


ONDA DE MANIFESTAÇÕES
Ou Primavera Brasileira?
Ou Primavera Brasileira?
De onde veio e para onde vai a efervescência que toma conta do Brasil desde 6 de junho é algo que se tenta ser diariamente interpretado pelos analistas mais sérios do Brasil e do mundo, dado o repentismo e ineditismo que a envolve. A realidade é que não se pode fazer uma leitura minimamente lúcida do que está acontecendo, sem ser politicamente incorreto, sem abrir mão dos muitos vícios ideológicos e interesses, especialmente político-partidários aos quais muitos insistem em se ater, dentro e fora da Imprensa.
O que tem varrido o Brasil tampouco pode ser pensado sem se considerar a geopolítica internacional, especialmente latino-americana, cuja região passa por transformações profundas enquanto sofre com a velha ingerência norte-americana - nem sempre à vista mas clarividentes e hoje, era da Internet, revelações para muitos inimagináveis têm desconcertado os velhos e envelhecidos xerifes do mundo.
Tudo o que envolve tais manifestações no Brasil hoje escancaram as contradições da "democracia" brasileira e seus oportunistas em todos os setores: não apenas o conteúdo das reivindicações, em grande medida justificável, mas também em relação à forma em que elas se dão entre a sociedade, em relação ao desempenho político frente a elas (entre muita omissão e oportunismo), e ao papel da mídia predominante ao tentar cooptá-las para cumprir seus interesses político-comerciais, pautando e manipulando informações gritantemente. As manifestações evidenciam uma sociedade farta deste sistema falido, extremamente corrupto e opressor que precisa ser radicalmente transformado. Mas se existe nisso tudo uma urgentemente necessária mudança rumo à participação ativa da sociedade nas questões políticas, sociais e econômicas do país, o breve futuro vai confirmar - se se trata de onda passageira, artificialmente estimulada, meramente desestabilizadora o que não seria novidade na história nacional e global, ou realmente fruto de maior consciência cidadã. Realidade incontestável é que as reivindicações são legítimas, e estão levando as velhas oligarquias do país ao constrangimento e enorme preocupação.
Abaixo, série de análises da sucessão de acontecimentos disto que se configura um paradoxo profundamente enigmático: legítimas manifestações populares de norte a sul de um país que, atolado em corrupção e desigualdades sociais das mais acentuadas do globo, esperou por elas 513 anos.
A situação caótica dos serviços públicos essenciais - saúde, educação, transportes, segurança, saneamento básico, moradia, etc -, partidos políticos defensores descarados de interesses próprios, em busca do poder a qualquer custo, totalmente distantes da sociedade, um Estado altamente discriminador e violento além de empresas de mídia acima do bem e do mal, escandalosamente tendenciosas, defensoras de interesses políticos e comerciais, do poder corruptamente estabelecido -, são fatores tão pateticamente evidentes quanto um governo (em muito pouco diferente dos que o antecederam, com algumas pequenas vantagens da presidente Dilma Rousseff) muito mais compromissado com a governabilidade que com a sociedade, invertendo catastroficamente (como todos os outros no Brasil) a máxima de Platão que a sociedade é fator primeiro, e o Estado, segundo. Apenas a opinião pública mobilizada, massiva e continuamente, pode modificar o atual descaso político diante de um sistema dominador e explorador, corrupto em sua essência.
Por outro lado, a mídia predominante manipulada pelos grandes políticos e corporações, guiada descaradamente por interesses político-comerciais, trata de pautar as atuais mobilizações de rua, e de manipular as informações do que ali ocorre. Enquanto isso, alguns meios tidos como "alternativos" que o são apenas no tamanho nanico e na tendência política, tratam de pegar carona nas manifestações usando fraseologia oportunista em favor do governo, minimizando os problemas do país e, assim como a "grande" mídia, descaracterizam as revindicações populares. A outra face de uma mesma moeda midiático-politiqueira.
Vários aspectos apontam a uma artificialidade envolvendo essas manifestações, ao invés de amadurecimento democrático. Pior que isso, há também sérios sintomas, dado o contexto atual e histórico, de se tratar de Estratégia de Tensão, conforme abordado em Reflexões e Perspectivas mais abaixo algo tão antigo quanto a própria formação dos Estados testemunhado caoticamente aqui mesmo, na América Latina no pós-II Guerra Mundial, e no caso específico o Brasil, às vésperas do golpe militar de 1964. E no caso da implantação desta Estratégia, poucos países possuem tanta propensão à intervenção militar hoje quanto o Brasil, através de retrocesso constitucional.
Em ambos os casos, (com pior cenário no breve futuro ao se confirmam esta segunda hipótese, é claro) passada a onda de protestos não apenas a sociedade tenderia a se reencontrar com o histórico vácuo que a distancia da vida política do país, como a própria política em si correria sérios riscos no futuro breve, saindo de fase conturbada.
Contudo, se for realmente fruto de amadurecimento democrático o país também sairá amadurecido, e não atribulado dessa fase de protestos. Afinal, "a coisa que mete medo em político, é o povo na ruas", conforme dizia Ulysses Guimarães (1916-1992), um dos maiores lutadores pela redemocratização do país em 1985, e pai da Constituição Federal de 1988.Eis o grande dilema brasileiro. O mais preocupante é que já vimos este filme, e ele tem sido uma constante na região mais rica em biodiversidade do planeta, exatamente a América Latina que vive período de amadurecimento democrático e prosperidade jamis visto em sua história, chamando a atenção e os interesses de todo o mundo.
Um ponto é absolutamente consensual hoje: o Brasil não sairá o mesmo dessa fase de manifestações. Tal destino depende, fundamentalmente, da leitura que façamos do que está ocorrendo além, é claro, das mobilizações das ruas (que dependem da conscientização) pois não há mais como recuar enquanto existe uma força contrária muito bem estruturada contra os interesses da sociedade, de maneira que se deve ir até o fim. Mais que de aplicação, o brasileiro precisa de alma. Agora, ou tudo ou nada no Brasil.
Tanto o entendimento quanto a luta prática que nos cabe, não são tarefas nada fáceis. Que o brasileiro tenha fôlego suficiente, e é certo que: 1. Mais que legítimas, as manifestações por todo o país indicam insatisfação profunda não exatamente com este governo como a maioria tem afirmado, mas com o sistema, e 2. O Futuro pode estar nas mãos do povo, e contamos para isso com a presidente da República, quem também conta conosco conforme tem declarado e demonstrado.
Não podemos negar os preocupantes sintomas que envolvem as manifestações conforme argumentado mais acima, forças externas por trás delas são muito prováveis inclusive dado o cenário internacional - documentada a participação da CIA em desestabilizações de nações exatamente como se dá no Brasil, onde tudo ocorreu repentinamente. Cabe à sociedade trazer este cenário a seu favor pois, conforme já afirmado, as reivindicações são, em grande parte, justificáveis.
Que tenhamos fôlego para que tudo isso seja escrito na história como uma verdadeira Primavera, não como mera fase de protestos e pior, que acabe pesando contra a própria sociedade. E que nem esse senso cidadão se esvaia no futuro, mas que apenas cresça, impulsione muitos outros movimentos apartidários a começar por uma Primavera Cidadã em nosso dia a dia dentro de nós, a se manifestar nos mínimos detalhes da vida cotidiana, e que proporcione um novo país possível. É só uma questão de liberdade...
Agora, ou tudo ou nada no Brasil.
Artigos de 26 de julho a 20 de junho, abaixo // Artigos de 20 a 16 de junho, na Página 2
Conteúdo abaixo:
Mau Presságio: Deputados Conclamam Novas Manifestações Massivas
Politicagem Endêmica: Defendendo o Correto, Oportunisticamente // Consciência Cidadã e Novos Horizontes
Estratégia de Tensão sem Fim // Espionagem Massiva Made in USA: 13º e Mais Forte Sintoma (ou 15º)
Aperte, e Eles Gemem! // Manifestantes de Rio Preto Acampados na Câmara Municipal // Pauta Canalha da "Grande" Mídia
Pesquisa - Corrupção: Alto Índice, Devagar com a Dor, o Santo É de Barro
Aprovação de Dilma: Queda Vertiginosa, e Brasil Pautado pelo Nada Midiático // Jornalecos & Saitecos: Hilariantemente Trágicos
Protestos Urbanos: Reflexões e Perspectivas // Respostas Práticas da Presidente - e Louváveis: Ou Tudo ou Nada no Brasil
Conteúdo da Página 2:
A Força das Ruas // Onde Estão Marco Feliciano e Silas Malafaia? // Sociedade Despertando // "Terroristas" Versão Tupiniquim

Imagem: A Nova Democracia
Não deixe de ler: Quem Agita o Brasil, e Por Quê - Papel da CIA, NSA, USAID nas manifestações no país vai sendo revelada
Reportagem traduzida de Strategic Culture Foundation (Estados Unidos), na seção Arquivo - Os Noticiários Mundiais
Mais reportagens sobre a conjuntura brasileira na Contracapa - Últimas Notícias
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A mídia oligárquica não investiga origem dos "líderes" dos movimentos opositores e seus fundos. Nada indica que mudará posição omissa (por questões óbvias). Não se trata de movimentos espontâneos e nem de líderes movidos por amor à democracia e ao povo brasileiro
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deve ter investigação reaberta - ainda que, desde os anos de Luiz Inácio, a contragosto do PT para tornar o caso ainda mais "estranho"
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ONDA DE PROTESTOS NO 'BRAZIL'
Primavera ou Massa de Manobra?
'BRAZIL'
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Educação precária. Sociedade despolitizada, "esquerda" inerte. PT aliado aos banqueiros e às classes dominantes, distante do povo
Mídia desregulada manipulando suas velhas massas de manobra. Governo federal é vítima dos próprios deslumbres com o poder
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Retornando ao Brasil de hoje, a sociedade do Rio está dando belos exemplos de senso cidadão e compromisso com a causa social/; questionando contundentemente a realização da tal Copa do Mundo, os serviços públicos, a "grande" mídia (especialmente a Rede Globo), corrupção política e a própria violência policial.
17 de julho de 2013


Em outras palavras: todo mundo faz! Como sempre, os usurpadores do poder servindo-se da sociedade através de uma democracia representativa mundialmente falida, projetada para corromper e administrar crises.
13 de julho de 2013, com 











