as iniciativas da UE e dos EUA, colocando-os um contra o outro, no sentido de “manipular melhor o obstrucionismo do terceiro mundo e evitar futuras colisões de trem nas discussões climáticas.”

Nos telegramas, Hedegaard está interessada em reassegurar a Froman o apoio da UE, revelando uma diferença entre o que é dito publicamente e o que é negociado entre quatro paredes. “Ela esperava que os EUA notassem que a União Europeia estava parando de criticá-los”, dizia o telegrama.

Hedegaard e Froman discutiram a necessidade de “neutralizar, cooptar ou marginalizar países pouco colaborativos, incluindo a Venezuela e a Bolivia”. Hedegaard, novamente, conectou ajuda financeira ao apoio ao acordo, notando “a ironia de que a UE é um grande doador de dinheiro a esses países”. Mais tarde, em abril, os EUA cortaram ajuda à Bolívia e ao Equador, citando a oposição ao acordo.

Qualquer ironia é claramente inócua quando se trata do presidente boliviano, Evo Morales, conforme atesta um telegrama de La Paz datado de 9 de fevereiro. O embaixador dinamarquês na Bolívia, Morten Elkjaer, diz a um diplomata americano que, na reunião de Copenhague, “o primeiro-ministro dinamarquês Rasmussen passou 30 minutos pouco prazerosos com Morales, durante os quais o presidente boliviano o agradeceu pelos US$ 30 milhões por ano em ajuda bilateral, mas recusou-se a se engajar nas questões climáticas.”

Dedo na ferida

Depois do acordo de Copenhague, outros links entre financiamento e apoio político apareceram. Oficiais holandeses, que inicialmente rejeitaram as tentativas americanas de fazer o acordo vingar, fazem uma declaração surpreendente em 25 de janeiro. De acordo com um telegrama, o negociador holandês para o clima, Sanne Kaasjager, “rascunhou menssagens para embaixadas de países auxiliados pelo governo holandês solicitando apoio ao acordo. É um movimento sem precedentes por parte do governo da Holanda, que tradicionalmente recua diante de qualquer sugestão de usar o dinheiro da ajuda financeira como alavanca política.”

Mais tarde, no entanto, Kaasjager volta atrás, ao dizer: “A Holanda acharia algo bem complicado usar o acordo como condição para receber ajuda climática.”

Talvez o mais audacioso apelo por fundos tenha sido revelado por telegramas enviados pela Arábia Saudita, o segundo produtor mundial de petróleoe um dos 25 países mais ricos do mundo. Um telegrama secreto enviado em 12 de fevereiro registra um encontro entre oficiais da embaixada dos EUA e o líder saudita para as negociações climáticas, Mohammad al-Sabban. “O reino precisará de tempo para diversificar sua economia para além do petróleo, mas um compromisso dos EUA para ajudar a Arábia Saudita com os seus esforços de diversificação econômica aliviaria a pressão das negociações sobre mudança climática.”

Os sauditas não gostaram do acordo, mas estavam preocupados em perder “o bonde” da história. O ministro assistente do petróleo, Príncipe Abdulaziz bin Salman, disse aos oficiais americanos que ele havia dito ao ministro Ali al-Naimi que a Arábia Saudita tinha “perdido uma oportunidade real de submeter 'algo interessante' à cúpula climática, como fizeram a Índia e a China, algo que não fosse legalmente vinculante mas pudesse significar um aceno de boa vontade por parte do país, sem comprometer os interesses seus econômicos vitais.”

Os telegramas obtidos pelo WikiLeaks terminam no final de fevereiro deste ano. Atualmente, 116 países aderiram ao acordo. Outros 26 dizem que pretendem aderir. Esse total, de 140 países, está dentro da meta de 100 a 150 nações revelada por Pershing em seu encontro com Hedegaard em 11 de fevereiro. Os 140 representam quase 75% dos 193 que participam da Conferência da ONU para o Clima e, como gostam de lembrar aqueles que aderiram ao acordo, são responsáveis por mais de 80% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa.

Reportagem [WikiLeaks cables reveal how US manipulated climate accord] do The Guardian, no Estadão.com.br
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#Posté le jeudi 10 mars 2011 01:01

Modifié le jeudi 27 octobre 2016 01:52

 

WikiLeaks: Gillard Não Fez Nada por Ataques contra os Indianos

Julia Gillard, então vice-primeira-ministra da Austrália, visitou a Índia em 2009 após série de ataques a estudantes indianos no país, mas a visita foi uma "oportunidade desperdiçada", que nada fez para resolver a raiva na Índia , de acordo com cabos WikiLeaks

1.4.2011 / Fonte: New Kerala

Tradução de Edu Montesanti

Observação do Blog: Temos insistido nos artigos próprios do Blog, e através de artigos e vídeos externos, que os políticos, em sua maioria, não só tratam com descaso os problemas sociais, como a muitos interessa crises, violência e atos terroristas, sendo até causadores delas afim de justificar suas políticas coeercitivas e geralmente imperialistas também. Grande exemplo é o plano P2OG norteamericano, arquitetato por seu então secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, com participação direta de Bush (filho), o qual reportamos com apresentação de documento original na Terceira Página. Mais uma evidência trazida por WikiLeaks, abaixo.


Shabbir Wahid, ex-cônsul-geral brasileiro em Mumbai, disse que Gillard gastou mais tempo falando com o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh sobre oportunidades educacionais, não sobre a violência contra estudantes indianos, reportou o jornal australiano Sydney Morning Herald.

Wahid, proeminente empresário de Melbourne, disse ao consulado dos EUA em Melbourne que a Austrália estava carecendo de importantes oportunidades comerciais na Índia.

Gillard foi também ministra da Educação à época.

"De acordo com Wahid, Gillard concentrou-se muito em sua pasta de ministro da Educação, afastando-se da essência da reunião com o primeiro-ministro Singhcom, limitando-se apenas a compromissos vagos", escreveu o então cônsul-geral Michael EUA Thurston em um telegrama do consulado em Melbourne, a 20 de outubro de 2009.

A visita do então premiê John Brumby era "igualmente ineficaz", o tesoureiro de Estado, John Lenders, disse a Thurston.

"As visitas de autoridades do alto escalão australiano causaram apenas impacto limitado sobre os ânimos de arrefecimento ainda exaltados devido ao aumento da violência", escreveu Thurston.

O então ministro do Exterior, Stephen Smith, comparou a relação Índia-Brasil a uma partida de críquete, dizendo: "Curtas demonstrações de entusiasmo seguidas de longos períodos de inatividade".

De acordo com os cabos, Manmohan Singh descreveu Índia e Austrália como "países com tanto em comum, mas tão pouco a ver um com o outro".

Citando um relatório do Comitê da Previsão deTurismo da Austrália (TFC), informou a BBC, havia mais de 70 mil indianos que estudavam na Austrália em 2009.



Capitalismo Norte-Americano Garante Poder de Gaddafi na Líbia

24.3.2011 / Fontes: Correio do Brasil (matéria) e The New York Times (telegrama original)


Em 2009, os principais assessores do coronel Muammar Gaddafi reuniram 15 executivos de empresas globais de energia que operam em campos de petróleo da Líbia e expressaram uma demanda extraordinária: levar para fora US$ 1,5 bilhão e depositar o dinheiro em uma conta secreta. Caso as empresas não cumprissem a determinação, os funcionários da Líbia avisaram que haveria “consequências graves” para os contratos de petróleo. A informação foi divulgada no diário norte-americano The New York Times, na edição desta quinta-feira, com base em correspondências do Departamento de Estado norte-americano.

Ainda segundo o NYT, as empresas reclamaram pois o dinheiro vinha de uma cobertura de resolução legal da Líbia com as famílias das vítimas do atentado ao avião da Lockerbie, e manipular um dinheiro desses, vindo de atos de terrorismo, era impensável. Mas algumas empresas, incluindo várias com sede nos Estados Unidos, pareceram dispostas a ceder à coerção da Líbia, e fazer o que equivalia a um suborno, para se manter nos negócios, segundo executivos do setor, autoridades norte-americanas e do Departamento de Estado.

Este episódio e outros semelhantes, disseram os funcionários, refletem uma cultura da Líbia, onde fazem parte a corrupção, propinas, táticas violentas e clientelismo político, desde que os EUA reabriram o comércio com o governo do coronel Gaddafi, em 2004. Da mesma forma, as empresas petrolíferas norte-americanas e internacionais, empresas de telecomunicações e prestadores de serviços se mudaram para o mercado líbio e descobriram que o coronel Gaddafi e seus defensores receberam milhões de dólares em “bônus de assinatura” e “contratos de consultoria”.

“A Líbia é uma cleptocracia em que o regime – e a família Gaddafi ou seus aliados políticos – têm uma participação direta na compra, venda ou posse de qualquer coisa”, diz um telegrama do Departamento de Estado norte-americano de 2009, arquivado sob a palavra Gaddafi.

A riqueza que a família do coronel Gaddafi e seu governo acumularam, com a ajuda de empresas internacionais desde o levantamento das sanções econômicas do Ocidente, ajudou a fortalecer seu poder no país. Embora o resultado da intervenção militar em curso pelos Estados Unidos e países aliados seja incerto, os recursos de Gaddafi – incluindo um estoque de dezenas de bilhões de dólares em dinheiro que os oficiais norte-americanos acreditam que ele está usando para pagar os soldados, mercenários e apoiadores – poderão ajudá-lo a evitar, ou pelo menos retardar, a sua remoção do poder.

Os bancos também ajudaram a Líbia e o Irã, coletando taxas lucrativas, a lavar enormes somas de dinheiro nos últimos anos, em violação das sanções internacionais contra Teerã, segundo com um outro telegrama de Trípoli, incluído em um lote de documentos sigilosos obtidos pelo site de segredos revelados WikiLeaks. Em 2009, segundo o telegrama, os diplomatas norte-americanos alertaram às autoridades líbias de que suas relações com o Irã comprometiam a Líbia devido ao “potencial de ganhos de curto prazo das empresas” que ficava comprometido.

Nos primeiros anos, levantadas as restrições ao comércio com a Líbia com a desistência de Gaddafi de ingressar para o clube dos países com armas nucleares e à renúncia ao terrorismo, muitas empresas norte-americanas ainda hesitavam em fazer negócios com o governo da Líbia, disseram autoridades. Mas como um acordo sobre uma resolução que definia o papel líbio no atentado da Pan Am sobre Lockerbie, na Escócia, chegou finalmente em 2008, funcionários do Departamento de Comércio dos Estados Unidos começaram a servir como incentivadores das empresas norte-americanas.

Pelo menos uma dúzia de empresas norte-americanas, incluindo a Boeing, Raytheon, ConocoPhillips, Occidental, a Caterpillar ea Halliburton, ganhou pontos de apoio, ou tentou fazê-lo. Em maio, o governo Obama eo governo Gaddafi assinaram um novo acordo comercial, projetado, de acordo com Gene Cretz, embaixador norte-americano na Líbia, para “ampliar e aprofundar nossas relações econômicas bilaterais.”

O coronel Gaddafi, segundo o Departamento de Estado, esteve pessoalmente envolvido nas decisões de negócios. Ele trabalhou com um comitê de supervisão instituído pelo governo líbio para distribuir negócios com empresas estrangeiras e insistiu em assinar todos os contratos de mais de US $ 200 milhões. Ele também aprendeu a esconder o dinheiro e os investimentos em caso de sanções, como aquelas impostas agora.

Gaddafi e sua família controlam contas em bancos ao redor do mundo, em nomes de membros de tribos líbias que permanecem fiéis ao seu governo, disse Idris Abdulla Al-Abed Senussi, um membro exilado da família, mas ainda com muitas das relações de negócios com o coronel Gaddafi. Os parentes Gaddafi vivem um estilo luxuoso de vida, incluindo mansões e investimentos em Hollywood (Califórnia, EUA), com entidades privadas e estrelas pop norte-americanas, entre elas Rihanna, que recentemente preferiu devolver o dinheiro recebido por um show em Trípoli.

Daniel E. Karson, sócio-diretor executivo da Kroll, empresa de consultoria de riscos envolvida em um processo de espionagem no Brasil, lembrou em uma recente entrevista que uma empresa de comunicação internacional que ele representava tentou entrar no mercado de telefonia celular da Líbia em 2007. Desde o início, as autoridades líbias deixaram claro que o sócio da empresa estrangeira de empresa local teria que ser Muhammad Gaddafi, o filho mais velho do governante líbio.

– Avisamos a eles que teriam que passar por Muhammad Gaddafi. Isso não ia ser feito com base, como dizem no varejo, preços, qualidade e entrega – disse Karson, que não quis identificar o cliente. Por medo de entrar em um negócio com os Gaddafis, disse ele, a empresa preferiu não investir na Líbia.



O Homem-Bomba da Suíça
 
Rudolf Elmer foi diretor nas Ilhas Cayman de um grande banco suíço.
Arrependido, ele se oferece para colaborar com o governo brasileiro para ajudar a rastrear o dinheiro sujo

7 de maio de 2009 / Fonte: Wikileaks.ch


Vivendo num pequeno arquipélago do oceano Índico, nas Ilhas Maurício, o ex-banqueiro Rudolf Elmer se transformou no inimigo público número 1 da Suíça. Chamado de “traidor” do seu país, ele pretende implodir uma tradição de mais de 500 anos: o segredo bancário. Graças ao sigilo, a Suíça administra hoje mais de US$ 3 trilhões em contas secretas. Elmer foi auditor de um dos maiores bancos locais, o Julius Baer, que tem US$ 42 bilhões em ativos, e dirigiu a filial das Ilhas Cayman até 2002, quando foi demitido e iniciou uma longa guerra com o banco.

Agora, ele pretende revelar o que sabe – e garante que seus segredos passam pelo Brasil. “Posso colaborar com governos de vários países num esforço para rastrear e repatriar recursos não declarados”, disse ele com exclusividade à DINHEIRO (leia à página seguinte). Elmer afirma que passaram pelo Julius Baer recursos de políticos, empresários e advogados brasileiros. Dos clientes notórios da América Latina, ele destaca a família do ex-presidente do México, Carlos Salinas.

Rudolf Elmer se transformou num homem-bomba porque, pela primeira vez, um banqueiro suíço vem a público revelar os meandros de uma atividade sempre cercada por sigilo e mistério. E suas denúncias ocorrem num momento de grande pressão sobre a Suíça. O UBS, maior banco do país, fez um acordo com a Justiça dos Estados Unidos e abriu as identidades de mais de 200 clientes.

O Credit Suisse, segundo banco do país, informou, dias atrás, que fechará as contas de clientes dos Estados Unidos mantidos em filiais off-shore, como os paraísos fiscais das Ilhas Cayman. E, no Brasil, banqueiros suíços foram presos em três operações recentes da Polícia Federal: Kaspar I, Kaspar II e Castelo de Areia. “Estamos assistindo ao começo do fim dos paraísos fiscais”, diz Elmer.

A sede do Banco em zurique, na Suíça: com US$ 42 bilhões em ativos, o Julius Baer administra grandes fortunas globaisOs papéis mantidos pelo ex-diretor do Julius Baer revelariam os nomes das empresas – ou trusts – que seriam mantidas por clientes de vários países do mundo no Julius Baer. Mas Martin Somogyi, porta-voz do banco, disse à DINHEIRO que são “documentos forjados”. Elmer, por sua vez, nega que tenha fabricado qualquer evidência. E diz que está pronto para colaborar com autoridades brasileiras. Suas denúncias já ajudaram o governo da Bélgica a investigar o banqueiro Philipp Stoclet, dono de uma das maiores fortunas do país.

Além disso, Elmer diz ter cooperado com autoridades fiscais da Alemanha e dos Estados Unidos, onde foram identificados nomes de cotistas em paraísos fiscais do Carlyle, uma das maiores empresas de private equity do mundo. “O sistema financeiro suíço é parte de um esquema de corrupção sistêmica”, diz ele, que está prestes a concluir um livro sobre o tema, chamado Um paraíso para alguns não é paraíso para ninguém.

Muitos dos registros do Julius Baer apareceram em primeira mão no site americano Wikileaks, especializado em vazamentos de documentos confidenciais. Incomodados, os diretores do banco em Zurique entraram com uma ação judicial para tentar fechar o Wikileaks. Perderam e a decisão de um juiz da Califórnia, tomada em março deste ano, foi considerada um marco na defesa da liberdade de informação. “Já não é mais possível ocultar a verdade”. Leia a seguir a entrevista exclusiva de Elmer à DINHEIRO.

“Sou uma ameaça aos paraísos fiscais”

Considerado traidor da Suíça e disposto a vazar documentos sobre grandes clientes do Julius Baer, Rudolf Elmer falou com exclusividade à DINHEIRO

DINHEIRO – Qual era sua função no Julius Baer das Ilhas Cayman?

RUDOLF ELMER – Eu fui auditor durante sete anos em Zurique, na Suíça, antes de me tornar responsável pelo escritório do banco em Cayman. Lá, cuidei da operação como um todo e percebi que estava sentado sobre um barril de dinamite. Especialmente porque as Ilhas Cayman não são um lugar apropriado para quem questiona a conduta dos bancos. Comecei até a receber ameaças de morte.

DINHEIRO – O sr. cuidou do dinheiro de clientes do Brasil e da América Latina?

ELMER – Nós cuidávamos das empresas, dos registros contábeis, dos contratos e das transações que eram feitas em fundos off-shore. Sabíamos quem eram os clientes, mas a relação direta com eles era feita com os gestores do Julius Baer em Nova York ou Zurique.

DINHEIRO – E quem eram os clientes?

ELMER – Passaram pelo Julius Baer em Cayman empresários, políticos e advogados brasileiros. Se houver interesse, posso vir a colaborar com a Justiça brasileira. Mas um caso notório na América Latina diz respeito a recursos do ex-presidente do México, Carlos Salinas. Ainda hoje, há US$ 130 milhões em recursos bloqueados na Suíça ligados a ele.

DINHEIRO – O sr. hoje se arrepende de ter sido um banqueiro suíço?

ELMER – Sinto vergonha. Fui parte de uma organização que não causa danos apenas a países do Terceiro Mundo. Esse sistema é também prejudicial aos países vizinhos da Suíça e à sociedade como um todo. No fundo, eu estava ajudando a esconder dinheiro. Agora, aos 53 anos, tenho direito de aprender e também de me dar conta que apoiei atividades imorais, antiéticas e criminosas.

DINHEIRO – Os bancos suíços atuam sempre fora da lei?

ELMER – Não sei se todo o sistema é antiético, mas ouvi de um alto diretor do Julius Baer que a palavra ética não tem nada a ver com a atividade dos private banks.

DINHEIRO – A Suíça sobrevive sem o segredo bancário?

ELMER – A Suíça hoje tem um problema, pois administra 27% dos US$ 11,5 trilhões que são mantidos em paraísos fiscais. É o líder do ranking de um negócio que hoje não pode mais ser considerado legítimo.

DINHEIRO – O sr. saiu do Julius Baer há alguns anos. Ainda assim, acredita ser possível rastrear os recursos?

ELMER – Sim, porque cada transação financeira sempre deixa uma evidência. O problema é que estamos falando de recursos que passaram por várias jurisdições e talvez não estejam mais em Cayman ou mesmo na Suíça. Em 2005, apresentei uma denúncia ao Ministério Público suíço, mas eles estavam mais preocupados em saber como eu tinha conseguido os documentos do que em investigar. O caso chegou a ser discutido no Parlamento suíço, mas chegou-se à conclusão de que as leis do segredo bancário não permitem um debate público sobre o tema. Na prática, tentaram me silenciar porque eu sou uma ameaça ao sistema bancário suíço.

DINHEIRO – Como foi sua demissão?

ELMER – Fui demitido de forma criminosa, quando tentaram me submeter a um teste num detector de mentiras. Fui vítima de uma pressão imoral, porque não concordava com o que via em Cayman. Aqueles testes encerraram uma carreira de 15 anos.

DINHEIRO – O sr. foi acusado de roubar documentos confidenciais do banco?

ELMER – No momento da demissão, não. Mas eles disseram que acabariam comigo se eu tentasse levar o Julius Baer à Justiça. Depois, o banco começou a me acusar de ter roubado documentos para que eles não pudessem ser usados nos tribunais. Mas chegou-se à conclusão de que eu não poderia ter roubado os documentos, uma vez que era o depositário dos mesmos. Eu poderia, no máximo, ter abusado dos documentos, mas não roubado. De um ponto de vista moral, usei os documentos para proteger a mim, minha esposa e minha filha de seis anos.

DINHEIRO – Como o sr. reagiu às ameaças?

ELMER – Vivi uma tortura psicológica. Minha filha chegou a ter medo de ir para a escola e de morrer. Recebi constantes ameaças, mas a polícia não me protegeu nem a minha família por uma razão simples: sou uma ameaça a toda a indústria dos private banks suíços. Fui também acusado pela imprensa suíça de ser um doente mental e um criminoso, antes de qualquer processo. E chegaram a me prender durante 30 dias. Depois disso, o banco chegou a me oferecer dinheiro em troca do silêncio e como uma compensação para que eu me recuperasse do trauma que sofri. Recusei porque quero me manter como uma pessoa de princípios e não ser parte de um esquema de corrupção sistêmica.

“Banqueiros suíços que ajudam ricos a esconder dinheiro são bandidos comuns”

DINHEIRO – Recentemente, o UBS fez um acordo com a Justiça dos Estados Unidos, comprometendo-se a abrir os nomes de alguns clientes. Os paraísos fiscais vão acabar mais cedo ou mais tarde?

ELMER – As autoridades americanas pediram 52 mil nomes e até agora foram entregues 200 apenas. Mas é questão de tempo para que todos se tornem públicos. A Suíça hoje não pode se dar ao luxo de rejeitar uma determinação judicial dos Estados Unidos. Isso teria graves consequências econômicas. Na minha opinião, é o começo do fim do segredo bancário, porque outros países seguirão o exemplo norte-americano.

DINHEIRO – Como o sr. se sente sendo acusado de ter traído a Suíça?

ELMER – Não tenho nenhuma mágoa. Apenas lamento que meus compatriotas não se deem conta do mal que as leis suíças de segredo bancário provocam no resto do mundo. Isso tira o sangue da democracia e causa extrema pobreza do Terceiro Mundo. Além disso, não sou um traidor da Suíça, pois fui um oficial do Exército do meu país. Posso ser, no máximo, um traidor dos paraísos fiscais.

DINHEIRO – O sr. tem colaborado com autoridades fiscais de alguns países?

ELMER – Sim e, desde que eu comecei a falar, alguns milhões em recursos sonegados já foram recuperados. Se minhas ações ajudarem a salvar uma vida em qualquer país do Terceiro Mundo, já me sentirei orgulhoso do que fiz. As pessoas que escondem dinheiro no sistema bancário da Suíça ou das Ilhas Cayman são vampiros da sociedade.

DINHEIRO – Há algumas semanas, o banqueiro suíço Kurt Pickel foi preso no Brasil, acusado de lavar dinheiro para uma construtora. Antes dele, outros banqueiros suíços foram presos por acusações semelhantes. Esta virou uma profissão de risco?

ELMER – Se banqueiros suíços estão tomando parte em ações criminosas, eles devem ser tratados como o bandido comum que rouba dinheiro do vizinho. Não se trata aqui do risco da profissão, mas do risco do crime.

DINHEIRO – Banqueiros suíços que foram presos estão sendo convidados a participar de delações premiadas. Sendo assim, qual é a segurança de uma pessoa que manteve dinheiro em paraísos fiscais?

ELMER – Devemos dar segurança a criminosos que não declararam seus recursos? Hoje, nos Estados Unidos, na Alemanha e em vários outros países, as pessoas começam a ter a convicção de que não vale mais a pena correr o risco de sonegar.



Líbia Queria Deixar Urânio Enriquecido sem Proteção

21.2.2011 / Fonte: WikiLeaks.org.br 


O dirigente líbio Muamar Kadhafi estava disposto, em 2009, depois de uma divergência com as Nações Unidas, a deixar sem proteção uma grande quantidade de urânio altamente enriquecido, segundo uma mensagem diplomática americana divulgada pelo site WikiLeaks.

O urânio (5,2 kg) altamente enriquecido foi colocado em sete contêineres destinados ao transporte, e não ao armazenamento, e depois abandonados numa instalação nuclear líbia protegida por apenas um guarda armado, segundo a notícia veiculada pelo jornal britânico The Guardian.

O jornal New York Times, que também publicou a informação, indica que a embaixada dos Estados Unidos em Trípoli chegou a advertir que, se o urânio enriquecido não fosse retirado dos contêineres num prazo de três meses, o aumento da temperatura poderia causar fissuras e ocasionar vazamento de material radioativo na atmosfera.

Diplomatas americanos e russos pressionaram os dirigentes líbios na ocasião para que autorizassem que um avião russo recuperasse os contêineres. Depois de uma primeira negativa de Muamar Kadhafi, os contêineres foram finalmente evacuados por um avião especial russo da instalação nuclear líbia de Tajura em dezembro de 2009.

Este incidente aconteceu depois que o dirigente líbio voltou atrás subitamente em sua promessa de livrar-se de todo material nuclear para o uso militar. Esta mudança aparentemente se deu pela recusa da ONU de autorizá-lo a montar uma barraca diante da sede da organização em Nova York.

Em suas viagens oficiais ao exterior, Kadhafi costuma dormir em uma barraca. A Líbia, pressionada pelos países ocidentais, abandonou seu programa nuclear militar em 2003.



Líbia Ameaçou Governo Britânico no Caso Lockerbie

21.2.2011 / Fonte: WikiLeaks.org.br


O líder da Líbia, Muammar Kadafi, ameaçou cortar relações comerciais com o Reino Unido e advertiu o país de que haveria “enormes repercussões” se o responsável pelo atentado de Lockerbie morresse na cadeia, disse nesta quarta-feira o diário britânico The Guardian, citando como fonte despachos diplomáticos obtidos pelo website WikiLeaks.

Abdel Basset al-Megrahi, condenado à prisão perpétua por sua participação na explosão de um avião da Pan Am que sobrevoava a Escócia, em 1988, foi libertado pelas autoridades escocesas em agosto de 2009 por razões humanitárias, já que ele estava com câncer de próstata e se acreditava que teria poucos meses de vida.

A libertação causou indignação nos Estados Unidos, porque 189 das 270 pessoas que morreram no ataque eram norte-americanas, e o fato de ele permanecer vivo vinha levantando suspeitas sobre os motivos de sua libertação.

“Os líbios disseram sem rodeios ao governo de Sua Majestade que haverá “repercussões enormes” para as relações bilaterais entre o Reino Unido e a Líbia se a libertação antecipada de Megrahi não for conduzida apropriadamente”, disse o diplomata Richard LeBaron, dos EUA, em um despacho enviado a Washington em outubro de 2008.

“Ameaças específicas incluem a cessação imediata de todas as atividades comerciais britânicas com a Líbia, redução ou corte de relações diplomáticas e manifestações contra instalações do Reino Unido”, disse o embaixador dos EUA Gene Cretz. Autoridades líbias deram a entender que as atividades de diplomatas e outros cidadãos britânicos na Líbia ficariam sob risco.



Wikileaks Escancara a Terceirização da Guerra e Coloca a Imprensa Diante de Desafio

16.11.2010 / Fonte: Almoxarifado Empoeirado,

Artigo de Carlos Castilho, no Observatório da Imprensa


A nova leva de documentos secretos publicada pelo site Wikileaks desnudou para o público uma realidade sinistra materializada pelo fenômeno da terceirização da guerra nas mãos de empresas privadas, sobre as quais a sociedade tem pouco ou nenhum controle.

Muito já foi dito sobre o pacote de quase 400 mil documentos secretos divulgados pelo site especializado em publicar notícias e documentos sem verificação jornalística prévia. Mas o que ainda falta discutir é como o público vai digerir este material e a provável avalancha de outros que certamente congestionarão os fluxos informativos na web nos próximos meses e anos.

Os jornalistas terão um papel essencial neste processo, mas é fácil prever que a verificação de informações tende a se tornar cada vez mais complexa e exigente em matéria de mão de obra. As redações de jornais estão muito enfraquecidas pelos sucessivos cortes impostos pelas indústrias da comunicação para enfrentar as incertezas da digitalização.

Por isso deduz-se que a interpretação e contextualização do novo pacote de documentos secretos vai exigir um esforço que supera a capacidade operacional das redações, repetindo a situação surgida há um ano e meio, quando o jornal inglês The Guardian recorreu a seus leitores para destrinchar pouco mais de 470 mil páginas de documentos sobre corrupção no Parlamento britânico.

Na época, a respeitada Fundação Nieman, da Universidade Harvard, qualificou a decisão do jornal como um marco na história do jornalismo contemporâneo. Agora surge uma situação muito similar colocando um novo desafio diante das redações de jornais. Caso não haja uma preocupação idêntica ao caso do The Guardian, corre-se o risco de perder uma oportunidade histórica para questionar o papel de empresas privadas na segurança nacional e internacional.

Também a responsabilidade dos governantes entra em pauta na medida em que a terceirização dos contratos é da alçada deles. A imprensa não pode se omitir numa situação como esta porque está em jogo o seu papel como provedora de informações para que a sociedade possa patrulhar o papel do Estado.

Quando a segurança nacional — da mesma forma que já aconteceu com a segurança pública urbana — é privatizada, os cidadãos perdem os instrumentos institucionais de controle e passam a depender da “boa vontade” de empresas privadas geralmente pouco preocupadas com a transparência de suas ações. A imprensa seria o caminho normal para evitar que situações como esta acabem se generalizando, mas o que se tem observado até agora é um silêncio preocupante.

Diante das restrições orçamentárias e das dimensões da tarefa, não restam outras opções para os jornais, emissoras de rádio, de TV e os portais informativos na web senão imitar o jornal The Guardian e pedir a colaboração do público para entender e tirar lições dos documentos divulgados pelo site Wikileaks.

É uma decisão complexa porque não dá para considerá-la uma fórmula mágica. O apelo do Guardian foi muito bem aceito nas primeiras semanas, mas depois perdeu seu ímpeto inicial. Passados 18 meses, metade dos documentos sobre corrupção no Parlamento britânico ainda não foram revisados pelo público. A principal razão foi falta de tempo dos voluntários mas, como assinalou a Fundação Nieman, também faltou um maior esforço motivador por parte do jornal.

A colaboração do público não é uma fórmula acabada, ainda apresenta uma série de problemas e necessita ser pesquisada em mais profundidade. Mas tudo indica que a busca de uma solução passa por ela.



Putin sobre as Revelações de WikiLeaks: "Não Esperávamos Essa Grosseria e Falta de Ética"

2.12.2010 / Fonte: 20 Minutos.es

Tradução de Edu Montesanti


O primeiro-ministro russo Vladimir Putin, manifestou desconforto com as caracterizações que os EUA fazem dele e do presidente russo, Dmitry Medvedev, em telegramas revelados através do Wikileaks, dizendo que não esperava "tanta arrogância, grosseria e falta de ética".

Em entrevista a Larry King da CNN (canal de TV norteamericano), Putin disse que as declarações de diplomatas dos EUA em um dos cabos, dizendo que ele é "Batman" e Medvedev é "Robin", tentam desonrar um dos dois.

O primeiro-ministro russo disse que tal caracterização é realmente sobre a "interação" entre os dois líderes, algo que, disse, "é um fator importante na política interna desse país".

"É claro que, para ser honesto, não esperamos que seriam tão arrogantes, tanto rudes e antiéticos", disse Putin quem, no entanto, considerou que o vazamento de mais de 250 mil telegramas "não é uma catástrofe".

O primeiro-ministro também se referiu a um dos cabos em que o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse a seu colega francês que "a democracia russa desapareceu, e que o governo é uma oligarquia executado pelos serviços de segurança" .

Putin rejeitou fortemente este argumento e disse que Gates estava "muito errado". Também pediu que as autoridades dos EUA de não interfiram nos assuntos internos da Rússia.

"Quando falamos com nossos amigos norteamericanos (...) os ouvi dizer: "Não interfira em nossos assuntos", e nós não interferimos, mas eu aconselharia os nossos colegas norteamericanos que não interfiram na escolha soberana do povo russo", disse ele.

Neste contexto, também disse que no momento certo decidirá, e "por mútuo acordo" com Medvedev, quem será o candidato presidencial, e se ele vai concorrer novamente em 2012.

A ratificação do START, em debate

Na entrevista, Putin também advertiu Washington de que a Rússia terá que desenvolver e implantar novas armas nucleares, se os EUA não ratificarem o tratado de desarmamento nuclear START, assinado em abril em Praga, por Medvedev e Barack Obama.

O primeiro-ministro, que disse ser grato a Obama por ter "atenuada a retórica" ​​nas relações bilaterais, afirmou que aumentar novamente o seu arsenal "não é nossa escolha".

"Nós não queremos que isso aconteça", nem "uma ameaça para nós. Estamos apenas dizendo que isso é o que nos espera se não nos colocamos em acordo nos esforços conjuntos nesta área", disse ele.

O START deverá ser ratificado pela Senado dos EUA, onde vários republicanos-chave tentam atrasar a votação citando preocupações sobre a modernização do arsenal dos EUA, enquanto o governo está pressionando os legisladores a ratificá-lo antes que ele instale, em janeiro, o novo Congresso.

O novo tratado START reduziria em 30% o número de ogivas nucleares, a 1.550 para cada um dos países.

Putin também disse que "seria muito tolo" por dos EUA ignorar seus próprios interesses, mas se isso acontecer, "então vamos reagir de alguma forma."

O primeiro-ministro russo ressaltou que, sem o START, a Rússia terá de se armar para se defender contra "novas ameaças" apresentadas pelos planos dos EUA, de um sistema de defesa antimísseis na Europa.

"Dizem-nos que é em defesa da ameaça nuclear iraniana, mas tal ameaça, neste momento, não existe", disse ele.

Neste sentido, destacou a proposta do Kremlin de ter um papel importante no sistema de defesa antimísseis.




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#Posté le jeudi 10 mars 2011 01:01

Modifié le mardi 13 novembre 2012 23:03


EUA Tem Interesse em Manter Relações com Vaticano, Diz WikiLeaks

28.4.2011 / Fonte: UOL Notícias

Os Estados Unidos têm interesse em ser um aliado do Vaticano, segundo documentos revelados pelo site WikiLeaks e antecipados hoje pela revista italiana L'Espresso.

Os relatórios afirmam que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, "orientou" os embaixadores e diplomatas a criarem uma página na Internet para captar, diariamente, as novidades da Santa Sé.

De acordo com os documentos, que serão publicados na edição de amanhã da revista, os Estados Unidos consideram o Vaticano "um modelo a ser estudado com atenção".

"Trata-se de uma armada impressionante: 400 mil sacerdotes, 750 madres, cinco mil monges e frades, relações diplomáticas com 177 países, três milhões de escolas, cinco mil hospitais, braço operativo da Caritas com 165 mil voluntários e dependentes que prestam assistência a 24 milhões de pessoas", ressaltam os documentos.

"O Vaticano pode ser uma potência aliada ou um inimigo ocasional. Devemos fazê-lo ver que a nossa política pode ajudá-lo a avançar em muitos princípios", orienta o Departamento de Estado dos EUA.

Segundo os textos, "tudo depende da relação que possamos construir: devemos trabalhar juntos quando as nossas posições são complementares, assegurando que a nossa linha seja compreendida quando são divergentes".



Novos Documentos WikiLeaks Mostram EUA Pressionando Vaticano sobre Iraque, e OGM's

17.12.2011 / Fonte: National Catholic Reporter

Tradução de Edu Montesanti


Telegramas confidenciais liberados hoje, como parte das divulgações WikiLeaks, mostram diplomatas norteamericanos pressionando o Vaticano para tomar uma atitude mais positiva sobre as consequências da guerra liderada pelos EUA no Iraque, e sobre os organismos geneticamente modificados (OGM's).

Os cinco novos cabos publicado no sítio WikiLeaks são datados entre março de 2001 a junho de 2008. De maneira geral,m não acrescentam muito ao que já era conhecido, sobre o Vaticano ou sobre a política externa norteamericana, mas acrescentam alguns novos detalhes intrigantes.

Um cabo de abril de 2007, por exemplo, relata que o então embaixador dos EUA na Santa, Sé, Francis Rooney, pediu uma reunião de alto escalão ao Vaticano, para protestar contra declarações do Papa Bento XVI sobre a situação no Iraque, durante sua mensagem de Páscoa daquele ano.

Falando diante de peregrinos na Praça de São Pedro no Domingo de Páscoa, Bento XVI disse na ocasião: "Não vem nada de positivo do Iraque, ensanguentado por contínuas matanças enquanto as populações civis se regugiam".

De acordo com o cabo de 26 de abril da embaixada dos EUA, Rooney encontrou-se com os diplomatas do Vaticano, vários dias depois de enfatizar o que descreveu como "muitos desenvolvimentos positivos" no Iraque, e disse que "não enxergamos construtivo o comentário do papa sobre a assunto, dadas as circunstâncias".

O cabo cita o arcebispo Dominique Mamberti, prelado marroquino de origem francesa e ministro das Relações Exteriores do Vaticano, cuja resposta foi que, embora possa haver "alguns pontos luminosos" no Iraque, o "número total de mortos" continua sendo preocupante.

O cabo termina com a informação do Departamento de Estado, que a embaixada dos EUA "continuará a pressionar por comentários construtivos de funcionários do Vaticano sobre o Iraque."

O Iraque continua sendo uma das principais preocupações diplomática do Vaticano, especialmente à luz da orquestração a ataques contra a minoria cristã do país. Mais recentemente, Bento XVI dirigiu-se à deterioração da situação dos cristãos no Iraque em sua mensagem de 1º de janeiro, o "Dia Mundial da Paz".

O mais longo dos cinco cabos liberados hoje, data de abril de 2005, com atualizações de esforços de longa data de diplomatas dos EUA para pressionar o Vaticano à aceitação de OGM's.

O cabo cita dois funcionários de nível médio no Conselho Pontifício Justiça e Paz e na "Cor Unum", concílio do Vaticano responsável por supervisionar as atividades de caridade católicas em todo o mundo, no sentido de que os OGM's, não sejam, eventualmente, questionados na Santa Sé ", mas na ocasião era improvável que o Vaticano se tornasse mais explicitamente favorável, devido à "oposição aberta entre alguns leigos católicos e o clero".

Notando que a oposição aos OGM's, dentro do catolicismo, é especialmente forte no mundo subdesenvolvido, um funcionário do Vaticano teria brincado dizendo que a igreja nas Filipinas "entraria em cisma" se o Vaticano adotasse uma postura pró-OGM.

O cabo cita um funcionário da "Cor Unum", dizendo que a "opinião geral" dentro do Vaticano é de que a "ciência é sólida" no sentido de que os transgênicos são seguros. A principal preocupação para a Igreja, diz a fonte, é provável que seja a dimensão econômica da biotecnologia alimentar - se eles vão tornar os agricultores nos países em subdesenvolvidos mais dependentes de empresas multinacionais no Ocidente.

Um fato interessante relatado pelo cabo, é mais forte que a voz pró-OGM no Vaticano tivesse sido o cardeal italiano Renato Martino, à época ainda presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz. Contudo, o cabo relata, os diplomatas norteamericanos não podiam mais contar com Martino para transportar a bola.

Um suplente do cardeal, de acordo com o cabo, disse a diplomatas norteamericanos que Martino tinha cooperado com a embaixada dos EUA junto à Santa Sé sobre os OGM's, em parte, para "compensar" sua forte crítica à guerra liderada pelos EUA no Iraque. O cabo disse que o deputado havia informado, no entanto, que Martino não sentia que ele precisava tomar tal atitude.

Outros cabos lançados hoje, incluem:

• Relatório de 2001, em que o Vaticano pediu aos EUA e ao Reino Unido que pressionassem Uganda e Ruanda para retirar as tropas da região do Kivu, na República Democrática do Congo, e participar do processo de paz.

• Relatório de setembro de 2007, de conversa com o embaixador do Líbano na Santa Sé, analisando as possíveis contribuições que o Vaticano poderia proporcionar à promoção de eleições livres no Líbano. (O consenso foi apenas o de que a contribuição mais valiosa do Vaticano se daria através de se pressionar a Síria a deixar o Líbano).

• Cabo de comunicação de junho de 2008, em que o Papa Bento XVI não concederia uma audiência ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, época em que o polêmico líder iraniano estava em Roma, para uma cúpula da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. Diplomatas norteamericanos haviam pressionado o papa a desprezar Ahmadinejad, apesar de uma autoridade do Vaticano ter dito que a lógica para se negar a reunião foi a de que diversos líderes ao mesmo tempo fizeram o pedido, devido à cúpula da FAO.



Integrante da Al-Qaeda Trabalhava para Inteligência Britânica, Diz WikiLeaks

26.4.2011 / Fonte: UOL Notícias

Tradução de Edu Montesanti


Um integrante da rede Al-Qaeda acusado de ataques em igrejas cristãs e a um hotel de luxo no Paquistão em 2002 trabalhava na mesma época para os serviços secretos britânico e canadense, de acordo com documentos vazados pelo sítio WikiLeaks.

Adil Hadi al Jazairi Bin Hamlili esteve detido pelo governo americano no centro de detenção da baía de Guantánamo entre 2003 e o ano passado, segundo documentos publicados no jornal britânico The Guardian.

O argelino foi descrito por seus interrogadores como "facilitador, entregador, sequestrador e assassino" para a Al-Qaeda.

Ele foi capturado no Paquistão em 2003 e levado para um interrogatório na base norteamericana de Bagram, no Afeganistão.

Ataques

Hamlili teria dito a agentes da CIA que era informante dos serviços de inteligência de Canadá e Grã-Bretanha, desde o ano 2000.

Ele foi considerado uma ameaça para os EUA e seus aliados, no Afeganistão e Paquistão.

Outro detido, Khalid Sheikh Mohammed, considerado o mentor dos ataques de 11 de Setembro, supostamente afirmou durante interrogatório que Hamlili estava por trás de um ataque com granadas a uma igreja em Islamabad em 2002 que matou cinco pessoas.

Apesar das acusações, ele foi enviado de volta à Argélia no ano passado. Não se sabe se Hamlili está atualmente detido.

Mesquista

Outros arquivos publicados no jornal britânico The Daily Telegraph sugerem que uma mesquita no norte de Londres, seria "porto seguro" para extremistas islamitas.

Os documentos afirmam que 35 homens que lutaram contra forças ocidentais no Afeganistão, foram recrutados pelos clérigos Abu Hamza e Abu Qatada na mesquita de Finsbury Park.

A mesquita costumava atrair jovens em fins da década de 1990. Eles seriam então radicalizados e enviados para campos de treinamento no Afeganistão.

Documentos afirmam ainda que a Al-Qaeda escondeu uma bomba nuclear na Europa, e a detonaria caso Osama Bin Laden fosse capturado, que o líder da Al-Qaeda tentou recrutar seguidores entre trabalhadores do aeroporto de Heathrow e que o governo americano suspeitou que o Serviço Mundial da BBC poderia ser "um possível veículo de mídia para divulgação" da Al-Qaeda.

A suspeita surgiu porque o telefone da entidade foi encontrado com vários suspeitos detidos, segundo o Telegraph.

O diretor da BBC Global News, Peter Horrocks, escreveu para o jornal, afirmando que discorda com veemência da interpretação dos aquivos.



WikiLeaks Divulga Documentos Secretos sobre Abusos em Guantánamo

Documentos revelam a presença de idosos e adolescentes no local

25.4.2011 / Fonte: R7 Notícias


Os jornais El País, The New York Times e o Washington Post publicam em suas páginas na internet na noite deste domingo (24) informações detalhadas sobre a prisão militar de Guantánamo em Cuba, obtidos pela organização Wikileaks.

Por meio de um comunicado, o Departamento de Estado dos EUA e o Pentágono criticaram os meios de comunicação que divulgaram o conteúdo dos documentos secretos.

- É infeliz que várias organizações midiáticas tenham tomado a decisão de publicar vários documentos obtidos de forma ilegal pelo Wikileaks relacionados com o centro de detenção de Guantánamo.

Os EUA indicaram que os papéis do Pentágono incluem Expedientes de Avaliação de Detidos (DABs, na sigla em inglês) redigidos pelo Departamento de Defesa entre 2002 e começo de 2009.

- Esses DABs foram escritos em função da informação disponível então, diz a resposta oficial.

O comunicado ressalta que o Grupo de Trabalho de Revisão de Guantánamo, estabelecido em janeiro de 2009, considerou os DABs durante sua revisão da informação de detidos.

O Governo americano insiste que em algumas ocasiões o citado grupo de trabalho chegou às mesmas conclusões que os DABs, mas em outras houve divergências.

O comunicado destaca que o Wikileaks não teve acesso às conclusões do grupo de trabalho e portanto os documentos obtidos "ilegalmente" podem representar ou não a opinião de um detido concretamente.

Os EUA asseguram que tanto o governo atual como o anterior fizeram todos os esforços a seu alcance para realizar com o máximo "cuidado e diligência" a transferência de detidos em Guantánamo.

O comunicado lembra que o governo anterior transferiu 537 detidos e o atual autorizou a mudança de 67.

- Para ambos os governos a proteção de cidadãos americanos foi sua principal prioridade e nos preocupa que a divulgação dos documentos possa prejudicar esses esforços, ressaltou o comunicado.

O portal Wikileaks divulgou na noite deste domingo 759 documentos secretos do Pentágono que revelam que o governo dos Estados Unidos usou a prisão de Guantánamo ilegalmente para obter informação de seus reclusos, independentemente que fossem suspeitos ou não, segundo informa o jornal espanhol El País.

De acordo com os documentos oficiais vazados pelo Wikileaks, na prisão de Guantánamo, os EUA "criaram um sistema policial e penal sem garantias no qual só importavam duas questões: quanta informação se obteria dos presos, embora fossem inocentes, e se podiam ser perigosos no futuro", acrescenta o jornal espanhol em sua página na internet.

Cerca de 60% dos detidos foram conduzidos à base militar sem ser uma ameaça "provável", afirma o jornal espanhol, apontando que idosos com demência, adolescentes, doentes psiquiátricos graves e professores de escola ou fazendeiros sem nenhum vínculo com terrorismo foram conduzidos ao presídio e misturados com verdadeiros terroristas como os responsáveis pelo atentado de 11 de setembro de 2001.

O diário assinala que teve acesso junto com outros veículos de imprensa internacionais, por meio do Wikileaks, "às fichas militares secretas de 759 dos 779 presos que passaram pela prisão".

Atualmente, 172 presos considerados de 'alto risco' continuam em Guantánamo, em Cuba.



WikiLeaks Revela Arquivos Secretos dos Prisioneiros de Guantánamo

Ontem, WikiLeaks começou a publicar 779 arquivos com fichas de cada um dos presos de Guantánamo

25.4.2011 / Fonte: A Pública


No mais recente vazamento de documentos secretos dos Estados Unidos, o Wikileaks desmascara um dos mais famosos ícones da administração Bush na “Guerra ao Terror”: a prisão da baía de Guantánamo, em Cuba, inaugurada em 11 de janeiro de 2002 e ainda hoje funcionando apesar das promessas de Obama de fechá-la em no máximo um ano após assumir a presidência dos EUA.

As milhares de páginas de documentos inéditos, do período de 2002 a 2008, consistem em memorandos da Join Task Force at Guantánamo Bay (JTF-GTMO) para o US Southern Command, em Miami, Flórida, que descrevem, em detalhes, os casos de 758 dos 779 presos de Guantánamo, com as recomendações da JTF sobre seu futuro: transferência, soltura ou permanência na base americana.

As fichas dos prisioneiros também contêm informações secretas como o estado de saúde e, no caso dos 171 que ainda estão detidos, fotos, em muitos casos, únicas. Os arquivos também trazem informações inéditas sobre os 201 prisioneiros soltos entre 2002 e 2004 e documentam descalabros como inocentes detidos por engano (ou porque os Estados Unidos oferecem polpudas recompensas para os aliados que capturam suspeitos de fazer parte da Al-Qaeda ou do Taliban). Também revelam as histórias de 397 prisioneiros soltos a partir de setembro de 2004, e de sete homens que morreram em Guantánamo.

Assinados sempre pelo comandante de Guantánamo no período, os memorandos atribuem aos prisioneiros diferentes graus de risco (baixo, médio e alto). Embora não seja definitiva por depender de níveis mais altos de poder – a classificação é importante porque inclui a opinião da Criminal Investigation Task Force, criada pelo Departamento de Defesa para conduzir interrogatórios na “Guerra ao Terror”, e das equipes de psicólogos que decidem a linha de “exploração” das inquirições.

Cruciais, também, são as explicações detalhadas sobre as estratégias de “inteligência” usadas para justificar as prisões. Para muitos leitores, esse será o aspecto mais fascinante dos documentos, pela oportunidade de ver como funciona a inteligência americana, mas cuidado: embora muitas vezes dêem a impressão de provar a ligação dos prisioneiros com a Al-Qaeda ou outras organizações terroristas, os documentos se apóiam basicamente em depoimentos de testemunhas – em muitos casos companheiros de prisão dos acusados – consideradas de baixa credibilidade por terem deposto sob coerção e tortura (em Guantánamo e em prisões secretas da CIA) ou por conveniência pessoal, em troca de um melhor tratamento na cadeia.

Depoimentos falsos

Entre esses depoimentos não-confiáveis estão os de prisioneiros “fantasmas” ou “de alto valor”, como Abu Zubaydah, capturado no Paquistão em março de 2002. Depois de passar quatro anos e meio em prisões secretas da CIA, em lugares como a Tailândia e a Polônia, onde foi submetido ao “afogamento controlado” em 83 ocasiões apenas em agosto de 2002, Zubaydah foi transferido para Guantánamo com mais 13 prisioneiros de “alto valor” em setembro de 2006. Os depoimentos de todos eles são suspeitos.

Ibn al-Shaykh al-Libi, o emir do campo de treinamento militar do qual Zubaydah era guardião e que se recusou a permitir que a Al-Qaeda utilizar suas instalações (por esse motivo fechadas pelo Taliban), é descrito nos documentos de Guantánamo como o comandante militar de Bin Laden em Tora Bora. Pouco depois de capturado, em dezembro de 2001, al- Libi foi levado pela CIA ao Egito onde, torturado, confessou falsamente que os agentes da Al-Qaeda tinham se encontrado com Saddam Hussein para negociar a compra de armas biológicas e químicas. Al- Libi negou a mentira depois, mas ela continuou a ser usada pela administração Bush para justificar a invasão do Iraque em março de 2003. Al-Libi nunca foi mandado a Guantánamo – em determinado momento, provavelmente em 2006, foi enviado de volta a Líbia onde “suicidou-se” na cadeia em maio de 2009.

Há muitos outros casos semelhantes, agora documentados, como o dos iemenitas Sharqawi Abdu Ali al-Hajj – torturado em uma prisão da CIA na Jordânia por quase dois anos antes de ser enviado a Guantánamo -, e Sanad Yislam al-Kasimi que passou por três prisões secretas, incluindo a “Dark Prison” de Cabul. Em fevereiro de 2010, o juiz Henry H. Kennedy Jr, da corte de Washington D.C, concedeu habeas-corpus a outro preso iemenita de Guantánamo (Uthman Abdul Rahid Mohammed Uthman), exatamente por seu processo basear-se nos depoimento de al-Hajj e al-Kasimi. E justificou: “A Corte não vai se basear nos depoimentos de Hajj ou Kasimi porque os dois homens foram torturados antes de depor”.

Não foi o primeiro juiz a tomar essa atitude. Em janeiro de 2009, na mesma corte penal, o juiz Richard Leon, indicado por George W. Bush, anulou o depoimento do iemenita Yasim Basardah e concedeu habeas corpus a Mohammed El-Gharani, nacionalista do Chade preso aos 14 anos de idade e condenado pelas declarações do ienemita ,que havia feito 60 depoimentos semelhantes contra outros presos em troca de tratamento privilegiado na prisão. O juiz Leon recomendou ao governo que tivesse cautela “com depoimentos sem corroboração independente”, o que se repetiu em outros casos de concessão de habeas corpus.

Entre esses casos está o de Mohammed al-Qahtani, um saudita suspeito de envolvimento nos ataques de 11 de setembro de 2001, que foi submetido a um programa específico de torturas em Guantánamo, aprovado pelo secretário de Defesa, Donald Rumsfeld. O “programa”, que durou muitos meses, consistia em interrogatórios diários de 20 horas com o uso de “técnicas” que comprometeram severamente a saúde do prisioneiro. Por esse motivo, Susan Crawford, uma juíza aposentada muito amiga de Dick Cheney e David Addington, indicada para supervisionar as comissões militares em Guantánamo disse ao jornalista Bob Woodward: “Nós torturamos Qahtani. O tratamento dado a ele encaixa-se na definição legal de tortura”. Por esse motivo, Crawford não quis representar contra ele e os diversos depoimentos de Qahtani sobre outros presos foram descartados pela Justiça americana.

Meninos e homens inocentes

Muitos casos chocantes podem ser descobertos a partir da leitura desses documentos, que também revelam a prisão de meninos e homens inocentes, capturados por engano, e de soldadinhos do Taliban sem ligação com o terrorismo. Muitos desses prisioneiros foram vendidos aos Estados Unidos por aliados afegãos e paquistaneses interessados nas recompensas em dinheiro. O ex-presidente Musharraf testemunhou em seu livro de memórias (In the Line of Fire) que o governo paquistanês recebeu “milhões de dólares” em troca de ter entregue 369 suspeitos de terrorismo aos americano.

Fatos constrangedores como esses não são revelados nas deliberações da Joint Task Force, mas são cruciais para entender porque os arquivos contra os presos de Guantánamo – que teoricamente deveriam comprovar seus laços com o terrorismo – acabavam revelando exatamente o contrário: a anatomia de um crime colossal perpetrado pelo governo dos Estados Unidos contra 779 pessoas que, em sua grande maioria, não eram os terroristas que os americanos pintam.

Consulte os documentos originais no sítio http://wikileaks.ch/gitmo



Conheça Oito Histórias Secretas de Guantánamo Reveladas por WikiLeaks

Militares tem “manual de interrogador” para arrancar dados de suspeitos de terrorismo

25.4.2011 / Fonte: R7 Notícias


Uma nova leva de papéis confidenciais do governo americano, vazados pelo site WikiLeaks, trazem histórias chocantes sobre os presos de Guantánamo. Os documentos mostram, por exemplo, que prisioneiros de “alto risco” foram libertados em troca de cooperação. Também revela a existência de um “manual de interrogatório”. A polêmica prisão em uma base cubana concentra suspeitos de terrorismo, presos durante a Guerra do Terror.

Os papéis mencionam, ainda, terroristas infiltrados em serviços de inteligência de governos ocidentais, bem como a prisão de idosos, doentes mentais, adolescentes e religiosos reconhecidamente sem ligação com o terrorismo. O fechamento da prisão foi uma promessa de campanha do presidente Barack Obama. Há prisioneiros há mais de 9 anos sem julgamento ou direito a advogados. O governo dos EUA já reconheceu a existência de tortura na prisão.

Os documentos do WikiLeaks, site fundado pelo ativista australiano Julian Assange, mostram que houve pouco cuidado ao transferir e liberar prisioneiros perigosos, enquanto inocentes continuam presos na base naval.

Os documentos do WikiLeaks, site especializado em vazar papéis oficiais de governos do mundo inteiro por meio de uma rede de informantes, jogam luz sobre esses presos e suas identidades. Os papéis podem dar início a mais uma crise diplomática para os Estados Unidos, menos de seis meses após a divulgação de documentos diplomáticos.

1. EUA tiveram pouco cuidado ao libertar prisioneiros perigosos

Considerados de “alto risco”, 127 prisioneiros continuam na prisão de Guantánamo, mas cerca de outros 160 “que representam risco de ameaça aos Estados Unidos” foram soltos ou extraditados para outros países. Segundo a National Public Radio, a rádio estatal americana, e o jornal americano The New York Times, pelo menos duas dúzias de prisioneiros de “alto risco” foram ligados a atos terroristas desde suas libertações de Guantánamo, incluindo dois sauditas que se tornaram líderes regionais da Al Qaeda na Península Arábica.

2. Mais de 160 “inocentes” continuam presos e o Exército reconhece isso

Pelo menos 160 dos prisioneiros de Guantánamo são considerados inocentes ou “de baixo risco” pelo Exército americano, como um tradutor iraniano, que teria lutado contra o Taleban no Afeganistão e preso quando ofereceu serviços de tradução aos soldados americanos em Kandahar, no Paquistão. Incluem-se nesta lista também fazendeiros paquistaneses, um médico e um rapaz preso aos 14 anos e levado para Guantánamo por “possíveis informações sobre o Taleban e a Al Qaeda”. Também figuram nos documentos o caso de um idoso de 89 anos com problemas mentais e um inglês convertido ao Islã que foi preso apenas por ter sido prisioneiro do Taleban durante um certo período em que passou no Afeganistão. Os documentos admitem que 83 dos presos que passaram por Guantánamo “não representam risco nenhum” e outros 77 representam “risco improvável”. Outros 274 representariam apenas “eventual” risco.

3. Militares não têm certeza do que fazem

Os oficiais do Exército americano não têm certeza do que estão fazendo. Nos mais de 700 documentos de prisioneiros vazados, a palavra “possivelmente” aparece 387 vezes; “desconhecido” é lida outras 188 vezes. Um exemplo de como as informações foram mal apuradas é o caso de Yousef Abkir Salih al Qarani, supostamente um líder da Al Qaeda, em Londres, e cuja verdadeira identidade é, segundo o jornal britânico The Guardian, um garoto saudita de 11 anos que nunca deixou o país.

4. Exército tem “manual para interrogador”

Os documentos vazados mostram também um “manual do interrogador”, em que o serviço de inteligência do Exército lista maneiras para os interrogadores lidarem com muçulmanos e também detectarem formas que os presos usariam para enganá-los, como conversas sobre religião e histórias falsas para encobrir participação em atos terroristas.

5. Um único prisioneiro delatou mais de 123 terroristas

Presos de “alto risco” foram libertados após contribuírem com informações de inteligência e revelarem os paradeiros de outros terroristas muçulmanos, apesar de até mesmo os interrogadores terem colocado em dúvida a veracidade de algumas dessas informações. É o caso de Mohammed Basardah, nascido no Iêmen, que denunciou 123 pessoas ligadas a redes terroristas, incluindo outros prisioneiros de Guantánamo. Ele foi transferido para uma prisão do governo da Espanha como recompensa pelas cooperação, apesar de interrogadores terem pontuado que as informações “não eram confiáveis” e de autoridades suspeitarem que ele era um dos guarda-costas de Osama bin Laden.

6. Relógio é indício de terrorismo

Relógios baratos servem como pista para militares detectarem membros da rede Al Qaeda. Segundo mostram os documentos revelados pelo Wikileaks, relógios da marca Casio foram considerados pelo Exército americano como indícios de que suspeitos estariam envolvidos na montagem e fabricação de bombas. Os documentos dizem que até um terço dos detidos na prisão de Guantánamo (ao todo 102 pessoas) portavam um desses relógios no momento de sua captura.

7. Terroristas se infiltraram em serviços de inteligência de governos ocidentais

Membros da Al Qaeda trabalhavam infiltrados no serviço de inteligência britânico, MI-6. Um militante argelino, Adil Hadi al Jazairi Bin Hamlili, responsável por explosões em igrejas cristãs e um hotel no Paquistão, preso em Guantánamo, é citado pelos documentos oficiais como “possivelmente” um informante tanto do MI-6 quanto do serviço de inteligência canadense.

8. Guerra ao Terror mudou de alvo

Os documentos mostram que o foco das operações e detenções na chamada “Guerra do Terror” deixou de ser o desmantelamento da rede terrorista Al Qaeda para tratar de outros assuntos mais amplos. Há prisioneiros detidos por “possíveis informações” sobre o sistema judiciário do Bahrein e do serviço secreto do Cazaquistão, entre outros presos sem relação comprovada com o terrorismo.



Guantánamo, Wikileaks e a Vitrine da Tirania

28.4.2011 / Fonte: The Drum Opinion

Tradução de Edu Montesanti


O Wikileaks liberou arquivos sobre Guantánamo, fornecendo uma visão valiosa sobre a mentalidade dos EUA e de seus aliados desde o 11 de setembro.

Uma infra-estrutura de tortura foi aplicada, uma prática ainda hoje defendida pelo governo dos EUA, para supostamente proteger a pátria contra ataques futuros.

O resultado foi centenas de inocentes seqüestrados e detidos sem julgamento - "um desastre moral e legal", segundo The New York Times - e o presidente Obama continua blindando torturadores das administrações anteriores e atuais. Ele comprometeu-se a olhar para frente e não para trás. O atual presidente limitou´se a prorrogar o regime da administração de Bush, em relação à detenção indefinida de suspeitos de terror chamado.

Glenn Greenwald lançou no Salon fúria necessária sobre essa realidade:

"A idéia de confiar no governo para aprisionar pessoas mantidas sob sigilo, não comprovada evidência nunca analisada por um juiz, deve repelir qualquer pessoa decente ou minimamente racional, mas esses arquivos recém-liberados mostram como é deformada essa política de detenção por tempo indeterminado, especificamente."

No entanto, este impulso autoritário de acreditar em reivindicações não comprovadas pelo governo dos EUA, é exatamente o que muitos nos meios de comunicação vêm fazendo há anos, repetindo sem questionar deliberadamente o que vazou dos arquivos da Inteligência sobre "os piores dos piores" os prisioneiros.

Um exemplo local é o colunista de The Australian, Chris Kenny, fracassado político socialdemocrata e ex-chefe de gabinete do ex-ministro de Relações Exeriores, Alexander Downer. Durante uma conversa no Twitter nesta quarta-feira com Paul Barrett, o ex-secretário do Departamento Australiano de Defesa e de Indústrias Primárias e Energia, escreveu: "Você está discutindo libertar as pessoas que assassinaram milhares" quando Barrett perguntou por que os EUA se recusaram a realizar julgamento justo e aberto para pessoas que nunca tinham enfrentado a justiça.

Na visão de mundo de Kenny, o exército norteamericano tem rotulado centenas de muçulmanos como terroristas, o que é suficientemente bom para ele. O fato de que os arquivos de Wikileaks mostrem que a grande maioria dos presos de Guantánamo não tinha nenhuma ligação com o 11 de Setembro e com o terrorismo, pode ser ignorado.

Essa tem sido a posição padrão da maior parte da imprensa corporativa desde o 11 de setembro. Na Austrália, especialmente a imprensa de Murdoch tem rotulado os ex-detentos de Guantánamo, David Hicks e Mamdouh Habib. Isso continuou com Downer, que chamou os homens de " pessoas terríveis, terríveis", talvez porque ele tema o que uma investigação independente possa encontrar em seu próprio governo uma cumplicidade no longo encarceramento deles.

A jornalista australiana Sally Neighbour, publicou uma análise alguns dias atrás em que, inadvertidamente, minou seu próprio papel de anos de reportagens enganosas:

"Os processos de Mamdouh Habib e David Hicks revelam a chamada prova usada para justificar a prisão deles como sendo uma mistura confusa, repleta de flagrantes erros factuais e inconsistências, principalmente com a auto-incriminação que não seria admitido em um tribunal de direito, e maculada pela inclusão de informações obtidas sob tortura".

O que a Vizinha convenientemente omitiu de seu relato, foi que os jornalistas e editores ganharam anos seu jabá,sobre a propaganda confusa de anos lançada pelo governo dos EUA, contra Hicks e Habib, incluindo o The Australian, e difamando-os constantemente. É evidente que a responsabilidade da mídia não estava na agenda sobre uma década de taquigafria do estabilishment. O editorial australiano hoje, a contragosto reconhece a tortura sofrida por Habib e Hicks, mas não pede desculpas por passar anos acusando a ambos de terrorismo.

Felizmente, nesta semana o editorial do Sydney Morning Herald chamou o tratamento de Hicks e Habib pelo nome correto, tortura.

Isso fez com que um dos jornalistas mais diligentes e independentes do mundo sobre os detentos da Baía de Guantánamo, Andy Worthington, publicasse as revelações Wikileaks e destacasse a década ignorando o precedente legal no fundo do buraco negro cubano e norteamericano, onde inúmeros homens foram torturados e encarcerados.

Ler a obra abundante de Worthington ao longo dos anos, faz o leitor pensar por que os repórteres em maior evidência não investiguem o campo de prisioneiros com um olhar muito crítico. Isso se dá porque, como o ex-funcionário de Bush disse, muitos jornalistas dos EUA queriam ser vistos como "patrioas" e defendendo os interesses dos EUA. A verdade esteve em um distante terceiro lugar. Guantánamo era um lugar onde as experiências psicológicas e a tortura eram comuns.

Mas por que razão as últimas revelações Wikileaks as quais, publicamente, devem ser vistas como uma mera opinião oficial dos EUA ao invés de relatar fatos reais? Ficamos sabendo que os EUA permitiram vários serviços de Inteligência de países repressivos, a ter acesso aos presos de Guantánamo, incluindo representantes da China, Rússia e Arábia Saudita.

Neste processo altamente danoso, comprometeu-se também a Austrália durante o governo de Howard, quando tal processo emergiu em 2005, em que autoridades chinesas receberam permissão para interrogar os requerentes do asilo da China, no centro de deenção Sidney Villawood.

Nos anos posteriores ao 11 de setembro (e também antes), os EUA sequestraram suspeitos de terrorismo e enviavam-nos, através de rendições extraordinárias, aos respectivos Estados autoritários, onde esses prisioneiros seriam torturado a fim de se obter informações. Os últimos arquivos de Guantánamo confirmarm que Washington também foi solicitado por regimes repressivos, para auxiliá-los na identificação de pessoas, bem como, provavelmente, ameaçando as famílias deles para volta para casa.

Os arquivos de Wikileaks detalham o tratamento dos EUA ao cinegrafista do Al Jazeera, Sami al-Hajj, que padeceu, sem acusação, por seis anos em Guantánamo. Agora, pode ser confirmado que ele apenas estava na prisão porque a administração Bush detestava a rede de notícias com sede em Qatar, e queria obter mais informações sobre sua suposta ligação ao terrorismo. Esta é uma deprimente advertência para empresas de mídia do mundo inteiro.

A resposta do governo Obama para o último despejo de documentos, foi tipicamente orwelliana. Foi dito aos advogados que representam os detidos em Guantánamo, mesmo depois que a imprensa divulgou amplamente os documentos Wikileaks, que os arquivos permaneceriam legalmente sob sigilo. O New York Times destacou perfeitamente o problema:

"Joseph Margulies, professor de Direito da Northwestern que representa Abu Zubaydah, o detido acusado de ser facilitador terrorista que sofreu afogamento simulado pela Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), disse que ele não poderia comentar as recentes divulgações sobre seu cliente, o que está postado no sítio do Times. "Todo mundo pode falar sobre isso", disse o sr. Margulies. "Mas eu mesmo não posso falar sobre isso".

Embora Wikileaks, em si, não fosse o foco principal deste lançamento (apenas resumidamente, de qualquer maneira), mais uma vez se provou a força do sítio de denúncias. As organizações noticiosas ocidentais foram forçadas a colaborar com uma organização com equipe relativamente pequena e de de pouco orçamento. A questão óbvia permanece, por que The New York Times, The Washington Post e The Guardian não receberam o furo através de suas próprias investigações?

Se o ex-soldado do Exército dos EUA, Bradley Manning, foi quem vazou as informações - o presidente Barack Obama já disse que Manning é culpado, afetando, sem dúvida, qualquer julgamento em potencial - que proporcionaram ao mundo uma visão valiosa sobre a tirania de uma superpotência, ele é um patriota no sentido mais verdadeiro da palavra.



Vazamento do WikiLeaks Revela que Tribunal Espanhol Foi Pressionado pelos Estados Unidos

30.11.2011 / Fonte: Telesur

Tradução de Edu Montesanti


Documentos vazados pelo sítio Wikileaks revelaram que o governo dos EUA pressionou a Justiça da Espanha, a fim de interromper um processo judicial envolvendo alguns agentes de inteligência militar dos EUA.

Wikileaks publicou um documento que comprova que a audiência da Espanha recebeu cartas e pareceres do então embaixador dos EUA, Eduardo Aguirre, entre 2005 e 2009.

Durante esses anos, os EUA expressaram sua intenção de paralisar o processo sobre violações dos direitos humanos na prisão ilegal da base naval de Guantánamo, no sudeste de Cuba, criada em 2002 para os suspeitos de terrorismo, para a Guerra no Iraque assim como para sequestros e voos secretos da Agência Central de Inteligência (CIA).

O sítio informou que os Estados Unidos ofereceram uma cifra de 85 mil dólares por prisioneiro em Guantánamo.

O ministro de Justiça espanhol, Francisco Caamaño, negou terça-feira que Washington ofereceu dar à Espanha soma em dinheiro pela hospedagem de prisioneiros em Guantánamo, como garantem os documentos vazados pelo sítio.

Caamaño disse não haver provas de que os EUA mantiveram contato com as autoridades espanholas.

A correspondente da Telesur na Espanha, Hilda Salas, disse que o governo espanhol tem se mantido em silêncio no que diz respeito aos documentos vazados pelo sítio, os quais também revelam que os Estados Unidos pediram que a ação movida por um juiz espanhol pela morte do repórter espanhol, José Couso, não seja levada à cabo.

Couso morreu em Bagdá, capital do Iraque,em 8 de abril de 2003, sob fogo de tanques norteamericanos.

Os documentos que vazaram por WikeLeaks com a embaixada espanhola, fiscais dos EUA na Espanha para interromper um processo judicial em que a nação americana está envolvido.

Salas disse que quando se revelam informações como essa que "deixa uma potencial vulnerabilidade colocado entre a imparcialidade dos juízes (...) Descobre-se a desconfiança da Justiça espanhola".

Ela disse também que as organizações sociais na Espanha estão exigindo exoneração do cargo de alguns funcionários envolvidos nesses casos, entre os quais o procurador-geral Cândido Conde-Pumpido, e vários procuradores da Audiencia Nacional, especialmente o chefe, Javier Zaragoza.

"Estão pedindo explicações e não sei qual a reação do governo", disse a repórter.

A família do jornalista José Couso anunciou que está ponderando medidas legais com seus advogados, a fim de processar as possíveis atitudes da Justiça espanhola.

Javier Couso, irmão do jornalista, considerou que o desempenho do governo espanhol em relação aos pedidos dos EUA de "deixar de lado" o processo, constitui um "exemplo de servidão e submissão" da Espanha em relação à administração dos EUA.

Neste domingo, o Wikileaks, que se define como "um sítio que publica denúncias anônimas e documentos contendo delicados assuntos religiosos, corporativos ou governamentais, preservando o anonimato de suas fontes", vazou 250 mil documentos.

A maioria dos escritos revela que as embaixadas dos EUA na América Latina e no resto do mundo funcionam como centros de vigilância sobre as ordens do Departamento de Estado dos EUA.



WikiLeaks: Japão Foi Avisado sobre Deficiência na Segurança das Usinas

16.3.2011 / Fonte: SZRD Internacional


O governo japonês foi alertado, há mais de dois anos, que as regras de segurança das centrais nucleares estavam fora de data e fortes tremores poderiam causar "um problema grave". A informação está em telegramas oficiais obtidos pelo site Wikileaks e publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico "The Telegraph".

Um funcionário da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que em dezembro de 2008 a segurança das usinas nucleares japonesas estavam desatualizadas. O governo do Japão havia se comprometido a aumentar a segurança em todas as usinas, segundo o Wikileaks.

Os avisos sobre a segurança das usinas nucleares no Japão, um dos países sismologicamente ativos do mundo, foram abordados durante uma reunião sobre segurança nuclear do G8 e do Grupo de Segurança em Tóquio, em 2008.

Ainda no documento divulgado pelo Wikileaks, um funcionário da AIEA explicou que os guias de medidas para segurança sísmica só foram revistos por três vezes nos últimos 35 anos e que a agência está reexaminando agora.

Desde o terremoto com magnitude 9,0 de sexta-feira, a usina nuclear Fukushima Daiichi 1, no nordeste do Japão, sofreu quatro explosões e dois incêndios. A situação espalhou uma onda de medo sobre uma possível contaminação radioativa no país.



Visa e Mastercard: Beneficiários do Lobby do Departamento de Estado Norteamericano

8.12.2010 / Fonte: Wikileaks.ch

Tradução de Edu Montesanti


Tanto Visa quanto Mastercard, receberam apoio lobbista do Departamento de Estado sob o governo do presidente Barack Obama, revela o mais recente lançamento do Cablegate.

Um cabo da embaixada de Moscou, datado de 1° de fevereiro de 2010, traz os detalhes de uma nova lei de processamento de cartão russo, para o qual a embaixada disse ser "desvantajoso aos negócios dos EUA", e pediu que autoridades dos EUA tomem medidas. (Clique aqui).

"Essa proposta de lei segue causando prejuízos aos cartões de crédito norteamericanos, os líderes de mercado Visa e MasterCard, "se estes aderem ou não ao Sistema de Cartão de Crédito Nacional", disse.

A Rússia considerou a possibilidade de implementar um novo sistema de crpeditos (chamado NPCs), o que criaria um novo processador de pagamentos executados pelos bancos estatais russos. Este lideraria todo o processamento de bancos domésticos no país.

"As taxas para esses serviços estão estimadas em 120 bilhões de rublos (moeda russa, 4 bilhões de dólares norteamericanos) por ano ... a grande maioria dos negócios da Visa na Rússia é feita com os cartões emitidos e utilizados na Rússia, com os rendimentos do processamento indo para os NPCs,e a Visa deixaria de lucrar com essas operações".

Ao discutir as possíveis causas da legislação restritiva, um alto funcionário da Visa no país disse à embaixada que acredita que a mudança se devia a suspeitas russas de que Visa e Mastercard passavam informações ao governo dos EUA.

"[Editado] acredita que, pelo menos como vice-ministro, as mãos de MinFin estão atadas. Acontece que os serviços de segurança russos estavam por trás desta decisão, [editado] disse: 'Há alguns segredos (governo) a fim de que ninguém seja visto, mas todos tenham de cumpri-la'. "Conforme descrito, a empresa de cartão de crédito e os representantes do banco disseram.nos que funcionários do GOR (governo da Rússia), aparentemente, afirmam que os sistemas de pagamentos dos EUA, frequentemente, vazam dados relacionados às transações de pagamento realizadas pelos portadores dos cartões da Rússia, aos serviços de inteligência dos EUA de outros países. "

O agente económico da embaixada, Matthias Mitman, concluiu o cabo instando a medidas.

"Enquanto o projeto de lei ainda tem de ser apresentado à Duma (Assembleia Nacional russa) e ainda pode ser alterado, continuaremos manifestando nossas preocupações aos altos funcionários do GOR", disse ele.

"Recomendamos que os dirigentes do USG (Governo Federal norteamericano) aproveite bem as reuniões com seus colegas russos, inclusive através da Comissão Bilateral Presidencial, para pressionar o GOR a alterar o texto do projecto, além de garantir que as empresas de cartões de crédito dos EUA não sejam prejudicadas".



Lista de Compras Secretas do Império dos EUA

5.12.2010 / Fonte: WikiLeaks.ch

Tradução de Edu Montesanti


Diplomatas dos EUA foram convidados para, secretamente, recolher informações sobre o estado - e as vulnerabilidades - de infra-estruturas e recursos essenciais nos países de anfitriões, revelam novos materiais dos cabos da Embaixada.

O cabo, enviado em 18 de fevereiro de 2009 e lançado pela WikiLeaks hoje, contém a primeira versão da lista Iniciativa de Dependências Estrangeiras Críticas, "Infraestruturas Críticas e Recursos-Chave". Ela contém todos os sítios estrangeiros considerados de importância crucial para o governo dos EUA. Detalha uma longa lista de instalações, muitas delas obscuras, que os EUA possuem ao redor do mundo, as quais o governo norteamericano percebe se tratar de vitais para suas operações, com especial foco no combate à guerra.

Instalações como a Associação de Oleodutos de Gás Nadym (Nadym Gas Pipeline Junction) na Rússia estão incluídas, essa descrita como "a instalação de gás mais importante do mundo". MacTaggart Scott na Escócia é apontada como "fundamental para o navio nuclear submersível", enquanto, no Iêmen, a Bab al-Mendeb é um "nó crítico da cadeia de fornecimento".

Funcionários da Embaixada são solicitados a fornecer informações básicas sobre todas as instalações que julguem ser necessariamente adicionadas à lista, além de "qualquer informação sobre as condições no país que levem a acreditar que a CI / KR [Infraestrutura Crítica / Recursos-Chave] é um alvo em potencial, ou particularmente vulnerável devido a circunstâncias naturais". Em mais um golpe para as recusas do Departamento de Estado a que os funcionários de sua Embaixada participem de atividades de recolhimento de informações, os cabos revelm que "postagens não estão sendo solicitadas a fim de consultar os governos anfitriões com relação a este pedido".

O cabo que contém a resposta da Embaixada do Qatar a este pedido, enviado em 26 de março de 2009, mostra as informações detalhadas e atenção para os sítios na lista. Ressalta também quais medidas os EUA estão tomando para proteger tais instalações no exterior, incluindo a ajuda de oferta ou subvenções, ou promovendo uso de serviços dos EUA e da tecnologia como medidas de segurança. O documento, assinalado como SECRET NOFORN, foi colocado na SIPRNet, uma rede tida como acessível por um número estimado de 2,5 milhões de empregados do setor civil, militar e privado.

O porta-voz do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, disse:

"O mais recente lançamento dos cabos da Embaixada, revela que embaixadas dos EUA foram convidadas a reunir informações sobre infraestrutura e recursos, sem prévio conhecimento ou consulta dos governos que as acolhem.

"Isto joga por terra ainda mais as alegações feitas pelo governo dos EUA de que os funcionários de sua Embaixada não desempenham um papel de inteligência.

"Em termos de problemas de segurança, enquanto tal cabo detalha a importância estratégica dos alvos em todo o mundo, não apresentam qualquer informação sobre sua localização exata, sobre as medidas de segurança, vulnerabilidades ou quaisquer outros fatores semelhantes - embora ele revele, sim, que os EUA pediram a seus diplomatas que apresentem um relatório sobre esses assuntos.

"Este cabo foi vazado, como o resto dos cabos da Embaixada, disponíveis para 2,5 milhões de pessoas incluindo funcionários do setor civil, militar e privado - uma distribuição muito vasta de informações classificadas de alta importância, relatando muitos governos estrangeiros".

Veja lista completa, clique aqui



A Estratégia da CIA para Manipular a Opinião Pública Europeia Quanto à Guerra no Afeganistão —
Revelações de um Documento Ciático

por Tom Burghardt*, 30.3.2010 / Fonte: Resistir.info


Desde o seu lançamento em 2007, o sítio web de denúncias WikiLeaks tem sido sujeito a "atos hostis" de serviços de segurança estatais e privados por revelar casos de crime, corrupção e violência perpetrados na profundidade dos estados capitalistas.

Mas ao invés de se acovardar com as ameaças do governo ou atos abertos de violência, incluindo o assassinato de dois promotores dos direitos humanos em Nairobi, em março último, os quais proporcionaram aos denunciantes relatórios sobre matanças extrajudiciais da polícia do Kenya, WikiLeaks virou a mesa sobre a CIA.

Em 26 de Março, o grupo publicou um documento notável que esboça a estratégia da Agência para manipular a opinião pública europeia sobre o apoio declinante à guerra no Afeganistão.

O documento classificado como "Confidential/NOFORN" (No Foreign Nationals) de 11 de Março de 2010 intitula-se "Afeganistão: Sustentar o apoio da Europa Ocidental para a Missão conduzida pela OTAN – Por que contar com a apatia pode não ser suficiente" ("Afghanistan: Sustaining West European Support for the NATO - led - Mission -- Why Counting on Apathy Might Not Be Enough").

Preparado pela Red Cell da CIA, a entidade é descrita no texto como uma sub-unidade da Agência "encarregada pelo Diretor de Inteligência de adotar uma abordagem 'pronta para ser usarda que provocará [mudança de] ideias e apresentará um ponto de vista alternativo sobre todo o conjunto de questões analíticas".

Segundo a equipe WikiLeaks, "As estratégias propostas centram-se em pontos de pressão que foram identificados dentro desses países. Para a França, é a simpatia do público para com refugiados e mulheres afegãs. Para a Alemanha, é o medo das consequências da derrota (drogas, mais refugiados, terrorismo) bem como para a posição da Alemanha na OTAN. O memorando é uma receita para a manipulação dirigida da opinião pública em dois países aliados da OTAN, escrito pela CIA".

Curiosamente, num eco do capitalismo real e não imaginado, com conteúdo social vivo, a CIA evoca à sociedade do espectáculo de Guy Debord. Afinal de contas, foi Debord quem, ao comentar acerca da capacidade das sociedades contemporâneas de produzir e reproduzir um mundo monstruoso "mediado por imagens", primeiro identificou os media como o locus central para administrar a própria realidade.

O melhor e mais brilhante novo conselho dos mestres políticos dos EUA em Langley, sustenta que embora a "apatia" possa ser aos seus aliados mais forte ao travar a infindável "guerra ao terror", não se pode contar com ela indefinidamente para apoiar o projeto imperial.

Contraste à evocação da CIA da "apatia" como ferramenta para travar a guerra, a percepção de Debord de que "o espectáculo (...) exprime nada mais que sua vontade de dormir. O espetáculo é o guardião daquele sono". Alguém pode acrescentar que o proposto assalto da Agência à mídia [para manipular] a opinião pública ocidental está sendo preparada precisamente para garantir que as massas continuem sonolentas.

França e Alemanha: Rumo à saída?

A queda, no mês passado, do governo holandês devido ao seu apoio contínuo à ocupação do Afeganistão conduzida pelos EUA, foi uma campainha de despertar para Washington.

A notícia foi recebida com desgosto pelos partidários da intervenção afegã, e pelos os seus sicofantas da mídia. O New York Times informou a 21 de fevereiro, que quando fracassou o esforço final para manter as tropas holandesas no Afeganistão isto imediatamente levantou "temores de que a coligação militar ocidental a travar a guerra estava cada vez mais em risco".

Quando forças estadounidenses e britânicas intensificavam operações por todo o teatro do Afeganistão, lançando ataques assassinos e indiscriminados com aviões sem piloto no Paquistão e "matanças direcionadas" e massacres ali, o espectro de um recuso significativo por parte dos governos francês e alemão fez soar campainhas de alarme no Pentágono.

A retirada planejada para dezembro de cerca de 2 mil soldados holandeses da International Security Assistance Force (ISAF), sem dúvida prejudicaria os trabalhos em andamento. Os holandeses atualmente operam na inquieta província sulista de Oruzgan, a norte das fortalezas do Taliban, nas províncias de Helmand e Kandahar onde importantes operações militares estão em curso; sua partida iminente, alterará significativamente os planos da OTAN.

Embora a história de cobertura para a intensificação de operações no Afeganistão por parte de Washington seja ostensivamente destruir a base de dados afegã-árabe dos descartáveis ativos de inteligência ocidentais conhecidos como al-Qaeda, e travar a avalanche de drogas de atingir os consumidores ocidentais, isto é e sempre foi um ridículo conto de fadas.

Como sabemos através de incontáveis investigações e revelações ao longo de décadas, desde o Vietnã até Watergate, e desde o caso Irã-Contras à infindável "Guerra ao terror", o comércio internacional de drogas é a criada de serviço das campanhas de contrainsurgência do Pentágono, de operações da CIA e da violência das elites por todo o mundo.

O New York Times informou a 21 de março que as lucrativas plantações de ópio do Afeganistão já não são um objectivo das operações militares. Segundo o Times, a posição dos militares é clara: "As forças dos EUA já não erradicam", como afirmou um oficial da OTAN. O ópio é o principal meio de vida de 60 a 70 por cento dos agricultores em Marja, a qual foi tomada pelos rebeldes talibans em uma grande ofensiva no mês passado. O fuzileiros navais americanos que ocupam a área têm ordens para deixar incólumes os campos dos agricultores".

Mas com os maiores atores do jogo da droga no Afeganistão ligados a aliados próximos dos EUA no governo Karzai, o significado implícito é claro. Como há muito argumentaram os analistas Michel Chossudovsky e Peter Dale Scott, as intervenções americanas tendem a administrar, não a eliminar os fluxos globais de drogas, favorecendo narcotraficantes que cooperam enquanto aponta para a destruição dos que não cooperam.

Como informou Scott em janeiro no Global Research , nada menos que Antonio Maria Costa, o chefe do Gabinete de Drogas e Crime das Nações Unidas, afirmou que "o dinheiro da droga, no valor de milhares de milhões de dólares, manteve o sistema financeiro flutuando na altura da crise global [de 2008]". Na verdade, Costa disse a The Observer em dezembro último, que viu a evidência de que "no ano passado, as receitas do crime organizado foram 'o único capital líquido de investimento' disponível para alguns bancos à beira do colapso".

E como revelou Chossudovsky em 2005, de acordo com um relatório do Senado dos EUA, "uns US$500 mil milhões a US$1 milhão de milhões em receitas criminosas são lavados através dos bancos em todo o mundo a cada ano, com cerca da metade daquela quantia movimentada através de bancos dos Estados Unidos".

Acima de tudo, a estratégia da CIA é destinada a deter qualquer tentativa de cidadãos da Europa de encurralar os seus governos e forçá-los a finalizar a sua participação nos esforços efetuados pelos EUA para recolonizar a Ásia Central e do Sul.

Um abalo, comentou Julian Lindley-French, professor de Estratégia de Defesa da Academia Holandesa de Defesa, em Breda, ao New York Times: "Se os holandeses se vão, a implicação de tudo isso é que podia abrir as portas para outros europeus dizerem também, 'Os holandeses estão indo embora, nós também podemos'."

Dados estes sentimentos, a CIA e o Pentágono voltar-se-ão para "outros meios", a fim de impedir os seus parceiros da OTAN de rumar para a saída.

Uma operação cínica dos media

As operações da CIA com a mídia, está em plena consonância com os objetivos e métodos utilizados pelos planeadores da guerra dos EUA. Na verdade, a manipulação da opinião pública por batalhões de especialistas em relações públicas, pesquisadores de opinião e antigos oficiais de alta patente, muitas vezes empregados por corporações gigantes da defesa e da segurança como "matilhas de caça", são parte do exército secreto do estado de "multiplicadores de mensagens de força".

Que tais operações têm consequências desastrosas para o funcionamento de democracias, para não mencionar as vítimas da OTAN, não pode se suficientemente enfatizada. Para assegurar que as bombas continuem caindo ,e que o controle ocidental sobre o acesso as reservas vitais de gás e petróleo da Ásia Central continue, a opinião pública, tratada como uma frente essencial da "batalha do espaço" imperial, deve ser "adoçada".

Consequentemente, a CIA descobriu que "a baixa importância pública da missão no Afeganistão permitiu aos líderes franceses e alemães ignorarem a oposição popular e aumentarem firmemente as suas contribuições de tropas para a International Security Assistance Force (ISAF). Berlim e Paris atualmente mantêm o terceiro e quarto mais alto nível de tropas na ISAF, apesar da oposição de 80 por cento dos alemães e franceses a deslocações acrescidas para a ISAF, segundo inquérito do INR no fim de 2009".

O inquéritos do Escritório de Inteligência e Pesquisa (Bureau of Intelligence and Reserarch, INR) do Departamento de Estado descobriram:

Apenas uma fração (0,1-1,3 por cento) dos inquiridos franceses e alemães identificaram o "Afeganistão" como a questão mais urgente confrontada pelo seu país em uma pergunta aberta, segundo o mesmo inquérito. Este público classificou "estabilizar o Afeganistão" entre as mais baixas prioridades para os líderes dos EUA e da Europa, segundo inquéritos efetuados pelo German Marshall Fund (GMF) ao longo dos últimos dois anos.

Segundo o inquérito INR no fim de 2009, a visão de que a missão no Afeganistão é um desperdício de recursos e "problema não é nosso" foi citado como a razão mais comum de oposição à ISAF por alemães perguntados, e foi a segunda razão mais comum para franceses questionados. Mas o sentimento de que "o problema não é nosso" também sugere de que, até então, enviar tropas para o Afeganistão ainda não é um problema da maior parte dos eleitores. (CIA Red Cell, Afghanistan: Sustaining West European Support for the NATO-led Mission--Why Counting on Apathy Might Not Be Enough, 11 March 2010).

"Se algumas previsões de um verão sangrento no Afeganistão se verificarem", escrevem os planeadores da CIA, "o desgosto passivo de franceses e alemães com a presença das suas tropas poderia tornar-se hostilidade ativa e politicamente potente. O tom do debate anterior sugere que um aumento de baixas francesas ou alemães ou baixas de civis afegãos poderia tornar-se um ponto de viragem na conversão de oposição passiva em apelos ativos para a retirada imediata".

Isso deve ser evitado a todo custo. Cinicamente, os analistas da CIA concluem que "mensagens precisas poderiam evitar, ou pelo menos conter a reação adversa".

Ao olhar as coisas sobre a região, a CIA terá que manipular muito a fim de consertar o pretexto desgastado da OTAN para a intervenção no Afeganistão.

Como revelou a 13 de março uma investigação do jornalista Jerome Starkey em The Times, "um ataque noturno executado por pistoleiros estadounidenses e afegãos, levou à morte de duas mulheres grávidas, uma adolescente e dois responsáveis locais numa atrocidade que a OTAN a seguir tentou encobrir".

Segundo Starkey, quando pormenores do ataque vieram à luz, oficiais da OTAN afirmaram que a força havia descoberto os corpos das mulheres "amarrados, amordaçados e mortos" em uma sala, dando a entender que os pavorosos assassinatos foram obra de insurgentes.

"Uma investigação do Times ", escreve Starkey, "sugere que as alegações da OTAN são deliberadamente falsas ou, no mínimo, enganosas. Mais de uma dúzia de sobreviventes, oficiais, chefes de polícia e um líder religioso entrevistados nas proximidades da cena do ataque afirmaram que os perpetradores foram pistoleiros estado-unidenses e afegãos. A identidade e o estatuto dos soldados é desconhecida".

Tal como o guião do lançamento de qualquer novo produto, ou movimento para aumentar o interesse em uma mercadoria existente, os nichos de consumidores, as opiniões públicas francesa e alemã quanto à intervenção no Afeganistão estão agora sujeitas a uma estratégia de marketing dirigida pela CIA.

Consequentemente, desde que o inquérito INR descobriu que "os franceses [estão] centrados em civis e refugiados", analistas da CIA afirmam que "citar exemplos de ganhos concretos poderia limitar ou talvez até mesmo reverter a oposição à missão. Tais mensagens precisas poderiam causar acentuadas preocupações francesas com civis e refugiados". Na verdade, a percepção de que "contraditar o 'ISAF faz mais mal do que bem', é claramente importante, especialmente para a minoria muçulmana da França".

Tais construções cínicas são ainda mais notáveis quando se considera que "a minoria muçulmana da França" é acusada pelo estado francês, por seus apoiantes de extrema-direita e pelos guerreiros secretos americanos como uma verdadeira "quinta coluna" a ser estreitamente vigiada e, quando necessário, reprimida temendo que um alegado "contágio islâmico" ganhe raízes no coração da própria Europa!

Quanto a isso, "mensagens que dramatizem as consequências adversas potenciais de uma derrota da ISAF para civis afegãos poderiam alavancar [o sentimento] de culpa de franceses (e outros europeus) por abandoná-los. A perspectiva do Taliban a repelir progressos duramente conquistados na educação de meninas poderia provocar a indignação francesas, tornar-se um ponto de aglutinação para o público amplamente não religioso da França e dar aos eleitores uma razão para apoiar uma causa boa e necessária apesar das baixas".

Não importa que os senhores da guerra e a coligação islamita/mafiosa que inclui o governo Karzai, como documentado por inúmeras organizações de direitos humanos e pelas próprias mulheres afegãs, tais como a expulsa deputada Malalai Joya, tenham descoberto que as mesmas condições brutais contra as mulheres persistam hoje sob o retrógrado regime Taliban apoiado pelos EUA/Paquistão da década de 1990.

Para os alemães, contudo, serão jogadas as cartas xenófobas e nacionalistas. "Mensagens que dramatizem as consequências da derrota da OTAN para interesses específicos alemães, poderiam conter a percepção generalizada de que o Afeganistão não é um problema da Alemanha. Mensagens, por exemplo, que ilustrem como uma derrota no Afeganistão poderia aumentar a exposição da Alemanha o terrorismo, ópio e refugiados poderiam ajudar a fazer a guerra mais palatável para os cépticos".

Além disso, os analistas da CIA ressaltam que "a ênfase sobre aspectos multilaterais e humanitários da missão poderiam ajudar a facilitar as preocupações alemãs sobre travar qualquer espécie de guerra enquanto apelaria ao seu desejo de apoiar esforços multilaterais. Apesar da sua alergia a conflitos armados, os alemães viveram desejosos de romper precedentes, e utilizar a força nos Balcãs na década de 1990 para mostrar o compromisso para com os seus aliados da OTAN. Os inquiridos alemães mencionaram a ajuda aos seus aliados como uma das mais convincentes razões para apoiar a ISAF, segundo um inquérito INR, no fim de 2009".

Considerando que os aliados EUA/OTAN saltaram para dentro dos Balcãs só quando ficou claro que o imperialismo alemão, sob o governo em bancarrota de Helmut Kohl, pretendia destruir o estado socialista multicultural da Iugoslávia, e assim o fez só para não ser deixar para trás por um ressurreto estado unificado alemão com os olhos claramente centrados em mercados lucrativos da Europa do Leste, trata-se de, notavelmente, reescrever da história!

Outra carta com a qual a CIA pretende jogar é a alegada "confiança dos públicos francês e alemão na capacidade do presidente Obama para manusear os assuntos estrangeiros em geral e o Afeganistão em particular".

Na verdade, os apelos do novo capo de tutti capo dos EUA "sugerem que seriam receptivos à sua afirmação directa da sua importância para a missão do ISAF – e sensíveis a expressões directa de desapontamento para com aliados que não ajudam". Tais apelos directos do Padrinho global "podem proporcionar pelo menos alguma alavancagem para manter as contribuições à ISAF".

Dados do inquérito GMF mencionados pela CIA revelam que "quando aos inquiridos foi recordado que o próprio presidente Obama havia pedido deslocações de tropas acrescidas para o Afeganistão, o seu apoio à aceitação desta solicitação aumentou dramaticamente, de 4 para 15 entre perguntados franceses e de 7 para 12 entre alemães. As percentagens totais podem ser pequenas mas elas sugerem sensibilidade significativa quanto a desapontar um presidente que é encarado em sincronia com as preocupações europeias".

Outra bala explorável mencionada pela CIA são as mulheres afegãs. Consequentemente, estas "poderiam servir como as mensageiras ideais para humanizar o papel da ISAF no combate ao Taliban devido à capacidade que têm para falar pessoalmente e com credibilidade acerca das suas experiências sob o Taliban, suas aspirações em relação ao futuro e os seus temores de uma vitória Taliban".

Contudo, como destaquei acima, apenas algumas "mulheres afegãs" seria consideradas como "mensageiras ideais" nestas operações nos media. As de esquerda, feministas ou outras críticas do regime Senhores da Guerra-Máfia-Islâmicos de Karzai seriam, por definição, excluídas de tais fóruns. Para as poucas escolhidas que passam na revista, "iniciativas de envolvimento que criem oportunidades nos media para mulheres afegãs partilharem suas histórias com mulheres francesas, alemãs e outras da Europa poderia a ajudar a ultrapassar o cepticismo difuso entre as mulheres da Europa Ocidental quanto à missão ISAF".

Conclusão

Os Estados Unidos e seus aliados da OTAN estão deparando-se com a resistência firme no Afeganistão. A fim de reforçar o apoio político de cépticos cidadãos norte-americanos e europeus, a CIA e os seus "amigos" entre os conglomerados de gigantes dos media estão removendo todos os entraves.

A publicação deste documento analítico da CIA pela Wikleaks proporciona ao movimento antiguerra uma visão de como o imperialismo pretende vender ao público a infame guerra afegã.

Contraestratégias que potencializem este conhecimento podem em princípio proporcionar munições aos críticos que desafiam directamente a propaganda americana, desarmar os sicofontas académicos, nos media e na política e, ainda mais importante, descarrilar a política de travar guerras agressivas e "antecipativas" no futuro.

[*] Investigador residente em San Francisco. Seus artigos são publicados em Covert Action Quarterly, Global Research, Dissident Voice , The Intelligence Daily , Pacific Free Press , Uncommon Thought Journal , Antifascist Calling... e no sítio web Wikileaks. É o editor do livro Police State America: Us Military 'Civil Disturbance' Planning .

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=18376



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