


Malalaï Joya, jurada de morte no Afeganistão pelos senhores da guerra e talibans, nunca dorme duas noites na mesma casa, e só trafega pelo país escondida em uma burca com 12 seguranças fortemente armados. Premiada em todo o mundo, especialmente na Europa, tem recebido inúmeros convites para morar fora do Afeganistão, longe de todo o sofrimento de ter que viver escondida sob constante ameaça. Ela não aceita deixar seu país enquanto o povo sofre, sofrimento contra o qual tem lutado ativamente, desde criança. Joya alega que agora, reconhecida internacionalmente, não pode apoiar-se no sofrimento contra o qual sempre lutou para abandonar seu povo e sua luta: "Não sou melhor que meu povo".
Malalaï Joya
uma questão de dignidade
Malalaï Joya
uma questão de dignidade
Tradução de Edu Montesanti, de 


Garota que aprende rápido as coisas, Joya em muito pouco tempo começa a ensinar meninas e mães a ler e escrever - inclusive sua própria mãe! "Eu sabia que nossa saúde dependia da nossa educação", disse Joya este ano ao jornal francês Le Monde (
Em 1998, quando Joya tem 20 anos, ela e a família retornam definitivamente à pátria. A ocupação soviética retirou-se do Afeganistão nove anos atrás, deixando um vácuo político preenchido pelo Taliban e pelos senhores da guerra, ambos apoiados e armados pelos Estados Unidos na luta contra os comunistas.










Por exemplo, recentemente, mataram nove crianças na província de Kunar que recolhiam lenha nas montanhas. Um dos inúmeros massacres de civis inocentes aconteceu em meados de fevereiro deste ano, quando as forças lideradas pelos EUA mataram 65 moradores inocentes, a maioria deles mulheres e crianças. Neste caso, como em muitos outros, a OTAN afirmou que eles tinham matado apenas rebeldes, apesar de autoridades locais terem reconhecido que as vítimas eram civis. Para manter os fatos obscuros, eles ainda prenderam dois jornalistas da Al-Jazeera que tentaram visitar e fazer reportagem do local do massacre.




